segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Flor no feminino

Foto de A. Domingos Santos

Receitas da Freguesia do Colmeal

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Trutas com batatas cozidas
- 12 Trutas
- 1 Cabeça de Alho
- 4 Folhas de Louro
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- 1 Ramo de Salsa
- 0,50 l de Vinho Branco
- 1 Limão
- Vinagre q.b.
- 1 Kg. de batatas Amanhe as trutas, de modo a ficarem bem limpas.
Depois disponha-as num tabuleiro e acrescente o alho e o limão, cortado às rodelas, as folhas de louro, o vinho branco e a salsa. Deixe marinar de um dia para o outro.
Posteriormente frite as trutas em azeite.
À parte descasque as batatas, corte-as ao meio e coza-as em água temperado com sal.
Após estarem todas as trutas prontas, frite igualmente, o alho que serviu para o tempero e quando este estiver concluído, acrescente um pouco de vinagre e deixe ferver bem.
Por fim, coloque o molho por cima das trutas e sirva-as com as batatas cozidas.
A receita apresentada (Trutas com batatas cozidas) foi disponibilizada por José Henriques, residente no Soito

Freguesia do Colmeal (História) X

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PASSADO – PRESENTE Capítulo X TERRA ERMA
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Depois do período romano, é de admitir que outros povos invasores da Ibéria, nomeadamente o Mouro (1), tivessem por aqui passado mais com o fim de exploração mineira – os cursos de água sempre foram uma tentação (2) que propriamente de se enraizarem, visto a ocupação árabe, ter sido feita principalmente por homens de guerra, em vez de famílias inteiras (3). Sobre o ponto de vista agrícola o árabe procurou terras mais ricas a sul do Mondego (Ribatejo, Alentejo e Algarve e muito em especial a Andaluzia) (4), cuja agricultura transformaram de alto a baixo. Na nossa região as perspectivas não seriam as mais agradáveis, nem melhores, tendo em consideração o acidentado do terreno (5) com inúmeras ravinas e aos socalcos. Foi pois efémera a passagem deste povo, ficando depois a região durante vários séculos, pura e simplesmente desabitada e erma (6) porque se assim não fosse não se tinha verificado ao tempo dos primeiros Donatários, o seu povoamento ou repovoamento e nem a futura freguesia do Colmial, nos apareceria três séculos volvidos, mais precisamente em 1527 (7) com tão irrisório número de habitantes. Das primeiras aldeias, caso do colueal, caraulhar do ssapo e Adella (8) esta última é a única que se presume tenha sido efectivamente habitada pelos árabes, tendo em conta não só a possível existência de ouro (9) como a sua raiz toponímica: «… seria Abderramão, mas pronunciava-se…, com a última breve, como se vê da forma francesa Abdérame, e a portuguesa e hespanhola de Abderrame ou Abderrahme, na crónicado mouro Rasis; … também soava Abdala ou Abdella, ou por assimilação do b ao d Adella, …» (10) ABDERRAMÃO – ABDALA – ABDELLA – ADELLA – ÁDELA. (1) O domínio árabe em Portugal, verificou-se desde 711 a 1249, mas em séculos anteriores já se tinha processado a norte do Mondego a reconquista cristã. (2) Vol. 3/4 – Arquivo Histórico de Góis, folh. 123. «Quanto ao ouro parece que abunda na região embora se não saiba ao certo de onde vem… arrastado pelas águas e areias do Ceira, depositando-se nas margens do rio…» (3) Vol I – História de Portugal – Prof. Damião Peres, folh. 422. (4) Vol VI – História Universal – Carl Grimberg, folh. 114 «… Ainda que toda a população da actual Península Ibérica não ultrapasse 40 milhões de habitantes, só a Andaluzia, no tempo do Califado contava 34milhões …». (5) História Topographica da Villa de Goes, folh. 67/68. «Colmeal… a sua agricultura é escassa por falta de terrenos susceptíveis de amanho…». (6) Vol. 3 / 4 – Arquivo Histórico de Góis, folh. 129. «Por quanto pela Doação da terra de Goes… e ao tempo della era a terra Erma, e despovoada e os primeiros Donatários a fizerão, romper e povoar, e crecendo Povoações…». (7) Gráfico publicado no Capítulo II. (8) Escrevia-se com dois eles. (9) Em 1968 foram feitos na C.M.G. dois registos para exploração de ouro, nos locais de Penedo Velho e Cova, ambos em Ádela («O Século» de 4-9-68). (10) Nomes árabes de terras portuguesas – David Lopes – folh. 53. As reticências substituem os caracteres árabes que figuram na obra citada. in Boletim “O Colmeal” Nº 109, Fevereiro de 1971

Clube de Contadores de Histórias (X)

