segunda-feira, 30 de setembro de 2013

NO MEU TEMPO



No meu tempo escrevíamos à mão. A máquina de escrever era um luxo.

No meu tempo só conhecia a magia da tinta da caneta a deslizar por um folha de papel para escrever uma carta a alguém. Na altura nunca me passaria pela cabeça que hoje, a maioria da população já não usa papel para escrever. Eu cresci a ensinarem-me a importância de uma bonita caligrafia, o desenho quase único de cada letra do alfabeto. Mais tarde deixou de ser assim, as pessoas começaram a criar novas formas de desenhar as letras, mas o tradicional desenho continua para mim a ser único. De qualquer forma, à medida que os anos foram passando, o uso da máquina de escrever tornava-se cada vez mais banal. Como costumavam dizer, era uma maneira mais decente e formal em termos de negócios e assuntos profissionais.

Até posso ver o sentido, mas na altura quando tive a minha primeira máquina de escrever, não me era assim tão útil. Foi bastante cara, não me recordo do valor ao certo, mas isso também foi no tempo do escudo, que pertence ao mesmo local da máquina de escrever, antiguidades! Mas sempre preferi escrever as minhas cartas à mão, era a forma mais pessoal que tinha de comunicar com alguém, até quando estamos mais nervosos isso passa na caligrafia. Hoje as pessoas comunicam por mensagens nos telemóveis ou na Internet. Foi uma evolução tão rápida, em poucos anos tudo mudou, até os mais pequenos escrevem nos computadores. E se bem me recordo há uma ou duas décadas isso também era impensável. Ao pensar neste tema, vejo uma evolução louca em 80 anos. Hoje em dia, até eu já escrevo no Word.

Embora seja um amante das tradições, não nos podemos fechar entre quatro paredes
e não evoluir com o mundo. E aprender nunca é demais, por isso pedi ao meu filho para me ensinar o básico. Mas se me perguntarem do que é que eu gostava mais? Se de escrever à mão com a minha caneta de colecção ou no meu novo computador?

Eu diria que gostava de como as coisas eram no meu tempo.

Jorge Simões
in “REVIVER” Nº 2, Maio de 2013, pág. 49

Biblioteca da União com novos títulos





A Biblioteca da União tem vindo a receber com certa regularidade novos livros, muitos dos quais saídos recentemente.

Está neste caso o livro “Os Privilegiados” de Gustavo Sampaio, de Julho de 2013, edição de a esfera dos livros.
Natural de Coimbra é jornalista freelancer, licenciado em Jornalismo (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra), pós-graduado em Direitos Humanos (Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra) e mestrando em Ciência Política e Relações Internacionais (Universidade Católica Portuguesa).

Como se lhe refere Ana Cristina Leonardo em ATUAL – Expresso Nº 2129 – 17Ago2013, “O título pode não ser completamente esclarecedor, já que os privilégios a que se refere não são regalias adquiridas nem por nascimento nem por mérito. Não são sequer privilégios de classe. A haver uma definição, são privilégios de casta. E algo vai mal quando políticos e ex-políticos formam uma casta. Mas é isso que transparece no final da leitura. “Os Privilegiados” não revela informação classificada, não faz denúncias bombásticas e distancia-se da conclusão populista: “Os políticos são todos iguais.” O autor cita Orwell: “São todos iguais, mas alguns são mais iguais do que outros”: são os segundos que lhe interessam. Lóbis, tráfico de influências, retribuição de favores, leis que permitem tal estado de coisas. “Isto não tem que ser assim”, escreve-se no final da Introdução. Mas é. Gustavo Sampaio tem aqui muito trabalho. Movendo-se como uma formiga diligente por carreiros intrincados, vai registando pacientemente a arquitectura do conjunto. Deputados que deputam indiferentes aos conflitos de interesses, legislação que garante mordomias de exceção, vasos comunicantes entre cargos públicos e grandes empresas (com as quais o Estado assina contratos), genealogias perenes, exemplos de outros países que provam que, de facto, “não tem que ser assim”. Numa frase: a estratégia da aranha exposta a quem a quiser ver.”

“Salazar – Portugal e o Holocausto” de Irene Flunser Pimentel e Cláudia Ninhos, é um outro livro recente, de Março de 2013 em uma edição de Círculo dos Leitores.
Irene Flunser Pimentel é mestre em História Contemporânea (Século XX) e doutorada em História Institucional e Política Contemporânea, pela faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É investigadora do Instituto de História Contemporânea da mesma Universidade.
Cláudia Ninhos é investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa. Licenciada em História obteve posteriormente o grau de Mestre em História e actualmente prepara o doutoramento.

