quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Mensagem de Ano Novo

Estamos quase a voltar a última página de 2009, ano em que a União Progressiva manteve um nível de realizações idêntico ao dos anteriores - Canoagem, Caminhada, Excursão para divulgação da freguesia, Festas de Verão, Santiago de Compostela, Almoço de aniversário, Magusto e Convívio de Natal. Para si que nos acompanhou ao longo deste ano, queremos aqui deixar-lhe a nossa mensagem de esperança e de solidariedade. E de agradecimento, porque sem a sua presença nada teria sido possível. Uma palavra muito especial para as colectividades congéneres da freguesia com quem tivemos o privilégio de trabalhar e que permitiu que o DIA DA FREGUESIA DO COLMEAL fosse um grande êxito. Um trabalho conjunto que se mostra necessário continuar para bem do regionalismo e da freguesia do Colmeal. Desejamos a todos um BOM ANO de 2010! UPFC

AINDA OS TORTULHOS …

Tantos e tão diferentes, cada um simultaneamente tão singular e tão igual! Ter-se-ão reproduzido assim, “como cogumelos” que são, bafejados pelo hálito quente e húmido do Outono ameno que passou, ou terei sido eu que neles reparei pela primeira vez? Só vemos quem e o que queremos, só amamos quem o que conhecemos!
Como referia recentemente a propósito dos tortulhos de chapéu (como se a maioria o não tivesse!) [1], os cogumelos são uma espécie de fruto dos fungos, seres fantásticos e peculiares que contribuem para o equilíbrio ecológico e para muitos outros fins, funcionando com elo de ligação entre várias cadeias alimentares. Humildes e silenciosos, agem invisíveis no âmago do solo ou dos corpos que os hospedam, até ao momento em que, respondendo ao apelo combinado da reprodução e das condições ambientais, desabrocham na explosão de vida e beleza que são os cogumelos. De acordo com a bibliografia da especialidade, o reino fungi integra mais de um milhão e meio de fungos e de dez mil tipos de cogumelos, dos quais apenas uma minoria é conhecida como comestível, venenosa, medicinal, alucinogénea ou ornamental.
São de facto muitos! Tantos, que em pouco tempo consegui observar dezenas de espécies, com a colaboração de familiares e amigos, de repente transformados em micologistas empenhados. Espécies silvestres, claro, sem incluir os já domesticados “champignons” ou o “Kefyr”fazedor de iogurte! Num deslumbramento contagiante, vi cogumelos minúsculos e grandes, devido à espécie ou à influência do habitat; grandes e pequenos, porque já crescidos ou ainda em crescimento; pujantes de vida e beleza ou já a definhar; coloridos e pardacentos, e de cor perene ou evolutiva.
Quanto ao pé, cogumelos com o pé curto e comprido; torto e direito; de espessura uniforme e irregular; oco e compacto; com e sem calcinha ou volva; centrado ou descentrado em relação ao chapéu … Chapéu cuja multiplicidade de formas varia com a espécie e com a idade, e cuja parte inferior chamada himénio, onde se formam os esporos, apresenta uma textura laminada, esponjosa ou felpuda, conforme a constituição por lâminas, tubos ou filamentos.
Em resumo, cogumelos com as características físicas que os distinguem uns dos outros.
Mas também com características psicológicas. Sempre a quererem imitar as pessoas, os cogumelos podem ser discretos e tímidos ou assertivos e ostensivamente provocantes, como é o caso dos vermelhos pintalgados de branco amanitas mata-moscas, vestidos com aquelas calcinhas vaporosas e “sexy”! Tal como podem ser amistosos ou venenosos, embora eu não tenha encontrado ou sabido identificar o fatidicamente célebre amanita falóide, tão gostoso, tão gostoso que só se degusta uma vez, a não ser que cedo se intervenha sobre o desgosto que causa! Vi foi muitos do igualmente nocivo lepiota castanha, que é um perigoso sósia do comestível tortulho de chapéu. Para além desta mania das imitações, os cogumelos podem ter outros comportamentos estranhos! Por exemplo, enquanto os compassivos mata-moscas só as atordoam, dizem, os descarados dos falos impúdicos atraem – nas, com o cheiro fétido que exalam, para que elas lhes propaguem os esporos reprodutores, levando-os nas patas. De resto, como os outros de que falava há tempos, também estes são cogumelos que nascem vencedores de obstáculos, carregando terra e outros empecilhos à cabeça! Ah, e andam aos pares, com excepção para os mais sociáveis e amantes de multidões, que vivem em tufos e ninhadas!
Uma perdição! Para os que com eles se perdem, e perdem ganhando horas e dias de contentamento e encantamento. Sem feitiços e poções mágicas, mas com rituais como acariciar-lhes o chapéu para o limpar ou tornar mais visível, usar o palmo para o medir, tombar a cabeça junto ao chão para ver o himénio, ignorar o olhar desconfiado dos que passam … E sofrer a decepção de não o voltar a ver, ou de encontrar o cogumelo que acenava sorridente da berma da estrada esmagado por pé intolerante da diferença e da diversidade.
Desaparecer, vítima da graciosidade ou das propriedades que lhe são atribuídas, foi o que aconteceu ao amanita que protege o parceiro debaixo do chapéu; ser esmagado, o destino do cogumelo que parece uma flor. Também é frequente encontrá-los gratuitamente arrancados, com a consequente danificação do fungo. Embora tenha contado com o apoio do Guia dos Cogumelos (Dinalivro), que alguém muito amigo e solidário me enviou, não consegui identificar todas as espécies que encontrei. Por essa razão, e porque a confusão pode ser fatal, não ouso nomear a maioria dos cogumelos cujas fotografias partilho. Apesar disso, e de serem uma pequena amostra da enorme beleza do universo para que remetem, espero que contribuam para suscitar muitas seduções e adesões à causa dos fungos e outras. Para que o ambiente permaneça acolhedor para os nossos filhos e netos.
[1] Lisete de Matos, Um Abraço de Tortulhos. In: O Jornal de Arganil, de 19 de Nov. 2009; http://upfc-colmeal-gois.blogspot.com, de 19 Nov. 2009; Boletim, Nº 11, Dez. de 2009, Biblioteca Municipal de Arganil – Miguel Torga; www.bib-arganil.org.
Lisete de Matos Açor (Colmeal), 26 de Dezembro de 2009

