sexta-feira, 27 de abril de 2012

Guimarães cada vez mais perto




Devido ao grande número de sócios e amigos interessados neste fim-de-semana a Guimarães – Capital Europeia da Cultura informamos que tivemos que recorrer a um segundo autocarro, onde neste momento dispomos de poucos lugares vagos.

Se ainda não se inscreveu aproveite para o fazer quanto antes. Não perca esta oportunidade para nos dias 19 e 20 de Maio passar dois dias diferentes na nossa companhia.

Para a sua inscrição ou esclarecimento de quaisquer dúvidas, contacte s.f.f. para: Maria Lucília – 218122331 / 914815132 ou António Santos – 217153174 / 962372866
Ou ainda para o endereço upfcolmeal@netcabo.pt

UPFC

Exposição de Fotografia - MUNDO MUDO


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segunda-feira, 23 de abril de 2012

DIA MUNDIAL DO LIVRO



O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de Abril. Trata-se de uma data simbólica para a literatura, já que, segundo os vários calendários, neste dia, em 1616, desapareceram importantes escritores como Cervantes e Shakespeare. A ideia da comemoração teve origem na Catalunha: a 23 de Abril, dia de São Jorge, uma rosa é oferecida a quem comprar um livro. Mais recentemente, a troca de uma rosa por um livro tornou-se uma tradição em vários países do mundo.

Partilhar livros e flores, nesta Primavera, é prolongar uma longa cadeia de alegria e cultura, de saber e paixão.

Com o objectivo de criar e consolidar os hábitos de leitura e elevar os índices de literacia dos portugueses, o Programa de Promoção da Leitura da Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas tem desenvolvido, desde 1997, centenas de projectos e milhares de acções de difusão do livro e promoção da leitura, em parceria com diversas entidades públicas e privadas.

Campanhas como o Dia Mundial do Livro pretendem chamar a atenção para a importância do Livro como bem cultural, fundamental para o desenvolvimento da literacia e consequente crescimento económico. De igual forma, a leitura contribui para minorar a exclusão e promover a auto-estima e a capacidade de integração social.

O primeiro valor da leitura é o prazer que proporciona a quem a realiza. Só este objectivo bastaria para justificar plenamente a promoção de hábitos de leitura. Aqui o livro apresenta-se como um instrumento insubstituível para a formação do leitor, ao mesmo tempo que aumenta o seu gosto estético e desenvolve a sua capacidade literácita. O hábito de ler, na criança, estimula a imaginação, fomenta e educa a sensibilidade, cultiva a inteligência e dá-lhe instrumentos essenciais para toda a vida. Está provado que as crianças que crescem num ambiente que favoreça o acesso aos livros têm mais possibilidade de se tornarem leitores para toda a vida. Mas os livros, por si só, podem não ser suficientes. É preciso encontrar a porta que lhes permita entrar no seu interior.


sábado, 21 de abril de 2012

Torneio Futsal 2012 - Inter Colectividades



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Acompanhe e apoie as equipas da nossa freguesia, Ádela e Malhada e Casais.

CAMINHADA – “VAMOS VOLTAR AO CABEÇO DO GATO”



Assim será no próximo dia 26 de Maio. Vamos voltar ao Cabeço do Gato, um dos pontos mais emblemáticos e mais bonitos da nossa freguesia e do nosso concelho. Um sábado que todos desejamos nos venha a proporcionar um saudável convívio.





Foi em 3 de Junho de 2006 que nos aventurámos a realizar a nossa primeira caminhada. Já lá vão seis anos. Houve uma partida repartida. Uns saíram do Largo e outros da Selada das Eiras, todos rumo ao Cabeço do Gato. Depois passámos pelo Vale de Asna, Sobral e terminámos no Colmeal – Parque de Merendas das Seladas, onde foi proporcionado um excelente convívio, com porco no espeto e um trio musical para animar o pessoal.



Não podemos esquecer os que de propósito vieram do Porto para estar connosco – da Associação Desportiva da Efacec e do Fluvial Portuense, autênticos “profissionais” destas saudáveis actividades.






