segunda-feira, 22 de julho de 2013

ALMINHAS DO COLMEAL (parte 1)

ALMINHAS, EM GERAL 

1. SIGNIFICADO 


As alminhas são monumentos formados por uma pequena e simples construção, que aloja um retábulo ou painel de índole religiosa. Encontram-se à beira dos caminhos e estradas, a convidar à oração pelos defuntos, e a recordar aos vivos o mistério da vida feita passagem, que exige paragem. Inserem-se no culto dos mortos e na crença no purgatório - um estado intermédio de expiação e purificação antes da subida ao céu -, que a Igreja institucionalizou, a partir do século XVII [1] , na sequência do Concílio de Trento (1545-1563).

As alminhas correspondem, assim, a uma apropriação popular de dogmas da Igreja, influenciada, como em outros domínios da religiosidade, por cultos pagãos ancestrais. Há quem diga que são específicas de Portugal, predominando nas zonas centro e norte do país, mas existem, pelo menos, na Áustria e em zonas católicas da Alemanha.

Em geral, as alminhas eram construídas em memória ou homenagem a entes queridos, vivos ou desaparecidos e em cumprimento de promessas. Salvo exceções, emergem da iniciativa individual ou familiar, razão pela qual, não raro, são consideradas propriedade privada, o que poderá estar a contribuir para o abandono em que várias se encontram. Mas também podem ser de iniciativa coletiva, como as mais antigas de Carrimá ou as que a população do Cadafaz mandou fazer, em 1957, em homenagem ao padre André de Almeida Freire, no sítio onde sofreu o acidente que o viria a vitimar, em 1962.

Com o passar do tempo e a evolução das práticas religiosas, encontramos hoje alminhas que são uma manifestação de fé e devoção, por exemplo a Nossa Senhora de Fátima, mas que já não radicam no culto dos mortos. Frequentemente resultam do cumprimento de promessas, representado gratidão e agradecimento. Alminhas na forma e na localização, também elas nos acenam da berma dos caminhos, a tornar presente a espiritualidade tantas vezes ausente. 

[1] No estudo recente de Olinda Maria de Jesus Rodrigues “Alminhas em Portugal e a Devolução da Memória” (Univ. de Lisboa, Faculdade de Letras/Dep. de História da Arte, 2010), que pode ser consultado em repositorio.ul.pt/bitstream/10451/4563/2/ulfl081918_tm_1.pdf, faz-se a história da evolução do conceito de purgatório e do culto das almas. Também se referem, entre outros aspetos, as razões para a frequência com que as imagens do Arcanjo S. Miguel ou de Nossa Senhora do Carmo aparecem na iconografia das alminhas.


2. ESTRUTURA E COMPONENTES

Do ponto de vista da localização, as alminhas situam-se sempre à entrada/saída das povoações, tendencialmente em cruzamentos. Esta localização explica-se pela influência dos cultos pagãos já referidos - que erguiam altares nas encruzilhadas e extremidades das povoações para proteção das propriedades e culturas -, mas também pela ideia de passagem, que as impregna. Passagem do conhecido para o desconhecido, do povoado e seguro para o despovoado e inseguro, da vida para a morte, do purgatório expiação para o céu bem-aventurança ... Consequentemente, a localização junto de casas, significa, em muitos casos, que as localidades se expandiram para as extremidades. A localização em sítios isolados, significa, por sua vez, que alguém perdeu ali a vida de forma mais ou menos violenta.

No que se refere à estrutura, a mesma pode assumir a forma de nicho incrustado na rocha ou em paredes, de oratório erguido do chão ou de um qualquer suporte, de capela ou alpendre, normalmente com uns banquinhos, que convidam ao repouso, à reflexão e à oração. Também podem ser apenas uma cruz. Os materiais utilizados começaram por ser os disponíveis nos sítios, evoluindo depois para os próprios das épocas, dos gostos e do poder económico de quem as mandava construir. Os retábulos ou painéis também costumam ser muito simples. Inicialmente, eram em madeira, mas podem ser em pedra, zinco ou azulejo, caso da maioria que encontrámos. Através destes materiais, pode fazer-se ideia da época em que foram construídas ou reconstruídas, não raro alterando a composição inicial.

