sexta-feira, 29 de novembro de 2013

COLMEAL - Festa de Natal 2013



Vai a União Progressiva da Freguesia do Colmeal realizar no próximo dia 8 de Dezembro pelas 11 horas, após a missa dominical, no edifício da Ex Junta de Freguesia, a já tradicional festa de Natal com distribuição de brinquedos aos mais novos e onde todos terão oportunidade de confraternizar com a população residente durante o habitual lanche.

O espírito de solidariedade que desde sempre caracterizou o Movimento Regionalista tem-nos permitido realizar há algumas décadas este fraterno convívio de Natal. A generosidade dos nossos associados e das entidades que habitualmente nos têm acarinhado tem sido fundamental para podermos continuar a levar aos mais novos e também aos mais idosos um pouco de amizade e de carinho, assim como alguma alegria e palavras de conforto.

Na véspera, dia 7, pelas 15 horas, a União Progressiva deslocar-se-á igualmente à Unidade Residencial Sagrada Família na Cabreira para entregar aos seus utentes uma simbólica lembrança e partilhar com todos eles um pouco da sua solidariedade e da sua amizade.

Convidamos todos os Colmealenses para nos honrarem com a sua presença, o que para nós será muito gratificante.


A Direcção 

A Feira dos Bois




Ao lermos o recente livro sobre a vida de José Maria Alves Caetano deparámo-nos a páginas 263, no capítulo Regional – Viagens, com um seu artigo publicado em 6 de Setembro de 1922 em A Comarca de Arganil, que a seguir tomamos a liberdade de transcrever na parte que se refere a uma visita que fez a Arganil e à feira dos bois.

   “Depois, uma visita mais detalhada à feira que, apesar de me não ter desagradado, me pareceu não ter progredido. Bem pode ser que me enganasse, visto que havia 39 anos que não via a feira e a nossa vista das 19 primaveras vê as coisas com cores mais vivas, predominando a cor-de-rosa.
   Pareceu-me, no entanto, que naquele tempo havia mais entusiasmo e que a feira era mais comercial e mesmo mais abundante em diversos artigos.
   Enfim, como já disse, é provável que os meus olhos me tivessem enganado.
   Gostei imenso da feira dos bois pela abundância e pelos belos exemplares que vi expostos, alguns bastante corpulentos e belamente tratados, ficando-me especialmente na retina uma junta do lugar de Ádela.
   Noutro tempo falava-se na feira dos bois em moedas (4$800 réis) e os preços oscilavam, para juntas de bezerros e bois de trabalho, entre 10 e 15 moedas; agora falava-se em centos de mil réis e em contos. Aquela junta de belos exemplares a que especialmente me referi, ouviu, se me não engano, um conto e duzentos mil réis, e os donos não aceitaram a oferta.”

Não pudemos deixar de associar esta passagem com um excelente trabalho da Dr.ª Lisete de Matos que recordávamos ter lido no extinto/suspenso Jornal de Arganil (29 de Setembro de 2011) e que tinha por título “Os bois de trabalho”.

   “Mostravam-se, uma vez mais, garbosos como os donos, na Feira do Mont’Alto. Não seriam mais de vinte, mas eram os suficientes para permitir aos muitos observadores mais ou menos nostálgicos ou interessados pelas espécies bovinas – sempre mais homens do que mulheres – o prazer do reencontro com aqueles antigos e pachorrentos companheiros de trabalho duro e andar vagaroso.
   Alguns eram reincidentes: lindos e gigantescos, são animais de exposição e concurso, hoje que as máquinas fazem com eficiência acrescida o trabalho que lhes competia, e que as estradas, por onde os respectivos carros chiavam gemendo de esforço e lonjura, foram substituídas por outras, infelizmente nem sempre compatíveis com as exigências do presente.
   Outros não: eram bezerros para comercialização, e cada junta custava a módica quantia de 2.000,00€. Precisamente o dobro do que custava há catorze anos, quando o meu tio Acácio me dizia, esperando que eu concretizasse o sonho que a idade já não lhe consentia: “Ó menina, que lindos animais! E baratos! Por duzentos contos leva-se para casa uma junta de bois de luxo!”