Nos anos seguintes continuámos. Em 19 de Maio de 2007 andámos por trilhos antigos “Na Rota do Carteiro” passando por Carvalhal, Aldeia Velha, Quinta das Águias e Soito.







Depois, em 2008, no dia 26 de Abril, percorremos os “Trilhos da Ribeira de Ádela – Caminhos da Escola”. Foi uma caminhada que começou nos Cepos (concelho de Arganil) e passou por Ádela e Açor. Eram cerca de duzentos os participantes que dificilmente queriam deixar esta última aldeia a caminho do Colmeal. E todos sabemos porquê.






No ano seguinte, em 16 de Maio, andámos “Pelos Trilhos do Vento e da Solidão” mas sem a nostalgia que o nome escolhido parece querer indiciar. Aldeia Velha foi a primeira paragem para “retempero de forças”. Depois, pelas eólicas onde o nevoeiro fez questão de nos dificultar a “vista”, seguiu-se a Malhada (nova “paragem técnica”…), Foz da Cova e Soito.







“Pelos Trilhos da Mimosa” foi no dia 1 de Maio de 2010. Uma excelente oportunidade para descobrirmos trilhos antigos e que nos levaram até ao Vale de Asna, Mimosa, Salgado, onde todo o grupo foi muito bem recebido, Saião e Sobral.






Em 2011, embrenhámo-nos “Na Rota dos Moinhos”. Foi num dia óptimo, de 14 de Maio. Temperatura muito agradável para quem subiu até ao Carvalhal, onde a “hospitalidade” deu forças para descer até à Cortada, subir para a antiga estrada do Sobral e depois “convalescer” no convívio habitual no Parque de Merendas das Seladas.

Todas estas actividades só têm sido possíveis graças à presença e ao entusiasmo de todos os que nelas têm participado. E também e muito especialmente das entidades locais e concelhias que, conscientes do valor que representam estas realizações, nos têm apoiado. De saudar e agradecer igualmente a colaboração de todas as colectividades regionalistas da freguesia que sempre se mostraram disponíveis para que estas nossas actividades tenham tido sucesso.

Como referimos no início, esta nossa/vossa caminhada vai ser no sábado, dia 26 de Maio. E que o tempo nos ajude. A partida será feita no Largo, cerca das 9 horas e depois subiremos, sem grandes pressas (não é uma corrida) até ao Cabeço do Gato. Vamos admirar a paisagem e conviver. Como habitualmente recomendamos, será conveniente utilizar sapatos e roupa adequados, protecção para a cabeça e levar água. O Parque de Merendas nas Seladas estará à nossa espera para mais uns momentos de confraternização e de descontracção.

A inscrição poderá ser feita junto dos nossos colegas da Direcção e da Delegação, no Colmeal. Manuel Martins dos Santos – 235 761 395; José Álvaro e Bela – 235 761 490; Catarina Domingos – 93 3344904. Se preferir inscrever-se em Lisboa, poderá fazê-lo para: António Santos – 21 7153174 / 96 2372866 ou Maria Lucília – 21 8122331 / 91 4815132.
Ou ainda para o endereço upfcolmeal@netcabo.pt

O valor da inscrição é de 10 euros por pessoa. As crianças até aos 10 anos pagam apenas 50%.

Não fique em casa. Acompanhe-nos. Porque a sua presença é muito agradável.

Não se esqueça: dia 26 de Maio queremos ter a sua companhia.

UPFC

Fotos de Francisco Silva e A. Domingos Santos

Prémios Nobel de Literatura reunidos no Colmeal



Numa louvável iniciativa da União Progressiva da Freguesia do Colmeal encontram-se reunidos no Colmeal vários Prémios Nobel de Literatura.
A ideia foi lançada em 2005 aquando do almoço de aniversário da colectividade mais antiga da freguesia e hoje é uma realidade que a todos deve orgulhar.