Presépio na igreja do Colmeal

A Igreja do Colmeal, como já é habitual, tem um presépio de Natal, que apesar de simples tem uma beleza inegável. Visite a nossa terra e o presépio. Boas Festas a todos!!!! Delegação da UPFC Colmeal

Navegador solitário

Na beleza tranquila do nosso rio um canoísta sem pressas aprecia este pedaço do Paraíso. Foto de A. Domingos Santos

A «Suíça portuguesa» (conclusão)

Consequências de atrasos lamentáveis A reportagem que sob o título de A Suiça portuguesa, o vespertino A Capital publicou em meados de 1916, subscrito pelo nome prestigioso de Hermano Neves, constitui não só uma brilhante peça literária, como uma análise perfeita e documentada, com vista à valorização daquela zona privilegiada da Beira Litoral. Ao longo de seis magníficos artigos, o cronista descrevia admiravelmente as terras que visitou e enumerava as suas extraordinárias potencialidades, apontando as mais urgentes soluções para os respectivos problemas, a começar pelo estabelecimento prioritário de uma rede de comunicações, sem as quais nenhum progresso poderia existir. De Góis, sede de concelho, fez o jornalista o ponto de partida para a sua aliciante jornada pela serra. A vila possui remotas tradições históricas e é dotada de algumas curiosidades artísticas e interessantes monumentos, que a recomendam para o turismo. Uma antiga ponte manuelina de três arcos dá acesso ao centro do povoado, agora por acaso dificultado pelo facto de um pesado camião ter derrubado uma das guardas laterais, o que exige especiais cautelas na travessia do Ceira. A igreja matriz, considerada monumento nacional e restaurada no século XVI, oferece o interesse da capela-mor, com um dos mais belos túmulos renascentistas que existem em Portugal. Dedicada a D. Luís da Silveira, conde de Sortelha e morgado de Góis, que foi embaixador de D. João III junto de Carlos V, é uma obra de arte digna de se admirar e que por isso mereceu ser reproduzida numa medalha mandada cunhar pelo Município local. Estas e outras riquezas justificam velhas aspirações de desenvolvimento turístico, em que o actual presidente da edilidade muito se tem empenhado. Com efeito, a par da obra meritória que tem realizado, o engenheiro-agrónomo Augusto Nogueira Pereira não esconde o desgosto de não ver incluída, prioritariamente, no Plano de Turismo Nacional, uma disposição que considere mais do que em 10 por cento a 30 por cento a atribuição de subsídios a fundo perdido para investimentos nesse sector. Aspirações ignoradas Outras condições que há três quartos de século, se reputavam indispensáveis para o progresso do concelho, permanecem ignoradas ou só muito lentamente têm sido reconhecidas, como sejam alguns aspectos da valorização de certos recursos naturais. A Fábrica de papel de Góis, que funciona na Ponte de Sotam, é um bom exemplo dos empreendimentos que poderiam contribuir para o progresso concelhio, pois, empregando algumas centenas de operários, é afamada pela sua produção de qualidade. Accionada pela energia produzida, segundo a tecnologia obsoleta de 1912, no açude de Monte Redondo, já dispôs de um excedente que lhe permitia alimentar a localidade, a qual carece hoje de ir buscar a outras fontes da rede hidroeléctrica nacional. Diversos outros sinais de estagnação se têm verificado nestas últimas décadas, não obstante as justas aspirações entretanto manifestadas pelos povos da região. No capítulo das comunicações, a situação é deveras confrangedora. O caminho-de-ferro da Lousã, inicialmente previsto para se prolongar até Góis, nunca passou de Serpins, e a estrada para o Colmeal, começada por volta de 1880, com escassas centenas de metros, só em 1973 chegou ao seu destino! Algumas das estradas há muito projectadas só recentemente viriam a assegurar as ligações entre todas as freguesias e as várias povoações da serra. Alvares, que unicamente há menos de 10 anos ficou ligada a Pedrógão por ampla via alcatroada, que atravessa a nova ponte junto à localidade, viu por esse facto diminuída a sua importância económica, e da fábrica de têxteis que ali existia, com uma produção conhecida em todo o país, apenas resta uma imponente chaminé sem qualquer utilidade. A ausência de comunicações impediu outras explorações de interesse económico. Diz-se, por exemplo, que os últimos garimpeiros que andavam pelo vale do Ceira em buscado ouro arrastado pela água do rio desapareceram por volta de 1940, e outras riquezas mineiras, como o volfrâmio, explorado pelas imperativas conveniências da guerra de 1939-45, encontram-se desde então abandonadas. Muitas das estradas que teriam servido para quebrar o