sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Seladas – palco de grandioso almoço-convívio





Foi no sábado dia 16 de Agosto que o Parque de Merendas das Seladas esgotou com cerca de duzentos sócios e amigos que responderam afirmativamente ao convite lançado pela União Progressiva da Freguesia do Colmeal.



Muitos foram os que compareceram mais cedo para ajudar na preparação das mesas, do bar e na montagem de uma tenda (pelas fotos vê-se a quantidade de “entendidos”).






Mais uma vez as senhoras responderam com a sua inquestionável simpatia à nossa solicitação de partilha de sobremesas. Ninguém poupou elogios à mesa onde tantos e tão apetitosos bolos, pudins e outras “obras de arte” foram expostos.
O almoço que desta vez teve uma ementa diferente do habitual foi servido por uma autêntica equipa de profissionais “amadores”. E no final as senhoras tomaram conta da louça…

A solidariedade dos presentes manifestou-se também na aquisição de algumas rifas onde sobressaíam dois enormes presuntos, uma ventoinha, um grelhador de mesa e uma máquina de café.
Durante o convívio foram cantados os parabéns a um dos nossos associados que teve direito a uma “prendinha” por parte da organização.

Foi um convívio que a todos agradou. Valeu a pena!

UPFC
Fotos de A. Almeida Braz e A. D. Santos



quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Colmeal… mais perto de Trás-os-Montes



Cerca de duas semanas nos separam da nossa viagem ao Nordeste Transmontano. O dia 12 de Setembro está cada vez mais próximo.

Ao folhearmos um Jornal do Exército de Outubro passado deparámo-nos com um artigo sobre o Museu Militar de Bragança. Este museu será visitado pela comitiva colmealense entre muitas outras visitas previstas no programa.

O Museu Militar de Bragança guarda e expõe as memórias do passado para as gerações presentes e futuras.” Assim começa o artigo que ocupa as páginas 38 e 39 e inclui algumas fotografias. “Situado na torre de menagem do Castelo de Bragança, ladeada por panos altos de muralha e sete torreões, o Museu ocupa um património histórico edificado que foi elevado a monumento nacional a 16 de Junho de 1910”.

Mais adiante e referindo-se ao seu acervo: “As colecções patentes recordam a história militar do Nordeste Transmontano, apresentam a evolução do armamento ligeiro no Exército português desde o Século XII até ao Século XX e mostra a fortificação medieval.”

in Jornal do Exército, nº 631 – Outubro de 2013

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

União Progressiva 83º Aniversário


ALMOÇO COMEMORATIVO DO 83º ANIVERSÁRIO


Estimado Associado e Amigo,

No próximo dia 21 de Setembro, pelas 12h30m, na aprazível Quinta d’Oliveiras, em Alferrarede (próximo de Abrantes) vamos realizar o almoço comemorativo do 83º aniversário da nossa União Progressiva.

As partidas serão às 8 horas dos locais habituais: de Lisboa, Sete Rios – frente ao Jardim Zoológico e do Colmeal, Largo D. Josefa das Neves Alves Caetano.

A União voltará a disponibilizar transporte – 2 autocarros em Lisboa e 1 no Colmeal, proporcionando assim aos associados um percurso mais cómodo e mais agradável.

Mais abaixo encontra a descrição minuciosa da ementa que lhe propomos e também o detalhe da localização da Quinta d’Oliveiras, se preferir utilizar transporte próprio.
Vamos ter música ao vivo para nos podermos divertir um pouco durante a tarde.

Solicitamos o favor de proceder à sua inscrição o mais cedo possível para um dos seguintes contactos e até ao dia 15 de Setembro:
No Colmeal: José Álvaro/Anabela Domingos – 235 761 490 (noite);
Em Lisboa: António Santos – 96 2372866 ou Maria Lucília – 21 8122331 / 91 4815132.
Poderá ainda fazê-lo para o nosso endereço upfcolmeal@netcabo.pt

As condições para a inscrição são as seguintes:
Adultos: 30 euros; crianças até 3 anos, grátis; crianças dos 4 aos 10 anos, 50%.

Sabemos que estará connosco e com os seus familiares neste dia tão especial para todos, em que a União Progressiva comemora 83 anos.

A sua presença é muito importante. Esperamos por si!