“A amplitude dos massacres cometidos pelos nazis, responsáveis por um devastador número de mortes, tornou impossível mantê-los no desconhecimento da opinião pública. É, por isso, importante compreender o que se sabia entre os Aliados, no Vaticano e nos países neutros, incluindo em Portugal.” Lê-se na contracapa, onde da Introdução se transcreve ainda a seguinte parte “Quando tiveram conhecimento do genocídio que estava a ocorrer no leste europeu e que fizeram para salvar as vítimas? Se quisessem, poderiam os Aliados e os países neutros ter feito algo mais para salvar estas vítimas, perante as ameaças de que foram alvo? A chegada das informações sobre o Holocausto passou por várias fases, desde a sua receção até à tomada, ou não, de posição. O facto de os governantes ocidentais terem recebido inúmeras informações sobre o que estava a ocorrer na Polónia e, depois, na União Soviética não implicou, contudo, que os relatos fossem aceites e compreendidos. Ou seja, havia informação disponível, mas existiria o conhecimento necessário para que fosse compreendida? Este livro procura, afinal, dar resposta a estas, e a outras questões, em torno do envolvimento de Portugal no Holocausto. É um livro de duas historiadoras portuguesas de gerações diferentes, com experiência e até opiniões diversas, que se têm dedicado ao estudo do relacionamento entre o Portugal de Salazar e a Alemanha de Hitler, que se juntaram em torno de uma curiosidade comum, procurando contribuir para responder a estas perguntas.”

“As mais bonitas praias de sonho” é um outro título a enriquecer a Biblioteca da União.
Com texto de Birgit Adam e Claudia Piuntek é “Um livro entusiasmante que irá conquistar todos aqueles que gostam de viajar, bem como os amantes da natureza e os aventureiros intrépidos.
Praias selvagens, a imensidão do mar, ar puro e limpo e uma maravilhosa sensação de liberdade – os ingredientes perfeitos para umas férias de sonho!
Descubra e aprecie os locais com areias finas e palmeiras que se espelham nas águas cristalinas, bem como as mais bizarras costas alcantiladas e outras paisagens de enorme beleza.
Graças às fotografias a cores de grande qualidade, da autoria dos melhores fotógrafos da natureza, e aos textos muito informativos, este livro permite-nos partir numa viagem de descoberta através das mais deslumbrantes praias do mundo: da Europa à América, passando pela Ásia e pela África, da Austrália e Oceânia à Antárctida. De forma a permitir uma melhor orientação, o livro dispõe de mapas de grande dimensão relativos a cada um dos continentes e ainda de um índice remissivo pormenorizado.”

O carinho, o interesse e a generosidade de alguns sócios e amigos da União que sabem e reconhecem como os benefícios da leitura são importantes na formação das pessoas têm permitido engrandecer e diversificar o acervo da nossa biblioteca.
O nosso muito sincero Bem-Haja.


UPFC
  

Esclarecendo um comentário



Anónimo Anónimo disse...
Uma justíssima homenagem!
Até há 4 anos, ano após ano, nada de novo havia no Colmeal, exceto a degradação progressiva, um envelhecimento que se refletia nas pedras dos muros e dos caminhos. Nos últimos 4 anos, em cada visita encontrávamos melhorias, tal como são descritas no texto, como se o Colmeal tivesse despertado de um longo e modorrento sono...
Bem-haja, Sr. Carlos de Jesus!
Deonilde Almeida (Colmeal)
Há dias um velho amigo meu disse-me: Ouve lá, lá pelo Colmeal andam a dizer que a Junta que está a terminar as suas funções fez mais neste mandato que a anterior durante os mandatos que lá estiveram… Isso é verdade? 
Eu respondi: se eles dizem é capaz de ser verdade… senão vejamos: 

- Quem acabou a construção do edifício da sede da Junta que estava encravado por dificuldades económicas? 

- Quem procedeu à reparação das instalações sanitárias do Largo da Fonte, no Colmeal, as dotou de electricidade e criou condições para que se encontrassem limpas durante todo o ano? 

- Quem comprou a carrinha, bem como o Kit de primeira intervenção no combate a incêndios, que a actual junta usa? 

- Quem mandou construir o armazém para guardar os pertences da autarquia, no Vale das Cortinas? 

- Quem procedeu à beneficiação e alargamento do Largo do Seladinho, no Colmeal? 

- Quem procedeu à limpeza dos cemitérios da freguesia, designadamente o do Colmeal e do Carvalhal do Sapo? 

- Quem acabou com a imundice que era o poço do barroco da Fonte no Colmeal, acabando com o aspecto degradante do mesmo e colocando uma placa em betão que evita os maus cheiros e a triste imagem de antigamente e delimitando o terreno da Junta de Freguesia do lado poente, com muro? 

- Quem construiu os novos depósitos de abastecimento de água a Aldeia Velha e Carvalhal do Sapo?

