quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

AMIGOS PARA SEMPRE!

No passado dia 30 de Novembro um grupo de amigos da Comissão de Juventude do Colmeal (anos setenta) reuniu-se para recordar e reviver os bons momentos passados juntos. Foram horas de muita alegria e salutar camaradagem revividas num simples jantar que, decerto permanecerá na memória de todos. Para os presentes e para aqueles a quem não foi possível acompanhar-nos neste dia dedico um poema com votos de um Feliz 2011 e a promessa de que voltaremos a encontrar-nos em breve! UM DIA "Um dia a maioria de nós irá separar-se. Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhámos. Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos fins-de-semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido. Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje já não tenho tanta certeza disso. Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida. Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe... nas cartas que trocaremos. Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices... Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro. Vamo-nos perder no tempo... Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto! - Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida! A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um último adeus a um amigo. E, entre lágrimas, abraçar-nos-emos. Então, faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida isolada do passado. E perder-nos-emos no tempo... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades... Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"
Fernando Pessoa
Texto de Manuela Costa
Fotos de Francisco Silva

Josefina de Almeida expõe em Lisboa

Com o apoio da Junta de Freguesia da Penha de França, Josefina de Almeida, expõe em Lisboa. “Diversidades”, a sua nova Exposição, será inaugurada no espaço Multiusos, no dia 4 de Janeiro, pelas 17 horas. Fica na Avenida Coronel Eduardo Galhardo (por debaixo do viaduto da Av. General Roçadas) e pode ser visitada de 2ª a 6ª feira das 10 às 22 horas e também aos sábados das 14 às 20 horas. Josefina de Almeida é natural do Açor, uma pequena mas bonita aldeia de pessoas simples e simpáticas, da freguesia do Colmeal, concelho de Góis. Recordamos as suas últimas exposições: “Olhares Cruzados”, em Julho/Agosto de 2008 na Casa da Cultura em Arganil onde também expôs “Raízes” em Dezembro de 2009. Visite a Exposição “Diversidades” mas, atenção, que é só até ao dia 29 de Janeiro.
Uma Exposição a não perder! Foto Blogue UPFC
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