Como serão futuramente as feiras dos bois e quais os preços de mercado? Estamos certos de que alguém nos dará notícia e de preferência… na nossa imprensa regional.

A. Domingos Santos


  

Notícia de há 40 anos


64 Crianças inscritas na catequese paroquial” era o título da notícia que encimava a primeira página do Boletim “O Colmeal”, de Novembro de 1973.

“A paróquia do Colmeal tem 64 crianças matriculadas na catequese, e que frequentarão o 1º ano (49) e o 2º ano (15) de iniciação catequística. As idades das crianças variam entre os 7 e os 12 anos, e serão acompanhadas por 17 catequistas em centros dispersos pela freguesia (Colmeal, Carvalhal, Aldeia Velha, Soito, Malhada, Quinta de Belide, Ádela e Sobral).

Dentro das idades mencionadas, poderiam ter-se matriculado mais duas ou três crianças, mas alguns pais ainda pensam que a catequese serve apenas para fazer a primeira comunhão…”

Depois de algumas considerações sobre os benefícios da catequese vem a lista das sessenta e quatro crianças, que aqui reproduzimos na íntegra. E a pergunta que aqui deixamos é esta “Por onde andarão e o que farão hoje estas crianças de há 40 anos?”

“As crianças matriculadas são as seguintes:

Ádela: Ana Maria, Maria dos Anjos, José Augusto e António Santos Firmino.

Aldeia Velha: Gracinda de Jesus das Neves, Maria Aurora Brás Lopes, Armando Brás Neves, João Manuel de Almeida Neves, Lucinda Fernanda Lopes, Amorim Santos de Almeida e Maria Isabel Santos de Almeida.

Carvalhal: Clementina Martins dos Santos, Esmeralda de Almeida Vicente, Alzira Fernandes Moreira, Fernanda de Almeida Vicente, Amadeu de Almeida Santos, Alzira Fernandes Martins, Maria Cidália Nunes Baptista, Filomena Martins dos Santos, Acácio Fernandes Martins, Artur de Almeida Vicente, João de Almeida Gonçalves, João de Jesus Marques, Ramiro Martins dos Santos, Rui Nunes Baptista, Arminda de Jesus Marques, Victor Manuel de Almeida, António Fernandes Martins e Fernando Manuel de Almeida Lopes.

Colmeal: José Álvaro de Almeida Domingos, Luísa Maria de Almeida Domingos, Paula Maria de Almeida Domingos, Maria Manuela Gaspar Vicente, José Bernardino Gaspar Vicente, Ana Maria Alves Nunes, Maria do Céu de Jesus Geraldes, Maria Helena de Almeida Martins, Fátima Fontes de Almeida e Carminda Fontes de Almeida.

Malhada e casais: Maria de Lurdes Casimiro, Aida dos Anjos Maria, Maria Helena Vicente, António Casimiro Vicente, Maria Irene de Almeida e João Armando Ramos Alexandre.

Sobral e casais: José Manuel Ferreira da Silva, Luís Almeida Rosa, Maria Lucinda Ferreira da Silva, Guilhermina Vicente de Almeida, Lurdes Vicente de Almeida, Maria Alice Vicente de Almeida, Helena Maria Vicente de Almeida, Manuel Vicente de Almeida, Maria da Graça Vicente, Fernando Manuel de Almeida Henriques, José Manuel de Almeida Henriques, Henrique Manuel de Almeida Henriques e Maria de Fátima de Almeida Henriques.

Soito: Fernando Manuel de Almeida Santos, Vítor Manuel da Costa Almeida, Lucinda Maria de Almeida Santos, Maria de Fátima Costa Almeida, Maria Júlia Nunes de Almeida Brás e Isabel Maria Nunes de Almeida Brás.”

E repetimos a nossa pergunta “Por onde andarão e o que farão hoje estas crianças de há 40 anos?”

in Boletim “O Colmeal” Nº 121, de Novembro de 1973

  


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Jaime Martins de Almeida



Noventa e cinco anos. A fragilidade e os achaques próprios da idade e das marcas deixadas pelo tempo. Para trás, uma vida de abnegação e sacrifício, visando a felicidade e o bem-estar da família. Filho, marido e pai extremoso; primo, parente e amigo dedicado; cidadão responsável e exemplar; trabalhador precoce, esforçado e competente. Uma vida pautada por valores estruturantes e indeléveis, como a honestidade, a verdade, a lealdade, a solidariedade, a modéstia, a perseverança, o profissionalismo, o respeito pelos outros …

Assim se lhe referia a sua filha Lisete num escrito preparado em Julho de 2012 para o dia do seu 95º aniversário e que transcrevemos na íntegra neste blogue.