- Quem promoveu a construção do novo depósito de água no Salgado? 

- Quem começou o estradão que liga o Açor à Senhora da Luz, em Ádela, até à zona a seguir ao Açor e ligação do mesmo a esta povoação? 

- Quem construiu o Largo em Ádela junto ao chafariz das duas torneiras? 

- Quem completou o saneamento da malhada, no troço da Rua da Capela de São José até ao Largo? 

- Quem melhorou o acesso ao tanque de rega da Malhada, com a construção de escadas condignas e corrimões? 

- Quem mandou reconstruir a Fonte Velha do Soito? 

- Quem mandou proceder à reparação da Rua da Fonte Velha, junto à mesma fonte? 

- Quem resolveu o problema do Largo da Cruz da Rua, no Carvalhal, onde se formava sempre um lago de água? 

- Quem resolveu o problema dos maus cheiros na Rua da Fonte Velha, no Carvalhal, canalizando esses esgotos para uma distância superior a 50 metros abaixo da dita Fonte Velha? 

- Quem promoveu a abertura da rede de esgotos em Aldeia Velha, obra a que neste momento apenas falta a colocação da fossa e as ligações às habitações? 

- Quem promoveu a rede de bocas de incêndio em Aldeia Velha? 

- Quem promoveu o alcatroamento da Rua da Procissão em Aldeia Velha? - Quem promoveu o alcatroamento do troço da estrada de Aldeia Velha para a Selada da Ereira, entre a estrada de ligação à povoação e a casa do Sr. Manuel Alexandre? 

- Quem colaborou na melhoria do caminho para a Lameira, no Carvalhal do Sapo? 

- Quem fez os primeiros “melhoramentos” na praia fluvial da Ponte, no Rio Ceira, com um acesso mais fácil a partir da ponte e a construção dum local mais adequado para os banhistas, junto ao açude, do lado direito da escada de acesso à água? 

- Quem em fez a reparação do Pontão, no Colmeal, depois da enxurrada? 

- Quem fez o muro de protecção ao aterro da estrada Rolão-Colmeal, no Porto da Azinheira, para evitar o constante cair de pedras para a estrada que dá acesso à Eira? 

- Quem mandou fazer a reconstrução da Fonte Velha de Aldeia Velha? 

- Quem providenciou a abertura das estradas de acesso ao Porto-Chão, do lado das Gaeiras e do lado dos antigos currais (Banda d’Além) daquele casal? 

- Quem promoveu as candidaturas para os tanques de água para protecção contra incêndios florestais construídos no Colmeal e no Açor? 

- Quem promoveu a reflorestação dos terrenos pertencentes à Junta de Freguesia devorados pelos incêndios?

- Quem promoveu o alindamento do terreno junto ao parque infantil do Ventoso, obra importante para toda a freguesia, onde já se fizeram alguns eventos?

- Quem promoveu a preservação das antigas escolas do Colmeal e Carvalhal do Sapo, com a assinatura de protocolos com a Câmara Municipal de Góis e posteriormente com as colectividades regionalistas locais, designadamente a União Progressiva da Freguesia do Colmeal, para instalação da biblioteca e com a União e Progresso do Carvalhal, para a transformação em centro de convívio? 

- Quem propôs à Assembleia de Freguesia a criação dum incentivo à natalidade, que foi aprovado por unanimidade?

- Quem propôs à Assembleia de Freguesia um incentivo à fixação de casais jovens na freguesia, que foi aprovado por unanimidade? 

- Quem propôs à Câmara Municipal de Góis a designação de Caminho de Alfredo Alves Caetano, ao caminho que liga o Centro Paroquial à estrada no Lombo das Vinhas? 

- Quem negociou e assinou o protocolo com a Câmara Municipal de Góis, para que fosse dividida a parte do dinheiro das Eólicas, que vem da Câmara Municipal da Pampilhosa da Serra, por forma a compensar a freguesia pela não instalação do Parque Eólico das Caveiras? 


Enfim, muito mais haveria para recordar, mas acho que, por agora, o que fica dito é suficiente… 

É preciso não esquecer que não teria sido possível fazer estas obras todas sem a colaboração da Câmara Municipal e outras entidades que agora não vêm ao caso, como, aliás, acontece praticamente com qualquer melhoramento que se realize na freguesia, seja qual for a Junta. 
Pois é meu caro, retorquiu o meu amigo, às vezes as coisas são o que delas se diz e não o que a realidade mostra… 

20 de Setembro de 2013

Henrique Mendes

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Torneio da Amizade no Colmeal


No fim-de-semana de 10 e 11 de Agosto houve futebol no Colmeal. No Parque de Jogos “Os Pioneiros”, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal realizou um triangular de futebol tendo convidado as equipas das Comissões de Melhoramentos de Ádela e de Malhada e Casais.