Do ponto de vista da imagética, tradicionalmente muito colorida e algo ingénua, temos, na base dos painéis, almas envoltas em chamas até à cintura ou ao peito, a erguerem o olhar e os braços suplicantes para o Cristo Redentor ou o santo mediador que os encima. É muito frequente a presença de anjos, que auxiliam as almas. Por vezes, às almas eram atribuídas as feições de figuras públicas ou inimigas, desse modo lhes atribuindo funções de crítica social. Algumas ostentam inscrições de apelo à oração: “ Pelas almas, Pai nosso, Avem”; “Pelas almas P.N.A.M.”; “Ó vós que ides passando, lembrai-vos de nós que estamos penando”; “Socorrei ó almas pias / As tristes almas fiéis / Lembrai-vos que em breves dias / No mesmo fogo estareis” (Alminhas, junto ao lagar, Cabreira).

3. PATRIMÓNIO MATERIAL E IMATERIAL

As alminhas são património. Património cultural e religioso, enquanto expressão da piedade cristã, remetendo para a fé dos nossos antepassados, para a crença na vida para além da morte, para a esperança na ressurreição, para a fé e as devoções atuais. Património construído, enquanto arquitetura religiosa e expressão de arte popular, refletindo os gostos, a construção local em diferentes épocas, a maior ou menor nobreza dos materiais, o poder económico das pessoas.

Apesar deste estatuto de património imaterial e material e, nessa medida, de recurso potencial ao serviço do desenvolvimento, é grande o descuido em que muitas alminhas se encontram. Para quando a sua recuperação e inventário? Para quando a criação de rotas das alminhas, municipais e intermunicipais?


ALMINHAS DO COLMEAL

Recentemente, o nosso conterrâneo Dr. João Nogueira Ramos manifestou interesse na inserção das alminhas do Colmeal, no seu site fantástico sobre o concelho de Góis, http://concelhodegois.weebly.com/ [2] . Tendo-me prontificado para fazer um primeiro levantamento, é esse trabalho muito inacabado que agora partilho, na convicção de que as alminhas são património coletivo e na expetativa de podermos melhorar e completar o levantamento, com a colaboração de todos.

Há alminhas que ficaram fora deste levantamento? Quais e onde? Em relação ao que se diz, há alguma alteração a fazer? Há alguma coisa que se deva acrescentar? Em que data, precisa ou aproximada, é que determinadas alminhas foram construídas? Por quem e porquê? Em que data é que foram reconstruídas? Por quem e quais as razões? Que alterações de localização, estrutura ou imagética é que sofreram com a reconstrução? Que histórias ou lendas é que se encontram associadas a determinadas alminhas? Que pormenores podem ser acrescentados? Enfim, informação que seria interessante recolher e registar, antes que se perca.

O levantamento foi feito nos finais de Maio/inícios de Junho de 2013. Agradeço muito a todos quantos me acolheram, levando-me até às alminhas mais recônditas, e facultando-me informação. Se esqueço alguém peço desculpas: Jaime (Açor); Alice, Maria Augusta, Maria Vitor e António Lopes (Aldeia Velha); Fernanda (Carrimá); Emília, Maria do Patrocínio, António e José Joaquim (Carvalhal); Maria Luísa, Elisabete, Fátima, Belmira, Maria Eugénia, Abel, Manuel Domingos, Manuel de Carvalho, Manuel dos Santos (Colmeal); Ana Maria e José Nunes (Góis); Aurora, Leziria, António Martins e João Vicente (Malhada); Maria da Conceição (Sobral); Júlia, Armando e António Duarte (Soito).

Encontrei ao todo quinze alminhas, destruídas que foram outras de que há notícia pela construção e o alargamento de estradas, talvez também por incêndios. A indiciar devoções e gostos mais ou menos recentes, a maior parte das alminhas encontra-se enfeitada com velas, jarras e flores artificiais, que dificultam o encontro do olhar das imagens com o nosso. Sempre que os retirei  para fotografar, voltei a colocá-los.

A maior parte das alminhas tem caixa de esmolas, algumas das quais abertas. Em princípio, as esmolas são hoje diminutas e, a serem retiradas, são-no localmente. Na paróquia, a Mordoma das Almas é Belmira Almeida, do Colmeal, que apenas recebe as ofertas que lhe entregam, valores que se destinam à celebração de Missas pelas almas. Os funerais já não se fazem acompanhar pelo Painel das Almas, “um grande painel em madeira acastanhada, com as almas pintadas que era levado por homens, um de cada lado”. 


[2] Pela abrangência da informação, pelo rigor, pela investigação subjacente, pela generosidade implícita no modo como dá a palavra aos outros, pelo amor manifestado, pelo gigantismo da obra …


AÇOR

Alminhas em forma de oratório com porta em vidro, situadas à beira da estrada, no Vale, junto à entrada sul da povoação. Foram mandadas construir em 1975, por José Nunes dos Santos, em substituição de umas antigas com painel em madeira, que existiam na parede da casa da família. O painel é em azulejo, e representa S. Miguel, com o diabo/dragão subjugado a seus pés pela lança que segura na mão direita, enquanto a esquerda segura a balança de pesar as almas. No canto inferior direito do painel pode ver-se a inscrição: “Estatuária. Coimbra”.