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A Menina Gigante
Era uma vez uma jovem gigante. Vivia recolhida na orla da floresta porque tinha medo de assustar os homens. Certa vez, tinha encontrado uma senhora a apanhar cogumelos, que arregalou os olhos e fugiu a correr, cheia de medo. A jovem gigante ficava muitas vezes à janela de casa a pensar no que a mãe, uma mulher normal, lhe dissera: — Um gigante, ainda vá. Mas uma gigante? Vais ficar só na vida. Nenhuma rapariga vai querer-te como amiga porque o teu tamanho inspira medo. Nenhum rapaz vai apaixonar-se por ti. Os homens gostam que as mulheres olhem para eles de baixo para cima. Aconteceu que um guarda-florestal construiu a sua casa à beira da da menina, na orla da floresta, e olhava muitas vezes para ela, do outro lado. O rosto que surgia à janela do primeiro andar agradou-lhe. Numa manhã, antes de ir para a floresta, acenou-lhe com a mão. A gigante acenou-lhe timidamente e ficou a seguir o rapaz com o olhar, até ele desaparecer, pequenino, entre as árvores. “Se viesse agora alguém do meu tamanho!”, pensava ela. A partir daquele dia, antes de ir para o trabalho, o jovem guarda-florestal passou a trocar algumas palavras com a vizinha em cima, à janela. Pelos finais de Fevereiro, quando os dias começaram a crescer, ele ouviu falar de uma festa de Carnaval na cidade. “Vou perguntar à minha vizinha se quer vir comigo”, pensou ele. À noite, ao regressar do trabalho, não a encontrou à janela. Bateu à porta, mas ninguém abriu. Então, rodou a maçaneta. Da porta, olhou para o quarto e assustou-se. Estendida no chão, em cima de um colchão enorme, estava uma gigante a dormir. A sua cara era agora ainda mais bonita do que à janela. Um sorriso iluminava-a, talvez estivesse a ter algum sonho agradável. Sem fazer barulho para não acordar a gigante, o guarda-florestal fechou a porta e foi para casa. Devia guardar segredo a respeito do que presenciara. Na manhã seguinte, o rapaz parou debaixo da janela e gritou para cima: — Há uma festa de Carnaval na cidade. Não quer lá ir, vizinha? Talvez eu consiga reconhecê-la, mesmo disfarçada. Olhe que era divertido! — Oh! — balbuciou ela. — Carnaval? Não saberia de que havia de ir vestida! — No Carnaval tudo é possível — disse o guarda-florestal a rir. — De certeza que vai haver muitos duendes, fadas, bruxas, gigantes! A jovem pensou então: “ Esta é uma boa oportunidade para me misturar com as pessoas. Toda a gente vai pensar que eu estou mascarada de gigante. Ninguém vai assustar-se comigo.” Então, a jovem gigante foi à cidade e misturou-se com os mascarados. Sentiu-se bem no meio de tantas bruxas, ciganas, índios e anões. Muitas pessoas, principalmente crianças, paravam a olhar para ela admiradas. Uma menina pequenina exclamou: — Gosto de ti, gigante. Gostava de andar às tuas cavalitas no jardim zoológico e poder finalmente olhar a girafa de frente. A jovem gigante fechou os olhos por um momento e imaginou como seria estar com a menina e com a girafa. — E eu — exclamou um rapazinho — gostava de andar aos teus ombros no circo. No espectáculo de ontem tive de ficar sentado atrás e não vi quase nada! A gigante fechou os olhos por um momento e imaginou-se no circo com o menino. — Também eu ficaria contente se te tivesse — disse um adulto. — Algumas telhas na minha quinta estão partidas e a goteira está entupida. Não te seria nada difícil arranjar aquilo. A gigante fechou por momentos os olhos e imaginou-se a reparar o telhado do lavrador. Saber que as pessoas podiam precisar de alguém do seu tamanho deixava-a contente. De repente, um cochicho passou pela multidão e abriram lugar a um segundo gigante. Atravessou a ponte em direcção à jovem e agarrou-a pelas mãos. O gigante e a gigante dançaram juntos um gigantesco minuete. As pessoas batiam palmas. A gigante gostava de dançar. Finalmente podia olhar para uns olhos directamente à sua frente e não muito abaixo de si. Através da abertura da máscara, olhava para uns olhos maravilhosos, onde estavam reflectidos florestas, nuvens, o azul do céu. “Finalmente alguém do meu tamanho!”, pensava ela. “Não foi com isto que sonhei durante tanto tempo?” Uma espanhola mascarada esticou a mão e puxou a perna das calças do gigante. Queria saber se aquelas pernas compridas eram verdadeiras. O gigante começou a vacilar e um par de andas caiu ao chão. Viu-se então que ele não era um gigante mas um homem de tamanho normal. Por detrás da máscara deslocada, a jovem reconheceu o seu vizinho, o guarda-florestal. As lágrimas corriam-lhe pela face. — E tu? — perguntou uma das crianças à gigante. — Ao menos tu és a sério? A jovem limpou as lágrimas com as costas das mãos. A cólera e a tristeza davam-lhe coragem e gritou: — Todos têm de ficar a conhecer o meu segredo! Sim, sou uma gigante verdadeira! Moro sozinha na orla da floresta para não vos assustar! — fez uma pausa. Mas ninguém fugiu assustado. — A sério? Mas isso é óptimo! — disse um rapazinho. E olhava para ela cheio de admiração. O guarda-florestal, que, muito envergonhado, se afastara, aproximou-se da jovem e, cheio de coragem, disse-lhe: — Eu também quero libertar-me do meu segredo. Há já algum tempo que sei que és uma gigante. Mas, acaso isso é razão para não te amar? Também os meus amigos, as árvores, são grandes. Se quiseres, mostro-tas amanhã. No dia seguinte, o guarda-florestal e a jovem gigante passeavam pela floresta. E iam de mão dada!
Eveline Hasler Die Riesin München, Ellerman Verlag, 1996 (Tradução e adaptação)
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Festa de Natal

No próximo dia 13 de Dezembro, domingo, a União fará a habitual Festa de Natal para as crianças e para os mais idosos da freguesia. No Centro Paroquial Padre Anselmo, após a missa dominical, os mais pequenos irão receber as suas prendas no convívio que anualmente aqui tem lugar. Também os mais idosos e os restantes residentes se irão associar a estes momentos de fraternidade e partilhar do carinho que os dirigentes da União, ano após ano, lhes trazem com muita alegria e satisfação. Estamos certos que o Centro Paroquial se irá encher com o calor humano de todos aqueles que se quiserem juntar a nós em mais esta realização. A vossa presença é muito importante. Venham! Os nossos braços já estão abertos para vos receber. UPFC

Olá! Façam como eu...

Mexam-se! Façam exercício! Cuidem da alimentação! Vejam como eu estou elegante. É simples. Façam como eu.