Lisboa, 19 de Agosto de 2014

A Direcção  

MENU

APERITIVOS
Pastéis de bacalhau, rissóis de camarão, croquetes de vitela, presunto laminado, queijinhos secos e enchidos regionais.
Vermutes, moscatel, whisky novo, gin, águas minerais, refrigerantes, sumo de laranja e cerveja.

ALMOÇO
SOPA: De peixe da Dona Helena.
PRATO DE PEIXE: Bacalhau coberto com broa crocante.
PRATO DE CARNE: Bochechinhas de porco preto no forno.
SOBREMESA: Pudim de ovos.
BEBIDAS: Vinho branco e tinto “Adega da Vila”, cervejas, água mineral e sumo de laranja.
DIGESTIVOS: Café e whisky novo, medronho e licores nacionais.

LANCHE (SERVIDO À MESA)
QUENTES E FRIOS: Caldo verde, arroz de tomate, escalopes de porco, rissóis de camarão, pastéis de bacalhau, calamares à romana, panadinhos de peixe, frango assado, presunto laminado e queijo.
BUFETE DE SOBREMESAS: Composto com quatro variedades diferentes

BOLO COMEMORATIVO E ESPUMANTE
ANIMAÇÃO MUSICAL                        BAR ABERTO



segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Almoço de aniversário da União


Vai ser no próximo dia 21 de Setembro que na Quinta d’Oliveiras próximo de Abrantes a União Progressiva da Freguesia do Colmeal vai comemorar o seu 83º aniversário.

Faça já a sua pré-reserva para os números de telefone habituais:

Em Lisboa - António Santos – 217153174 / 962372866; Maria Lucília – 218122331 / 914815132 e no Colmeal - José Álvaro/Bela – 235761490 / 967549505.

Garanta assim o seu transporte gratuito, visto que apenas serão disponibilizados dois autocarros em Lisboa e um no Colmeal.

Esteja atento à sua caixa de correio pois brevemente voltaremos ao seu contacto com mais pormenores.


UPFC 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Anos 40-50 do século passado



Era assim o Cimo do Lugar, um dos pequenos “bairros” existentes no Colmeal. Casas escuras de pedras e de loisas, encaixadas na pequena encosta. Apenas de permeio uma rua de terra batida. Casas diferentes das de agora. Tinham vida. Tinham gente. Tinham alegria, dor, tristezas, bulício da pequenada, felicidade, lembrança e saudade dos que estavam longe, animais para tratar, leiras para cultivar, tinham vozes que se ouviam e que por vezes ecoavam pela aldeia.

Hoje, tudo é tão diferente. Apenas o silêncio. As casas abandonaram a escuridão e as pessoas abandonaram as casas. Uns por necessidade e outros pela lei da vida. A rua, agora calcetada, mas sem pessoas que a calquem. O chinelar das tamancas pertence ao passado tal como o cântaro à cabeça e o chiar do carro de bois. Já não se lança o pião nem se joga ao agarra ou às escondidas. Já não há quem passe com o sarrão à cabeça para ir ao “munho” ou a cesta de roupa para lavar no rio.

Olhando para a fotografia vêm à memória muitos dos que ali moravam. Já a caminho das Seladas e do Senhor da Amargura, a última casa era o que se podia chamar de “uma casa cheia”. Ali viviam Libânia e Germano com os seus dez filhos – Etelvina, Arménio, Fernando, Joaquim, Belmira, Alquecina, Manuel, Lúcia, Fátima e Carminda. Um pouco antes, ao Forno, a Emília e a Laurinda, que eram do Marmoiral. Logo a seguir, na Mina, a Maria e também o Alfredo “Malacho”, pai do nosso amigo “Tenente”.

José Antunes André, de Aldeia Velha e que foi um dos fundadores da nossa União Progressiva vivia com a esposa Maria Olinda e a filha Alice que com Mário de Almeida enriqueceram a casa com os jovens Fernando, Etelvino e Maria Helena.
Ao lado, a casa que ainda hoje mantém as características desse tempo e onde viviam Augusta e o marido, que todos conhecíamos como “Ti Zé do Quelho”. Um pouco acima e do fontanário vivia a “Ti” Rosa que recebia com muita alegria a visita dos seus netos vindos da Eira, o Fernando, a Graça e a Adosinda.

