quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Novas placas toponímicas da Freguesia de Cadafaz

(clicar nas imagens para ampliar)
Para conhecimento de quem visita o nosso concelho apresentamos as novas placas informativas sobre a freguesia do Cadafaz. Esperamos muito em breve apresentar fotografias das que também já estarão colocadas na freguesia do Colmeal.

Lisboa antiga

Quem não se lembra desta Lisboa de becos e vielas em que todos os vizinhos se conheciam, cumprimentavam, ajudavam e também tinham as suas "tricas"?. Janelas indiscretas de onde se "tomava nota de tudo" o que acontecia e se "punha a escrita em dia". Roupa pendurada e pombos esvoaçando em espaços diminutos entre casas. Antenas e parabólicas são os únicos sinais de alguma modernidade nesta Lisboa antiga que vai desaparecendo.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Figuras e Factos (3)

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O moço de fretes
Lenta e inexoravelmente vão desaparecendo as figuras típicas de Lisboa. É assim e, ainda bem, a evolução, a ordem natural das coisas. Entre essas figuras, podem-se incluir sem qualquer favor os moços de fretes, popularmente denominados «moços de esquina», visto, por táctica profissional, estacionarem em gavetos junto aos edifícios. A maioria destes honestos trabalhadores era (ainda o são os poucos que se dedicam a este trabalho) natural da nossa região. E, entre esses, uma boa parte nascidos na freguesia do Colmeal. Ainda recordamos haver um punhado de moços de fretes, naturais do Carvalhal, concentrados no Largo do Terreirinho, Rua do Crucifixo, nos vários gavetos das Ruas dos Fanqueiros, Prata, Correeiros e Sapateiros, onde, igualmente, estacionavam variadíssimos conterrâneos do Sobral, Aldeia Velha, Açor, Malhada, Soito e Colmeal, tal, como na antiga Rua do Mundo, Largo do Carmo, S. Roque, escola Politécnica, S. Pedro de Alcântara, Rato, Jardim do Tabaco e Constantino, Braamcamp, Camões, «Duas Igrejas», Calhariz, etc. Enfim, em todos os arruamentos da Baixa, de nascente a poente e da antiga Praça da Figueira ao Terreiro do Paço, havia centenas de robustos e possantes «moços de esquina», por todos os lados, com a sua tradicional corda ao ombro para, quando preciso, atarem os fretes. Também, descendo o Chiado, junto ao elevador de Santa Justa, faziam esquina adelenses. Igualmente desde o Rossio, Restauradores, Barros Queirós, S. Lázaro, esquina com a Rua da Palma, Intendente às «cinco esquinas» (hoje só quatro), encontrávamos moços de fretes da nossa freguesia, estacionados em alegre cavaqueira ou a desabafarem mutuamente as agruras da vida (que eram muitas…), enquanto não eram requisitados por um qualquer cliente de ocasião ou de longa data. Evidentemente, nessa época, era normal na mesma esquina haver muitos moços de fretes jovens juntamente com outros mais idosos e, mesmo com muita frequência, pais e filhos lado a lado no mesmo local de profissão. Era na verdade profissão bastante dura, nalguns casos até perigosa, e nem sempre tão bem remunerada como se apregoava… Alguns, bem poucos, salvaguardaram a velhice, acabando os seus dias no torrão natal; mas os restantes? Encarregavam-se de tudo. Desde levarem malas de viajantes com colecções, colchões à cabeça, máquinas de costura às costas, armários ao ombro, latas com produtos químicos, sacas com géneros alimentícios, até mudanças de mobiliário, transportada a pé, em carroças e, mais tarde, em camionetas, sempre com a preocupação de não partirem os espelhos, não riscarem o verniz ou a pintura dos móveis. Igualmente tinham, previamente, de desmontar as mobílias, caso de camas, guarda-fatos, etc. que depois, com esmero e paciência, voltavam a montar no diferente endereço. Eram especialistas no transporte de pianos de cauda e mais pequenos, cofres, despachos marítimos e terrestres de mercadorias. Tudo resolviam com eficiência estes nossos conterrâneos. Apesar de na maioria dos casos serem iletrados, ajudaram a fundar inúmeras agremiações regionalistas – a União Progressiva da Freguesia do Colmeal foi uma – e contribuíram, por qualquer forma, para nas nossas aldeias haver melhores condições. Também era usual verem-se os «moços de esquina» nos jardins dos palacetes a «baterem» carpetes, ou, quando o freguês não possuía tais condições, as levarem para fora de portas, aí, suspensas com a corda que usavam, entre duas árvores, e, um de cada lado, aquilo é que era bater! O pó a sair e os nossos homens a suarem por todos os poros, com a camisa encharcada, que acabava por secar no próprio corpo e contraindo muitas doenças, algumas incuráveis. Normalmente a sua especialidade eram serviços pesados. Por vezes dois homens utilizavam o pau e corda para facilitar nas cargas mais pesadas. Para não calejarem o pescoço e costas, usavam como «almofada» aquilo a que chamam o «changuiço». O «changuiço», que colocavam ao pescoço, tinha a forma de ferradura