A UNIÃO PROGRESSIVA DA FREGUESIA DO COLMEAL e… a sua HISTÓRIA

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II – PRIMEIROS SUBSÍDIOS, PRIMEIRAS DELEGAÇÕES E PRIMEIRO ALMOÇO DE CONFRATERNIZAÇÃO
Em 27 de Dezembro de 1931, reunia pela primeira vez a Direcção eleita na segunda Assembleia-Geral da Colectividade, tendo logo sido tomada a decisão de se enviar a quantia de 25$00 à Junta Administrativa da Freguesia do Colmeal para serem distribuídos pelos pobres mais necessitados da freguesia, e concedido um subsídio de 50$00 para a ponte do Sobral. A partir de 10 de Janeiro de 1932, a sede da União passou a funcionar na Travessa do Maldonado, 3 – 1º, em Lisboa. Em 14 de Fevereiro de 1932 era nomeada uma Comissão de Propaganda, constituída por Marcelino de Almeida, João Gonçalves, Alfredo Ferreira, Manuel Ferreira, Manuel Martins, Manuel Simões Júnior, João Mendes e António Domingos Neves. A fonte de Aldeia Velha e o calcetamento de uma rua no Carvalhal eram subsidiados com 50$00 cada, e a estrada que liga a povoação da malhada ao concelho da Pampilhosa da Serra com 200$00 (24-4-932). Solicitado o parecer da Junta de Freguesia de Celavisa sobre a estrada para o Colmeal passando pelo Mucilhão. Em 29 de Maio de 1932, deu-se um benefício ao sócio nº 64 no valor de 30$00, e foi nomeada a primeira Comissão Administrativa na Freguesia do Colmeal, que mais tarde se designaria por Delegação no Colmeal, constituída por Manuel Duarte de Almeida, Manuel Estêvão e Fortunato Joaquim. Subsidiada a estrada de Colmeal à Ribeira de Ádela com 150$00, arranjo de uma ponte para Carrimá com 50$00, para melhoramentos diversos em Ádela com 100$00 e para a ponte do Ribeiro do Soito com 50$00 (5-6-932). Foi nesta altura que foram mandados imprimir os primeiros 500 exemplares dos Estatutos da Colectividade, que custaram 250$00, e em 1 de Outubro faz-se o primeiro almoço de confraternização. Em 20 de Novembro de 1932 existiam já 212 sócios. Nascia a ideia de uma acção conjunta das colectividades para a obtenção da estrada do Vale do Ceira, que na ocasião se designava por estrada Góis – Cebola, e em 10 de Dezembro de 1932 apreciou-se um ofício da Liga de Melhoramentos de Cadafaz em que se sugeria para se oficializar às entidades competentes do Distrito de Coimbra, tomando-se então a resolução de se expor o assunto ao Sr. Governador Civil de Coimbra, Director das Estradas, à Câmara Municipal de Góis, à Junta de Freguesia do Colmeal e à Delegação, no sentido de se interessarem pelo estudo deste importante melhoramento. Mais um subsídio de 50$00 foi destinado aos pobres da freguesia, para ser distribuído no dia de Ano Bom de 1933. Um subsídio para melhorar a fonte do Sobral em particular e o abastecimento de águas em geral é solicitado pelo Tesoureiro José Henriques de Almeida, que pede a interferência da União junto das entidades competentes nesse sentido. Em 29 de Janeiro de 1933, a Direcção encarrega o Primeiro – Secretário de fazer o estudo do distintivo para a União. O cobrador António Domingos Neves pede a sua demissão e é substituído por Manuel Ferreira. A terceira Assembleia – Geral para eleição dos novos corpos gerentes é convocada para o dia 5 de Março de 1933, e a ela assistem 34 sócios. No auto de posse de 12 de Março de 1933 figuram os nomes de: Joaquim Francisco Neves, Abel Olivença de Almeida, António Martins, Manuel Francisco das Neves Fernandes, Manuel Ferreira de Almeida, Albano Gonçalves de Almeida, Francisco Luís, António Domingos Neves, António Martins Mendes, José Augusto Elias de Almeida, António Nunes Major, Manuel Nunes de Almeida, Abel Joaquim de Oliveira, Joaquim Fontes de Almeida e Marcelino Antunes de Almeida. in Boletim “O Colmeal” Nº 121, de Novembro de 1973

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Folhas caídas

Antes que venha o Inverno e disperse ao vento essas folhas de poesia que por aí caíram, vamos escolher uma ou outra que valha a pena conservar, ainda que não seja senão para memória.
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Almeida Garrett - Janeiro de 1853
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Foto de A. Domingos Santos

Receitas da Freguesia do Colmeal

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Bucho
- 250gr. de Carne de lombo
- 250gr. de Carne de coelho
- 250gr. de Carne de cabrito
- 250gr. de Carne de frango
- 250gr. de Chouriço
- 250gr. de Salsichas
- 5 Ovos por bucho
- 500 gr. de arroz
- 3 Carcaças
- Sal q.b.
- 2 Cabeças de Alhos
- 2 Limões
- 1 Ramo de salsa
- 2 Cebolas Picadas
- 4 Colheres de Farinha
- 2/3 Buchos Coloque os buchos bem lavados, num recipiente durante cerca de 3 dias com alhos picados e sumo de limão, de modo a ficarem bem saborosos e limpos.
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À parte, corte a carne de lombo, coelho, cabrito e frango em bocados pequenos e coloque numa bacia grande. Acrescente o chouriço e as salsichas também cortados, o arroz, o pão migado, o sal, os alhos e as cebolas picados, o ramo de salsa e as colheres de farinha. .
Misture bem os ingredientes e deixe marinar durante 2 horas.
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Posteriormente encha os buchos, mas não exageradamente, com o preparado obtido, com cuidado para não rasgar o orifício e cosa, fechando-os na totalidade com uma linha forte. .
Coloque os buchos a cozer numa panela de pressão durante 1 hora, ou na sua impossibilidade, numa panela normal durante 2 horas.
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Antes de servir, coloque o bucho num tabuleiro e leve ao forno, para tostar um pouco. .
Por fim, corte às fatias e coma simples, ou acompanhe com arroz ou batatas conforme o gosto. .
A receita apresentada (bucho), foi disponibilizada por Artur Da Fonte, natural do Colmeal