Descendo um pouco a rua recordamos a “Ti” Maria do Vale d’ Égua e ao cimo das escadas que a separavam de Gracinda e dos filhos Victor, Maria Idália, Samuel e Cecília vivia Manuel Madeira, a esposa e os três filhos, a Alice, o José e o Américo. Seguia-se Maria e Fortunato Joaquim que tiveram cinco filhos – Aires, Manuel, Ilda, Arménio e António, com o seu pequeno estabelecimento de mercearias e bebidas (ainda recordo os pirolitos com o berlinde) onde esteve instalado ocasionalmente o posto público do telefone. Logo a seguir e no topo de umas íngremes escadas viviam o “Ti” Zé do Quintal e Patrocínia de Jesus. Os seus três filhos, Manuel, Armando e António já nesses tempos labutavam por Lisboa. António Martins, Guilhermina e a filha Aurora também faziam parte daqueles que davam vida a esta parte da aldeia.

Do outro lado do caminho que nos levava ao Largo encontrava-mos a Alice e os filhos Maria Alice, Miquelina e Bernardino. Na casa próxima, o “Ti” Manuel Domingos, que muitas vezes víamos a carpinteirar na sua bancada colocada no exterior.

Começando a descer as escadinhas da Reigota, logo ao cimo, ali estava outra “casa cheia”. Hermano dos Santos, mais conhecido pelo “Ti” Hermano “o moleiro”, Maria dos Anjos de Almeida e os cinco filhos, Américo, Aníbal, Joaquim, Maria da Natividade e o Fernando. No final das escadas, um pouco à direita, a Lucinda “da padaria”.

Era assim o Cimo do Lugar. Que eu conheci.

A. Domingos Santos

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Fernando Baguinho, o sapateiro poeta



A Revista Municipal LISBOA editada pela Câmara da capital e com uma tiragem de 350.000 exemplares chega trimestralmente a casa dos lisboetas. O último número, de Julho de 2014, apresentava nas suas páginas 38 e 39 um interessante trabalho sobre Fernando Costa, que no popular bairro da Mouraria é mais conhecido por “Baguinho”.

Mestre Baguinho, o sapateiro poeta da Mouraria é o título que encima o texto sobre este homem simples e sempre sorridente. Trabalha na sua oficina, autêntica casa-museu, onde as paredes estão forradas com as suas recordações – molduras com quadros seus, fotografias e gravuras de gentes e de espaços que outrora deram vida a Lisboa.

Baguinho, alcunha que lhe deram por ser pequenino, adora Lisboa e o bairro que o viu nascer e crescer. Continuará a trabalhar porque precisa, “até quando Deus quiser”. E assim termina o excelente trabalho que a revista trouxe até nós.

Também António Lopes Machado director de A Comarca de Arganil, se refere a este “sapateiro muito curioso, originário de Fajão” no seu Editorial do dia 31 de Julho.

Fernando Costa é desde há cinquenta e sete anos associado da União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Quadros de sua autoria que teve a gentileza de oferecer à nossa colectividade estão expostos no Centro Paroquial Padre Anselmo no Colmeal.

Lisete de Matos no recente livro de João Barreto Nogueira Ramos GÓIS EM REDOR DE 12 PESSOAS terminava o capítulo sobre o Padre André de Almeida Freire com estes versos de Fernando Baguinho

COLMEAL, Ó TERRA MINHA

Simples formosa e rainha
Das margens do rio Ceira
Aldeia erguida na terra
Que vista do alto da serra
De entre todas és primeira

Tens um rancho, tens um Santo
Tens o amor dos filhos teus
Tens um rio que é um encanto
Tens alma cristã, tens fé em Deus


A. Domingos Santos 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

"GENTES E FAMÍLIAS DA FREGUESIA DO COLMEAL - CONCELHO DE GÓIS"



INTRODUÇÃO


Avô como se chamavam os seus avós? E os pais deles? O avô ainda os conheceu? E quando e onde é que eles nasceram? 

Foi com perguntas como estas que há quase cinquenta anos comecei as minhas recolhas de informação e de motivação sobre uma temática de investigação de quem eram os meus antepassados. 

Inicialmente apenas recolhi informação transmitida verbalmente, socorrendo-me também de alguns elementos que o meu avô Alfredo tinha registado ao longo dos anos, posteriormente fui recolhendo elementos de conversas que fui mantendo sobre o tema quer com familiares, quer com outros amigos, e mais recentemente recolhendo elementos nos Arquivos Distritais, nomeadamente no de Leiria e no da Universidade de Coimbra. 

