terça-feira, 24 de setembro de 2013

CROÇA



A croça é constituída por uma capa e sobrecapa, feitas em palha, utilizando a técnica da cestaria. Não tinha como função agasalhar, mas sim de deixar escorrer a chuva e a neve, impedindo que passasse a humidade para a roupa. Normalmente quem utilizava esta capa eram os pastores que passavam longos períodos nas serras a pastar o gado das aldeias.

Pela sua utilidade prática, tanto era usado por homens como por mulheres.

Pela sua confecção rápida, fácil e barata a croça perdurou até aos nossos dias. No entanto a sua origem remonta ao neolítico, em que o homem utilizava as fibras vegetais, tanto para se vestir como para isolar os telhados das suas cabanas. A sua eficácia fez com que resistisse à influência da cultura e civilizações.

A croça é composta por um cabeção e saia de junco, dispostos paralelamente no sentido longitudinal, ligando entre si por um fio entrelaçado. Por vezes, utilizavam uns polainicos enrolados nas pernas do mesmo material, interligando-os com as restantes partes. Compõem este traje, o chapéu de feltro preto e tamancos de couro, com sola e salto de madeira.

Existem ainda modelos diferentes em que a croça tem capa com capuz, apoiando directamente na cabeça. Por ser uma capa feita e usada em diferentes zonas do país, é conhecida por várias designações, tais como a palhoça, coroça ou croça. Após o devido tratamento das fibras de centeio e junco são entrelaçadas em sucessivas carreiras de modo a conseguir a forma e as dimensões desejadas. Depois de terminada, a croça é penteada com um pente de ferro para desemaranhar as fibras, conseguindo maior eficácia contra a chuva. Este traje é considerado pelo modo de confecção a peça de indumentária mais antigo do nosso país.

A croça fazia parte do vestuário de todas as zonas serranas, desde o norte ao sul do país, visto que constituía uma protecção eficaz para o frio e chuva. Em quase todas as populações havia um artesão ou artesã, mais habilidosos, que fornecia os vizinhos. Eram chamados Croceiros ou Croceiras.

O aproveitamento das fibras têxteis do junco era utilizado em quase todo o mundo, por exemplo, os egípcios usavam-no para fazer papiro. Ele tinha diversas utilidades.

Folheto do Museu Etnográfico Dr. Louzã Henriques

1 comentário:

Anónimo disse...

Muito curioso!
Fiquei com uma dúvida: usava-se na nossa região (Colmeal)? Só conheço a "capucha" de burel.
Deonilde Almeida (Colmeal)