UM ABRAÇO DE TORTULHOS

. Insistindo em partilhar a beleza e a diversidade com a que a serra nos presenteia, nutrindo o encanto que outras situações desencantam, saúdo-vos hoje com um abraço de tortulhos. É um abraço apenas terno e empírico, que não dispensa outras abordagens ao tema, inclusive porque os tortulhos podem ser perigosos.
Sendo cogumelos, os tortulhos, também designados de “tartulhos”, “tertulhos”, “fradelhos”, rapazinhos e cogumelos de chapéu, são como que a frutificação de fungos. Li algures que estão para o fungo que os produz como a maçã está para a macieira. Existem por toda a parte, preferindo os campos não cultivados mas ainda livres de ervaçais densos. A fartura com que aparecem acompanha, frequentemente, a abundância e a itinerância dos rebanhos. Percebe-se bem por quê! Uma vez que não possuem clorofila para transformar os nutrientes, espertos, os fungos tornam-se parasitas ou consumidores de matéria orgânica já processada! É o caso dos tortulhos, que fazem parte dos decompositores.
Os tortulhos de que estou a falar (e outros) são comestíveis, como se tem visto em vários programas de televisão ou pode constatar na internete. Mas o que os torna irresistivelmente atraentes e fascinantes para muitos, entre os quais me conto, é o mistério e a magia que os envolve, na fragilidade da sua composição feita de mais de 80% de água, na efemeridade da sua existência de pouco mais de uma semana e na variedade dos mimetismos com que se disfarçam.
“Como uma força”, no dizer da canção, irrompem da terra com as primeiras chuvas do Outono morno, por vezes indiferentes à presença de ervas e outros obstáculos que os sufocam e deformam. São contemporâneos dos medronhos, das castanhas e da miríade de outros cogumelos igualmente espantosos e sedutores.
Imitando o solo, mal se vêem quando começam a crescer portadores de masculino e feminino, lembrando pequenas serpentes, e falos, que evoluem até se transformarem em graciosos chapéus-de-sol, e chuva, que também podem ser vistos como seios e ventres bojudos de promessa. Esta transformação ocorre quando a calcinha se solta, libertando a copa do pé e expondo o seu interior feito das finas e delicadas lamelas brancas que produzem os esporos reprodutores.
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Depois de um ou dois dias de plena maturidade, os tortulhos começam a envelhecer. Aí, com a copa primeiro plana e, seguidamente, algo côncava, parecem chapéus-de-chuva virados pelo vento ou bailarinas de tutu. Continuando escamados, a sugerir a cada um o que a imaginação lhe ditar!
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Em pouco tempo, passam-se e tombam, para reaparecerem viçosos e pujantes no ano seguinte, se ninguém maltratar o fungo, e se as condições ambientes forem propicias.
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Por razões que se prendem com a estrutura em filamentosa dos fungos de que são produto, os tortulhos andam sempre aos pares, imitando, desta vez, os polícias e alguns vendedores de paraísos próximos ou distantes. Os pares podem encontrar-se a uma certa distância uns dos outros ou bem juntinhos, lembrando namorados felizes e pais extremosos. Até podem nascer em anos distintos, tudo dependendo do clima e dos nutrientes.
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Enfim, são simplesmente deslumbrantes e muito enigmáticos, os tortulhos e os fungos que os produzem! E úteis, pois enriquecem a biodiversidade, constituem um recurso multifacetado e contribuem para o equilíbrio ecológico, cada um desempenhando o papel para que a natureza o dotou. Pena que tantas espécies se encontrem ameaçadas de extinção. É o caso dos tortulhos, que os caprinos e ovinos já pouco ajudam a alimentar, e que os grandes ervaçais ou os pesticidas e herbicidas impedem de nascer. Entretanto, todos podemos contribuir para a sua preservação, não os destruindo gratuitamente, e colhendo-os de modo sustentado, isto é, sem os arrancar e só depois de bem abertos para terem tido a oportunidade de libertar os esporos reprodutores. E deixando sempre alguns “para a semente” … Por mim, prefiro continuar a observá-los, deliciando-me com a sua variedade, beleza e originalidade. Açor (Colmeal), 9 de Novembro de 2009. Lisete de Matos (Texto e Fotografia)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Comissão de Melhoramentos de Malhada e Casais: 56 velas

A Comissão de Melhoramentos de Malhada e Casais avança tranquilamente e cheia de vitalidade para a idade sénior. Aproximamo-nos agora de mais um aniversário da data em que um grupo de corajosos homens e mulheres, oriundos da Malhada e Casais, constituiu esta associação que representa e defende os interesses das suas povoações. Corria o ano de 1953, era 4a feira - 25 de Novembro à semelhança deste ano de 2009, e desconhecendo o tempo que se fazia sentir nesse dia, podemos afirmar que foi certamente um dia bonito, por tudo o que se fez desde essa época, e continua a ser feito. Para celebrar a data, a CMMC está a organizar um almoço de confraternização para o qual você está desde já convidado. Este ano iremos realizar o convívio na região de Fátima, na localidade de Reguengo do Fétal, no Restaurante Pérola do Fétal. A CMMC colocará à disposição de todos, transporte gratuito em autocarros, que partirão do Jardim Zoológico, Sete Rios em Lisboa. O evento terá lugar no próximo Domingo, 6 de Dezembro de 2009, e o programa será o seguinte: 7h30 - Partida de Sete Rios, Lisboa 10h00 - Participação em missa no Santuário de Fátima 12h30 - Saída de Fátima em direcção ao restaurante Pérola do Fetal 13h00 - Início do almoço 17h30 - Regresso a Lisboa Junte-se a nós e venha desfrutar: • da nossa companhia e boa disposição! • Entradas: morcela branca da região, queijos e presunto • Sopa: creme de legumes • Peixe: bacalhau cremoso com molho de camarão • Carne: rotti de porco recheado com queijo e espinafres • Bebidas: vinho tinto Facaia, vinho branco Ala dos Namorados, sumos e cervejas • Mesa de doces • Buffet, bolo de aniversário e vinho espumante. Preços: • Adultos: 30€ • Crianças dos 5 aos 9 anos: 15€ • Crianças até aos 4 anos: grátis Para participar na nossa festa deverá confirmar a sua presença até ao próximo dia 25 de Novembro, contactando para o efeito um dos seguintes elementos da CMMC: • Nuno Santos: 967 887 555 / 913 876 676 • António Santos: 212 106 606 / 968 403 40 • Vítor Olivença: 967 265 011 • António Marques: 213 872 339 / 962 847 979 Saudações Malhadenses!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Recanto florido

É sempre muito agradável ver o aproveitamento feito de uma velha panela de ferro que já teve a sua época. E que não terá sido curta. Muitos calores apanhou durante a sua "vida activa"... Agora, descansando ali naquele canto, mas não esquecida, presenteia-nos com estas bonitas flores. Talvez a querer recordar e homenagear quem tantas vezes nela pegou. Um recanto florido a sugerir que noutros cantos e recantos façam o mesmo. Uma ideia simples que poderia ajudar a embelezar a nossa aldeia. Quem não gosta de flores? Foto de A. Domingos Santos