isolamento das povoações não passaram, durante largos períodos, de meras aspirações sem concretização. O Estado Novo, empenhado em obras mais visíveis e espectaculares, pouca ou nenhuma importância dedicou à região desprezada. A luz eléctrica, que a legislação da época apenas permitia que fossem iluminadas as sedes de freguesia, apenas chegou ao Colmeal em 1971 e foi preciso que se desse o 25 de Abril para que essa simples nota de civilização se estendesse a outras aldeias por volta de 1979. Nova fisionomia dos povoados A fisionomia dos povoados só recentemente começou a modificar-se, graças a esse elementar melhoramento e à expansão de uma política de saneamento básico, com a abertura de esgotos e outras condições indispensáveis para satisfazer as necessidades das populações locais. A pedra nua e sombria das casas de xisto foi sendo substituída gradualmente pelo reboco caiado ou pintado, às vezes por cores berrantes e nem sempre muito felizes. Um exemplo típico é ainda o do Colmeal que oferece agora uma perspectiva mais alegre e acolhedora, em que os seus habitantes vivem uma existência mais agradável e feliz. Com uma população de pouco mais de cem almas, a vida decorre ali praticamente em torno de dois estabelecimentos, mistos de café e de minimercado, situados no largo da localidade, baptizado na década de sessenta com o nome de uma modesta filha da terra, cuja evocação apenas se justifica pela circunstância de se tratar da mãe de uma destacada personalidade do Estado Novo. Entre os actuais colmealenses que ali acorrem em geral na altura das férias, há também alguns emigrantes que regressaram das Américas ou de certos países da Europa para gozarem em tranquilidade a sua reforma nas novas moradias, que têm dotado de melhores condições de habitabilidade. Além destes poucos que ficaram definitivamente pelo País, atraídos pelo sossego reconfortante que ali encontram, alguns há que só se deslocam por curtas temporadas, retidos ainda por ocupações absorventes, sem possibilidade de mais prolongadas ausências. É, por exemplo, o caso de um activo agente comercial, Fernando Costa, que, a par da intensa actividade profissional, se dedica a aturadas investigações acerca dos antecedentes da terra natal, recolhendo material que lhe permite assegurar assídua colaboração na imprensa regional. Com larga propensão artística, tem-se distinguido igualmente como apreciável pintor naïf, cujas obras apareceram em todas as exposições do género ultimamente realizadas no País e figuram já em museus da especialidade do estrangeiro. Espectáculo desolador Agora, que a região vai vendo melhoradas as suas condições de progresso, lamentáveis circunstâncias contribuem para prejudicar a imagem que mais a poderia aproximar da evocada «Suiça portuguesa». O horizonte perdeu muito do aspecto imponente que oferecia outrora nas vertentes arborizadas das montanhas, devido aos incêndios que impiedosamente têm devastado as serranias. A estrada de Folques, que dá acesso a Arganil, via de penetração através dos cumes imponentes, construída em pequenos lanços, só há pouco foi concluída com fundos da C.E.E. Embora ofereça a beleza de um verdadeiro deslumbramento panorâmico, constitui um triste e desolador espectáculo, com a amplidão das suas superfícies escalvadas. Em vez das vastas áreas de vegetação que se nos deparavam noutros tempos até perder de vista, vêem-se apenas as manchas das devastações provocadas pelos incêndios que transformaram os concelhos de Góis, Arganil e Lousã numa imensa zona nua, que os Serviços Florestais têm procurado repovoar, num esforço notável e tantas vezes inglório, devido à fatalidade das condições adversas da natureza e, até, à acção criminosa do próprio homem. Mário Neves in Diário de Notícias, 30 de Agosto de 1988 Do espólio de Fernando Costa

Presépios de Natal na Freguesia

A Junta de Freguesia do Colmeal realizou nesta época natalícia, actividades de tempos livres com as pessoas mais idosas da freguesia, com o objectivo de construir um presépio de Natal em diversas aldeias e com a participação activa da população. Os resultados foram maravilhosos e os presépios podem ser contemplados nas aldeias de Sobral, Colmeal, Carvalhal, Aldeia Velha, Soito, Malhada, Açor e Ádela. Tratou-se de uma iniciativa que tinha como finalidade promover a participação das pessoas, o convívio e o lazer, assim como dotar as aldeias com um presépio, de modo a celebrar a época de Natal e a embelezá-las. Esperemos que ao desenvolverem-se mais iniciativas deste género, se obtenham resultados tão frutíferos como os da presente actividade. .
Delegação da UPFC
Colmeal