Rudyard Kipling (Prémio Nobel de Literatura em 1907) está no Colmeal com a sua obra “O Livro da Selva”, Thomas Mann (1929) com “Sua Alteza Real”, Hermann Hesse (1946) com “Siddhartha” e William Faulkner (1949) com ”O Homem e o Rio”.

Laureados da segunda metade do século passado estão também na nossa sede de freguesia, dos quais destacamos: Albert Camus (1957) com as obras “A Queda” e “O Estrangeiro”, Ernest Hemingway (1954) com “As Verdes Colinas de África”, “Paris é uma Festa”, “O Adeus às Armas”, “As Neves do Kilimanjaro” e ”Por Quem os Sinos Dobram” será talvez o mais representado de todos eles a par do anfitrião José Saramago. Boris Pasternak (1958) com “O Doutor Jivago”, John Steinbeck (1962) e os seus sucessos “A Um Deus Desconhecido”, “As Vinhas da Ira”, “O Inverno do Nosso Descontentamento” e “A Leste do Paraíso”, Jean-Paul Sartre (1964) com “Os Sequestrados de Altona”, Gabriel Garcia Marquez (1982) com “Cem Anos de Solidão” e “Viver para Contá-las”.

Orhan Pamuk (2006) com “Os Jardins da Memória” e Mário Vargas Llosa (2010) com “A Tia Júlia e o Escrevedor” são dos dois mais recentes Prémios no Colmeal.

José Saramago, que foi Secretário da Direcção da União Progressiva da Freguesia do Colmeal (1948/50 e 1954/55) e a quem foi atribuído o galardão máximo da literatura mundial em 1998, está naturalmente presente com algumas das suas obras, das quais destacamos “Memorial do Convento” e “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”.

Não foi muito fácil reunir tantos expoentes máximos da literatura mundial numa pequena aldeia, sede de freguesia, como a do Colmeal. Mas é um raro privilégio poder conviver com eles e com as suas obras. Eles estão à sua espera na Biblioteca da União – núcleos do Centro Paroquial e da Antiga Escola.
Aproveite a oportunidade. Leia-os.

A. Domingos Santos

domingo, 15 de abril de 2012

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios



Na próxima 4ª feira, dia 18 de Abril, pelas 21 horas, no Centro Histórico da Vila de Góis (Café “O Pombalinho” - Rua do Celeiro) não deixe de assistir e participar na Tertúlia Cultural subordinada ao tema “PATRIMÓNIO. NOVOS DESAFIOS”.

Trata-se de uma acção integrada no âmbito das comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, e visa promover a discussão e/ou debate acerca da temática do património, em todas as suas vertentes, tendo em conta as realidades nacionais e locais, bem como a necessidade premente de protecção e salvaguarda desse mesmo património.

Será moderadora a Dr.ª Lisete Matos, do Açor (Colmeal).

Mais de 500 actividades vão marcar, no País, a 18 de Abril, o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Cerca de 304 entidades e 113 autarquias, entre as quais a de Góis, associam-se ao IGESPAR IP (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico) e ao ICOMOS Portugal (Comissão Nacional Portuguesa do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios) nas comemorações deste ano, subordinadas ao tema “Do Património Mundial ao Património Local: proteger e gerir a mudança”.

Assinalando o 40º aniversário da Convenção do Património Mundial da UNESCO – a partir da qual se instituiu a lista do Património Mundial – o tema deste ano pretende chamar a atenção para o complexo desafio que hoje se coloca à protecção e gestão do património, numa época de marcada globalização económica e cultural, de profundas transformações sociais e de mudança de paradigmas. As novas abordagens aos novos desafios que se colocam à salvaguarda do nosso património, e à boa gestão dos inevitáveis processos de mudança são o mote essencial para as actividades que irão decorrer.

Participe, divulgue e proteja o património que é de todos.