Freguesia do Colmeal (História) IX

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PASSADO – PRESENTE Capítulo IX JULGADO DE GOOES (1)
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«Julgado de Gooes. A villa de Gooes he prouado que a viro sempre trager por onrra des que sse acordam as testemunhas e douuidas de longe e dizem as testemunhas que ouvirõ dizer que foy doaçõ que deu El Rey (2) a dom Onaya crastariz (3) e que ouvirõ dizer que desse tempo foy pobrada Çelauisa a uarzea a cabrejra e esta onrra uea uydo ped seu linhage de dom Anaya crastariz per Reymhons rrodriguez (4) e per Vaasco perez e per outras de sseu linhage E dizem que o cadaffaz e o caraulhar do sapo o colneal, e Affolgosa e a Çerdeira e a abergaria forõ pobradas em tempo de Rey dom Sancho e de Rey dom Affonso prestumeiros e dellas en tempo deste Rey en herdamentos que comprarõ filhos dalgo de Gooes domees herdadores dessa villa e desque fforõ pobradas trouxeronas senpre por onrra com essa villa e tragea ora Vasco ffarinha (5) esta villa e todas estas Aldeyas por onrra como parte como pedragõ e da outra parte cõ Couillaã e da outra cõ Arganil e da outra cõ o couto de Loruaão e da outra como parte cõ Arouti e per estes termhos dizem as testemunhas queo viro trager por onrra desque sse acordam que nõ faze ende nehuu foro a elrey seno colhejta E estas testemunhas que som todas de Gooes e de sseu termho (6) este termho esta por onrra polos termhos de ssuso dictos» (7) (1) T. T. Inquirições de D. Diniz – Liv. 9, folha 39. (2) Referem-se a D. Afonso Henriques (3) I Senhor de Gooes «… natural de Astúrias, junto a Llana de S. Vicente de Barquera, vino a Portugal com el Conde D. Enrique, i el Rey D. Alõso I le diò la tierra de Goês. (Arq. Hist. De Góis, vol. 3/4, pág.140). (4) IV Senhor de Gooes. Obra cit. (5) VI Senhor. Idem. Ao tempo deste Donatário verificaram-se várias lutas, entre familiares, motivadas pela posse do Senhorio (Arq. Hist. Góis, vol. 3/4, pág. 155…). «Em 1284 houve destes bandos sobre o senhoria da villa de Goes entre Vasco Pires farinha, e seus sobrinhos Vasco Esteves, e Joanne Esteves, havendo, de ambas as partes, nas contendas, feridos e mortos; a que acudio ElRey D. Diniz, à instancia daquella Comarca, que andav revolta com tais motins, fazendo reduzir as parte a huma Concordata, que se assignou a 6 de Janeiro, e que foi confirmada por ElRey a 12 do dito mês, e anno». (6) Depreende-se terem estado presentes para inquirição testemunhas das nossas Aldeyas, visto um dos termhos do Senhorio de Gooes, serem o caraulhar do sapo e o colneal. A povoação do Souto, já existia na época mas à qual não se fez referência visto não ter sido pobrada em tempo de rey don Sancho, mas sim posteriormente. (7) Este pergaminho apresenta-se em letra bastante inintelegível sendo de presumir tenha sido manuscrito em Gooes nos últimos anos do século XIII. in Boletim “O Colmeal” Nº 109, Fevereiro de 1971

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

S. Martinho

Como é bom comer Castanhas assadas E no magusto ver As meninas coradas Na rua está um vendedor De castanhas assadas É com esforço e amor Que faz feliz a rapaziada Todo o dia a apanhar chuva Coitado do vendedor! Mas à beira das castanhas Fica cheio de calor. Com o frio a chegar A natureza está-se a transformar Os ouriços a abrir Para as castanhas apanhar. O S. Martinho está a chegar A lareira vou acender Para as castanhas assar E contigo as comer. Que lindo é o Outono! Que lindo que é! Uvas e castanhas Dá-me o avô Zé. Dia 11 de Novembro É o dia de S. Martinho Come-se a castanha assada E mais o caldo verdinho. É dia de S. Martinho É a festa das castanhas Em vez de Sol há chuva É Outono ninguém estranha. in .http://aguiar.ccbi.com.pt/

Blogue nota

Foi com a publicação do cartaz das Festas de Verão no Colmeal, em Agosto de 2007, que nos aventurámos pela via electrónica da comunicação e iniciámos o nosso blogue, mais conhecido como o “Blogue da União”. Em 18 de Abril de 2008 registávamos com muito agrado o visitante número dez mil na página principal e certamente seriam muitos mais, uma vez que só em Setembro se procedeu à instalação do contador. As páginas visitadas eram ao tempo mais de vinte mil e trezentas. Algumas melhorias foram entretanto introduzidas e surgiram dois espaços próprios a que chamámos "Cantinho da Saudade" e "A União no Presente", possibilitando assim uma consulta mais fácil. Aí fomos recordando fotografias antigas e acontecimentos passados, ou, evidenciando recentes realizações da União Progressiva. Os visitantes têm sido maioritariamente de Portugal, mas já registámos visitas dos cinco continentes e de quase todos os países do mundo. Os nossos associados emigrados em França, Suíça e Alemanha, são uma presença assídua, mas também de locais tão distantes como Singapura, Japão, Turquia, Arábia Saudita, Nigéria, Canadá, Austrália, Brasil ou Estados Unidos da América, entre outros, surgem visitantes interessados nas nossas notícias. São os efeitos e os benefícios das novas estradas da informação. Em 10 de Outubro de 2008 chegámos aos vinte mil e cerca de um ano depois, em 6 de Novembro, atingimos os 50.000 visitantes e cerca de 96 mil páginas vistas. Nada disto teria sido possível sem a sua colaboração. Uma fotografia, um pequeno texto, um comentário, palavras de incentivo, tudo isso nos tem dado alento para continuar. Desde o início que nos manifestámos no sentido deste espaço ser aberto a todos. Com educação, civismo e elevação, haverá sempre lugar para quem queira participar e partilhar as suas ideias. Não havendo ataques pessoais ou insultuosos, o nosso blogue estará sempre disponível. No entanto, ao longo deste período surgiram algumas situações menos próprias, felizmente poucas, que nos levaram a activar mecanismos de protecção de comentários. Continuaremos a esforçar-nos para trazer ao Blogue todo o historial da nossa colectividade, pioneira na freguesia e uma das mais antigas no concelho de Góis, o trabalho desenvolvido pelos nossos regionalistas, as realizações mais recentes e também as recordações que nos queiram fazer chegar para as podermos partilhar. Para além dos 50 mil na “Página Principal” que já referimos, estamos também satisfeitos com os números alcançados nas outras páginas. No “Cantinho da Saudade” estamos próximos de atingir os 18 mil visitantes, enquanto no “Especial Açores” já ultrapassámos os quatro mil e quinhentos. Em “ A União no Presente”, onde inserimos milhares de fotografias das nossas realizações, o número de visitas já se aproxima das 13 mil e seiscentas. A página “Viajando pela Freguesia”, criada em Fevereiro passado, na sequência das comemorações dos 80 anos do Regionalismo no Concelho de Góis, e onde foram inseridas fotografias de toda a freguesia, tem já cerca de 2.900 visitantes. Tratando-se de um blogue de uma colectividade regionalista e com a diminuta dimensão que sabemos ter, ficamos satisfeitos com os números alcançados. Da nossa parte tudo faremos para continuar a informar com seriedade e isenção. Perdoem-nos a imodéstia, mas sentimos orgulho do trabalho desenvolvido e do que ele tem representado para o conhecimento e divulgação da nossa União, do Colmeal, das nossas gentes e da nossa região. Não descuraremos, no entanto, a proximidade com os associados e amigos da União Progressiva através de cartas e circulares, e também da comunicação social regional, a quem o regionalismo e as colectividades muito devem. Ao associado Francisco Silva o nosso sincero agradecimento pela criação do blogue e o reconhecimento pelo trabalho que vem desenvolvendo na sua manutenção. A. Domingos Santos Lisboa, 10 de Novembro de 2009