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A Pedra Letreira

“Quem, no concelho de Góis, tomar a estrada nacional n.º 2, de Chaves a Faro, e ao km 290,85, na Portela do Vento, onde se forma o desvio para Castelo Branco (estrada n.º 112), meter pelo caminho carreteiro que das traseiras da Casa dos Cantoneiros segue, rumo a sudoeste, pelo viso do monte da Fonte Fria, não tem mais do que, à terceira barroca ou linha de água, cortar monte abaixo pela vertente voltada a noroeste para, andada uma centena de passos, avistar ao fundo, à esquerda do leito do talvegue, uma espécie de plataforma debruçada, a meia encosta, para o amplo anfiteatro de montanhas que se lhe abre em frente: é a Pedra Letreira. Trata-se de um afloramento de xisto ante-câmbrico, de estratificação vertical correndo de Sudoeste a Noroeste, em cuja superfície, horizontalmente aplanada, há uma série de figuras gravadas e tidas, pela gente das imediações, por estranhos caracteres de enigmático letreiro, obra de mouros que teriam ali deixado apontamento dos seus legendários tesouros encantados ou das suas fabulosas riquezas escondidas por aqueles sítios.
Em frente à Pedra Letreira há três minas em carreira: uma de ouro, outra de prata e outra de peste que mata!
É que não há tradição sem lenda, como não há ruína sem hera. Ela é como um penhor da sua antiguidade, por vezes tão remota que se lhe perde o sentido. Foi o que se deu com o nosso monumento. No panorama circundante, não constitui a Pedra Letreira um documento que digamos único da presença do homem por aquelas paragens em tempos mais ou menos recuados. Em frente, na linha do poente, lá estão as minas romanas da Escádia, em cujos nichos dos hastiais, abertos a 1,20m acima do solo e distanciados cerca de 2m uns dos outros, ainda se encontravam, quando há anos se procedeu ao desentulhamento das respectivas galerias, algumas lucernas… Mais adiante, na mesma direcção, mas já dobrada a encosta, há o lugar dos Povorais com as suas minas antigas de que procedem dois picões de ferro, de época romana, depositados no Museu dos Serviços Geológicos de Portugal, em Lisboa… Cara ao norte, no Alto das Cabeçadas, temos os poços romanos, de exploração mineira, conhecidos pelas Covas dos Ladrões… E mais para além, vencida a serra da Folgosa e ultrapassado o Rabadão, não podemos deixar de referir as minas pré-históricas da Eira dos Mouros, na encosta da Devouga, ao Liboreiro, com materiais de feição eneolítica e demais períodos do Bronze. Estes e outros vestígios do passado, ainda mal conhecidos, são indícios para já suficientemente reveladores de uma longa e activa permanência humana por aquelas redondezas, motivada ao que parece pela sua relativa abundância de minérios, o ouro e o estanho sobretudo. São como anéis desarticulados e dispersos de imaginária cadeia forjada, na bigorna dos séculos, por gerações atrás de gerações. Pobres restos materiais, aparentemente sem valor, que encerram no entanto a alma e a mentalidade dos povos que ali se sucederam e os deixaram, é através deles que teremos de refazer e articular de novo os elos da cadeia, se quisermos vir a ter um pálido vislumbre da sua trajectória pela penumbra dos milénios. Em tal sentido, não é a Pedra Letreira senão um de entre tantos. Procurando atribuir-lhe o lugar que lhe pertence, intentamos mais que nada preencher uma das muitas lacunas da Pré-história local.”
Limitámo-nos a transcrever e a mostrar um pouco do que poderá encontrar nesta preciosa obra editada em 1959, primeiro volume das “Memórias Arqueológicas do Concelho de Góis – A Pedra Letreira”, num excelente trabalho conjunto de João de Castro Nunes, A. Nunes Pereira e A. Melão Barros. Composto e impresso na Tipografia de A Comarca de Arganil, é de fácil leitura e poderá encontrá-lo na Biblioteca da União, no Colmeal. A. Domingos Santos