BEM-ME-QUEREM

. Bem querem a Maria Leonarda Tavares, a Diana, a Azinheira e o Carriço, o Fred Catabugalhos, o Bobi e a Felicidade, a Mariazita e os muitos outros personagens que tecem e enredam o universo narrativo de Bem-me-querem. Bem lhe querem também os leitores, por mais esta obra com que a autora acaba de os presentear, com eles partilhando os valores e os encantos que a comprometem e movem, na vida e nas causas sociais que abraça.
Bem-me-querem é um conjunto de histórias de generosidade e afecto, no relacionamento de pessoas e animais, animais entre si e com outros elementos da natureza. Maioritariamente, são histórias reais que a autora recorda e recria, ficcionando-as e conferindo-lhes a magia da personalidade escrita. Os protagonistas são bichos, mas são também pessoas e, sobretudo, a autora, cuja emoção e poder comunicativo nos permitem visualizar situações, (re)visitar tempos e lugares, viver amores e amizades possíveis e aparentemente impossíveis, chorar e conter as lágrimas, acalentar o sonho de continuar a sonhar … Lendo-a, celebramos, com S. Francisco de Assis e tantos outros pensadores, a irmandade, a igualdade e a interdependência de todos os seres vivos, cada um existindo e valendo por si próprio, independentemente do valor e da utilidade que o homem lhe atribui.
Misto de crónica e fábula, Bem-me-querem são histórias que a memória e o passado alicerçam para afirmar e questionar o presente: “Todos os que amei estão vivos porque os guardo na memória” (P. 86). “Terei alguém na velhice que me queira tanto? A quantos de nós humanos o destino consente uma velhice tão estimada e tão digna como a tua?” (P.93). História alicerçadas na memória também para prenunciar o futuro, e o obrigar a cumprir-se favoravelmente, pelas lições de vida e solidariedade que comportam. Dizia alguém que a grandiosidade de uma nação e o seu progresso moral se podem medir pelo modo como trata os animais. Já agora, também os idosos e as crianças. Ao ler o livro de Maria Leonarda Tavares, lembrei-me, entre outros, de obras e autores como A minha Família e outros Animais, de Gerard Durrell, Bichos, de Miguel Torga, Cão como nós, de Manuel Alegre, História de uma Gaivota e do Gato que a ensinou a voar, de Luís de Sepúlveda, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, de Jorge Amado, Romance da Raposa, de Aquilino Ribeiro … Grande plêiade! Embora diferentes quanto ao estilo e ao contexto em que se desenrolam, são obras que vêem e admiram a diversidade dos seres vivos, irmanando-os, na singularidade de cada um, pela nobreza das qualidades com que agem ou pela falta dela.
Encantada e seduzida, gostei muito de ler Bem-me-querem, inclusive porque encontrei no livro muitos dos ingredientes que fazem a essência humana: a inteligência e a magnanimidade de espírito, a compaixão, a felicidade, o amor, a ternura, o encantamento, a ingenuidade, a pureza, a solidariedade, o respeito pelas diferenças e pela diversidade … Deixe-se encantar e seduzir você também! O livro encontra-se disponível na Biblioteca Municipal Miguel Torga (Av. das Forças Armadas. 3 300-011, Arganil), podendo ainda ser encomendado através dos telefones 235202462 966581635. Tomando de empréstimo a metáfora com que a autora se despede do esquilo, “Sinto-me maravilhada por nos termos encontrado na vastidão do mundo” (P. 74). Lisete de Matos Açor, Colmeal, 14 de Dezembro de 2010.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Caminhando…

Nos trilhos da Mimosa. Maio de 2010. Foto de Francisco Silva

Há cinquenta anos…

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O IV Centenário da fundação da freguesia “Como foi largamente noticiado pela imprensa regional, no passado dia 16 de Novembro o Colmeal festejou o 400º ano da fundação da freguesia. Para perpetuar esta data tão singular para todos nós, foi inaugurado um sino na torre da igreja, o qual importou em 4.158$80 e foi adquirido por uma subscrição iniciada em Maio passado, pelo nosso jornal. O novo sino tem gravado esta inscrição: «No IV Centenário da fundação da freguesia – 1560-1960». Cerca das 10 horas, feita a bênção do sino, ouviram-se 400 badaladas, simbolizando os 400 anos decorridos desde que esta terra foi elevada à categoria de freguesia, em 16 de Novembro de 1560, pelo Bispo de Coimbra Dom João Soares. Até essa data o Colmeal e outros lugares já existentes dependiam directamente da Paróquia de Góis, como sabemos. Depois desta cerimónia, durante a qual subiram ao ar inúmeros foguetes, seguiu-se a Santa Missa com prática alusiva ao acto, em acção de graças pelo acontecimento. De tarde, na Igreja Paroquial houve uma hora de adoração do Santíssimo Sacramento. Não obstante o mau tempo, assistiu muita gente a todas as cerimónias, tendo mesmo vindo pessoas dos lugares mais distantes. A Junta de Freguesia contratou uma aparelhagem sonora, fornecida pelo Sr. Silva, de Tinalhas, que transmitiu durante dois dias música gravada; à noite o Colmeal estava iluminado a luz eléctrica e a Igreja encimada por cruz, também iluminada a vermelho e branco. Causou tão maravilhoso efeito esta iluminação fornecida pelo motor, que simultaneamente aprofundou também em todos nós a grande mágoa de não usufruirmos ainda do alto benefício da energia eléctrica! Como tivemos já ocasião de observar, todos os melhoramentos efectuados na nossa igreja, nomeadamente o douramento do altar, arranjo das sacristias, compra de alfaias, etc., foram integrados nestas comemorações. Resta-nos renovar os nossos agradecimentos a Deus por tantos benefícios concedidos e pedir-Lhe novas forças e bênçãos para que à nossa freguesia se abram cada vez mais e melhor as amplas portas do progresso a que justamente aspira.” in Boletim “O Colmeal”, Nº 11, de 15/Dezembro/1960 Arquivos da UPFC