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Natal das crianças (recordando…)

. Há quinze anos, pelo Natal de 1994, e numa “tradição” que a União Progressiva da Freguesia do Colmeal vem mantendo desde há muitos anos, foi feita a distribuição de brinquedos às seguintes crianças da nossa freguesia. Para o mais pequeno, o “benjamim” do grupo com apenas um ano, João Paulo Gaspar Nunes, coube-lhe um “Hello Baby”. No grupo dos dois anos, apenas a Margarida Fontes Correia, que recebeu um “Carro de Bébé”. Três meninas na casa dos três anos, a Marta Sofia Nunes Santos, a Nuomi Juliana e a Sónia Cristina Neves tiveram direito a um “Piano Elephant”. A Isis Selene H. Kovaes, o Bruno Manuel Gaspar Nunes e a Paula Cristina Nunes Martins, com quatro anos de idade foram contemplados com um “Órgão com sons de animais”. Com cinco anos, tínhamos cinco rapazes e uma rapariga. Eles eram o João António Nunes dos Santos, o Tiago José Cerejeira Domingos, o Francisco Micael, o Hugo Miguel Gaspar Nunes e o filho do Ruph (não temos a indicação do nome) que receberam um “Robot Rangers”. À pequena Ana Sorraia coube-lhe uma “Ursa”. Na casa dos seis anos havia apenas três jovens: o José Carlos Almeida Henriques, o Renato Ângelo e o filho do Ruph (presume-se que outro, do qual também não temos indicação do nome nesta listagem em que nos estamos a apoiar) que receberam um “Robor Future Cop”. Um “Carro de Bombeiros” foi o brinquedo que coube em sorte aos rapazes, já com sete anos, Nuno Miguel Almeida Santos e Bruno Miguel Nunes dos Santos. Para Ruben Carlos Kollande Côlle e José Manuel Gaspar Nunes uma “Nave Espacial” e para a pequena Mónica Alexandra Nunes dos Santos, deste grupo dos oito anos, uma “Mala de Maquilhagem”. Ricardo Filipe Nunes Martins e Nelson Miguel Martins Henriques, com nove anos, receberam um “Robot Jack Armor”. Com dez anos, Lúcia Maria Almeida Alexandre, Catarina Alexandra Cerejeira Domingos, Sónia Cristina Gaspar Nunes e Isabel Cristina Brás Ramos deliciaram-se com a sua “Boneca do Capuchinho”. Para Hans Elias Kollande, como rapaz deste grupo, estava destinada uma “Pista de automóveis”. Berta Sofia Almeida Santos, Sónia Margarida Nunes Martins e Anabela Nunes Almeida, com onze anos, tiveram uma “Boneca Tana” e o Bruno Miguel Martins Brás e o Jorge Miguel Brás Ramos, uma “Caixa Electrónica”. Finalmente, os “mais velhos” e que pela última vez receberam a sua prenda, um “Globo”, e que foram António Manuel Almeida Santos, José Gil Almeida Alexandre, Pedro Miguel Duarte da Silva, Sandra Cristina Martins Henriques e Sandra Isabel Gaspar Vicente. Justo será recordar os dirigentes que nesse ano faziam parte da Direcção da União Progressiva. Henrique Bráz Mendes (Presidente), Manuel Fernandes da Luz (Vice-Presidente), Américo de Jesus Brás (1º Secretário), Joaquim Luís Pinto (2º Secretário), Artur Domingos da Fonte (Tesoureiro), José Domingos Nunes e Manuel Duarte de Almeida (Vogais), Pedro Manuel de Almeida Bráz e Filomena Maria Almeida Mendes (Suplentes). A Delegação da União no Colmeal, que sempre tem tido um papel muito relevante nesta e noutras realizações, era constituída por José Álvaro Almeida Domingos (Presidente), Manuel Brás de Almeida (Secretário), Manuel de Almeida Neves (Tesoureiro) e Manuel Martins dos Santos (Vogal). A. Domingos Santos