O Senhor Carlos da Conceição de Jesus, presidente da Junta de Freguesia do Colmeal, foi convidado a dar o pontapé de saída no jogo de abertura que envolveu as equipas da União Progressiva e de Ádela. Partida muito disputada e com resultado incerto até quase ao apito final. Ganhou a equipa de Ádela por 4-3.







No domingo, dia 11, disputaram-se os dois restantes encontros. A equipa da Malhada venceu a de Ádela por 3-2 e no derradeiro encontro, cilindrou a do Colmeal por 6 a 1, sagrando-se assim a vencedora do torneio.
Independentemente dos resultados há que realçar a cordialidade, o desportivismo e a camaradagem entre os vários participantes.











À noite, na Malhada e já em final de festa, procedeu-se à entrega dos troféus (todos eles oferecidos) aos capitães das três equipas.
Foram gratificantes as palavras elogiosas dirigidas à organização, que poderemos considerar conjunta, e incentivando para que se volte a repetir no próximo ano.


Fotos de Francisco Silva e António Santos

A UNIÃO agradece à JUNTA DE FREGUESIA


Quando se aproxima o final do mandato de V. Exª à frente do Executivo da Junta de Freguesia do Colmeal a União Progressiva da Freguesia do Colmeal não pode deixar de o felicitar efusiva e vivamente pelo trabalho que sem desfalecimentos desenvolveu durante o período.”

Assim começa a carta que a Direcção da UPFC endereçou no passado dia 2 de Agosto ao Senhor Carlos da Conceição de Jesus, Presidente da Junta de Freguesia do Colmeal, manifestando todo o seu apreço pelas melhorias introduzidas durante o mandato que se aproxima do final.

No que se refere à reorganização administrativa do território: “Sabemos que não foi fácil a batalha travada contra a extinção da nossa freguesia, antiga de mais de 460 anos. Estivemos ao V/ lado na defesa dos interesses daqueles que ainda resistem e vivem nas nossas aldeias, uma população maioritariamente envelhecida e que tinham na sua Junta o apoio de que carecem no seu dia-a-dia. Lamentamos o total desconhecimento e o alheamento das realidades locais pelas esferas governativas e o modo como tudo se passou, mas fazemos-lhe justiça Senhor Presidente, pela luta que tenazmente enfrentou sem nunca baixar os braços. Nunca a consciência o poderá acusar por não ter ganho esta contenda.

Sobre o excelente relacionamento institucional que sempre se verificou entre a Junta de Freguesia e a União Progressiva e que levou a óptimos resultados, a colectividade expressou assim o seu sentimento: “Queremos manifestar a V. Exª o nosso agradecimento muito sincero pela pronta e inestimável colaboração ao longo do mandato, nomeadamente no processo de construção da arrecadação na Cova, na limpeza dos terrenos para os piqueniques, jogos de futebol e dos trilhos para as caminhadas, dos troféus para as provas desportivas, da presença nos convívios, na cedência de instalações, no apoio à canoagem, festas de Verão e de Natal, almoços de aniversário, etc., etc.

Também o trabalho que a Junta levou a cabo a nível da freguesia e da sua sede não foi esquecido pela União Progressiva, como refere na parte final da missiva: “Não podemos deixar de enaltecer o trabalho que V. Exª desenvolveu e onde evidenciamos a solução encontrada para a antiga casa Mendes, a instalação de infra-estruturas para combate a incêndios, as benfeitorias introduzidas nas zonas de lazer no rio com especial destaque para os sanitários, balneários e acessos, na limpeza das valetas e nas muitas cerejeiras que foram colocadas ao longo dos caminhos que nos levam às nossas aldeias.”

Os Colmealenses reconhecem o excelente trabalho desenvolvido por Carlos da Conceição de Jesus durante o mandato e orgulham-se de ter um Colmeal diferente.


Direcção da UPFC   

terça-feira, 24 de setembro de 2013

CROÇA



A croça é constituída por uma capa e sobrecapa, feitas em palha, utilizando a técnica da cestaria. Não tinha como função agasalhar, mas sim de deixar escorrer a chuva e a neve, impedindo que passasse a humidade para a roupa. Normalmente quem utilizava esta capa eram os pastores que passavam longos períodos nas serras a pastar o gado das aldeias.

Pela sua utilidade prática, tanto era usado por homens como por mulheres.

Pela sua confecção rápida, fácil e barata a croça perdurou até aos nossos dias. No entanto a sua origem remonta ao neolítico, em que o homem utilizava as fibras vegetais, tanto para se vestir como para isolar os telhados das suas cabanas. A sua eficácia fez com que resistisse à influência da cultura e civilizações.