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Natal no Colmeal

Luzes coloridas anunciam a proximidade do Natal. Na noite fria apenas o silêncio. Fotos de Catarina Domingos

Entrevista com a Presidente da Câmara Municipal de Góis

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"O que queremos para Góis é que à nossa própria dimensão seja um concelho com a mesma dignidade, com perfil de modernidade e de competitividade como qualquer outro concelho do país"
"É positivo o balanço destes primeiros 13 meses do meu primeiro mandato como presidente da Câmara Municipal de Góis", começou por nos dizer a Dr.ª Maria de Lurdes Castanheira, para salientar a seguir que foi um ano de "muitas e muitas reuniões de executivo, foi um ano de adaptação a um novo lugar, ao novo desempenho, que obrigam a conjunto de novas responsabilidades", reconhecendo ainda que "embora já tenha passado pelo Poder Local, o lugar de presidente da Câmara é bem diferente, porque é neste papel que estamos sujeitos ao que corre bem e ao que corre mal, a todo o tipo de críticas, é aquele que responde pelo Município".
Considerando ser "excelente, determinada, voluntariosa, solidária e embora todos iguais mas todos diferentes" a equipa que consigo trabalha, Maria de Lurdes Castanheira confessou-nos que a sua primeira aposta foi "na reorganização dos serviços internos e ninguém se pode esquecer que herdámos uma Câmara sem Câmara, estivemos em instalações provisórias que não são facilitadoras da proximidade que se requer junto dos diferentes serviços, sendo desde logo um constrangimento. Também os 150 trabalhadores tiveram de se adaptar a uma nova equipa, a novos métodos de trabalho, a uma exigência completamente diferente e registo, com muito agrado, que muitos desse trabalhadores têm respondido a este novo desafio, de diferença, que exigem as mudanças constantes quer ao nível do Poder Local quer ao nível da própria sociedade, quer ao nível dos novos autarcas que vão surgindo."
Assim sendo e "num concelho que tem muito mais potencialidades do que dificuldades", Maria de Lurdes Castanheira considera ser "importante também que estes autarcas que vão surgindo também tenham um desempenho diferente e que apostem muito mais no desenvolvimento imaterial, pelo que continuo a pugnar e a ser acérrima defensora da transversalidade do desenvolvimento, porque tenho um concelho com muitas infra-estruturas, equipamentos colectivos, continuamos a ter obras físicas, que estão no terreno e também não posso descurar as questões da formação, do emprego, situações de pessoas que estão em exclusão social, implicando isso uma abertura até em termos intelectuais e até em termos culturais. Os autarcas de hoje não são os autarcas de ontem, mas devem ter a responsabilidade de preparar o amanhã. E o amanhã, naturalmente, é valorizar as pessoas, porque como dizia há uma década o nosso antigo presidente José Cabeças, não há desenvolvimento sem pessoas".
Uma afirmação, reconhece, "que tem tanta actualidade hoje como tinha em 1993." Mas a crise, os cortes orçamentais impostos, são uma realidade, mas não são suficientes para a presidente da Câmara Municipal baixar os braços e fazer obra no seu concelho, pelo que acabam de ser aprovados pelo executivo camarário os documentos previsionais, "as chamadas grandes opções de plano e o orçamento e eu orgulho-me muito em ter apresentado e aprovado um orçamento de 14 milhões de euros que contempla um conjunto de obras que transitam de 2010 para 2011, estruturantes para o concelho, e que comprometem 5,5 milhões de euros.
