terça-feira, 22 de outubro de 2013

Nos Picos da Europa com a UPFC



Recentemente, entre 4 e 8 de Outubro, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal proporcionou aos seus sócios e familiares, um excelente passeio por uma das mais maravilhosas zonas da vizinha Espanha – os Picos da Europa.


Os Picos da Europa erguem os seus lendários perfis no coração da Cordilheira Cantábrica, entre terras leonesas, asturianas e cantábricas. Integram o conjunto montanhoso mais espectacular da Península Ibérica e um dos mais privilegiados espaços naturais. Nos seus profundos vales, apertados em torno de rios que correm apressadamente para o mar, nas suas eriçadas cumeadas e na densa fisionomia dos seus bosques e prados verdejantes, esconde-se tanta vida natural que os converte num lugar único e com uma riqueza ecológica que é das maiores de toda a Espanha.

  
Mas o seu único ponto de interesse não é apenas a força da própria natureza, já que a riqueza destas montanhas não seria a mesma sem a presença do homem, um dos seus povoadores mais ancestrais. Desde a pré-história que os seres humanos souberam adaptar a sua forma de vida e amoldaram o seu carácter em harmonia com a aspereza e as peculiaridades destas montanhas, escrevendo assim as páginas duma densa história, indissociável deste ambiente tão impressionante.
As pradarias das montanhas constituem o alimento dos seus gados – ovelhas, vacas, cabras – dos quais obtêm a carne, o leite e os diversos queijos de produção local. Entre os gigantes calcários, ao abrigo dos vales e nas zonas mais planas, o homem estabeleceu, desde épocas muito antigas, pequenos núcleos rurais que conservam a sua impressionante beleza e um estilo de vida artesanal, em equilíbrio vital com o ambiente circundante.


Como testemunhos dos primitivos povoadores, perduram os restos pré-históricos, em cavernas e grutas naturais abertas, por milénios de actividade erosiva, nos seus rochedos calcários. A dominação destes povos montanheses pelo Império Romano, acrescida pelas dificuldades naturais de um território tão adusto, fizera que a conquista tivesse que afrontar numerosos obstáculos. Os cântabros foram os que ofereceram uma maior e mais valente resistência a tal colonização, tendo-se enfrentado abertamente, protegidos pelas defesas naturais que as montanhas ofereciam.
Os muçulmanos não manifestaram grande interesse por estas terras desconhecidas e de difícil conquista. Quando tentaram apoderar-se delas, a resistência veio dos territórios asturianos, sob a chefia de Pelágio, cujo impulso guerreiro alimentou a reconquista peninsular.


Não foi sem razão que os navegadores medievais chamaram de “Picos da Europa” a estas montanhas, já que as mesmas constituíam uma clara referência geográfica, por serem o primeiro perfil do Velho Continente, que se divisava do mar alto. Sob o ponto de vista geológico, a sua abrupta orografia calcária é jovem, porque as forças terrestres ergueram esta muralha rochosa há 300 milhões de anos, a partir do fundo de um antigo mar.
Os perfis montanhosos oferecem grandes desníveis orográficos, e estendem-se paralelamente à costa cantábrica, da qual apenas os separam 25 quilómetros.
Os gelos glaciares, especialmente do período Quaternário, configuraram livremente as gargantas e os vales, deixando uma profunda evidência nas paisagens.
Os rios Sella, Deva, Cares e o seu afluente Duje configuram e atravessam o maciço montanhoso. São rios de cursos tão tumultuosos como abundantes em trutas, e dirigem-se velozmente para o Mar Cantábrico. O Deva abraça o maciço pelo lado Este, a partir já da sua nascente, em Fuente Dé. Para chegar até ao oceano, rasga as montanhas e dá origem ao vertiginoso desfiladeiro de La Hermida, que Benito Pérez Galdis denominou o “esófago de Espanha”. O rio Cares é o mais famoso dos cursos fluviais e atravessa este território de Sul para Norte, a partir da nascente, no vale leonês de Valdéon. Com as pancadas das suas águas de cor esmeralda esculpiu a “Garganta do Cares”, o “canyon” calcário mais impressionante da Península. E também por entre fortes quebradas da paisagem, como são o desfiladeiro de Beyos, corre o Sella. Todos estes rios recebem os caudais de inúmeros afluentes e arroios, copiosamente alimentados pelas neves dos cumes e pelas chuvas atlânticas. É uma rede fluvial dinâmica, que perfila três maciços: o Ocidental ou “El Cornión”, o Central ou de “Los Urrieles” e o Oriental, ou “Andara”.