Freguesia do Colmeal (História) XI

PASSADO – PRESENTE Capítulo XI FORAL DE GOES (1)
«Dom Manuel per Graça de DEOS REY de Portugal, e dos Algarves, dáquem, e dálem mar em Affrica, Senhor de Guinée, e da Conquista, Navegação, e Commercio de Ethiopia, Arabia e da India A quantos esta nossa Carta de Foral dado pera sempre, à Villa e Terra de Goes, virem, fazemos saber que por bem das Sentenças e determinações geraes, especiaes que fórão dadas feitas por nós, e Letrados á cercados Foraes, denossos reinos… E per conseguinte os foros, e direitos della, se levarem sempre hy pellos Foraes e Contratos que os Senhores da dita Villa, com os moradores e Povos della fizerão como em couza sua… Jogada da Serra (2) E levara de todo o lavrador que lavrar na Serra, e hy tem seu Cazal: a saber, dezoito alqueires de pam meado: a saber Trigo, e Centeo, e huma Galinha de foro, e de Vinho levará o dito Senhorio dos Sobreditos, que na Serra tiverem a novea, e do Linho não levará nada, posto que na Serra, os ditos lavradores colhão Linho. Geiras E bem assy declarão que todo o morador, que viver, e morar na dita Villa de Goes, e seu termo, e hy bens de raiz tiver, dará ao sobre dito Senhorio huma geira em cada hum anno é sua custa delle, dito morador, e se antes quizer Comer à custa do Senhorio, dar lhe á duas geiras cada hum anno, como sempre fizerão, com tal declaração, e entendimento que os Órfãs, que estiverem sob o governo e Administração, de seus pays, ou mais em quanto assy sob seu poder, e governo estiverem, não serão teudos, nem obligados, a pagar a tal geira ao dito Senhorio. E isso mesmo pagarão os que tiverem, nos Ribeiros: a saber, o quarto das maquias, que ouverem, e além do dito quarto pagarão os Senhores dos ditos moinhos, e os herdeiros que em taes moinhos herdaram, pello seu pam que nelles moerem tanto que forem cazados, não pagendo maquia; a saber tres meos alqueires cada hum, de pam terçado, ficando porem em escolha dos ditos herdeiros, pagarem antes a maquia, ouos tres meos alqueires sobreditos aos Senhorio, qual elles mais quizerem, e lhes aprouver. E os que tiverem moinhos na Ribeira Grande (3) pagarão: a saber, o terço do pam que houverem das maquias ao dito Senhorio, como se sempre costumou fazer. Montado E isso mesmo levará o Senhorio, aos que vierem montar, e pastar seus gados, de fora á Serra que estádentro do Termo da dita Villa, e seus limites; a saber, de quarente cabeças de carneiros, ou de ovelhas, hum carneiro. E por cada cabeça de porco leverá aos que vierem de fora paster a dita Serra seus porcos; a saber cinco reiz. E de gado vacum não levará nada o dito Senhorio segundo se costumou sempre fazer… E mais declaramos que as taes novidades, de que se hade pagar Ração, assy de pam, Vinho, como linho, em qual quer maneira sejam partidas, o Senhorio as hade mandar levar à sua custa, aseus Selleiros, ou onde lhe aprouver, os Lavradores e pagadores lhe obligados ao carreto das taes couzas nem lhe pagarem por elle nenhuma couza. E quanto às jugadas, quesão postas em certa quantidade de pam, eassy os outros foros certos de pam, que assy são obligados os moradores da terra de pagar, segundo neste foral atraz ficam declarados mandamos, que estas todas ajão de Levar á custa dos Lavradores, e pagadores ao Selleiro do Senhorio, e adegas á dita Villa de Goes, aos quaes levarão desde Sancta Maria d’Agosto de cada anno, até o Natal seguinte do dito anno…». (1) Tombo da Casa de Sortelha, fls. 183. Esta transcrição foi efectuada do Arquivo Histórico de Góis, pág.48, 48ª, b, c e 49. (2) Assim classificadas as povoações existentes então na Serra, caso do Colmial, Carvalhal, Souto, etc. (3) Trata-se do rio Ceira, aqui denominado como Ribeira Grande. in Boletim “O Colmeal” Nº 110, Março de 1971

Sinais de Inverno

Musgos, fetos e outras pequenas plantas cobrem as pedras indicando-nos que o Inverno está a chegar. Fotos de A. Domingos Santos

Clube de Contadores de Histórias (XIII)