Acresce a esta verba mais de 3 milhões em pessoal e feitas as contas falamos em mais de 8 milhões ficando pouco mais de 5,5 milhões e com eles vamos ter a arte e o engenho de lançar novas obras para o próximo ano e continuar as que transitam deste ano, das quais destaco o Centro de Referência da Memória Goiense, que vem complementar a obra da Biblioteca do Arquivo, com a requalificação do espaço exterior (também beneficiando o Centro Social Rocha Barros) e instalando aqui um conjunto de equipamentos que venha a fazer justiça à memória goiense, onde vai haver um espaço reservado àquilo que foi o fabrico de papel ligado à Companhia de Papel de Góis e o que foi a importância daquela empresa no passado, vamos ter também um espaço dedicado aos neveiros de Santo António da Neve e ainda o que existe hoje da exploração quase artesanal do fabrico e exploração do carvão. Góis tem de começar, de facto, a dar valor àquilo que ainda tem".
Este Centro, em conjunto com a ampliação da Escola do 1.º Ciclo, a requalificação do largo da Cabreira, sem esquecer "o apoio que vamos dar à construção do Lar da Freguesia do Cadafaz e as infra-estruturas de apoio à praia fluvial de Alvares", são outras das apostas da Câmara Municipal, como nos disse a sua presidente, mas a maior "aposta que temos e que nos leva uma parte significativa do orçamento é melhorar a qualidade do abastecimento de água na freguesia de Vila Nova do Ceira e uma parte da freguesia de Góis. Não me orgulho nada de ter cidadãos que todos os dias abrem as suas torneiras e não podem beber a água que pagam ao Município. Esta é a prioridade das prioridades".
Mas para além destas obras, vai ser concluída a circular externa do Carvalhal dos Pombos, a par com a requalificação do Campo Augusto Nogueira Pereira. Outra obra para 2011, transitando para 2012 a requalificação da avenida padre António Dinis.
"É uma entrada da vila que neste momento não tem a dignidade que Góis merece, precisando por isso de uma grande intervenção", disse-nos a autarca goiense.
Obras ambiciosas, mas que não ficam por aqui, porque como nos referiu a presidente da Câmara Municipal, "o que quero para Góis é que à nossa própria dimensão seja um concelho com a mesma dignidade, com perfil de modernidade de competitividade como qualquer outro concelho do país. Não é por sermos pequenos em população que vamos retardar o processo de desenvolvimento para que os nossos munícipes tenham as mesmas oportunidades que têm os munícipes de qualquer concelho".
Por isso e também para 2011, segundo a autarca goiense, "está inscrito o nosso eco-mercado, estamos na fase de negociar o terreno e ainda a mudança do parque municipal a que vulgarmente chamam as oficinas, o estaleiro, cumprindo assim o desígnio e a promessa que remonta ao mandato de 2002-2005 de dotar com mais espaço o Centro Social Rocha Barros".
Também está a ser cumprido o calendário em termos de execução das obras iniciadas em Agosto passado naquela que considerou "a grande Casa da Cultura e que vem responder a uma grande necessidade do concelho" e que é a Associação Educativa e Recreativa de Góis, uma obra que transita de 2010 para 2011, como transita o campo Augusto Nogueira Pereira, bem como uma parte dos Paços do Concelho, uma pequenina parte do Centro Escolar de Alvares (já a funcionar) e ainda uma parte do pólo industrial de Vila Nova do Ceira, sem esquecer o investimento na rede rodoviária municipal.
Também foram aprovadas as candidaturas para a requalificação dos quartel-sede dos Bombeiros de Góis e do quartel da secção de Alvares. A Câmara tem orçamentado um valor que ultrapassa os 150 mil euros. É uma velha aspiração de todos "e os Bombeiros merecem, como merecem ter o seu espaço físico em Góis com toda a dignidade", reconheceu a autarca e também a responsável máxima da Protecção Civil do concelho que assenta, necessariamente, nos seus Soldados da Paz.