Com o decorrer dos anos, o “bicho” da investigação genealógica, foi-se aperfeiçoando e alargando, depois considerando que para o estudo dos meus antecedentes, as investigações me levavam a conhecer muitos dos nascimentos/batismos realizados na freguesia do Colmeal, pensei e porque não registar numa publicação, os elementos de que dispunha, para que os possíveis interessados noutras famílias da freguesia do Colmeal os possam mais facilmente consultar. 

Foi assim que nasceu a presente publicação que apresenta a Totalidade dos nascidos/batizados na Freguesia do Colmeal, desde 1739, até ao ano de 1896 (ano até ao qual os elementos já se encontram no Arquivo Distrital de Coimbra). 

Constam ainda desta publicação muitos dos ascendentes anteriores a 1739 ou seus descendentes, especialmente dos meus familiares diretos. Faltarão certamente alguns dos filhos dos casais descritos, nascidos após 1896, bem como os seus descendentes. 

Do total de nascimentos/batismos consultados e descritos, verifica-se que na freguesia do Colmeal, 23% são do Colmeal, 16% do Carvalhal, 14% do Soito, 13% da Malhada, 12% de Ádela, 8% de Aldeia Velha, 5% do Sobral, 2% de Carrimá, 2% do Roçaio, 2% do Açor, 1% da Foz da Cova, 1% do Saião e os restantes do Salgado e Vale de Asna. São ainda referidos como locais de nascimento Belide, Casal da Fonte do Bispo, Coiços, Cortada, Foz de Carrimá, Loural, Ponte, Portal da Malhada, Porto Dão do Carvalhal, Ribeira de Ádela, Safredo, Vale de Égua, Vale do Safredo e Vergadinha da Malhada, da freguesia do Colmeal. Por uma questão de investigação de antecedentes, são ainda referidas muitos nascimentos ocorridos nas mais diversas localidades, quer das restantes freguesias do concelho de Góis, quer dos concelhos de Pampilhosa da Serra, Arganil, Figueiró dos Vinhos, Lisboa, Almada, etc.

Introdução de ajuda técnica ao leitor na interpretação da presente publicação.
Para facilidade de leitura, interpretação e organização escrita, agruparam-se os diversos indivíduos constantes nesta publicação, em grupos, que se designaram por famílias, num total de 152.
A designação da família, em geral refere-se ao apelido da primeira pessoa com que se iniciou a descrição da família.
Cada família será composta por um gráfico, a que se segue uma descrição individual de cada indivíduo, mais ou menos completa, função do conhecimento que o autor teve das referências biográficas e relações familiares desse indivíduo.
Tem o autor a noção que um trabalho desta envergadura, que engloba mais de 10.500 indivíduos (dos quais 1040 na condição de padrinhos) está sujeito às mais diversas incorreções, quer devidas ao facto de parte da recolha de dados ter sido verbal, quer devido à dificuldade de interpretação/leitura dos livros consultados, livros esses escritos em caligrafia manual, com as inerentes dificuldades de interpretação, resultantes do facto de muitas vezes se escreverem os registos de batismo com as mais diversas e estranhas abreviaturas. São exemplo os apelidos Domingues e Domingos, bem como Francisco e Fernandes.
Sugere-se assim que os eventuais leitores desta publicação que queiram conhecer os seus antepassados dentro do período temporal estudado, desde 1739 até 1896 ou em certas famílias até à atualidade, comecem por procurar no índice, os indivíduos mais antigos de que conheçam a identidade, ( por exemplo os avós ou os bisavós ) e a partir daí tentarem navegar na publicação descobrindo como aconteceu ao autor, que nos seus conhecidos ou na porta ao lado havia familiares mais ou menos afastados com que nem sonhava.
Boas descobertas e alegre-se quando descobrir mais um familiar que nunca pensou que existia.
Julho de 2014

O autor 

Fernando Pinto Caetano 


Prefácio


Costumava falar de genealogia a propósito da utilização dos métodos qualitativos em ciências sociais. Mas, com exceção para “ A História genealógica da Casa Real Portuguesa”, em quinze volumes, nunca me tinha confrontado com uma obra genealógica que reconstitui cerca de cento e cinquenta e duas famílias, e integra mais de dez mil e quinhentos indivíduos. É o caso de “GENTES E FAMÍLIAS DA FREGUESIA DO COLMEAL-CONCELHO DE GÓIS”, da autoria de Fernando Pinto Caetano. Conforme consta da introdução, o livro refere-se à totalidade dos nascidos/batizados, e a alguns dos seus ascendentes e descendentes, na antiga freguesia do Colmeal (Góis), de 1739 a 1896. Surpreendida perante uma tão extraordinária narrativa, aceitei com agrado o convite com que me honrou para sobre ela escrever algumas palavras. 