A croça é composta por um cabeção e saia de junco, dispostos paralelamente no sentido longitudinal, ligando entre si por um fio entrelaçado. Por vezes, utilizavam uns polainicos enrolados nas pernas do mesmo material, interligando-os com as restantes partes. Compõem este traje, o chapéu de feltro preto e tamancos de couro, com sola e salto de madeira.

Existem ainda modelos diferentes em que a croça tem capa com capuz, apoiando directamente na cabeça. Por ser uma capa feita e usada em diferentes zonas do país, é conhecida por várias designações, tais como a palhoça, coroça ou croça. Após o devido tratamento das fibras de centeio e junco são entrelaçadas em sucessivas carreiras de modo a conseguir a forma e as dimensões desejadas. Depois de terminada, a croça é penteada com um pente de ferro para desemaranhar as fibras, conseguindo maior eficácia contra a chuva. Este traje é considerado pelo modo de confecção a peça de indumentária mais antigo do nosso país.

A croça fazia parte do vestuário de todas as zonas serranas, desde o norte ao sul do país, visto que constituía uma protecção eficaz para o frio e chuva. Em quase todas as populações havia um artesão ou artesã, mais habilidosos, que fornecia os vizinhos. Eram chamados Croceiros ou Croceiras.

O aproveitamento das fibras têxteis do junco era utilizado em quase todo o mundo, por exemplo, os egípcios usavam-no para fazer papiro. Ele tinha diversas utilidades.

Folheto do Museu Etnográfico Dr. Louzã Henriques

A ESCOLA DO PARAÍSO



Nesta obra, começa José Rodrigues Miguéis, o Autor, a traçar a evolução duma família lisboeta, parte dessa gente obscura que a capital atrai a si, para a formar, absorver, desagregar e dissolver, por fim, no anonimato original: dela guardando, acaso, um rasto de ternura, revolta e esperança – a dos que à Vida respondem com actos de vida, procurando a salvação na labuta, no sonho, e eventualmente nos ideais.

Através dos olhos atentos e pasmos duma criança, é-nos dado um ambiente e uma época – os anos que imediatamente precederam e seguiram a implantação da República. Justapõe-se na paisagem assim descrita a lenda e a verdade, a fantasia e o senso-comum, dramas da rua e folclore, alegrias e desilusões, bondade e sordidez – tudo o que constitui o aprendizado chocante e sedutor graças ao qual Gabriel, o pequeno protagonista, irá integrando a sua limitada esfera pessoal de criança no vasto mundo adulto que o rodeia, universo bizarro e muitas vezes incompreensível que, ao mesmo tempo, o fascina e amedronta.

Inventário prodigioso duma época, devassa apaixonada duma cidade e dos seus habitantes, A Escola do Paraíso – com que o Autor pretende contribuir para preencher uma lacuna na novelística lisboeta, entre o naturalismo e o neo-realismo – mostra-nos, sublimadas ao mais alto grau, as qualidades que fizeram de José Rodrigues Miguéis um dos nossos maiores escritores. Nasceu em Lisboa a 9 de Dezembro de 1901, na Rua da Saudade em pleno bairro de Alfama. Em Lisboa passou a sua infância e juventude. Forma-se em Direito em 1924. Do seu pai, imigrante galego, herda as ideias republicanas e progressistas, o que o leva a entrar em conflito com o Estado Novo e o obriga a partir em 1935 para o exílio nos Estados Unidos, onde em Nova Iorque vem a morrer em 27 de Outubro de 1980 

José Brandão, no seu trabalho “A República nos livros de ontem nos livros de hoje”, dedicou-lhe esta pequena resenha: 

“José Rodrigues Miguéis recorda a sua primeira infância num dos melhores romances portugueses. A cidade do princípio do século, os primeiros automóveis, a cidade iluminada a gás, dos teatros do Príncipe Real, do animatógrafo, a cidade que acabava na Rotunda, para lá os campos de corridas ao Campo Grande.

Os hábitos, a carbonária, a aristocracia decadente, o regicídio e a proclamação da I República. As profissões, os portugueses e galegos que chegavam à capital. Tudo contado magistralmente pelos olhos de um menino que cresceu a ver o brilho do sol das sacadas pombalinas viradas ao Tejo. Menino que reteve minuciosamente a memória das cores, dos cheiros, das gentes e de tudo quanto foi sendo, intensamente, o seu mundo.”

Fui encontrar este livro há cerca de uma semana, no meio de outros, já todos eles com as folhas amarelecidas pelo tempo. Recordo-me de quem mo ofereceu e de quando mo ofereceram. Foi há cinquenta anos, que se completarão no próximo domingo. Não me lembro de ter lido as primeiras oitenta páginas, que já estavam abertas. Tratei de abrir as restantes. Comecei a lê-lo e em dois pedaços de tempo, em menos de doze horas, devorei as 375 páginas da edição acabada de imprimir em Dezembro de 1960, pela Estudos Cor onde curiosamente, ao tempo, José Saramago era editor literário. 