História da União

. No extinto boletim “O Colmeal” fomos encontrar três interessantes apontamentos coligidos pelo saudoso António Santos Almeida (Fontes) e que, tudo indica, seriam os primeiros capítulos da História da União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Em Julho de 1973, o Eng.º Fontes dá-nos a conhecer os “primeiros passos” da colectividade e a primeira reunião que foi realizada em casa de seus pais, na Rua João do Outeiro, 16 – 2º.
Passámos por lá. O prédio sofreu alterações (os anos não perdoam) e já não tem segundo andar. Na fotografia identifica-se facilmente por ser o mais pequeno. Também não encontrámos conterrâneos como acontecia naqueles idos tempos dos anos trinta, quarenta ou mais proximamente, de há duas ou três décadas atrás. A Rua João do Outeiro está diferente como aliás toda a Mouraria. No segundo “capítulo” já se enumeram alguns subsídios atribuídos pela União para melhoramentos como um fontanário, o calcetamento de uma rua ou uma estrada de ligação a um concelho vizinho. Os pobres da freguesia também não são esquecidos. No capítulo seguinte e publicado em Fevereiro de 1974, o Eng.º Fontes refere-se com pormenor à primeira obra da União – a ponte sobre o ribeiro do Soito, à estrada que viria a ser conhecida como a do “Vale do Ceira” e concretizada muitas décadas depois, às encomendas postais e assistência médica, às escolas e à futura fonte (chafariz) no Colmeal, que viria a ser realidade em 26 de Setembro de 1937. Muitos mais capítulos haverão para escrever na história da colectividade. Por agora iremos limitar-nos a recordar este excelente trabalho de pesquisa do Eng.º Fontes. A. Domingos Santos Foto de Francisco Silva
A UNIÃO PROGRESSIVA DA FREGUESIA DO COLMEAL e… a sua HISTÓRIA
I – PRIMEIROS PASSOS
Foi em 20 de Setembro de 1931, que no antigo Grémio Regionalista da Comarca de Arganil, se reuniu uma Comissão Provisória da UNIÃO PROGRESSIVA DA FREGUESIA DO COLMEAL, sob a presidência de Joaquim Fontes de Almeida, em que estiveram presentes além de outros, os Senhores Manuel João Miranda e Joaquim Francisco Neves, que exprimiram o seu desejo de colaborarem e prestarem o seu auxílio. Presentes também os saudosos Abel Joaquim de Oliveira, José Antunes André e José Henriques de Almeida. Pode dizer-se que nesta reunião e nas que se seguiram, na residência de Joaquim Fontes de Almeida na Rua João do Outeiro, 16 – 2º em Lisboa, se alicerçaram as bases e as estruturas da nova Agremiação Regionalista e do movimento regionalista da Freguesia do Colmeal que se lhe continuou e que hoje (1973) conta com mais 5 Comissões de Melhoramentos além da União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Foi nela que se determinou a primeira Assembleia-Geral, que viria a ter lugar em 4 de Outubro de 1931. Dos primeiros corpos gerentes faziam parte entre outros: Na Direcção Joaquim Fontes de Almeida (Presidente) Francisco Domingos (1º Secretário) Aníbal Gonçalves (2º Secretário) José Henriques de Almeida (Tesoureiro) José Antunes André (Vogal) Na Assembleia-Geral Joaquim Francisco Neves António Martins Mendes No Conselho Técnico Abel Joaquim de Oliveira Uma das primeiras resoluções tomadas por esta gerência, na sua primeira reunião de 15 de Outubro de 1931, foi o envio de circulares aos Senhores Benjamim Domingos, António de Almeida Freire e Manuel de Almeida Esteves. Logo na primeira reunião, se atribuiu um voto de louvor ao «Jornal de Arganil» e à «Comarca de Arganil» pela ajuda valiosa que tem sido prestada e começa-se a desenhar o desejo de obtenção das encomendas postais para a freguesia do Colmeal, de que o presidente ficou de dar seguimento. Nas actas seguintes são exarados votos de louvor aos Senhores Alfredo Ferreira e Marcelino de Almeida, pela forma como se têm interessado na angariação de sócios para a Colectividade, que nesta altura se computavam já em 72. Recebe-se o primeiro ofício da Câmara Municipal de Góis com data de 17 de Outubro de 1931. A quarta reunião que consta no livro de actas da Direcção refere-se já à primeira sede social da Colectividade em Lisboa, na Rua da Fé, 23 – 1º e nela foi alvitrado pelo Sr. José Henriques de Almeida a necessidade de se fundar uma escola para o sexo feminino na sede da freguesia, bem como uma residência para os professores, assunto com que o Sr. José Antunes André concordou, salientando embora a impossibilidade momentânea de a Colectividade dispor de capital para esse fim. Ainda dentro do assunto em discussão, foi apreciada na altura, uma oferta do Sr. Manuel Ferreira para se aproveitar o assento de uma casa que ele possuía ao Soladinho e que punha ao dispor da União para aí se construir a desejada escola. Foi ainda nesta reunião que o Tesoureiro Sr. José Henriques de Almeida levantou o problema das vias de comunicação e referindo-se à célebre estrada Góis a Cebola, propôs que fosse nomeada uma Comissão para se solicitar aos Ministérios a sua efectivação, tendo o Sr. Abel Joaquim de Oliveira sugerido agradecer-se ao Grémio Regionalista da Comarca de Arganil a forma como se tem interessado por este assunto de capital importância para a nossa região. Foi aprovado um voto de louvor ao «Diário de Notícias» pela sua patriótica campanha contra o analfabetismo. O primeiro voto de pesar foi lavrado em acta pelo falecimento ocorrido em 30 de Outubro de 1931 do Director do «Jornal de Arganil» Sr. António Pimenta de Carvalho. Em 20 de Novembro de 1931, o Presidente da Direcção, Sr. Joaquim Fontes de Almeida, promovia uma reunião na sua residência, para anunciar a sua decisão de se demitir, não só porque não se achava capaz de dirigir com competência a Colectividade, mas também por observar que alguns elementos que constituíam a Direcção não estavam a colaborar como deviam, deixando em completo desleixo toda a escrituração e porque a maior parte das vezes não compareciam às reuniões previamente estipuladas, pelo que entendia dever ser a Direcção toda remodelada. Esta sugestão teve o acordo do Presidente da Assembleia-Geral e em 29 de Novembro tomaram posse os novos corpos gerentes. Eis a história da União Progressiva da Freguesia do Colmeal no período que medeia entre 20 de Setembro e 29 de Novembro de 1931, período difícil, certamente, para os dirigentes de então, que levou a uma decisão também difícil, mas honesta, e que a atestar os factos apontados pelo então Presidente da Direcção, Joaquim Fontes de Almeida, ressaltam as primeiras cinco actas da Direcção que são assinadas apenas pelo Presidente e pelo Tesoureiro José Henriques de Almeida, homens que, apesar de tudo, nunca deixaram de acreditar no ideal que os levara à criação da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, pois eles continuaram a dar a sua colaboração à Colectividade aceitando ser nomeados membros efectivos da 2ª Direcção eleita, em que figuravam os nomes de: Manuel Nunes de Almeida Abel Joaquim de Oliveira Joaquim Fontes de Almeida José Henriques de Almeida José Antunes André in Boletim “O Colmeal” Nº 117, de Julho de 1973

Clube de Contadores de Histórias (IX)