Mas além das obras, como nos salientou Maria de Lurdes Castanheira, "há todo um conjunto de apoios às instituições, desde os Bombeiros Voluntários, à Santa Casa da Misericórdia, todas as IPSS,s do concelho, à ADIBER, a todas as associações e instituições que dão o seu contributo para o desenvolvimento local".
Desenvolvimento que passa, necessariamente, pela fixação dos jovens. E esta não deixa de ser também, como nos disse a sua presidente, uma preocupação do executivo camarário que lidera.
"Há aqui três apostas que podem não estar plasmadas nos documentos aprovados mas os jovens são também a nossa preocupação. É importante ouvi-los aos jovens, a criação do Conselho Municipal para a Juventude não por imperativo legal mas por vontade dos autarcas, dando-lhes voz e dizer-lhes quais são as políticas para a juventude. E não podemos ter aqui a sua fixação se não enveredarmos por uma política de habitação a preços que vão ao encontro das suas necessidades. Mas também ao nível do emprego, tendo em conta as especificidades do concelho ao nível da oferta de serviços".
Para isso, como considera Maria de Lurdes Castanheira, "se não tiver aqui escolas que ofereçam boas condições, não tiver aqui serviço de saúde a funcionar - e aqui deixo um apelo a quem nos tutela nesta matéria que veja bem as especificidades e singularidade do concelho porque é altamente prejudicial não só para as populações mas também é um convite a não escolher Góis para viver - além de precisarmos de ter aqui outros serviços como temos as Finanças, a Conservatória, Bancos.
Mas como é que vamos aqui criar uma política de emprego? Esta política não pode consubstanciar-se só nas ofertas do Município para que os nossos jovens tenham que ter lugar em Góis, sendo por isso com muita satisfação que lhe digo que vai ser aqui feito o maior investimento do século pela empresa NatureSanus, SA, com a implementação de um hotel de quatro estrelas superior e que já teve o parecer do Turismo de Portugal.
Vai ser instalado numa parte da Quinta do Baião e o seu principal protagonista é o Dr. Alberto Mateus, um goiense que resolveu, passados muitos anos de ausência mas com larga experiência no ramo hoteleiro, voltar à sua terra. A Câmara vai dar o seu apoio a este investimento privado, vendendo a preço simbólico uma parcela da Quinta do Baião e garantindo executar tudo aquilo que são infra-estruturas públicas. É um investimento que vai permitir criar algumas dezenas de postos de trabalho. Directos e indirectos.
Mas as boas vias de comunicação continuam a não chegar a Góis. E esse é um constrangimento, grave". E como nos disse a presidente da Câmara de Góis, "a grande falha destes últimos anos e de qualquer Governo, foi sem dúvida não ter priorizado o investimento na área das acessibilidades para a Beira-Serra e em particular para os concelhos de Góis e Pampilhosa da Serra, porque no fundo são os dois concelhos que mais mal estão no que se refere a acessibilidades"
E continuou: "os nossos votos têm exactamente o mesmo valor do que os votos de outros concelhos, mas mesmo assim aqui vamos ficando naquela que é chamada ilha de pedra, onde com alguns paliativos foram fazendo uma intervenção naquilo que são as acessibilidades. E por isso continuamos a não sermos territórios atractivos. E esse é o maior dos constrangimentos. Na concessão que foi feita o investimento já está no terreno, o compromisso foi assumido publicamente e quero acreditar que este é um dos investimentos que não vai ser suspenso. Quero acreditar, porque se desta vez a EN 342 e a requalificação da Nacional 2 entre Portela de Góis e Portela do Vento não for uma realidade, atrevo-me a dizer que não vislumbro para quando uma melhoria nas acessibilidades".