Acontece, porém, que a obra e os seus protagonistas falam por si próprios, não carecendo de apresentação. Falam os nossos mais antigos, deambulando lestos ou cansados, conforme a idade e os motivos da deslocação, pelos caminhos inóspitos da serra, e pelas terras próximas ou distantes onde casam. Mais recentemente, falam os seus descendentes, nascendo e casando um pouco por toda a parte, na diáspora interna e externa. A todo o tempo, falam o autor e o livro, deambulando por arquivos e fontes, revivendo de terra em terra as vidas que antecederam e fundam as nossas, antecedendo e fundando as dos vindouros. 

A genealogia é uma ciência que estuda a origem, a evolução e a reprodução das famílias, e dos respetivos apelidos. Por essa razão, também é conhecida como História da Família, podendo ocupar-se apenas do levantamento dos antepassados e descendentes ou abranger as suas trajetórias e biografias. De qualquer modo, evocando componentes da memória familiar ou individual, acaba sempre por revelar, como a obra em apreço demonstra, singularidades e regularidades sociais, logo dimensões da vida coletiva. Neste registo, é uma ciência próxima e complementar da História, da Sociologia e da Demografia, resultando da articulação entre todas importantes sinergias. 

Num outro registo de natureza mais afetiva e identitária, a genealogia é uma forma de preservação da memória familiar, de reatamento e alargamento dos laços de parentesco que o tempo, a mobilidade geográfica e o quotidiano apressado fazem descurar. Neste sentido, tornando presentes os ausentes e facilitando a sua aproximação, a genealogia promove o enriquecimento relacional e o reforço da identidade das pessoas e comunidades. E como só se ama o que se conhece, é também um modo de intensificação dos afetos que nos prendem aos outros e aos lugares. 

Pessoalmente, ainda expectante de muitas outras descobertas, gostei de saber que os meus antepassados “Almeida” eram de Malhô (Cabril) e Fajão, no vizinho concelho da Pampilhosa da Serra; ou que a minha antepassada Maria Rosa, a quem remonta o sobrenome “Martins”, que o meu pai ainda tinha, atravessou o Ceira descendo do Carvalhal para casar subindo no Sobral. Como gostei de saber que na minha família de Ádela, de onde me vem o sobrenome “Paula”, há ascendentes de Soito, Roçaio, Boiças e Caratão de Celavisa. Ato contínuo, senti-me logo muito mais próxima dessas terras e curiosa em relação às que não conheço. Foi assim como se o livro me trouxesse notícias de familiares distantes, exatamente como fazia o avô do autor, que recordo a chegar, e a ver-se rodeado de mulheres impacientes de saudade e solidão:

- “Ó primo … Ó “ti” Alfredo, trás carta do meu homem …, do meu filho …, do meu pai …, do meu namorado … do meu irmão?” Umas vezes trazia, e era uma alegria se as novas eram boas, outras não, e ficavam ambos tristes. Até a mim o primo Alfredo trouxe notícias que então considerei boas e más, avultando entre as últimas a ordem expressa do meu pai para fazer a admissão ao liceu. Muitas cartas foram precisas para resolver o assunto! Cartas que iam e vinham embaladas no bornal farto do primo Alfredo, enquanto ele caminhava pela serra. Decorriam os anos cinquenta do século passado.

Depois de esta incursão pela memória pessoal, que também é suposto a genealogia suscitar, resta-me mencioná-la como forma de autoconhecimento, uma vez que a família é o nosso primeiro contexto de socialização, dependendo dessa experiência muito dos adultos que somos. Por outro lado, ao individualismo, à globalidade e à efemeridade, que informam os tempos de hoje potenciados pela internete e pelas redes sociais, a genealogia contrapõe a coletividade, a proximidade, a localidade e a continuidade que são próprias das relações familiares e grupais. A uma certa estandardização e homogeneidade contrapõe singularidade. 