Amor a dobrar
Belinda era uma menina com sorte. Tinha duas avós. À avó da cidade chamava Vó. À do campo chamava Vivó. Belinda vivia na cidade; por isso, via a Vó muitas vezes. Esta tomava conta dela quando a mãe estava ocupada. Belinda e a Vó tinham muitas frases só delas e faziam coisas especiais. — Anda lá, Vó! — Vamos fazer um tingalaio. — Tingalaio! Meu burro pula, meu burro salta, meu burro bate com sua pata — dizia a avó, enquanto levava Belinda às cavalitas. A Vó levava a neta muitas vezes ao parque, e ambas dançavam por entre as árvores, de mão dada. Quando chegavam a casa, Belinda tomava limonada e comia as suas bolachas favoritas, feitas com gengibre. Nas férias, a menina via a Vivó. Toda a família ficava em casa da avó. Como era uma casa pequenina, a mãe e o pai encaixavam-se no quarto de hóspedes, enquanto Belinda dormia numa caminha extra. Belinda e a Vivó tinham muitas frases só delas e faziam coisas especiais. — Põe um pato no sapato! — dizia Belinda. E a Vivó levava a neta a ver os patos e as galinhas. Também faziam piqueniques no campo atrás da casa. A Vivó levava sumo de maçã e as bolachas favoritas de Belinda, as de queijo. Quando acabavam de comer, a menina pedia: — Anda, Vivó! Vamos brincar às rodinhas! Depois de muito andarem à roda, caíam no chão uma em cima da outra. Quando estavam na cidade, a Vivó telefonava todos os domingos e falava sempre com Belinda. Até parecia que estava mesmo ali ao lado. Belinda gostava muito das suas duas avós. Quando nasceu o seu irmãozinho, fizeram uma festa na casa da cidade. Todos vieram à festa, incluindo a Vivó. Foi a primeira vez que Belinda teve as duas avós ao mesmo tempo com ela. Divertiram-se tanto! Mas a Vó não foi a correr buscar limonada para Belinda. E a Vivó não lhe deu sumo de maçã. Ficaram sentadas e quietas… até que Belinda caiu. Bateu com a cabeça e ficou sem respiração. Começou a chorar. A Vó e a Vivó puseram-se ao lado dela, rápidas como um relâmpago. Embalaram-na entre elas, como se fosse uma sanduíche. Belinda teve direito a um beijo da cidade numa face e a um beijo do campo na outra. Segurou as mãos das avós e não queria largá-las. — Vamos! — disse, puxando por elas. — Aonde? — perguntaram as avós. — Para o outro quarto. Vamos divertir-nos! — pediu Belinda. A Vó pôs uma gravação. — Vivó, sabe dançar esta música? A Vivó ensaiou alguns passos e voltas. E dançaram as três, ao som do ritmo. De repente, começou a ouvir-se uma velha canção. A Vó e a Vivó começaram a cantar. Depois, a Vó pôs Belinda às cavalitas da Vivó. — Tingalaio! — exclamou Belinda, e lá foram as três pela casa fora, a trotar e a saltar. Depois, foi a vez da rodinha. Fizeram uma rodinha e acabaram por cair umas em cima das outras, rindo e batendo palmas. — Tem de vir mais vezes visitar-nos — sugeriu a Vó à Vivó. — Tem de vir passar férias connosco — sugeriu a Vivó à Vó. Belinda estava radiante. Quando as duas avós se juntam, diverte-se a dobrar e tem amor a dobrar.
Bernard Ashley Double the Love London, Orchards Books, 2003 Tradução e adaptação
O Clube de Contadores de Histórias Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Magusto no Colmeal

A União Progressiva da Freguesia do Colmeal realizou, mais uma vez o tradicional magusto, no passado dia 1 de Novembro, no Largo D. Josefa das Neves Alves Caetano. Castanhas, torresmos, água-pé e jeropiga não faltaram bem como deliciosas sobremesas que se quiseram associar e que foram muito bem recebidas. Por seu lado, a chuva que não havia sido convidada, obrigou a alterações na logística mas tudo se resolveu e acabou em bem. Os Colmealenses associaram-se à iniciativa e reviveram esta antiga tradicão. UPFC
Fotos de António D. Santos

Loural

Aldeia perdida, aldeia escondida, casas em silêncio
Um velho moinho
Uma pequena queda de água por perto quebrando o silêncio
Fotos de A. Domingos Santos

COLMEAL – Biblioteca da União mais rica

PARQUES e RESERVAS NATURAIS

“Um dos objectivos essenciais das Áreas Protegidas é o de conservar a extraordinária variedade do mundo a que pertencemos. São espaços abertos, sem qualquer vocação para salas de espectáculo da natureza, sem bilhete de entrada ou área de funcionamento. Neles todos podem entrar livremente, mas esta liberdade de ingresso tem como contrapartida a necessidade de observância de certas regras. O usufruto de qualquer Área Protegida, cuja protecção depende essencialmente de cada um de nós, exige o cumprimento voluntário de um pequeno conjunto de normas de condutas: seguir os caminhos e trilhos existentes; não colher plantas, flores ou frutos, ou amostras minerais; respeitar a tranquilidade do local; deitar o lixo nos locais apropriados; estacionar apenas nos parques autorizados; acampar nas áreas especialmente destinadas a esse fim; não fazer lume; cumprir os regulamentos de caça e pesca. Há gestos e acções, inúteis e destruidores, que devem ser evitados. Respeitar as normas específicas a cada Área Protegida significa estar a contribuir de facto para a sua conservação e valorização.” A Paisagem Protegida da Serra do Açor é a que tem a área mais pequena entre os Parques Nacionais e Naturais e Reservas Naturais existentes no país, com apenas 346 hectares. O Parque Natural da Serra da Estrela com 100 mil hectares é o maior logo seguido do de Montesinho, com 75 mil. Para além destes, encontramos mais os seguintes Parques Naturais: Alvão, Serras de Aire e Candeeiros, Serra de S. Mamede, Arrábida, Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e mais a sul, a Ria Formosa. Como Áreas Protegidas temos a do Litoral de Esposende, Sintra – Cascais e a Arriba Fóssil da Costa da Caparica. Em termos de Reservas Naturais temos as Dunas de S. Jacinto, Serra da Malcata, Paul de Arzila, Berlenga, Paul do Boquilobo, Estuário do Tejo, Estuário do Sado e o Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António. O Parque Nacional da Peneda – Gerês é provavelmente o mais conhecido e aquele de que mais se fala. Relativamente à Paisagem Protegida da Serra do Açor, retiramos e salientamos: “A Estrela, o Açor e a Lousã, uma extensa cordilheira povoada de granitos e xistos, uma dorsal que se alonga de nordeste para sudoeste, dividindo sensivelmente a meio o território de Portugal. Espaço montanhoso, é certo, mas onde não impera a uniformidade, já que esse bloco alteroso que é o hermínio maior se destaca claramente do extenso mar de cristas arredondadas, de altitudes dissimétricas e de pronunciadas quebradas com que se prolonga para sul. O Açor é o domínio do xisto, são cumes boleados que à distância escondem vales com grandes quedas de nível e linhas de água encaixadas, por vezes de dimensão quase imperceptível, que, ao sabor das vertentes, ora procuram o Ceira, ora se dirigem para o Alva. … Tal como os terrenos de cultura em socalcos, as «quelhadas», ficaram ao abandono, «vítimas» de êxodo rural, esquecidos também ficaram os curiosos fornos de madeira, construções circulares com cúpula, construídos com lajes de xisto ou calhau de quartzo e destinados a conferir uma maior rigidez e flexibilidade às varas de castanho. O artesanato dependente da floresta – tamancos, gamelas, mobiliário, várias alfaias agrícolas – quase desapareceu, sobrevivendo apenas alguma cestaria e o fabrico de colheres de pau.” Por julgarmos de interesse aqui vos trouxemos este apontamento que retirámos de “Os mais belos parques e reservas naturais de Portugal”, em dois volumes da Colecção Património, da Editorial Verbo, que agora poderão apreciar na Biblioteca da União, no Colmeal, onde sugerimos uma leitura mais atenta e cuidada. A. Domingos Santos