E assim, página atrás de página dei com “O avô Colmeal ”, passei pelo “Vale do Braçal”, pela “Folgosa”, andei por ruas conhecidas dos meus tempos de escola, Olarias, Escolas Gerais, Castelo, Calçada do Monte, Lagares, Mouraria, e fiquei admirado quando na página 331 reparei que “Em cima do banco desdobrava-se uma Comarca de Arganil.” 

Um livro que brevemente estará disponível na Biblioteca da União no Colmeal.

A. D. Santos

MENTE SÃ; CORPO SÃO



Já pensou porque é que cada vez mais os médicos aconselham os seniores a caminhar regularmente? A REVIVER apresenta-lhe as principais razões para sair de casa com o seu fato de treino e caminhar um pouco. Acredite que está é a maneira mais simples, económica e independente de fazer exercício físico. A ciência já comprovou os seus benefícios, damos a sugestão para experimentar e comprovar por si próprio.

Saiba quais os 8 benefícios que caminhar trazem à sua saúde

1.Melhora a circulação e diminui a pressão arterial
Um estudo efectuado no Brasil, chegou à conclusão que caminhar cerca de 40 minutos é capaz de reduzir a pressão arterial durante 24 horas após o exercício. Ao caminhar esse tempo, o fluxo de sangue aumenta, diminuindo a pressão. Outro dos aspectos é que as válvulas do coração irão trabalhar mais, melhorando a circulação e o sangue fixa mais rico em oxigénio.

2.Limpa os pulmões
Ao caminharmos com frequência, as trocas de gases que ocorrem nos pulmões passam a ser mais fortes, o que faz limpar os pulmões de impurezas, diminuindo o catarro e as poeiras. Esta também pode ajudar a dilatar os brônquios e a prevenir a bronquite.

3. Previne e diminui o avanço da Osteoporose
Ao andarmos estamos a estimular os nossos ossos. O impacto dos pés com o chão e a movimentação de todo o esqueleto criam estímulos eléctricos que ajudam a absorver o cálcio dos alimentos que consumimos, deixando os ossos mais fortes e com menor possibilidade de desenvolver osteoporose. Quando se passa a sofrer da doença, caminhar pode diminuir o avanço da doença, segundo os profissionais.

4. Melhora a saúde mental e o bem-estar psíquico
Quando passamos a praticar qualquer tipo de exercício, o nosso corpo liberta uma quantidade maior de endorfina, que produz uma sensação de alegria e relaxamento. O local onde caminha, seja em jardins, parques ou até à beira mar pode melhor a sua saúde mental, criando um melhor humor e um aumento de auto-estima.

5. Retarda o envelhecimento do cérebro
Um estudo efectuado nos Estados Unidos demonstra que as caminhadas ajudam em problemas e de atenção. Também aumenta a capacidade do cérebro em responder a variados estímulos, seja a nível da visão, som ou de olfacto. Outro estudo do mesmo país afirma que se fizerem caminhadas de 10 quilómetros semanais, diminui o risco e ajuda na prevenção de alguns tipos de demência.

6. Ajuda a eliminar as insónias e a ter mais energia durante o dia
As caminhadas efectuadas durante a manhã, permitem ao nosso corpo ter um pico na produção de substâncias como a adrenalina. O que torna a pessoa mais activa e menos sonolenta nas horas seguintes. Logo afecta na hora de dormir. Passamos a adormecer mais rápido e reduzimos a hipótese de insónias.

7. Queima calorias e controla a vontade de comer
Uma pessoa que não pratique qualquer tipo de exercício e comece a caminhar irá conseguir queimar um maior número de calorias, reduzindo as gorduras localizadas. Mas outro factor que equilibra o peso é a aceleração do metabolismo, que deriva do aumento da circulação, respiração e actividade muscular. Em Inglaterra, um estudo revela que ao caminhar cerca de 15 minutos numa passadeira ajuda a diminuir o stress, o que diminui a vontade de comer certos doces e guloseimas que são muitas vezes consumidos devido a distúrbios emocionais.

8. Diminui a possibilidade de enfartes
Aqueles que caminham conseguem com que os seus vasos sanguíneos fiquem mais elásticos e dilatados quando existe alguma obstrução. Um factor que impede que as artérias entupam ou deixem de transportar o sangue, diminuindo assim a possibilidade de enfartes.