A broa da minha vizinha é melhor do que a minha



A broa há muito que deixou de constituir a base da alimentação.
Vários factores contribuíram para isso: a falta de posses para cultivar a terra ou ir ao moinho, a disponibilidade económica resultante das pequenas reformas ou do aumento dos salários, a adesão a novos valores e formas de alimentação, o facto de se vender pão na aldeia uma vez por semana.
Apenas duas pessoas cozem, de vez em quando.
Bem esfalhocada, a broa tem, hoje, o sabor a novidade e a luxo que tinha antigamente a fatia de pão que se comia, gulosamente, nas quintas-feiras em que se tinha ido às compras a Arganil.
A broa cozia-se mais ou menos de oito em oito dias. Nos fornos pequenos cozia apenas uma pessoa, nos grandes, a cozedura era colectiva, chegando a juntar-se três ou mais pessoas. Quando a broa acabava e não havia tempo para a cozer, pedia-se uma emprestada.
Para fazer a broa, fazia-se o crescente no dia anterior, misturando no malgão, as sobras da última cozedura, também chamadas crescente, com uns dois quilos de farinha e água morna.
Para confeccionar aí umas oito broas, misturavam-se, na gamela de madeira, meio alqueire de farinha previamente peneirada, com o crescente, água morna, sal e uns punhados de farinha triga ou centeia que constituíam a mistura. Só com farinha de milho a broa ficava muito arroladiça. Mas havia quem não lhe misturasse nada, ou porque não podia ou precisamente para se comer menos e fundir mais. Guarda que comer, não guardes que fazer.


Amassava-se muito bem, com as mãos. Uma vez amassada, limpavam-se as bordas da gamela, espalhava-se farinha por cima e fazia-se uma cruz, rezando: Deus te acrescente e Deus te abençoe.
Tapada com um pano branco e limpo, a broa ficava a fintar à fogueira. O tempo de fermentação dependia do crescente, mas andaria por volta de uma hora.
Quando acabava de se amassar, ia-se aquecer o forno, sendo a lenha mexida com o mexilhão. Logo que estivesse quente, em princípio, a massa também estava finta. Se, por acaso, a massa ficasse finta antes do forno estar quente, tinha de se amassar de novo e de lhe juntar mais um bocadinho de farinha para não azedar. Se a massa não estivesse finta, tinha de se esperar que fintasse e ir metendo mais uns braçados de lenha no forno para não perder a temperatura.
Massa finta e forno quente, varria-se primeiro com o barredoiro, para retirar as brasas e, depois, com o vassoiro, para retirar a cinza. O barredoiro era uma espécie de rodo, o vassoiro, um braçado de mato verde, em geral moiteira, que se enfiava no mexilhão.
Tendia-se, então, a massa com o malgão enfarinhado. Tinha de se saber dar-lhe bem os balanços, se não atirava-se com a massa para o chão. Uma a uma, com a pá, iam-se botando as broas no forno. Idealmente deveriam ser duas pessoas, uma para tender e outra para botar.
Cozer a broa era tarefa especialmente das mulheres.
Por vezes, deixava-se alguma massa para fazer umas broas mais pequenas. Misturando-lhe cebola e azeite chamava-se broa de cebola, misturando-lhe bocadinhos de presunto ou chouriço broa de ciscos. Para o pastor faziam-se merendeiras com uma sardinha lá dentro, quando a havia. Sete merendeiras para os sete dias da semana e ficava feita parte do seu farnel.
Finalmente, limpavam-se as paredes da gamela com farinha e fazia-se uma bola que se guardava no malgão, como crescente para a próxima cozedura.
A broa cozia-se em três quartos de hora, desde que o forno estivesse bem quente, mas não em excesso, se não a broa saía a parecer que não pagou as bulas.
Depois de cozida, guardava-se na loja, o lugar mais fresco, sobre uma tábua suspensa do tecto, para que os ratos a não roessem.


