quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher, 8 de Março



Para os que estão convencidos que há dias que preferiam não nos ter por perto, que de vez em quando gostavam de nos trancar na dispensa, assim como fazer umas fériazinhas sem Estrogénio à vista, cá vai um pouco de História para perceberem o quanto a Mulher é, e sempre foi, indispensável!

Há muito muito tempo...

Na Pré-História, quando o ser humano ainda vivia em cavernas e se vestia com peles de animais, já a Mulher tinha uma posição destacada pela sua condição habilidosa de procriar, “dar à luz”. A magia associada à Fertilidade conferiu às mulheres deste tempo uma existência “sagrada”, tendo sido adoradas e cultuadas como verdadeiras divindades. A mulher mais fértil da comunidade (e também a mais gordinha!) era sempre cobiçada por vários homens, havendo muitas vezes disputas entre eles com o objectivo de escolher o que estivesse à altura de tal “donzela”. Outro factor curioso, mas não menos importante, é que, de facto, eram os homens que caçavam, mas quem tratava das peles e dos adereços eram as mulheres. Ora quer isto dizer que, se não fossemos nós, na altura os homens passariam frio porque não se vestiriam em condições e andariam pouco charmosos porque não teriam paciência para se enfeitar. Não houve muitas mudanças até hoje, não é verdade?

No Egipto, no tempo dos grandes Faraós, a Mulher detinha uma posição especial quando comparada com a Mulher de outras civilizações contemporâneas. O papel por si desempenhado nas sociedades colocava a Babilónia, a Assíria, Israel ou mesmo a Grécia à retaguarda no que respeitava a questões de igualdade e possibilidade de realização da mulher. Na verdade, não podemos falar de uma sociedade matriarcal, nem mesmo de uma intencional emancipação da mulher, pois nunca houve necessidade de o proclamar. Vivia-se numa realidade em que Homem e Mulher fariam parte do mesmo “conjunto”, sendo a igualdade entre os sexos um direito natural. No dia-a-dia, para além da função indispensável de procriar, a mulher egípcia teve em si delegadas outras tantas funções, a tecelagem (mais uma vez a questão da roupinha!), a preparação da farinha e da massa de pão (muito importante!) e até, quando necessário, a gestão de parte do património familiar (autênticas empresárias domésticas!). Na realidade, a mulher egípcia continua registada no Imaginário de todos nós como mulher bonita, sedutora, dominadora e confiante. Qual seria o homem que não gostaria de ter uma Cleópatra em casa, que tantos corações arrebatou? Ou uma Nefertiti, cuja beleza ainda influencia os padrões estéticos de hoje, com a perduração do “olho egípcio” na moda e na cosmética contemporâneas?

Na Grécia Antiga, no tempo dos grandes legisladores, o papel da mulher estava, geralmente, inferiorizado e desvalorizado, sobretudo graças à Política de Aristóteles e ao modo como a existência do ser feminino era vista. A privação em relação ao saber, à cidadania e à vida política, resumia a sua participação no dia-a-dia a funções ditas básicas e obrigatórias, como o casamento e a procriação, em detrimento de outras características flagrantes, como a beleza e a inteligência. Mas nem tudo era mau, nem terá sido assim em toda a Grécia. Por exemplo, uma das vantagens de se ser mulher na Grécia consistia no facto de estas serem as únicas que, sem serem cidadãs, conferiam a cidadania aos próprios filhos, através da importância da sua linhagem. Outro exemplo de conduta diferente era o das mulheres espartanas, conhecidas na História por terem usufruido de alguma “liberdade” em comparação com as mulheres atenienses. Amantes insaciáveis e sedutoras natas, as Espartanas eram destemidas e, muitas vezes, lutavam, pegavam em armas e até ajudavam os maridos em questões estratégico-políticas. No fundo, eram umas fadas do lar! Não acham?!
Também na mitologia grega encontramos um grande enaltecimento das divindades e dos seres femininos, muitas vezes alvo de grandes adorações, paixões e luxúria, quer de imortais ou mortais. Uma das categorias femininas mais emblemáticas desta mitologia são as Ninfas, conhecidas pela sua delicadeza e beleza, assim como as Amazonas, a épica nação de guerreiras, com um sentido único de lealdade e irmandade.