A Batalha de Natal
— Só mais seis dias — disse Neli. Enquanto a filha tentava assobiar Noite Feliz, a mãe repetiu, pensativa, numa voz que não soava alegre: — Ainda seis dias. Após uma curta pausa, prosseguiu, suspirando: — Se tudo já tivesse passado! Com o assobio suspenso no ar, Neli olhou para a mãe com ar estupefacto: — Não estás contente? — Claro que sim, mas já estou pelos cabelos com esta agitação toda! Como Neli não tinha aulas à tarde, foi patinar com uma amiga. Ao cair da noite, dirigiu-se ao supermercado onde a mãe trabalhava. Havia tanto movimento que o lugar mais parecia uma colmeia. A mãe estava sentada numa cadeira giratória, diante de uma das seis caixas registadoras. Os produtos chegavam-lhe num tapete rolante. Enquanto a mão direita marcava os números no teclado, a mão esquerda rodava as embalagens para que a máquina pudesse ler os códigos. Finda a operação, os produtos eram colocados, um a um, no carrinho de compras. Quando acabava de marcar tudo, a mão direita carregava na tecla do total e rasgava o talão, enquanto a esquerda afastava o carro cheio e puxava o próximo, vazio, para junto dela. — Que bem fazes isso — dissera-lhe Neli uma vez. — Eu faria tudo devagar e, ainda por cima, metade saía mal. — Ora — dissera a mãe a rir. — É uma questão de treino. Quando comecei, também não era assim tão despachada. Não encontrava a etiqueta com o preço e, muitas vezes, carregava nas teclas erradas. Como tinham de esperar, as pessoas resmungavam. Agora já quase consigo fazer isto automaticamente. — Como um robô! — Neli riu-se. E se tivesse um robô como mãe? Nunca teria dores de cabeça, nem à noite estaria tão cansada. Mas um robô não tem coração e, por isso, Neli preferia a mãe tal como era, mesmo quando, em certas noites, quase nem conseguia falar de tão cansada! Só mais quatro dias. Só mais três. As filas nas caixas eram cada vez mais longas. As pessoas abasteciam-se de comida como se o Natal durasse meio ano. Com um ruído sibilante, as portas automáticas abriam e fechavam, abriam e fechavam. A mãe sentia nas costas a corrente de ar e os cartões pendurados no tecto balançavam de um lado para o outro. Um sino de Natal, por cima da cabeça da mãe, tinha escrito a vermelho: PROMOÇÃO: Bombons, 250 gr, a preço especial. Perto dele balançava um anjo de papel com uma faixa nas mãos, como nas igrejas, mas onde não estava escrito Paz na terra aos homens de boa vontade, mas sim Fiambre para o Natal a 15,80€/kg. Os altifalantes debitavam música de Natal: Noite feliz… Cabeça de anho Noite feliz… Descafeinado Papel higiénico de três folhas O Senhor… Lenços com monograma Mostarda Nasceu em Belém… A mãe suspirava e, com um movimento rápido, limpava o suor do lábio com as costas da mão. Os clientes, impacientes, esperavam, apoiando-se ora numa, ora na outra perna. De olhar ausente, nem olhavam para a senhora da caixa, pensando apenas no regresso a casa com os sacos pesados e o eléctrico cheio. Ufa! Só mais três dias, e acabaria tudo. — Vou fazer um jantar como o do ano passado — disse a mãe, à noite, virando-se para Neli. — Patê em folhas de alface, porco assado, batatas fritas, feijão e, para sobremesa, creme de chocolate de lata com peras. No dia 24 de Dezembro, a loja só estava aberta até às quatro horas da tarde. Em seguida, os empregados podiam comprar, com um desconto de 15%, os produtos que tinham sobrado. A mãe de Neli achava que valia a pena e, por isso, tinha guardado as compras maiores para essa altura: uma pasta escolar para Neli, uma boneca, lápis de cor, um anoraque para o pai, e a comida para a ceia de Natal. Na sala do pessoal, houve um lanche para todos os empregados. — A batalha de Natal foi mais uma vez vencida — alegrou-se o chefe do pessoal, que proferiu mais umas palavras elogiosas. Depois foram servidos pãezinhos com fiambre e um copo de vinho a cada um. Após o lanche, a mãe de Neli deixou ficar os gordos sacos de compras esquecidos na sala do pessoal. Só reparou quando já estava na paragem do autocarro. “As minhas prendas! Todas aquelas coisas boas para a ceia!”, pensou assustada. Mas a loja já estava fechada e, antes do dia 27, não voltava a abrir. Chegou a casa de mãos vazias. Nessa noite, apesar de tudo, festejaram o Natal. O pai acendeu as velas da árvore de Natal e Neli recitou um poema. Só se lembrou das duas primeiras estrofes e depois encravou, mas a mãe achou-o muito bonito e o pai nem reparou que ainda continuava. O jantar foi mais curto do que o planeado. Por sorte, a mãe já tinha comprado o assado e havia batatas em casa, mas não houve entrada nem sobremesa. Trincaram nozes e comeram maçãs. — Assim, não fico com o estômago tão pesado como no ano passado — disse o pai. — Comidas pesadas não me caem bem. Também não havia muito que desembrulhar. Por isso, sobrou tempo. Muito tempo. Neli foi buscar o jogo “Memory” que recebera no Natal anterior. Durante o ano inteiro, esperara, em vão, todos os domingos, que alguém tivesse tempo para jogar com ela. Agora, os pais tinham tempo. O pai nunca tinha jogado “Memory”. Ao fim de algum tempo, Neli já tinha encontrado sete pares de cartas, a mãe três, e o pai, que geralmente queria ganhar sempre, procurava constantemente no sítio errado. Tentava alguns truques, pondo, sem ninguém dar conta, migalhinhas de pão em cima das cartas que tinha decorado, ou pousava as mãos na mesa, de forma a que o polegar indicasse a direcção em que estava uma determinada carta. Mas Neli descobriu-lhe a jogada. Jogaram mais duas ou três vezes e o pai não se zangou por perder sempre. Depois, ainda jogaram o jogo do assalto. À meia-noite, o pai apagou a luz e ficaram a olhar pela janela. A neve reflectia uma luz clara e ouviam-se os sinos a tocar. — A esta hora, há quase dois mil anos, nasceu Jesus — disse a mãe, e Neli reparou que, afinal, a mãe estava contente por ser Natal. Ao ir para a cama, Neli disse: — Este foi um Natal muito bonito. — A sério? — perguntou a mãe, admirada. — Mas não houve ceia nem prendas quase nenhumas. — Mas houve muito tempo — respondeu Neli.
Jutta Modler (org.) Brücken Bauen Wien, Herder, 1987 (Tradução e adaptação)

O Clube de Contadores de Histórias

Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

sábado, 19 de dezembro de 2009

Cocktails de Outono

À beira da estrada. Flores lindas neste final de Outono. A lembrar cocktails com as suas cores vivas. Fotos de A. Domingos Santos