A sua saúde, precária de há tempos a esta parte, não lhe permitiu continuar entre nós. O seu coração desistiu de bater na passada terça-feira. Todos perdemos um AMIGO. Guardaremos para sempre a sua imagem e o exemplo de um GRANDE HOMEM.

UPFC

domingo, 17 de novembro de 2013

Comandos voltaram à Serra do Açor e ao Colmeal (2)



E como havíamos programado o clarim tocou cedo fazendo levantar todo o grupo para o “ataque” ao pequeno-almoço. Os ares puros da serra “impunham” a boa disposição, indispensável para atingir com êxito os objectivos do segundo dia desta operação.

Arganil que tem como padroeiro S. Gens é uma vila simpática e acolhedora situada na região do Pinhal Interior Norte e que integra 18 freguesias. Há quem defenda que Arganil foi fundada pelos romanos, outros citam os lusitanos.
No começo da monarquia a localidade já existia, pois que “no ano de 1160 da era de César foi ela doada à Sé de Coimbra pela rainha D. Tereza, mãe de D. Afonso Henriques existindo já no seu termo o convento de S. Pedro de Folques”.





Chegados a Góis, uma vila com mais de oito séculos de existência, iniciamos a nossa visita guiada acompanhados por um dos técnicos do Turismo. Nos Paços do Concelho, uma antiga casa nobre designada como Casa da Quinta, edificada durante o séc. XVII e uma das mais importantes da vila ao tempo, foi-nos dado apreciar na sua sala de sessões o lindo tecto em painéis.
A Fonte do Pombal e a Cisterna com bonitos azulejos hispano-árabes do século XVI mereceram especial atenção e foram motivo para várias fotografias. Seguiu-se a visita à Igreja Matriz que tem a particularidade de a sua torre sineira se encontrar afastada e recuada relativamente à frontaria. No interior da Igreja sobressaem uma das melhores obras de escultura tumular renascentista, o túmulo de D. Luís da Silveira, que foi 1º Conde de Sortelha e Senhor de Góis e a capela-mor com as suas laterais.











Do exterior contempla-se uma panorâmica da vila com destaque para a Capela do Castelo e o Parque de Campismo. Percorremos a rua onde uma placa nos indica a casa que viu nascer António Francisco Barata, “figura das letras nacionais” como se lhe refere o Município de Góis numa homenagem prestada em 2011 e seguimos em direcção à ponte sobre o rio Ceira, edificada em 1533 a pedido de D. Luís da Silveira. Da ponte apreciámos a praia fluvial da Peneda, um “paraíso de água e sol no rio Ceira com relvados e ilha de areia no meio do rio” e que este ano vai ostentar pela primeira vez o galardão de qualidade da Associação Bandeira Azul da Europa.
Devagar e sem pressas fomos ao longo do rio e pelo agradável Parque do Cerejal tomar de novo assento no autocarro que nos levaria à próxima paragem.

Deixamos Góis e pela estrada que em anos não muito longínquos já lhe conhecíamos as curvas todas, fomos contemplando a paisagem ondulante das serranias distantes agora com ventoinhas gigantes como que a refrescar-nos na nossa passagem. Catraia do Rolão e a velha casa hoje em ruínas, da Senhora Martinha, ponto de chegada e partida, quando a “caminheta” por ali parava.



Fomos descendo cautelosamente pela estrada estreita que tanto tempo levou a tirar as nossas aldeias do isolamento. O Soito esperava-nos para mais uma visita. Uma aldeia em franca recuperação e que se visita sempre com muito agrado. O Espaço Museológico foi novamente o polo de atracção e aí pudemos recordar outros tempos e apreciar os utensílios que então se usavam e que muitos de nós ainda utilizamos.

O que se vai passar a seguir fica para um próximo apontamento.