Iniciação à caminhada

Para aqueles que querem começar a caminhar devem-no fazer de forma progressiva. Comecem por uma caminhada de 10 ou 15 minutos e vão aumentando gradualmente, conforme forem sentindo melhorias a nível de resistência. Tente sempre escolher um local agradável e se possível o mais próximo da natureza para ter uma sensação de bem-estar quando pratica o exercício. Deixamos a sugestão de caminhar logo pela manhã. É uma forma de sentir os efeitos positivos ao longo do dia. Deve tomar alguns cuidados com a postura e a técnica adequada durante o decorrer do exercício. Opte por uma postura erecta e elegante, com os ombros e o pescoço relaxado e não se esqueça que deve ter sempre o queixo para cima para olhar em frente. Deve também contrabalançar os movimentos dos braços com os das pernas, mantendo os cotovelos sempre flectidos num ângulo de 90 graus. E não se esqueça que ao dar um passo, o calcanhar deverá ser a primeira parte do pé a assentar no chão, seguindo-se o desenrolar do pé até à sua extremidade, os dedos. As caminhadas são cada vez mais a escolha dos médicos para as pessoas idosas. Não é um exercício demasiado exaustivo e traz inúmeras vantagens à sua saúde física e mental. Esta também é uma óptima forma de aproveitar o seu tempo livre, por isso poderá estar na altura de retirar o fato de treino e os ténis do armário e dar-lhes o seu uso devido.

in Revista REVIVER Edição nº4 | Julho 2013



A Natureza é tão bonita




Foi este o título ou o comentário que quem visitou a região e a nossa freguesia pela primeira vez entendeu fazer.
O rio Ceira à ponte proporcionou esta feliz fotografia.

Foto de Paulina Batista


ALMINHAS DO COLMEAL (parte 2)


COLMEAL

- Alminhas, situadas no Torgal, na berma da estrada que liga Colmeal a Góis, por baixo da capela do Senhor da Amargura. Foram construídas em 1984 ou 1985, por José Nunes, natural da Cabreira e residente em Góis, em cumprimento de promessa de sua esposa Ana Maria Alves Nunes, natural de Colmeal. São em forma de oratório, com a estrutura e o telhado em xisto. Este é sustentado por uns tubos na vertical, que também aparecem nas alminhas da Foz da Cova, Malhada e Soito.

O painel em azulejo representa a imagem de Nossa Senhora de Fátima com os pastorinhos em oração e ovelhas a pastarem.

Representando devoção e agradecimento, trata-se de umas alminhas na forma e na apresentação, mas que não radicam no culto dos mortos. “Tinha dezassete anos, quando fiz a promessa, nessa altura não pensava na morte.” (Ana Maria).



 - No Colmeal, existiram outras alminhas. Por exemplo na Eira, onde foram demolidas com a construção da Casa Paroquial. Seriam um oratório em xisto com um pequeno nicho e um painel em madeira que tinha as almas do Purgatório. No caminho para o Carvalhal, logo depois da travessia do rio, num sítio chamado Riqueijo, existiram outras em forma de capela ou alpendre, que terão desaparecido com um incêndio. Também à Ponte, existiram umas que eram uma cruz em ferro espetada na rocha. Lembravam um rapaz do Carvalhal que veio ao moinho, e que se afogou ao tomar banho no rio Ceira, enquanto esperava que o milho moesse.


FOZ DA COVA

Alminhas em forma de oratório, situadas na estrada para a Malhada, na cortada para o lugar, num sítio chamado Entrecaminhos ou Barroca das Almas. Foram mandadas construir por José Baeta, da Malhada, haverá uns catorze anos, próximo do sítio onde terão existido umas outras, mandadas construir por José Maria, da Foz da Cova, haverá uns setenta anos. Numa outra versão, terão sido por familiares, quando José Maria faleceu.

O painel em azulejo representa o Anjo da Guarda, a proteger duas crianças e um cordeirinho. A menina leva um ramo de flores, o rapaz não consegui identificar o que leva na mão.





 MALHADA

- Alminhas em forma de oratório, situadas no largo da terra, junto ao lavadouro e outros edifícios públicos. Foram mandadas construir por Celeste dos Santos haverá vinte e cinco ou trinta anos, em cumprimento de promessa de um familiar que faleceu sem a ter cumprido. “Lá foi algures, e aconselharam-na a fazê-las …” (Aurora).

O painel em azulejo mostra Cristo na cruz, com as alminhas nas chamas, em baixo. O desenho é muito simples, parecendo Cristo apenas um esboço. Apresenta a particularidade de ser quadrado e não retangular como a maioria, e de ser em azul, e não nas tradicionais cores vivas. É também o único painel, no conjunto de as alminhas que visitámos, em que o apelo à oração aparece por extenso: “Pai Nosso, Avé Maria”. Apelo esse que é raro, nas alminhas do Colmeal.

Estas alminhas, foram arranjadas haverá uns quatro anos, por João Casimiro Vicente, que, para tanto, recolhe as esmolas. Caso se verifiquem excedentes, entrega-os aos mordomos dos santos da localidade.




