sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Fernando Baguinho, o sapateiro poeta



A Revista Municipal LISBOA editada pela Câmara da capital e com uma tiragem de 350.000 exemplares chega trimestralmente a casa dos lisboetas. O último número, de Julho de 2014, apresentava nas suas páginas 38 e 39 um interessante trabalho sobre Fernando Costa, que no popular bairro da Mouraria é mais conhecido por “Baguinho”.

Mestre Baguinho, o sapateiro poeta da Mouraria é o título que encima o texto sobre este homem simples e sempre sorridente. Trabalha na sua oficina, autêntica casa-museu, onde as paredes estão forradas com as suas recordações – molduras com quadros seus, fotografias e gravuras de gentes e de espaços que outrora deram vida a Lisboa.

Baguinho, alcunha que lhe deram por ser pequenino, adora Lisboa e o bairro que o viu nascer e crescer. Continuará a trabalhar porque precisa, “até quando Deus quiser”. E assim termina o excelente trabalho que a revista trouxe até nós.

Também António Lopes Machado director de A Comarca de Arganil, se refere a este “sapateiro muito curioso, originário de Fajão” no seu Editorial do dia 31 de Julho.

Fernando Costa é desde há cinquenta e sete anos associado da União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Quadros de sua autoria que teve a gentileza de oferecer à nossa colectividade estão expostos no Centro Paroquial Padre Anselmo no Colmeal.

Lisete de Matos no recente livro de João Barreto Nogueira Ramos GÓIS EM REDOR DE 12 PESSOAS terminava o capítulo sobre o Padre André de Almeida Freire com estes versos de Fernando Baguinho

COLMEAL, Ó TERRA MINHA

Simples formosa e rainha
Das margens do rio Ceira
Aldeia erguida na terra
Que vista do alto da serra
De entre todas és primeira

Tens um rancho, tens um Santo
Tens o amor dos filhos teus
Tens um rio que é um encanto
Tens alma cristã, tens fé em Deus


A. Domingos Santos 

1 comentário:

Anónimo disse...

Não conheço a pessoa. Os versos, que agradeço, chegaram-me do arquivo da UPFC, quando, tendo encontrado uns sobre o Cadafaz, da autoria de Arminda Silva, procurava outros sobre o Colmeal.

Depois de ler o artigo sobre o senhor Baguinho, dei comigo a pensar no mérito de o Colmeal ter suscitado aqueles versos a um lisboeta tão lisboeta quanto ele.

E a propósito de versos sobre o Colmeal ou outras terras, quem tem mais de sua ou outra autoria que queira partilhar?
Para já, ocorre-me que n’O Colmeal de maio de 1967 vem um trabalho muito interessante sobre Ádela, mas falando também da freguesia, da autoria do então jovem Doutor José Martins Nunes, atual administrador/diretor do Centro Hospitalar de Coimbra. Sobre Ádela, ainda, existirão seguramente vários outros da autoria de José Fernandes. E sobre as demais terras?

Adeus terra do Colmeal,
No meio tens um chorão.
Por causa das raparigas
É que os rapazes lá vão.

Também pode ser ao contrário, claro!

Açor, 8 de Agosto de 2014.

Lisete de Matos