Considerando que Góis não tem problemas graves de exclusão social, Maria de Lurdes Castanheira disse-nos que "a rede social e o envolvimento dos parceiros é muito importante e não é virtual nem de circunstância". E como reconheceu, "efectivamente há aqui um trabalho das IPSS' s que tem dado grandes resultados no terreno, mas também o trabalho desenvolvido pelo Município, pelas Juntas de Freguesia. Estamos sempre na retaguarda de alguma situação de pobreza que possa acontecer e se torne mais grave ao colocar alguma família na situação de risco. É certo que ainda temos um conjunto de pessoas que ainda vivem do Rendimento Social de Inserção, mas não é significativo. O número de desempregados também não é assustador e neste âmbito foram celebradas este ano quatro dezenas de acordos para a integração de pessoas que estão nessa situação para que não dependam de um subsídio mas de um salário, fruto do seu trabalho".
E conforme nos referiu a sua presidente, "a Câmara vai continuar a trabalhar no sentido da cultura da inclusão que passa pelo empreendedorismo, capacidade criativa. Temos de transmitir essa mensagem aos nossos cidadãos, sobretudo àqueles que há muito deixaram de ter grandes expectativas relativamente ao emprego ou porque estiveram sempre em situação de exclusão. Temos que lhe devolver essa confiança e dizer que nós somos um Município preocupado com aqueles que não têm as mesmas oportunidades".
Na educação assenta o futuro. "Temos um universo que não chega a 500 alunos no concelho, integrado num só Agrupamento, que tem três jardins de Infância da rede pública, dois jardins-de-infância da rede privada, depois temos seis escolas ao 1.º Ciclo e a Escola-sede", referiu a presidente da Câmara Municipal, reconhecendo que na área da educação "continuamos a ter um constrangimento em só haver ensino até ao 9.º ano, que é um convite aos jovens para saírem do concelho de Góis, mas também temos de ter a lucidez suficiente para perceber que cada vez é mais difícil termos aqui o ensino secundário.
Cada vez as famílias têm menos filhos, cada vez é menos a população escolar, é cada vez menor a taxa de natalidade, por isso podem perfeitamente continuar a estudar em Arganil. Sou das autarcas que não invejo absolutamente nada aquilo que os concelhos à volta possam ter de diferente do concelho de Góis. Precisamos é de rentabilizar os equipamentos que cada um tem". Ainda no sector da educação, "em Outubro inaugurámos o Centro Escolar de Alvares, que é uma infra-estrutura com as melhores condições para os nossos alunos e vamos ampliar a Escola EB 1 de Góis, e para o ano de 2011-2012 vamos voltar a trabalhar com o Centro de Emprego de Arganil no sentido de podermos ter aqui uma turma, como já aconteceu no passado, permitindo que os alunos continuem os seus estudos para além do 9.º ano mas com uma área profissionalizante". disse-nos Maria de Lurdes Castanheira.
De facto, o concelho é rico em belezas naturais e por isso as excelentes potencialidades turísticas que tem. E a Câmara Municipal e os seus responsáveis tem disso perfeita consciência. E querem tirar partido, criando as condições necessárias, para a pesca, para a caça, "temos três concessões de pesca e reconheço que estão subaproveitadas", como nos disse a autarca, "temos uma candidatura para a Zona Municipal de Caça", mas têm também o rio Ceira que, sobretudo no Verão, atrai ao concelho muitos milhares de pessoas e ainda o turismo desportivo de que o Góis Moto Clube, "que vai comemorar 20 anos de vida e espero sinceramente que nessa altura seja inaugurada a sua sede social", é o maior dinamizador continuando a levar Góis para além fronteiras". in A Comarca de Arganil, edição especial, 23/12/2010