 - Alminhas, ao lado das anteriores, sendo uma espécie de capelinha com as paredes em vidro, a proteger uma imagem tridimensional de Nossa Senhora de Fátima. Foram mandadas construir, em 2011, por António Martins, natural da Malhada e residente no Colmeal, em cumprimento de uma vontade da sua esposa Maria Antónia Cerdeira, já falecida.

Também diferentes na intenção com que foram construídas, mas alminhas na apresentação e na forma, incluem-se neste levantamento por fazerem parte do mesmo espírito de devoção e fé.



QUINTA DE BELIDE

Alminhas situadas na Assentada de Belide, à beira da estrada que liga o Rolão a Fajão.

São as alminhas em forma de capela ou alpendre maiores que encontrámos na freguesia, com os seus bancos ao comprido, a convidarem à oração e ao repouso, agora perturbado pelo ruído pastoso das eólicas, que varrem o céu e o sossego da serra. Conforme inscrição na própria estrutura, foram construídas em cumprimento de promessa, em 1959, por Bernardo Gomes Monteiro, conhecido por Bernardo Cebola, por ser de uma terra da Pampilhosa da Serra com esse nome. Negociava em carvão.

O painel em azulejo representa Nossa Senhora do Carmo, desta vez com o menino do seu lado direito e também ele coroado. A presença solícita dos anjos a intercederem pelas almas envoltas em chamas persiste.

Para além do painel das almas, existe na parede direita do interior da capela uma imagem do Santo do nome do construtor, S. Bernardo, também em tons de azul. No canto inferior esquerdo desta imagem pode ver-se a inscrição “OUTEIRO ÁGUEDA” e, no canto inferior direito, “GOMES PORTO. PORTO – COIMBRA”.

São as únicas alminhas da freguesia com nome escrito nas próprias: “Alminhas de Belide”.






RIBEIRA DO SAIÃO

Alminhas situadas na Ribeira do Saião, na berma da estrada Colmeal-Góis, pouco antes da Candosa. Foram mandadas construir em cumprimento de promessa pelas melhoras do pai, por Álvaro Miranda, da Candosa, em terreno da família. São umas alminhas de capela, com os respetivos bancos ao comprido de ambos os lados. O painel é em azulejo, com a imagem de Nossa Senhora do Carmo, a azul e com pormenores diferentes das alminhas do Carvalhal e Belide. Apresentam a particularidade das duas cruzes desenhadas na estrutura, por cima do painel.





SOBRAL

- As alminhas, situavam-se no caminho Colmeal-Sobral, no Caratão da Fonte das Almas. Eram só uma cruz em madeira, espetada na ponta de uma parede, em memória de um homem que terá ali falecido. Diz o meu pai que já lá estavam quando ele era pequeno e pouco falta para ter cem anos. “Enquanto o senhor Carlos Miranda foi vivo e pôde, quando a cruz apodrecia fazia outra e ia lá colocá-la. Quando deixou de poder, perdeu-se tudo!” (Maria da Conceição).

- Havia umas outras alminhas no caminho para o Saião, construídas em memória de uma mulher que ali faleceu, vitimada por uma peste (raio). Eram duas que andavam ao mato, mas só ela é que foi atingida, quando estava a erguer o molho.


SOITO

- Alminhas em forma de oratório, localizadas ao fundo da povoação, na berma da estrada para Malhada e Fajão. São parecidas com as do Torgal, no Colmeal, divergindo por serem um pouco mais largas e baixas e pelas paredes, que são revestidas e não construídas a xisto. O painel em azulejo e tons de azul representa também a imagem de Nossa Senhora de Fátima.

Estas alminhas foram construídas na sequência da abertura da estrada entre o Soito e a Malhada, pelo que terão cerca de quarenta anos. Foram feitas por Manuel de Carvalho, do Colmeal e mandadas construir por Abel Nunes de Almeida, do Soito, que teve a intenção de substituir umas que existiam na antiga estrada entre Colmeal e Soito. Situavam-se na primeira curva a seguir à ribeira do Soito, num sítio ainda hoje chamado “Almas”. Eram umas alminhas de alpendre em xisto, que teriam, segundo uns um painel em madeira, segundo outros, a atual imagem da Nossa Senhora de Fátima.



 - Terão existido umas outras alminhas na povoação, junto a um chafariz.

Terminada esta descrição sumária do estado da arte das alminhas no Colmeal, reitero o pedido de correções e aditamentos, com vista à preservação desta memória de todos nós. Alterando ligeiramente o pedido dos necessitados de antigamente, alminhas do Colmeal, “pelas almas de quem lá temos” …!


Lisete de Matos


Açor, Colmeal, 13 de junho de 2013