Fotos de A. Domingos Santos

Broa, pão de pobres



Ela derramou água na farinha de milho
e acrescentou-lhe uma malga de fermento.
Tudo dentro duma artesa de madeira.

Com os dois braços e as mãos de dedos fortes
pôs nos seus gestos a força e a vontade.
Bateu, rolou, bateu mais e rolou mais
toda a massa espalhada pela artesa
borrifando-a com farinha muito seca
não fosse ela agarrar-se na madeira.

Só parou quando já, trabalho feito,
fez uma cruz na massa a levedar.

Horas depois, aberto o forno quente,
saíu a broa, castanha, estaladiça.

Oh, quem diria que a broa, pão de pobres,
se tornaria num manjar que dá cobiça!

in Seara de Palavras – Poemas, de Américo Gonçalves
Livro oferecido pelo Autor para a Biblioteca da União


Uma perspectiva sobre as gerações


Os avanços na medicina e o aumento da esperança média de vida em Portugal têm causado efeitos na maneira como a senescência é vista pela sociedade. Por um lado, o preconceito de que o processo natural de envelhecimento celular só nos traz complicações e inibições. Por outro, não só um maior cuidado com esse processo e a preocupação de um envelhecimento saudável, como também um maior respeito pela população sénior.
Podemos assistir, por parte de todas as gerações, discriminações desadequadas em relação aos idosos, num preconceito generalista que coloca todo o individuo sénior no mesmo grupo, o debilitado. Sem dúvida que é uma fase da vida que merece cuidados e pedidos específicos. Mas não são todas as fases da vida assim? Qualquer que seja a idade merece a satisfação específica dos seus requisitos.

Por exemplo, uma criança merece o acesso ao ensino, assim como um adolescente merece a liberdade necessária para descobrir o Mundo. O adulto tem direito ao acesso ao emprego para que possa constituir família e dar continuidade ao ciclo da vida. Enquanto envelhece, o seu rebento merece acesso ao ensino, depois à descoberta do Mundo etc. Apesar da mudança nas mentalidades estar em progresso também, ainda me custa crer que existem opiniões depreciativas da terceira idade, generalizando o comportamento de um individuo para discriminar uma faixa etária. Assim como essa faixa etária é diferente de todas as outras e tem as suas particularidades, também o individuo as tem. Tornar inútil uma pessoa com base na sua idade e em crenças preconcebidas, é tão errado como enaltecer a pró-actividade da juventude ignorando a grande fatia que é preguiçosa.

As pessoas devem e merecem ser julgadas pela sua individualidade e não rotuladas de acordo com os anos que carregam. Quantos comportamentos subtis e discriminatórios não teve já a mais bondosa das pessoas para com os idosos? Mesmo que sem intenção, podem tornar “coitadinhas” as pessoas que não são. Há também pessoas que, talvez envenenadas por estigmas sociais, se descredibilizam e destroem a sua auto-estima com frases como o “já não tenho idade para isso”. Quantas pessoas chegam aos 90, cheias de sede de conhecimento e ensinamentos?
Quantas vivem uma vida inteira sem o mínimo interesse pelo que quer que seja? Quantas pessoas chegam e vivem na terceira idade com uma saúde de ferro, e quantas vivem de novo a velho sem saúde? Felizmente atravessamos também uma fase em que essa visão depreciativa está a alterar-se.

Apercebemo-nos que toda esta conversa do envelhecimento veio para ficar até porque não foi assim há tanto tempo que as pessoas mal passavam dos 50. Hoje a esperança média de vida dos portugueses ronda os 79 anos com tendência para aumentar. A velhice já não pode passar despercebida nem os “novos velhos” são pessoas que se possam largar simplesmente num lar sem condições.
Com uma maior consciencialização do processo de envelhecimento, encontramos seniores mais requintados, mais intelectuais, mais úteis e com necessidades à espera para serem satisfeitas. Não obstante disso, o cuidado a ter com as pessoas, independentemente da idade, tem e deve ser personalizado, para que possa cada pessoa pertencer ao seu devido lugar e não haja espaço para a discriminação neste Mundo. Quando se tratam pessoas idosas como descartáveis e inúteis não podemos esperar que elas sejam o contrário. Está na altura de aproveitar todas as capacidades das pessoas e dar um verdadeiro sentido à expressão “melhor idade”.