A imagem de S. Miguel é frequente em alminhas, devido às orientações da igreja nesse sentido. Não encontrámos mais no Colmeal, mas, curiosamente, é também a imagem das Alminhas do Padre André – cujo pai era do Açor -, a que já aludimos. S. Miguel é também o padroeiro de várias Confrarias das Almas em funcionamento em paróquias..

Na freguesia, só nestas alminhas e nas Belide (1959) é que são visíveis a data de construção e o nome de quem as mandou construir.

Estas alminhas foram limpas e pintadas em 2012 pela Silvina e o Manuel, filha e genro do falecido José Nunes dos Santos.

- Perto do Açor, no Vale do Açor, existiam umas alminhas antigas, com painel em madeira, que foram demolidas com a construção da nova estrada para o Colmeal. Havia a intenção de as reconstruir, mas isso não veio a verificar-se.





ALDEIA VELHA

- Alminhas muito antigas, situadas à entrada, mas já dentro da povoação, no cruzamento da rua principal com uma que conduz para a direita. Do ponto de vista da localização, são um caso evidente de umas alminhas que se tornaram interiores, devido ao crescimento da terra para as suas extremidades, no caso, por reconversão para habitação de palheiros e currais do gado.

São umas alminhas em forma de oratório construído a pedra e barro, mas que se apresentam rebocadas a cimento, material de que também parece ser o telhado. Segundo os residentes com quem falei, aquelas alminhas estiveram sempre ali e não foram objeto de qualquer alteração ao longo do tempo. Terão sido mandadas construir por uma senhora chamada Prazeres, que faleceu há muito tempo com mais de oitenta anos. Estimam, assim, que tenham cem ou mais anos.

A antiguidade destas alminhas depreende-se, sobretudo, através do retábulo, que é uma pintura sobre madeira, caso único na freguesia. Trata-se de uma pintura realmente muito básica, que se encontra muito esbatida pelo tempo. Mostra uma alma (feminina) a levantar os braços suplicantes para Cristo crucificado. De ambos os lados da cabeça dessa alma, há umas imagens escuras que tanto parecem aves, como chamas. Dos pregos nas mãos de Cristo, pendem uns fios para uma espécie de cálices muito esguios. Será sangue a escorrer? Será confusão com a balança de S. Miguel? Por cima dessas figuras, há umas flores da mesma cor. No canto inferior direito, constam a inscrição P. A. (Pai Nosso, Avé Maria) e dois A na vertical, enquanto, do lado esquerdo, os dois A são na horizontal. Serão a assinatura? No topo da cruz pode ver-se a sigla INRJ (Jesus Nazareno Rei dos Judeus), com que os romanos sinalizaram os motivos da condenação de Cristo. A base do nicho é em tabuinhas de madeira pintadas a azul. 





 - Alminhas também muito antigas, situadas num cruzamento da rua/estrada por baixo da aldeia, denominado “Almas”. Destas alminhas só resta o nicho feito de pedras. Ocupando o topo da parede de uma fazenda, encontra-se emoldurado na parte superior por um corrimão de videiras. Sobre o retábulo, de acordo com uma versão, nunca existiu, de acordo com outra, era em madeira, mas desapareceu. 



 - Nas proximidades de Aldeia Velha, na serra, existiram ainda as Alminhas da Assentada das Almas. Tantas vezes os pastores as terão destruído e construído que desapareceram. 


CARRIMÁ

- Alminhas em forma de oratório, situadas por baixo da povoação, num caminho que dá acesso a casas e terrenos de cultivo. Foram mandadas construir pela população em 1951, e reparadas em 1976, datas que constam da estrutura. Inicialmente construídas a pedra e terra, foram rebocadas quando dessa reparação, altura em que o painel em madeira, que começava a apodrecer, foi substituído pelo atual em azulejo.

O painel é em azulejo e tons de azul. Encimado por Cristo crucificado, há almas nas chamas, duas das quais estão a ser ajudadas por anjos. No topo da cruz, lê-se “INRJ”; No canto inferior direito, “Bruma Limitada. Coimbra”.

Estas alminhas não têm caixa das esmolas, o que não era habitual, na época.





