domingo, 12 de fevereiro de 2012

A UNIÃO defende a manutenção da freguesia do Colmeal


A seguir se transcreve a carta que a União Progressiva da Freguesia do Colmeal enviou à Senhora Presidente da Assembleia de Freguesia do Colmeal, em 21 de Dezembro de 2011, transmitindo-lhe a posição assumida pela Direcção.

Assunto: Reforma da Administração Local

Exma. Senhora Presidente da Assembleia de Freguesia do Colmeal,

A União Progressiva da Freguesia do Colmeal vem acompanhando com atenção e muito interesse mas também com muita preocupação o desenvolvimento de todo este processo que tem por base o denominado “Documento Verde da Reforma da Administração Local”.

Como V. Ex.ª sabe, a nossa colectividade, a associação regionalista mais antiga da freguesia do Colmeal, sempre demonstrou a sua solidariedade para com os que ficaram nas suas aldeias e desenvolveu ao longo dos seus oitenta anos de existência uma obra que consideramos importante, ajudando a implementar as melhorias e as infra-estruturas necessárias ao bem-estar das populações com o fim de minorar as dificuldades que enfrentavam no seu dia-a-dia e retirando-as do isolamento em que há muito se encontravam.
Não poderá, portanto, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal ficar alheia e indiferente quando neste momento se discute uma possível ou previsível extinção da nossa freguesia.

Colmeal é elevado a sede de freguesia no já distante ano de 1560, de acordo com documento do então Bispo de Coimbra D. João Soares.
Passaram-se 450 anos e das aldeias e casais que ao tempo constituíam a freguesia muitas foram perdendo os seus habitantes, por motivos vários, entre os quais a fuga às condições deficientes em que viviam e sem perspectivas de futuro.

Os censos populacionais revelam-nos números inquietantes e os poucos residentes, autênticos “heróis resistentes”, não querem perder o pouco que ainda têm.
A União Progressiva tem estado e continuará a estar ao seu lado na defesa dos seus interesses. Para todos eles e não nos esqueçamos que estamos numa zona das mais pobres, desprotegidas e esquecidas no interior do país e a que muitos chamam de “Portugal profundo”, a nossa Junta de Freguesia do Colmeal garante um importante grau de proximidade e um nível de atendimento que as pessoas maioritariamente idosas procuram e hoje lhes é disponibilizado.

Repetimo-nos, mas não será demais, ao dizermos que quanto mais rural e interior menos sentido fará extinguir uma freguesia. Cada caso é um caso e não podemos utilizar liminarmente a régua e o esquadro para decidir, no fundo, o bem-estar e a sobrevivência dos “resistentes” a que já nos referimos. Acabar com a freguesia é acabar com cada um dos residentes.
Esta freguesia como tantas outras vem das paróquias (em 1560 foi o Bispo de Coimbra que criou a freguesia do Colmeal) e é um elemento cultural muito arreigado e com um sentimento de pertença muito intenso numa área essencialmente rural.

O emblema da nossa colectividade para além do cortiço, das abelhas e das espigas de milho, ao tempo motivos principais da sustentabilidade das populações, ostenta também o padroeiro da freguesia, o Mártir S. Sebastião, o que confirma o grande fervor religioso dos Colmealenses.
Neste momento estão empenhadíssimos na recuperação da sua Igreja, tão antiga quanto a sua freguesia. Mais uma vez se confirma que a disponibilidade para generosamente contribuir é apanágio dos beirões e na verdade a grandiosidade de uma terra faz-se pela fibra das suas gentes. Retirar-lhes a sua freguesia é abreviar o desaparecimento de cada um deles porque a freguesia faz parte das suas vidas.
Não nos podemos esquecer que a nossa freguesia, com as suas aldeias e casais se estende por uma zona montanhosa, acidentada e por vezes de difícil acesso, onde é notória a ausência de transportes públicos.

As reuniões para informação e discussão entretanto efectuadas e que concentraram um elevado número de participantes, não só de residentes mas também das várias Comissões de Melhoramentos, têm sido esclarecedoras e reveladoras do sentir dos Colmealenses.
A extinção da freguesia do Colmeal, para eles, está fora de questão.
E para nós, União Progressiva da Freguesia do Colmeal, também.

Tanto quanto sabemos a Junta de Freguesia do Colmeal não é deficitária, tem receitas próprias e uma gestão equilibrada. Acabar com ela é acabar com o trabalho que vem sendo feito nos campos da cultura, da coesão social e do desenvolvimento.
Acreditamos que haverá bom senso no momento da decisão.

Temos a certeza de que V. Ex.ª Senhora Presidente sabe interpretar este sentimento dos Colmealenses, que pretendem continuar com a sua freguesia, com as suas tradições, enfim, com a sua identidade e que V. Ex.ª, fiel e firmemente o saberá transmitir e defender nas instâncias próprias.

Sem outro assunto de momento apresentamos os nossos mais cordiais cumprimentos,

António Domingos Santos
Presidente da Direcção

1 comentário:

Colmealense disse...

É ensurdecedor o silêncio dos Colmealenses sobre este assunto. Será que não lhes diz respeito? Ou será que já estão ocupados e/ou entretidos tentando arranjar argumentos contra ou a favor do que possa vir a acontecer? Os japoneses vão ao médico antes de estarem doentes. Pensem nisto.