em ponto grande, todo ele arredondado. No entanto, também lhes apareciam serviços leves, que por vezes eram de extrema responsabilidade ou mesmo confidenciais. A estes homens, nossos conterrâneos e não só, confiavam as mais valiosas peças de arte, ouro ou prata para irem empenhar e, depois de conseguirem em qualquer penhorista o empréstimo desejado (indicado previamente e aproximadamente pelo interessado), lá iam levar o dinheiro e a cautela de prego ao «enrascado» freguês. Como serviços confidenciais eram procurados, algumas vezes, por senhoras que, sentindo-se, ou julgando-se, atraiçoadas pelo marido, solicitavam os seus serviços para irem espreitar o consorte. Para este trabalho «fino», que não exigia esforço físico, já as coisas tinham de se processar de outra forma. Tinha de haver outro requinte. Assim o exigia a missão a desempenhar. Com a fotografia do «traidor» e outros elementos em sua posse, lá ia o nosso conterrâneo ao seu quarto (a maioria vivia em «casas de malta»), guardar o boné, no qual obrigatoriamente figurava uma chapa com o número atribuído pelo Governo Civil, barbear-se, lavar-se (caso houvesse condições para isso na habitação), vestir o seu melhor fatinho e com gravata e chapéu de feltro, já bastante coçado, saía para averiguações, após de corar mais uma vez a fisionomia daquele que figurava no retrato que lhe tinham confiado. Igualmente as «meninas da vida» os utilizavam para os mais variados recados. Talvez pela «profissão mais antiga do mundo» que exerciam, pelos «fretes» que as circunstâncias obrigavam a fazer, as «moças da vida fácil» eram as clientes mais generosas a remunerar trabalho alheio. Depois desta dissertação, sobre factos concretos e nada, mesmo nada fictícios, perguntamos porque enveredaram no passado tantos colmealenses pelo caminho de «moços de esquina»? As razões foram várias. No entanto uma, se não mesmo fundamental, foi o não terem tido acesso à cultura (uma grande parte eram analfabetos) e, não o podemos esquecer, quando migravam deixavam na maioria ficar a mulher e os filhos na terra. Por estes factores dedicavam-se a esta profissão livre para periodicamente regressarem à aldeia, se possível com algum pecúlio para pagarem ao merceeiro aquilo que as «leiras» não produziam e efectuarem a sementeira ou a colheita, conforme a estação do ano. Efectuados que fossem esses trabalhos, novamente a pé, primeiro, de diligência e mais tarde na camioneta, ainda com pneus de «bandaje», deixavam para trás a terra natal a fim de procurarem na cidade meios de subsistência que a aldeia não tinha para lhes oferecer. Era mais um período de uns quantos meses a trabalhar no duro, a escreverem (ou sendo iletrados pediam a terceiros) uma vez por mês uma carta à mulher e a juntarem-lhe uma nota, normalmente nunca mais de vinte escudos, para comprar qualquer tecido para peça de vestuário, remédios, etc. Não era difícil conseguir-se licença de moço de fretes. Entregues os documentos, entre os quais o Registo Criminal, no Governo Civil, era concedida sem problemas de maior, porque, evidentemente, nada constava em desabono do requerente. Os «moços de esquina» não beneficiavam de regalias sociais (quem beneficiava?) mas, por outro lado, também não pagavam impostos ao fisco. A esses conterrâneos do passado e presente, figuras típicas de Lisboa, homens honestos e trabalhadores, dedicamos com o maior respeito esta nossa singela crónica. De um moço de fretes, com muita saudade por nós recordado, é o nome com que, como pseudónimo, sempre subscrevemos esta secção.
DANIEL
in Boletim “O Colmeal” Nº 184, de Maio de 1982
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Como refere DANIEL na sua crónica, havia um "local de estacionamento". Pelo documento que aqui vos trazemos verifica-se que na caderneta de "Inscrição de Moço de Fretes" o Comissário da Polícia em 13 de Janeiro de 1942 fixa o "Local de estacionamento Rua do Mundo esquina da Travessa da Espera". No dia seguinte, o filho de Daniel Marques da Costa teve que ir pagar 15$00 à Secção Administrativa da Polícia de Segurança Pública. Quando mudou a sua residência foi novamente à Polícia para outro averbamento. "Passou a residir na Rua João do Outeiro, nº 13" (Lisboa, 19 de Fevereiro de 1943).
Passados todos estes anos a Mouraria, o popular bairro de Lisboa onde tantos e tantos conterrâneos moraram, está desfigurada. Algumas casas desapareceram, poucas foram melhoradas e as pessoas das nossas aldeias que lá viviam foram-se mudando. O número 13 da Rua João do Outeiro é hoje uma porta e uma janela emparedadas como se pode ver nesta foto recente. Foi um número que teve vida e onde se falava de regionalismo e da União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Ali viveu Alfredo Pimenta Brás e a sua família até que as origens os chamaram e volveram ao Colmeal, para sempre. Documento cedido por António Marques de Almeida Foto de Francisco Silva