Na Roma Antiga, no tempo dos grandes imperadores, a mulher, apesar de estar inserida no seio de uma sociedade patriarcal, usufruia de algum estatuto social quando comparada com a mulher grega. Embora o mais importante continuasse a ser a preparação para o matrimónio e para a procriação, existiam outros aspectos que complementavam a vida de uma mulher romana. À medida que Roma foi crescendo, também a sua capacidade de autosuficiência e a sua autonomia foram aumentando. Com as inúmeras e sucessivas batalhas em prol do expansionismo, os maridos viam-se afastados dos lares por muitos anos e as respectivas esposas tornavam-se governantes da sua própria casa, assim como de todos os bens, pessoas que lhe estavam afectas. Com estes pequenos reinos por gerir, a mulher romana encontrou aqui uma forma de ascenção que, muitas vezes, culminava na emancipação definitiva, abandonando o lar e constituindo fortuna e património próprios. Não são abundantes, mas conhecem-se alguns casos de mulheres romanas que criaram e dirigiram negócios lucrativos ou que desempenharam cargos influentes. Esteticamente, a mulher romana foi gradualmente ficando mais sofisticada, sendo possível, a partir de determinada altura, distinguir uma Matrona (cidadã casada) de uma jovem mulher. A toga deu lugar à stola (túnica ou vestido comprido), os tecidos ricos e as jóias eram indispensáveis desde que houvesse condição económica que o permitísse, assim como um tratamento constante dos cabelos fosse a nível de cor, penteado ou decoração. Era um autêntico desfile de tendências e de perucas! O importante era estar na moda. Como vêem o nosso gosto por trapinhos e berloques é bastante legítimo e antigo, a História comprova-o!

Na Idade Média, no tempo das grandes Catedrais, talvez o período histórico mais penoso para a figura feminina, falar da Mulher era literalmente falar do Pecado. Com a popularidade crescente da religião cristã e com a propagação de conceitos como o do Pecado Original (cometido por Eva, uma mulher), nutrir alguma simpatia pelo que quer que fosse do universo feminino era meio caminho andado para o Inferno! A par desta ideia de que a mulher era mais susceptível às tentações do diabo, surgiu também a de que seria uma criatura de natureza mais debilitada, logo a existência sob a tutela masculina era obrigatória. Na realidade, as mulheres da Idade Média só não eram vistas de uma perspectiva “demoníaca” quando desempenhavam um dos seguintes papéis: virgens, mães, esposas ou freiras (de preferência fechadinhas numa torre bem alta!). Mas a Idade Média não foi apenas um tempo de mulheres anónimas, foi também um tempo de grandes Rainhas, de belas donzelas e de grandes exemplos. Entre estes encontramos a história de Joana D’Arc, uma camponesa francesa, dotada de coragem e visões que a levaram a intervir e a lutar pelo destino da França, na Guerra dos Cem Anos, contra os Ingleses. O seu devotismo ao país, as suas visões, a sua lealdade ao meio que a viu crescer, assim como à população camponesa atiraram-na para a fogueira, sob a acusação de bruxaria. A “Caça às Bruxas”, levada a cabo pela Igreja através do tribunal do Santo Ofício e do movimento da Inquisição, foi um dos fenómenos que mais marcou este período histórico. Nós, mulheres, bem sabemos que às vezes conseguimos ser umas “bruxinhas”, mas não era caso para tanto!

Por fim, o Presente, deixo-o para vós... Mas depois de tantas histórias e de tantas mulheres bonitas e incontornáveis, resta-nos uma conclusão.
Somos ou não somos indispensáveis?
Embora os tempos sejam outros e muitos obstáculos tenham sido ultrapassados, a essência da existência feminina permanece a mesma de há milhares de anos atrás: sentir, amar, cuidar, perder, sofrer e pensar.

Depois deste “modesto” e nada convencido apontamento sobre a existência feminina ao longo dos tempos, espero que a primeira coisa que vos ocorra fazer, depois de o lerem, seja abraçar a vossa esposa, namorada, irmã, filha, mãe, avó, prima, tia, madrinha, cunhada, enteada, amiga, aluna, professora, empregada, gata, cadela, piriquita... Porque este dia, meus senhores, é nosso!

Feliz dia da Mulher!

Diana de Almeida Ramos

1 comentário:

António Santos disse...

Excelente texto! Parabéns Diana.