A maioria das pessoas tinha forno próprio, umas vezes um forno para uma só família, outras para diversas. As pessoas que o não tinham recorriam ao de um vizinho. Levavam a lenha para aquecer o forno e deixavam a borralha em paga.

in “Gente da Serra - Do seu Quotidiano e Costumes”, pg. 53-55
Lisete P. Almeida de Matos, 1990
Fotos de “Dos Objectos para as Pessoas”, Lisete de Matos, Junho de 2007

Guerra do Ultramar… Memórias de um Passado Presente!



Recebemos da Câmara Municipal de Góis o pedido de “divulgação da informação presente em cartaz anexo, referente à recolha fotográfica a realizar junto de ex-combatentes e/ou familiares, no âmbito da organização da exposição colectiva, fruto desta mesma recolha, intitulada “Guerra do Ultramar… Memórias de um Passado Presente!”, a qual será incluída na programação das Comemorações Municipais a realizar no dia 25 de Abril.”

Portanto, caro associado ou amigo da União Progressiva, se esteve na Guerra do Ultramar e tem fotografias suas ou de familiares seus, não deixe de colaborar nesta iniciativa a todos os títulos louvável.

Revitalizar os tecidos sociais do interior: Uma necessidade e um imperativo



Conclui-se, através da análise dos níveis de expectativa e confiança dos Portugueses, que são muitos os desiludidos da política e dos políticos. Mas como a esperança é a última a morrer e estamos em época de formulação de votos positivos, agora que as formações partidárias se encontram a elaborar os seus programas eleitorais, valerá a pena voltar à questão da necessidade da tomada de medidas que, de modo sustentado e consistente, evitem a desertificação do interior.

A revitalização dos tecidos sociais do interior tem, como é sabido, o interesse e a dupla vantagem de manter o território humanizado e, ao mesmo tempo, de aliviar os meios urbanos da pressão que sobre eles é exercida pela concentração populacional e pelos problemas sociais que a acompanham. Trata-se, pois, de uma questão de fundo e de um imperativo nacional que o poder central não pode continuar a ignorar, remetendo para as autarquias, para os indivíduos e para as organizações da sociedade civil a responsabilidade pela fixação e pela atracção de populações. Em luta desigual, diga-se de passagem, uma vez que é o investimento privilegiado nos grandes, médios e pequenos centros que continuam a prender e a atrair as pessoas, seduzindo-as com as oportunidades que faltam nos restantes meios. Mesmo que essas oportunidades possam ser bem ilusórias, como o demonstram a pobreza e o desemprego urbanos.

Apesar do esforço de desenvolvimento e da melhoria evidente verificada em vários domínios, continuam a ser muitas e diversificadas as disparidades que separam, como se de um fosso se tratasse, o interior do litoral, o rural do urbano, as aldeias das vilas e as vilas das cidades. Viver no interior tem, assim, muitas virtualidades, mas também muitos inconvenientes.

Entre outros exemplos possíveis, viver no interior significa ver o direito à saúde e o poder de escolha nesse campo afectados pela insuficiência ou pela qualidade da oferta, pelo efeito dissuasor das distâncias e do custo dos transportes, ainda que possam existir apoios para os mais carenciados. Significa, para as crianças que residem em lugares mais afastados, um esforço adicional para aprender, depois da madrugada obrigatória e dos vários quilómetros percorridos, por caminhos que são o que são e em viaturas que nem sempre são as mais confortáveis. No regresso, o mesmo.

Quando a utilização do telemóvel se vai sobrepondo à do telefone fixo, na era da informação, a agravar o isolamento, dificultando o trabalho a distância dos residentes e impedindo a permanência prolongada de visitantes, viver na aldeia pode significar privação da rede de uma das operadoras mais usada e ter acesso deficitário às restantes; significa, ainda, ausência de cobertura de ADSL e impossibilidade de acesso, em condições minimamente aceitáveis, aos quatro canais clássicos de televisão, pagando serviços que outros cidadãos não pagam, à via satélite.

Viver no interior e, especialmente numa aldeia, pode significar trabalho a distâncias que poderão ser iguais às que se fazem em meio urbano, mas que se tornam efectivamente muito distintas, devido às características e ao estado de algumas estradas, que desgastam as pessoas, as viaturas e o tempo útil de trabalho ou lazer. Pode significar, ainda, na falta de saneamento básico, conviver com o cheiro das fossas que nem assépticas são.