Vale do Ceira – AQUI COLMEAL

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«Honrando-se a memória»
Não se trata de uma biografia porque, temos de o reconhecer, não nos sentimos à altura de a elaborar e, automaticamente, com competência para a subscrever. O que se segue é, pelas circunstâncias, um resumo e não só – diga-se – do que a imprensa regionalista publicou, aquando da homenagem póstuma a essa figura de pároco e homem público que foi André de Almeida Freire, em 1 de Dezembro de 1963. O «padre André», como carinhosa e respeitosamente o tratavam todos aqueles que tiveram o grato prazer de o conhecer e com ele conviver, «não chefiou grupos, nem se endeusou perante fiéis devotos. À maneira do Mestre, também ele passou fazendo o bem. Sem mendigar um elogio, estranhando que lhe atribuíssem uma virtude. Dando como quem restitui, sem gemer pelas distâncias vencidas, nem pelas madrugadas e nevões suportados. Foi o homem-chão, com a claridade das fontes para todos os conhecidos, com a abertura dos vales para quem dele precisasse». Nascido em 10 de Outubro de 1901, o padre André de Almeida Freire foi «rico em virtudes, tendo como poucos condições privilegiadas, que tornassem mais leve a sua cruz, renunciou a tudo, preferiu viver pobre e humildemente», paroquiando durante mais de 30 anos as freguesias de Cadafaz (sua primeira paróquia), Colmeal e Cepos. A homenagem póstuma, efectuada no primeiro aniversário do seu falecimento, a que se associaram a autarquia local, cadafazense e concelhia; União Progressiva; Comissão de Melhoramentos de Ádela; agremiações regionalistas do Cadafaz, Celavisa, etc. e povos «que muito o estimavam e admiravam» aos quais «ele deu o melhor da sua vida», resumiu-se a celebração de missa por sufrágio, sessão presidida pelo presidente da Câmara de Góis, colocação de uma campa no cemitério, descerramento de várias placas toponímicas e discursos, exaltando os oradores aquele que foi «um perfeito símbolo da Serra, no que ela tem de melhor». Numa dessas placas, descerrada nesse dia chuvoso e já distante de 1 de Dezembro de 1963, colocada na frontaria de habitação do Bairro da Eira, próxima do marco fontanário, lia-se: «Rua Padre André de Almeida Freire». Esta iniciativa, «dando o seu nome a uma das ruas da povoação, que foi terra do seu nascimento», coube à Junta de Freguesia. Nesse acto, segundo a imprensa da época, o então presidente da autarquia afirmou: «A lápide descerrada ficará pelos tempos fora a perpetuar a memória do bom pastor que se gastou em nosso proveito, mas também para nos estimular a imitar as suas qualidades e o seu nobre exemplo». É evidente, ao entrar-se no campo da futurologia, nem sempre as previsões se cumprem, por mais lógicas e racionais que se apresentem. A placa toponímica não se manteve no edifício, construído em xisto e ainda hoje em pedra nua, «pelos tempos fora», antes foi curta a sua permanência. Porquê? Não é nossa competência averiguar as origens, próximas ou remotas, de tal abuso. É nossa obrigação, isso sim, denunciar o facto, exigir que se honre a memória do padre André, daquele que «em todos os caminhos e veredas da Serra deixou gravados os seus passos». Honrando-se a memória de quem nunca se deixou «vencer pelo luxo e grandezas do mundo» é sinal de que os colmealenses «amam a sua terra». Mais: «a saudade do bondoso extinto mantém-se ainda viva nos corações» dos naturais da freguesia que sempre respeitaram a «justiça desse acto», dessa homenagem promovida há 22 anos. Como tal, pelo que fica dito e deixou de se dizer, essa placa e a que concedia o nome de «António de Almeida Freire», progenitor do padre André, ao arruamento que se inicia no Largo e termina ao Longo das Vinhas, devem com a brevidade que se impõe ser recolocadas onde, em caso algum, não havia o direito de as retirar. Evidentemente, casos desta natureza, cometidos injustificadamente e por mau gosto no final dos anos sessenta, só ainda não foram reparados porque, nas nossas aldeias, predomina a «maioria silenciosa», embora revoltada, e os autarcas e regionalistas, naturalmente, desconhecem pormenores do passado da freguesia.
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FERNANDO COSTA
in “A Comarca de Arganil”, de 21 de Março de 1985 Do espólio de Fernando Costa

Despedida do Outono

As folhas mudam de cor. Os ramos despem-se apesar do frio. O Outono despede-se com um "Até para o ano..." Fotos de A. Domingos Santos