- Alminhas de nicho situadas no largo, à entrada da aldeia. Foram construídas por António Martins Nunes, nome cujas iniciais constam da base do nicho, bem como uma pequena cruz, à direita. O painel em azulejo mostra a Sagrada Família, com S. José e o jovem Jesus a carpinteirar, enquanto Nossa Senhora fia.

Estas alminhas lembram a grande devoção de António Nunes, que acalentou o sonho de ver construída uma capela em Carrimá, ainda que pequena. Para tanto, pediu um terreno perto do largo, e tentou mobilizar a comunidade, sem sucesso. “Ele tinha a vontade, mas como não tinha os meios, não conseguiu. Então decidiu fazer o nicho e pôr lá aquela imagem” (Fernanda).

A placa toponímica que encima o nicho também foi da iniciativa de António Martins Nunes, no caso com a colaboração do primo Luís. Foi colocada sobre as alminhas, possivelmente por estar ali um rebordo já feito, em homenagem ao presidente da junta de freguesia, que dotou a aldeia com estrada (1975/76) e outros benefícios, nomeadamente escadarias e caminhos cimentados. 




CARVALHAL DO SAPO

Alminhas situadas na descida para a aldeia, num sítio que me disseram chamar-se “Trincheira” e, também, “Relveiro do Rego”. A estrutura é em forma de capela relativamente pequena, apresentando uns banquinhos laterais individuais compatíveis com o pouco espaço disponível. O painel em azulejo mostra a imagem de Nossa Senhora do Carmo coroada, com o Menino sem coroa no braço esquerdo. Refiro os pormenores da posição do Menino e da coroa, porque divergem de imagem para imagem da mesma Santa. Como é frequente neste e outros painéis, no topo, de ambos os lados, há rostos de anjo. Na base, envoltas em chamas até ao peito, uma alma feminina e outra masculina são ajudadas por anjos femininos dotados de grandes asas.

São umas alminhas relativamente recentes, pois foram mandadas construir por Libânia Martins, no regresso de Angola, quando da descolonização.




- Alminhas muito comoventes, situadas num antigo caminho denominado Corredoiro, que dá acesso a terrenos e à antiga fonte. São de nicho e encontram-se inseridas num muro em pedra, lembrando a janela de uma antiga casa e o recurso aos materiais localmente disponíveis. Deverão ser muito antigas, a ajuizar pela madeira onde o Crucifixo, aparentemente mais novo, se encontra fixado. Poderá tratar-se de um dos casos de desvanecimento da pintura com o tempo, e de acréscimo posterior da cruz. Encontram-se limpas e cuidadas, sendo de destacar o gosto do suporte para as velas e flores, esteticamente condizente com a beleza e a harmonia do conjunto. Disseram-me que esse adereço está ali há uns tempos, e que aparece enfeitado por alma devota com flores naturais. Quando da nossa visita, era uma orquídea já murcha, que ali exalava fé, talvez amor! 




- Alminhas de nicho em pedra, situadas numa antiga saída para a Candosa e o Cadafaz, num sítio chamado Pinheiro. Também se encontram incrustadas numa parede, próxima do desmoronamento. Em princípio por desvanecimento da imagem, do retábulo só sobra a madeira, rachada ao meio e irregular nas extremidades. 



- Existiram no Carvalhal umas outras alminhas de capela ou alpendre, na Póvoa da Lomba. Foram mandadas construir haverá uns setenta anos, por José Maria Barata, em cumprimento de promessa dos seus avós, que as terão prometido em agradecimento pela sobrevivência de umas meninas gémeas. “Eram umas alminhas muito lindas, tinham Cristo, as gémeas e tudo! E davam ali muito jeito, cobertas e com os bancos ao comprido. Então quando chovia …! A gente vinha com os molhos de mato, pousava-os e sentava-se nos bancos a descansar! Foram demolidas há uns anos para passar um estradão dos ralis. Estão em casa da Cilinha, que também teve gémeas ….” (Maria do Patrocínio).

Lisete de Matos
Açor, Colmeal, 13 de junho de 2013

8 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns pelo inestimável contributo que tem dado para a preservação do património colmealense.

Anónimo disse...

Excelente trabalho e investigação.
Um Bem haja a todos quantos participaram nesta investigação.
As alminhas deveriam ser mantidas e muitos de nós nem saberiam o seu real significado se não fosse esta informação preciosa.
Parabéns pelo vosso trabalho!!

Fernando Caetano disse...

Parabéns Drª Lisete
Trata-se de um inventário notável sobre o património da freguesia, o qual é desconhecido pela maior parte dos amigos e naturais da freguesia do Colmeal.
Aguardo a continuação da publicação do artigo com ansiedade.
Fernando Caetano

Cecília Barata Monteiro disse...