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Excessos…

Ou antes... missão cumprida. Loural. Outubro de 2008. Foto de Mário Longuinho

Exclusivo - Capa da Comarca de Arganil

Chega quinta-feira, dia 23 de Dezembro, às bancas, o nova edição do jornal A Comarca de Arganil. Mais uma vez, e como é costume, este vosso Blog dá em primeira mão a 1ª e a Última página desta nova edição.
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

NATAL no Centro

A União Progressiva da Freguesia do Colmeal juntou no passado domingo, dia 12, no Centro Paroquial Padre Anselmo crianças e adultos para a tradicional festinha de Natal. No exterior, o Sol convidava os que iam chegando a aproveitar um pouco do seu calor e a levá-lo para dentro, onde a lareira amenizava o ambiente. Depois o calor humano fez o resto e encheu a sala. Mais uma vez a Caritas a todos quis presentear com um óptimo caldo verde, rissóis, pastéis e croquetes e, como de costume, as senhoras do Colmeal associaram-se à festa com os seus doces deliciosos.
Os presidentes da União Progressiva, Assembleia de Freguesia e Junta de Freguesia proferiram algumas palavras alusivas ao evento, notando-se que os mais pequenos, cada vez em menor número, não tiravam os olhos dos embrulhos tentando talvez adivinhar o que neles estaria escondido. Depois de toda a expectativa finalmente chegou o momento tão esperado e desejado. Cada um foi recebendo o seu presente e depois no chão da sala, num espaço que de repente se tornou pequeno, de imediato quiseram experimentar e desvendar todos os segredos do brinquedo que o Pai Natal lhes trouxera.
Maria Augusta Coutinho e Jaime Martins de Almeida, os dois “jovens com mais primaveras” presentes no convívio, receberam uma pequena lembrança e sentiram o carinho e a ternura que a União Progressiva tem pelos mais idosos.
No final foi encontrada junto da árvore de Natal mais uma prenda para uma “menina traquina”. Como disse António Santos, era uma menina que não parava quieta, que se levantava muito cedo, cuidava dos seus, das suas flores e dos seus animais, ia para o campo, apanhava azeitonas e medronho, de máquina fotográfica sempre por perto ia registando todas as espécies de fauna e flora com que se deparava (estamos no Ano da Biodiversidade), escrevia artigos muito interessantes para a imprensa e para o blogue da União e era um exemplo a seguir pela grande mulher solidária que era. A “menina traquina” ficou surpreendida com a prendinha que não era esperada mas o seu sorriso largo parece desculpar-nos o atrevimento da nossa brincadeira. Um agradecimento muito grande, muito sincero, a todos aqueles que mais uma vez nos ajudaram a tornar possível a realização desta festa. BEM-HAJAM! Fotos de Catarina Domingos e Francisco Silva

Boas Festas

Amigas e amigos, pedindo de empréstimo as palavras de Anabela Seco, que também é minha amiga e amiga de alguns de vós, “Um feliz Natal! 1 beijo e um abraço cheio de duendes, estrelas, luzes de mil cores, bolas e fitas, postais com muitas mensagens escritas e neve branca muito branquinha, da cor da farinha, e grutas muito pretas, da cor do carvão onde veio a nascer aquele Jesus que veio feito menino salvar cada coração!!!” (Anabela Seco Arganil, Dezº, 2010.) Um 2011 de esperança! Abraço Lisete de Matos

Porta aberta

No Loural. Sem haver quem a feche. Foto de Mário Longuinho

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A União foi à ilha da Madeira (V)