Casa do Concelho de Góis - Homenagem a José Matos Cruz no 55.º Aniversário

. A Casa do Concelho de Góis comemorou os 55 anos de existência com um almoço de confraternização na sua sede, após celebração de missa por alma dos sócios falecidos. Antes ainda de se dar inicio ao almoço, foi descerrada uma fotografia de José Matos Cruz, anterior presidente da Direcção, numa cerimónia em que usou da palavra o presidente da Direcção, José Dias Santos, que sublinhou a actuação que teve naquela casa, bem como na Comissão de Lisboa de Propaganda e Melhoramentos em Vila Nova do Ceira. Enalteceu a sua dedicação à causa regionalista e o esforço que desenvolveu nas instalações da casa, ampliando-as e melhorando-as consideravelmente. Seguiu-se o almoço numa sala completamente cheia com mais de uma centena de pessoas, entre as quais a presidente da Câmara Municipal de Góis, presidente da Assembleia Municipal, presidentes de algumas Juntas de Freguesia e das Casas da Comarca de Arganil e do concelho de Pampilhosa da Serra. Sob a presidência de Américo Simões, em representação do dr. Carlos Poiares, presidente de Assembleia Geral da Casa, que não teve possibilidade de estar presente, faziam parte da mesa de honra a presidente da Câmara Municipal de Góis, drª Maria de Lurdes Castanheira; o presidente da Assembleia Municipal, dr. José Carvalho; o sócio n.º 1, Gualter de Campos Nogueira; o presidente do Conselho Regional, dr. Luís Mateus; António Lopes Machado, presidente do Conselho Fiscal; e José Dias Santos, presidente da Direcção. O presidente da Direcção abriu a série de brindes, saudando os presentes e agradecendo-lhes a sua vinda, distinguindo naturalmente, a sr.ª presidente da Câmara e restantes autarcas, bem como o padre Robson que celebrou a missa por alma dos sócios falecidos. Recordou como obra da Casa, a construção do edifício em que funcionou o Colégio de Góis, e que para isso, contribuiu o Comendador Augusto Rodrigues, que também custeou os primeiros meses de renda daquela casa. Lamentou que nem todas as Juntas de Freguesia convidadas para aquele almoço estivessem presentes, sublinhando que é seu desejo continuar a manter um bom relacionamento com a presidência da Câmara de Góis. Disse que tem sido boa a cooperação de algumas colectividades ali filiadas e que gostaria de rejuvenescer a direcção na próxima assembleia-geral, em que serão eleitos os novos corpos directivos. Concluindo por afirmar que aquela Casa está sempre à disposição de todos os goienses. Manifestou ainda a sua satisfação em ver ali o sócio n.º 1, Gualter de Campos Nogueira, que deu muito de si aquela Casa durante os tempos em que foi dirigente. Seguiu-se o dr. Luís Martins, recordando a sua passagem pelo Conselho Regional, a que preside, apresentando três grandes desafios que devem ser as linhas condutoras daquele Conselho e da própria Casa em si: o papel da Casa no movimento regionalista, devendo ser considerada parceiro social junto dos órgãos autárquicos e das Comissões de Melhoramentos para os assuntos de carácter geral no concelho; a missão de divulgar Góis nas suas diversas vertentes e cativar a juventude para o regionalismo e para a Casa. "Já mostrámos que sozinhos não somos capazes de vencer este desafio, pelo que precisamos da vossa ajuda, dos órgãos autárquicos, das Comissões, das associações existentes do nosso concelho, quem sabe das próprias escolas, mas precisamos rapidamente de encontrar este caminho, para pudermos em conjunto, passo a passo, começar a construir este edifício", sublinhou. António Lopes Machado, presidente do Conselho Fiscal manifestou a sua satisfação por ver aquela casa cheia, bem reveladora do dinamismo que o regionalismo goiense continua a oferecer. Recordou homens que ali conheceu, que fizeram a história daquela Casa e do Regionalista goiense, como o Dr. José Poiares; Frederico Nogueira de Carvalho; o Fernando Carneiro, filhos e genro de dois membros da Comissão organizadora da fundação da Casa da Comarca de Arganil que tanto se empenhou na construção do Colégio de Góis, e do Prof. Baeta Neves, que presidiu ao Conselho Regional e a todos encantava com as suas magnificas "lições" durante as reuniões do Conselho. E quem a tudo isso assistiu e participou foi o Gualter de Campos Nogueira, um patriarca do regionalismo goiense, hoje, sócio n.º 1 da Casa, que tínhamos o prazer do ter ali e gostávamos de continuar a ter em futuros encontros. E a terminar teve ainda palavras de apreço para com a direcção da Casa e autarcas de Góis que marcaram significativa presença naquela festa. A Dr.ª Maria de Lurdes Castanheira associou-se àquela festa regionalista com palavras simpáticas de quem deseja colaborar e continuar a participar nestes encontros. Agradeceu o convite e prometeu voltar em ocasiões idênticas. Associou-se à homenagem a José Matos Cruz e apontou o caminho que está disposta a seguir à frente do município goiense. José Carvalho, presidente da Assembleia Municipal, que não estava em boas condições de saúde recordou algumas passagens por aquela Casa, que passou por importantes obras de ampliação no tempo da direcção de José Matos Cruz. Porque sempre sentiu grande simpatia pela colectividade e pelas colectividades regionalistas, acompanhando com muito interesse a sua actuação. Encerrou Américo Simões que recordou a passagem por aquela Casa de grandes nomes do regionalismo goiense, distinguindo as magníficas reuniões do Conselho Regional, presidido pelo Prof. Baeta Neves. Temos que continuar a trazer as colectividades regionalistas para esta Casa, sublinhou, desejando a todos umas Boas Festas de Natal e Ano Novo Próspero, salientando a presença da presidente da Câmara de Góis nesta festa, que foi uma grande festa regionalista dos goienses em Lisboa. E a festa continuou toda a tarde, agora com uma sessão cultural, com a apresentação de uma monografia sobre Cortes de Alvares, um livro interessante do dr. Samuel Mateus, voltando o Eng.º João Coelho a falar sobre o "Rasto dos Barrões" de Adriano Pacheco. .
António Lopes Machado in Jornal de Arganil, 17/12/2009

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Natal da União no Colmeal

A noite anterior esteve fria e húmida.
No Centro e de braços abertos à espera dos mais pequenos, estava a família Disney.
De manhã o Sol estava radioso e todos aproveitavam um pouco do seu calor.
O caldo verde, pronto para todos aquecer, perfilava-se para avançar.
Os dirigentes da União Progressiva ladeavam os Presidentes da Assembleia e da Junta de Freguesia.
O carro dos bombeiros faz as delícias de um dos petizes.
A pequenada nem acredita no que vê.
O mais pequenino de todos é do tamanho do brinquedo.
Três "ex-meninos" entregam a prenda aos que "atingiram o limite de idade"...
E é sempre bom ver uma criança feliz. Foi assim a festinha de Natal da União. Com amor, carinho, alegria e solidariedade. Para o ano haverá mais.
UPFC