Editorial da revista REVIVER Nº 5 – Setembro de 2013


sábado, 9 de novembro de 2013

Livro de José Maria Alves Caetano






No passado dia 11 de Outubro celebraram-se os 150 anos do nascimento de José Maria Alves Caetano (1863-1946). Foi paladino da promoção educativa dos seus conterrâneos e do desenvolvimento económico da região serrana, pela qual sentia grande apego.


Natural do concelho da Pampilhosa da Serra viveu no de Góis até aos 15 anos de idade antes de rumar a Lisboa. “Em 26 de Julho de 1890, na Igreja paroquial de Santo Antão da cidade, concelho e distrito de Évora, o segundo sargento do Batalhão municiado junto da Guarda Fiscal José Maria Alves Caetano, de 26 anos de idade, morador na Praça do Sertório, 1 – 1º, contraiu matrimónio com Josefa Maria das Neves, de 30 anos de idade, natural da freguesia do Colmeal, concelho de Góis, …”

Em A Comarca de Arganil e em A Gazeta das Serras, que fundou quando já tinha 71 anos, exerceu o maior da sua cruzada, através da escrita, em prol dos três concelhos. O gosto pela escrita e o amor à terra onde nasceu fizeram dele um dos homens do início do Movimento Regionalista da Comarca de Arganil, ficando como um dos principais obreiros desse grande Movimento de Solidariedade que é o Regionalismo.

Os seus descendentes resolveram homenagear a sua memória através da publicação de um livro em que se resume essa contribuição para o progresso das gentes e lugares dos três concelhos. O combate que travou pela melhoria dos seus concidadãos da região serrana foi intenso e persistente. Por volta de 1919/1920 começou a abordar o tema do associativismo regional e em 1926 defendeu a constituição do Grémio da Comarca de Arganil, bem como a formação do que vieram a ser as Ligas de Melhoramentos ou Uniões Progressivas, estando na génese das que se estabeleceram, nos anos trinta do século XX, na região abrangida pelos concelhos de Pampilhosa da Serra, Góis e Arganil.

A edificação de escolas primárias, dotadas de apropriado material pedagógico; a construção de fontanários que fornecessem as povoações de água potável para as libertar das fontes de chafurdo, inquinadas, até pelas infiltrações originadas pelas chuvas de inverno nas estrumeiras assentes sobre os terrenos de montante; o traçado de estradas que facilitassem as deslocações na região serrana; postos públicos para comunicações telefónicas; defesa do serviço postal, para muitas povoações única forma de comunicação com o mundo exterior; enfim, tudo aquilo que poderia tornar mais consentânea com os progressos da Humanidade a vida nas “aldeias sertanejas” foi combate travado por Alves Caetano nas colunas dos jornais.

Está previsto para Lisboa um lançamento do livro “O Apostolado Cívico pela Escrita” na Casa do Concelho de Pampilhosa da Serra, no próximo dia 20 de Novembro, pelas 18h30m. No entanto, a obra já pode ser solicitada ao Dr. António Alves Caetano, pelo telefone 962346327 ou pelo e-mail aalvescaetano@gmail.com

Brevemente na Biblioteca da União terá possibilidade de aceder a esta notável obra.

in A Comarca de Arganil, 26 de Setº, 3 e 31 de Outº 2013
Fotos de A. Domingos Santos

Nos Picos da Europa com a União – 2º dia








Oviedo é a capital das Astúrias e também é apelidada de Capital do Paraíso, já que as Astúrias são elas próprias um Paraíso Natural. Situa-se entre as cinco cidades espanholas com menores índices de poluição atmosférica e é conhecida pela limpeza das ruas do seu centro histórico. O facto de ser a capital do Principado das Astúrias traz-lhe a fama de cidade aristocrática, elegante e senhorial, que merece ser percorrida a pé e onde se desenvolve uma extensa actividade cultural. A magnificência dos seus edifícios e uma população de trajes e hábitos fidalgos concedem-lhe o proveito. Mantém o porte altivo, sem ser austera. Cultiva a arte, mas não renega prazeres plebeus como um prato de fabada – um potente guisado de favas e feijão branco, carne curada e toucinho, ou um copo de sidra, que segundo os especialistas deve ser bebido numa fracção de segundos, pois se se deixar repousar perde todas as suas características.