A luz da manhã vai tomando o lugar das luzes da noite. O nosso último dia na “Pérola do Atlântico” estava a começar. Uma olhadela final da varanda do nosso quarto do hotel quando o movimento na rua nos parecia estar ainda adormecido. Ou seria a cidade a ficar triste pela nossa partida?
O programa deste último dia levava-nos até à vila da Camacha, que integra o concelho de Santa Cruz. Chamam-lhe a vila dos fabricantes de cestos. É o centro da indústria de vime madeirense. Hoje em dia, fabricam móveis, chapéus, ornamentos, utensílios de cozinha e cestos de todos os tamanhos e feitios. Logo ali, no Largo da Achada, é obrigatória a visita ao Bazar de Vimes, onde se comercializa o tradicional artesanato em vime. Apresenta a maior exposição de obras de vime da Camacha, colocando ao nosso dispor mais de mil artigos manufacturados pelos artesãos locais que, ao vivo, demonstram como se realiza esta arte secular.
Continuamos para o Pico do Areeiro que até dias antes tivera o acesso interditado por causa dos fogos devastadores que criminosamente devastaram a região. É um dos mais altos da ilha, com 1818 metros de altitude, de onde partem vários trilhos e de onde se pode admirar o interior montanhoso e com sorte, se a visibilidade o permitir, consegue-se ver o Pico do Ruivo, este, o número um.
Continuamos a embrenhar-nos para o interior da ilha para uma pequena paragem em Ribeiro Frio, que se situa a 860 metros de altitude. Sendo um ponto de acesso para algumas das mais fascinantes levadas da ilha da Madeira, aqui existe uma luxuriante vegetação no Parque Florestal, onde se poderá observar um pouco da flora original madeirense denominada “Laurissilva”, considerada pela UNESCO Património Mundial. De particular interesse são os viveiros de trutas arco-íris. A água fria, pura e oxigenada deste ribeiro permite que sejam criadas trutas, que são quase exclusivamente usadas para o repovoamento das ribeiras da Madeira. Depois, já a pensar no almoço, seguimos pela estrada das Cruzinhas para o Faial. O seu nome deriva de faia, arbusto ou árvore abundante localmente. Atravessa-se a moderna ponte sobre a Ribeira de Metade ao lado da antiga que fora construída na primeira década do século passado e que ruiu nos anos oitenta. Para os amantes do turismo ecológico é um ponto de paragem a considerar, pois esta paisagem magnífica de floresta laurissilva serve de habitat a diversas aves como mantas, francelhos, fura-bardos, corujas e morcegos.
Ambiente agradável em que tivemos oportunidade de cantar os parabéns a mais um aniversariante. De realçar o gesto muito simpático da gerência do restaurante que ofereceu um grande e lindo bolo de aniversário.
Seguiu-se Santana, cidade situada na costa norte da ilha muito conhecida pelas suas casas típicas, em triângulo, primitivas, construídas com pedra natural e canas, com telhado feito de colmo e que durante séculos abrigaram gentes laboriosas. Nascida à beira de uma ermida que lhe deu o nome, Santana foi fundada em 1552.
A caminho do Machico seguimos pela Portela, um dos mais belos e célebres miradouros da Madeira, de onde pudemos observar magníficas vistas sobre o Porto da Cruz e a rocha Penha d’Águia, que é uma saliência com a forma de uma pirâmide truncada e que se ergue à beira mar. Machico foi o primeiro local onde desembarcaram em 1419, Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, os descobridores oficiais da ilha da Madeira. Recebeu foral e categoria de vila em 1450, sendo elevada a cidade em 1996. Além do porto de pesca é também uma atraente estância turística.
A igreja matriz do Machico foi construída nos finais do século XV e é dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Ao longo dos séculos, sofreu obras e modificações no interior, tendo no entanto conservado a sua estrutura primitiva. Todos os anos, a 9 de Outubro e para comemorar a maior e mais grave de todas as cheias que ocorreu em 1803, afluem ao Machico milhares de pessoas para participar numa das mais importantes procissões que se realizam na ilha.
Uma bonita flor, mais uma das muitas que encontramos durante a nossa estada nesta bela ilha e que fazemos questão de partilhar consigo.
Situado em Santa Cruz, uma das mais antigas povoações da Madeira, cuja fundação remonta aos primeiros anos logo após a descoberta da ilha, o aeroporto é o elo vital nas ligações com o exterior. Do seu enorme terraço tiramos esta fotografia, a última destes maravilhosos e inesquecíveis quatro dias.
E para mais tarde podermos recordar e acreditamos que com alguma saudade, aqui vos deixamos a fotografia deste excelente e simpático Grupo do Colmeal, que em boa hora a União Progressiva levou até à bonita ilha da Madeira. . Fotos de A. Domingos Santos