Serve este discurso sobre genealogia para contextualizar e salientar a importância do trabalho de Fernando Pinto Caetano, a quem ficamos a dever o conhecimento dos nossos antepassados, mas também a honra e o orgulho de sermos das poucas comunidades que gozam desse privilégio. O autor está de parabéns pela qualidade e pela monumentalidade da sua obra, os colmealenses igualmente, pelo que a mesma representa para a visibilidade das suas terras, para a solidariedade acrescida, e para a valorização do seu património cultural, um legado que os nossos descendentes agradecerão. 

A obra de Fernando Pinto Caetano, engenheiro de formação e profissão, historiador e genealogista por devoção e dedicação, é ainda um contributo muito importante para a democratização da genealogia, um género que, durante séculos, apenas foi cultivado nos meios aristocráticos, por razões de linhagem, sucessão e herança. Sendo certo que a genealogia tem vindo a ganhar terreno como meio de apropriação da palavra e de inclusão na história, Fernando Pinto Caetano tem, neste contexto já de si proativo e emancipatório, o mérito da amplitude do seu trabalho e da generosidade com que o partilha. 

Aliás, não deixa de ser uma coincidência interessante que “GENTES E FAMÍLIAS DA FREGUESIA DO COLMEAL-CONCELHO DE GÓIS” venha a lume no ano em que se comemoram os novecentos anos do concelho de Góis. Nada mais oportuno do que, a propósito e a par com a evocação das grandes figuras e feitos da rica história de Góis, se lembrem também os cidadãos maioritariamente anónimos que contribuíram para a formação dessa mesma história, povoando e habitando o concelho, partindo e honrando longe o seu nome, voltando sempre. 

Sem ser capaz de imaginar a imensidão do trabalho de pesquisa e escrita – a escrita usada como poder e, formalmente, como utensílio organizador do pensamento e da informação – no que toca à leitura, posso dizer que é muito estimulante e socialmente discursiva. 

Será que Malhô ainda existe? E Caratão de Celavisa? Com ou sem residentes permanentes? Por que é que esta ou aquela pessoa, que conheci ou de que tanto ouvi falar, não consta? Já sei …, está na família tal ou tal. Não, nasceu depois de 1896, e os nascidos depois desta data só constam em algumas famílias. Possivelmente é isso! E este César, quem seria? Ah!, se era gémeo do Alfredo, então deve ter falecido de tenra idade, numa época em que a mortalidade infantil era grande. E os nomes?! Note-se como evoluem de repetitivos e clássicos, em sintonia com as normas de patronímio então vigentes, para diversificados e urbanizados, em consequência dos processos migratórios que cedo envolveram a freguesia. E que dizer da irregularidade dos apelidos, que podem ser diferentes de filho para filho, as raparigas não os terem ou a mesma pessoa adotar e usar vários? O que isto deve ter complexificado a investigação! 

Reparando nas muitas terras que são mencionadas, penso, por um lado que o casamento era geograficamente endogâmico, verificando-se dentro da localidade de residência ou entre localidades próximas, mas também exogâmico entre distantes, o que aponta para uma mobilidade regional significativa. E os casamentos?! Seriam por enamoramento ou haveria endogamia social, com vista ao reforço dos minipatrimónios possuídos ou da força de trabalho das unidades de produção familiares? E os nascimentos?! Se as casas que restam dos finais do século dezanove e princípios do vinte tendem para ser pequenas, como seriam as anteriores para nelas caberem tantos filhos? E do que é que viviam, se os terrenos cultiváveis ainda hoje são tão exíguos e pouco férteis? Para além dos habitualmente referidos, que fatores e métodos terão contribuído para a progressiva e drástica redução da natalidade? Olha!, nascimentos na Ribeira de Ádela e outros sítios recônditos?! Afinal, os atuais recém-chegados só estão a retomar uma dispersão do povoamento que já existiu. Muito curioso! Quem sabe se promissor?

Enfim, insisto, uma leitura muito estimulante, a confirmar a relevância da genealogia para a compreensão do Homem e das suas raízes, e para o entrelaçamento do presente com o passado na senda do futuro.

“GENTES E FAMÍLIAS DA FREGUESIA DO COLMEAL-CONCELHO DE GÓIS”, é uma obra notável, cujo valor e interesse os leitores e, muito especialmente, os colmealenses, saberão reconhecer. Por mim, visualizando-me ponto minúsculo na teia infinda da existência e raminho frágil das árvores e universos em que me insiro, agradeço a emoção renovada da pertença a um devir intemporal, que acolhe e atribui sentido à minha temporalidade. Na esperança do reencontro! 

Açor, 3 de julho de 2014.

Lisete de Matos