segunda-feira, 30 de setembro de 2013

NO MEU TEMPO



No meu tempo escrevíamos à mão. A máquina de escrever era um luxo.

No meu tempo só conhecia a magia da tinta da caneta a deslizar por um folha de papel para escrever uma carta a alguém. Na altura nunca me passaria pela cabeça que hoje, a maioria da população já não usa papel para escrever. Eu cresci a ensinarem-me a importância de uma bonita caligrafia, o desenho quase único de cada letra do alfabeto. Mais tarde deixou de ser assim, as pessoas começaram a criar novas formas de desenhar as letras, mas o tradicional desenho continua para mim a ser único. De qualquer forma, à medida que os anos foram passando, o uso da máquina de escrever tornava-se cada vez mais banal. Como costumavam dizer, era uma maneira mais decente e formal em termos de negócios e assuntos profissionais.

Até posso ver o sentido, mas na altura quando tive a minha primeira máquina de escrever, não me era assim tão útil. Foi bastante cara, não me recordo do valor ao certo, mas isso também foi no tempo do escudo, que pertence ao mesmo local da máquina de escrever, antiguidades! Mas sempre preferi escrever as minhas cartas à mão, era a forma mais pessoal que tinha de comunicar com alguém, até quando estamos mais nervosos isso passa na caligrafia. Hoje as pessoas comunicam por mensagens nos telemóveis ou na Internet. Foi uma evolução tão rápida, em poucos anos tudo mudou, até os mais pequenos escrevem nos computadores. E se bem me recordo há uma ou duas décadas isso também era impensável. Ao pensar neste tema, vejo uma evolução louca em 80 anos. Hoje em dia, até eu já escrevo no Word.

Embora seja um amante das tradições, não nos podemos fechar entre quatro paredes
e não evoluir com o mundo. E aprender nunca é demais, por isso pedi ao meu filho para me ensinar o básico. Mas se me perguntarem do que é que eu gostava mais? Se de escrever à mão com a minha caneta de colecção ou no meu novo computador?

Eu diria que gostava de como as coisas eram no meu tempo.

Jorge Simões
in “REVIVER” Nº 2, Maio de 2013, pág. 49

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