Quando o consumo sem consumismo se transformou num direito, viver no interior e especialmente numa aldeia significa, sobretudo para os mais idosos, ausência de poder de escolha e dependência em relação à oferta que chega através da venda ambulante a cujos agentes, aliás, deverá ser rendida homenagem pelo utilíssimo serviço que prestam às populações. Para não continuarmos, significa ter outros problemas e permanecer com eles, apesar dos serviços pagos ou da possibilidade de os pagar.

Nestas condições de desigualdade infra-estrutural e de recursos disponíveis, sendo a mobilidade geográfica e profissional um direito e uma imposição do mercado de trabalho, não admira que os mais jovens continuem a ansiar partir para realizar as suas aspirações e que os que um dia partiram se recusem a regressar, como dizemos num outro contexto, “em parte, pelas mesmas razões pelas quais partiram, substituídas as antigas carências económicas pelas actuais limitações no acesso a bens e serviços que passaram a ser considerados essenciais” (Lisete de Matos, Gente da Serra: Modos de Vida entre a Cidade e a Aldeia. Dissertação de Mestrado, 2000). Perante esta realidade, o envelhecimento da população e a progressiva redução das taxas de natalidade, só resta ao interior, para evitar a desertificação humana que o ameaça e a transformação das aldeias em espaços transitórios de reencontro, lazer e férias, recorrer à atracção de novas populações. Desde que, para tanto, se reúnam as condições.

Em matéria de desenvolvimento, como noutras, as pessoas e os lugares são indissociáveis. Começando por elas, que são o factor determinante para a concretização do infra-estrutural e do socioeconómico, a existência de incentivos fiscais à fixação e residência não constituiria a medida mais estratégica e estrutural, a prever nas agendas políticas, em nome do bem-estar individual e colectivo e da coesão social finalmente materializada? Face à necessidade extrema de receitas, a proposta poderá parecer descabida, mas a relação custo-benefício seria assinalável. Além disso, descabida, socialmente injusta e repulsiva da fixação é a situação actual, de tributação em função do rendimento, sem serem tidos em consideração, consoante o local de residência, a desigualdade das condições de vida e os diferentes custos envolvidos na produção desse rendimento.

Lisete de Matos, AÇOR (Colmeal)
in Jornal de Arganil, 27 de Janeiro de 2005

sexta-feira, 13 de abril de 2012

TUNAS ACADÉMICAS EM GÓIS



A Senhora Presidente da Câmara Municipal de Góis Dr.ª Maria de Lurdes Oliveira Castanheira ficou encantada com as actuações das Tunas Académicas de Arquitectura e de Veterinária, quando no passado dia 11 de Março assistiu, na Casa do Concelho de Góis, ao Encontro de Tunas organizado pela Comissão de Juventude da União Progressiva da Freguesia do Colmeal.

No final, depois de dirigir palavras de muita satisfação aos estudantes e num gesto de grande simpatia, saudado com enorme alegria, convidou as tunas a deslocarem-se a Góis num fim-de-semana próximo.

O convite foi naturalmente aceite com bastante entusiasmo e as duas Tunas estarão no concelho de Góis, amanhã e depois, 14 e 15 de Abril.

Estamos convencidos de que o Auditório da Casa do Artista será pequeno demais para acolher todos os Goienses que não quererão perder esta possibilidade de assistir a este espectáculo que os futuros arquitectos e veterinários lhes irão proporcionar.

Para os estudantes será também uma gratificante oportunidade para conviver com as gentes do nosso concelho, extremamente simples, simpáticas e generosas, e de percorrerem e apreciarem as nossas aldeias e as nossas paisagens.

A União Progressiva da Freguesia do Colmeal congratula a Câmara Municipal de Góis, na pessoa da sua Presidente, por mais esta excelente iniciativa.