Em Oviedo toda a sua arquitectura está longe de reflectir os comportamentos das cidades actuais. A maior parte das casas parece ter sido feita para comemorar alguma ocasião em especial, e não apenas para celebrar o quotidiano; são apalaçadas, com as colunas e as varandas ornamentadas, e os prédios quase nunca ultrapassam a meia dúzia de andares; a estes juntam-se inúmeros relógios, candeeiros e floreiras de ferro forjado – com o brasão do principado – que lhe concede uma positiva homogeneidade.







A capital das Astúrias recompensa quem a trata bem. Basta ir até à rua Milícias Nacionales, bem perto do Parque San Francisco - a horta e o jardim de um antigo convento franciscano hoje transformados na maior zona verde do centro citadino, para apreciar uma escultura do realizador norte-americano Woody Allen, apenas uma das 105 obras que se multiplicam a cada esquina – com tamanhos e temáticas variadas, desde a homenagem a figuras conhecidas, referência a valores universais, até à representação de costumes antigos da cidade e da região -, o que torna Oviedo a cidade do mundo com maior número de esculturas por habitante.










A catedral de Oviedo assenta sobre a primitiva basílica, consagrada no ano 802. No século XII realizou-se a primeira ampliação, e no século XIV levantou-se o actual templo gótico sobre o templo românico anterior. No interior é possível observar os diversos estilos que, pouco a pouco, foram conformando o edifício actual. É a única catedral gótica com uma única torre.

Cangas de Onis é uma pequena cidade asturiana muito bem aproveitada em termos turísticos e uma das entradas para os Picos da Europa. É uma terra histórica e a capital do concelho, como outrora o foi do reino asturiano. Foi aqui que se iniciou a reconquista da Península com Pelágio, no século VIII. Aqui estabeleceu a corte depois de ter vencido os árabes na batalha de Covadonga. Com méritos próprios, Cangas de Onis é considerada uma das povoações mais belas dos Picos da Europa. Sobre o rio Sella, patenteia a beleza arcaica da sua chamada Ponte Romana, cuja traça medieval constitui a imagem tradicional das Astúrias e onde se pode apreciar a cruz da Vitória. Entre os seus edifícios considerados mais representativos destaca-se o Palácio Cortés, de estilo renascentista, o Palácio “Casa Dago”, um exemplo da arquitectura montanhesa ou o edifício do Ayuntamiento.





















A subida aos lagos de Covadonga fez-se após o almoço, em mini-autocarros, por uma estrada estreita e empinada que trepa ao longo de 12 km por entre curvas e contracurvas. Estes lagos que já habitam estas montanhas há milhares de anos, testemunhas da última glaciação, brindam-nos com as suas águas cristalinas e uma inebriante paisagem ao seu redor, por vezes dificultada pela névoa que surge de repente. O primeiro lago que encontramos é o Enol e um pouco mais acima, o Ercina. O miradouro Buferrera, um pouco mais abaixo, lembra-nos a era da actividade mineira que ali se desenvolvia e permite-nos alongar a vista pelos vales glaciares e pelas montanhas circundantes. É seguramente a zona mais famosa, mais visitada e mais fotografada da região. A sua beleza é inequívoca e a sua importância natural única. Um autêntico postal ilustrado.



















O Santuário de Covadonga é um local carregado de histórias e lendas. As suas legendárias origens remontam à época da Reconquista. O lugar, encaixado numa paisagem bonita entre desfiladeiros arborizados, recorda a batalha que ali ocorreu no dia 28 de Maio do ano 722, onde Dom Pelayo, que comandava um punhado de fiéis, conseguiu deter os exércitos árabes. A aparição da Virgem Maria (“La Santina” para os Asturianos) terá sido fundamental para o triunfo. Num enorme rochedo abre-se a Santa Gruta que alberga no seu interior a imagem da Santina e o sepulcro de Dom Pelayo que ali teria tido o seu quartel-general.



Quase ao final da tarde rumou-se ao acolhedor hotel que nos esperava na bela praia de La Franca onde as ondas do Cantábrico vinham adormecer na areia…


Fotos de Francisco Silva e A. Domingos Santos