À geografia característica destes territórios, deste modo perfilada, agrega-se a grande diferença de altitudes, superior a 2000 metros, e que favorece a ampla diversidade da flora e da fauna. E assim, nos ásperos cumes, que são um reino das rochas, do vento e do frio intenso, apenas cresce uma mata escassa e rasteira. As camurças saltam pelas pedreiras e no ar voam as águias-reais, e os abutres leonados. Ao baixar pelas encostas encontra-se uma valiosa comunidade de espécies arbóreas, na qual predominam os fetos, os zimbros e as giestas. Nestas zonas, chamadas “altos” (“puertos”), o homem encontrou sempre, desde uma época imemorial, o lugar idóneo para estabelecer frescas pastagens, que são o alimento estival dos seus gados.


Entre a paisagem aberta distingue-se a discreta beleza do pássaro codornizão dos rios alpinos; faz-se escutar o canto melódico da cotovia, ou ressoa o grito das cornejas. À medida que as montanhas se convertem em vales, os bosques de vidoeiros, de carvalhos, de faias e os bosques mistos de castanheiros, vidoeiros, tílias, aveleiras, azinheiras, freixos e aceráceas vão criando uma espessura vegetal, na qual de refugia uma fauna típica e característica da geografia ibérica, como o urso pardo ibérico, o lobo e o “urogallo”. Entre os bosques desenvolvem a sua existência os veados, as corças, os gatos monteses, as raposas e os javalis, ao passo que os arminhos, as martas e os arganazes procuram os lugares mais frescos, entre muitos outros mamíferos típicos da fauna mais representativa da Cordilheira Cantábrica.


A protecção destas montanhas teve o seu início em 1918, quando o rei Afonso XIII classificou o primeiro parque nacional espanhol, ao qual chamou “Parque da Montanha de Covadonga”, que, deste modo, se converteu num dos espaços naturais protegidos pioneiros em todo o mundo. Em 1955 a sua zona protegida foi ampliada, atingindo os actuais 64.660 hectares – 24.719 em Léon, 15.381 em Cantábria e 24.560 em Astúrias – e denominando-se agora “Parque Nacional dos Picos da Europa”.

Fotos de Francisco Silva e A. Domingos Santos

Texto de apoio - Turespaña   

1 comentário:

Anónimo disse...

Parabéns pelo destino que escolheram para o passeio da União: Os Picos da Europa. Espero que tenham usufruído daquilo que todo o Parque nos proporciona: a força da montanha com uma Natureza fabulosa e de beleza ímpar e já rara.
Este evocação fez-nos lembrar algumas das nossas caminhadas por locais que ainda consideramos divinos, como:
- Cain e a "divina" Garganta de Cares até Poncebos;
- Fuente Dé com o teleférico e a subida (com neve) até à Cabana Verónica:
- Covadonga e os seus lagos;
- Sortes e a subida ao Naranjo de Bulnes.
- Cangas de Onis, a sua História e riqueza monumental.
Enfim, belas e inesquecíveis memórias e recordações, não esquecendo a cidra e a gastronomia Asturiana !!!.
Mais uma vez Parabéns. Foi bom relembrar e espero que todos tenham podido usufruir do momento para mais tarde também o recordarem.

Um abraço.
A. Magalhães Pinto
Senhora da Hora/Matosinhos