Sou a Cilinha referida no texto, Cecília Barata, neta de José Maria Barata. Tenho o painel na minha casa pois, tal como disse a Maria do Patrocínio, os meus dois filhos gémeos, um rapaz e uma rapariga,seguiram-se às duas gémeas, suas antepassadas. A fotografia do referido painel, em madeira pintada, pode ser enviada para o endereço que me for indicado, de modo a enriquecer este trabalho que acho muito interessante.

Anónimo disse...

Se me é permitido, venho acrescentar a informação resultante de contatos entretanto efetuados.
a) As primeiras alminhas do Carvalhal foram objeto de limpeza e pintura, quando da Festa do Santo Padroeiro da povoação, S. João.
b) O senhor José Nunes, autor das alminhas existentes no cruzamento para as Seladas, no Colmeal, ficou de reparar os pequenos defeitos que apresentavam. Possivelmente, até já o fez, mas eu não tenho ido para aqueles lados.
c) O senhor José Braz Vitor prometeu empenhar-se, com vista à reabilitação e preservação das primeiras alminhas que refiro, em Aldeia Velha. Sendo únicas no que toca ao painel, é um imperativo fazê-lo.

Bem hajam em meu nome pessoal e dos vindouros. Fico à espera de mais notícias que contribuam para a preservação do património e para a melhoria do levantamento.

Lisete de Matos
Açor, Colmeal

Anónimo disse...

Desculpem voltar, mas quando fiz o comentário anterior ainda não conhecia os que tiveram aamabilidade de fazer.

Obrigada a todos e à Cilinha - se assim a posso continuar a chamar - pela precisão da informação e pela disponibilidade para enviar a fotografia. Terei muito gosto em a receber (lisete.matos@sapo.pt), mas penso que o ideal seria que o próprio blogue a publicasse, de modo a que, no imediato, todos a pudessem ver. A não ser que seja preferível reunir toda a informação e fazer, mais tarde, um aditamento único.

A propósito, não será possivel encontrar fotografias da estrutura, isto é, da casinha que alojava o retábulo? A memória ficaria assim mais documentada. Aliás, esta questão é válida para quaisquer outras alminhas.

Abraço
Lisete de Matos
Açor, Colmeal

Cecília Barata Monteiro disse...

O referido painel do Carvalhal, pintado em madeira, parte restante de umas alminhas que há muitos anos existiram na Póvoa da Lomba, representa o nascimento de duas gémeas, avó e tia-avó do meu pai, Manuel Martins Barata. Guardo-o, porque estas gémeas são as que, na família, nasceram antes dos meus filhos gémeos, o Vasco e a Margarida. O homem também representado, meu trisavô e pai das miúdas, fizera a promessa de construir no Carvalhal umas “alminhas”, junto a uma das suas propriedades, se ambas se salvassem. Assim aconteceu e foi já o filho de uma delas que mandou construir um pequeno espaço de apoio às pessoas que regressavam a casa depois de um dia de trabalho no campo. Numa das paredes aplicou o painel que se mantivera na família. Aí rezavam enquanto descansavam. Desde miúda habituei-me a passar por ali, nas férias de Verão, e o meu pai contava-me o que dera origem àquela pequena construção. Muito mais tarde, nasceram os meus gémeos e, mais ou menos na mesma altura, fomos encontrar a tábua caída, no meio das pedras, pois com o tempo e com a abertura de um estradão a pequena construção desmoronara-se por completo. Há diferentes formas de preservar a nossa história, pessoal e colectiva. Limitei-me a guardar algo que pertencia à história da minha família e, assim, também preservar um exemplo da história cultural da aldeia onde o meu pai nasceu e onde eu sempre gosto de regressar. Se se criar um pequeno museu no Carvalhal cedê-lo-ei com todo o gosto.

Anónimo disse...

Trabalho de grande rigor e sensibilidade, como nos vem habituando a Drª Lizete. Desde há muitos anos que estas alminhas exerciam sobre mim um grande fascínio - quem as teria construído? Porquê? Que justificação haveria para a constante proteção de algumas e progressiva degradação de outras?
Recordo que a minha avó tinha por elas grande devoção, mas apenas me advertia que devíamos parar um pouco para "rezar pelas almas". Eu era pequenita e obedecia sem questionar.
Fiquei esclarecida. Obrigada, Drª Lizete, por mais este excelente trabalho de pesquisa e partilha.
Deonilde Almeida (Colmeal)