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

UNIÃO comemorou 78 anos

. A União Progressiva da Freguesia do Colmeal comemorou no passado domingo, 20 de Setembro, 78 anos de existência. Continuando a integrar uma vertente de cultura nas suas realizações e na sequência do que tem sido feito nos últimos anos, o dia começou com uma interessante visita à Basílica e ao Palácio Nacional de Mafra.
Este Palácio, um dos mais importantes monumentos do Barroco em Portugal, começou a ser construído em 1717, quando em 17 de Novembro, D. João V lançou a primeira pedra. Compreende 1200 divisões, em que apenas uma pequena parte é visitável pelo público. Talvez a mais apreciada pela sua beleza e grandiosidade seja a Sala da Biblioteca com cerca de 40 mil volumes, verdadeira síntese do saber enciclopédico do século XVIII. Encontramos nas várias salas do Palácio magníficas obras de escultura e pintura de grandes mestres italianos e portugueses. A Basílica com a sua estatuaria e os seus seis órgãos é uma obra-prima da arquitectura setecentista e possui um conjunto único no mundo, pelas suas dimensões e beleza do seu mecanismo – os famosos Carrilhões.
O Jardim do Cerco, construído e traçado entre o Palácio e a Tapada Nacional de Mafra, consegue aliar os valores arquitectónicos e ecológicos onde se destacam os jogos de água com cascatas e lagos.
A agradável Quinta da Feteira acolheu todos os sócios e amigos que quiseram estar connosco a comemorar o 78º aniversário da União Progressiva. A boa disposição esteve sempre presente como é normal num convívio destes.
O Presidente da Direcção num breve improviso agradeceu a presença de todos e manifestou a sua satisfação por mais este aniversário. Regozijou-se com a recente atribuição de Medalhas de Mérito do Concelho a três ex-dirigentes já falecidos, lembrando que entre outros, também Simões Lopes, Martins da Cruz ou Monsenhor Duarte de Almeida são credores do reconhecimento pelo trabalho que levaram a cabo para o desenvolvimento da freguesia. Referiu-se ao passado, presente e futuro da Colectividade, um currículo riquíssimo que ainda há pouco tempo serviu de base aos formandos do RVCC na apresentação de alguns trabalhos finais. Estava ladeado por Catarina Domingos, a mais nova dirigente da União e por Mariana Brás Costa e Silva, grande responsável pelo êxito alcançado com o “Espaço da Juventude” nas recentes Festas de Verão no Colmeal, o que pressupõe que nos jovens está a certeza de continuidade para a Colectividade. Dirigiu palavras de grande apreço para António Ferreira Ramos, que após um longo internamento hospitalar, fez questão de estar presente no aniversário da “sua” União onde foi dirigente durante mais de cinquenta anos.
Os parabéns foram cantados por todos a fechar mais este capítulo no já longo historial da União Progressiva da Freguesia do Colmeal. UPFC

Região das Beiras

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Região das Beiras, “Número único dedicado às Beiras e às agremiações regionalistas beirôas na capital”, publicado em Lisboa em 20 de Abril de 1943, chegou recentemente às nossas mãos, graças à simpatia e gentileza de João Lourenço, nosso associado e Presidente da Assembleia-Geral da Comissão de Melhoramentos de Ádela. Esta publicação regionalista foi dirigida e editada por Joaquim Dias Pereira que no seu Editorial escreve: “intensifica-se dia a dia esse movimento propulsor e verdadeiramente salutar a que, com propriedade, se convencionou denominar regionalismo.” Mais adiante, Joaquim Dias Pereira diz que “para defender a nobre causa regionalista em prol do bem comum, só se exige que sejamos portugueses, bons regionalistas e amantes do torrão natal” e que é “a recordação do passado, desses campos onde passámos os primeiros anos da nossa existência, que nos obriga a lutar pelo progresso da nossa região sem ambicionarmos outra recompensa que não seja a consciência do dever cumprido, trabalhando pelo interesse da comunidade com espírito de abnegação.” Muitas são as associações e figuras do regionalismo que encontramos nas páginas desta publicação. Beirões ilustres, o regionalismo e a imprensa ou a actividade dos beirões na capital, são alguns dos “capítulos” deste número. A União Progressiva da Freguesia do Colmeal também tem direito a uma referência muito especial incluindo catorze fotografias de “Os fundadores e paladinos da Freguezia do Colmeal” e que pelo seu interesse a seguir transcrevemos: “Fundada, guiada e mantida por modestos trabalhadores, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal tem sabido marcar brilhantemente a sua posição regionalista e muito lhe deve já a freguesia que representa. Temos acompanhado esta organização desde o seu início e estamos familiarizados com os seus dirigentes, sentindo-nos bem entre eles. De quanto é capaz o ingente esforço destes homens, está bem patente aos olhos de toda a gente na estrada em construção entre o Rolão e Colmeal; o importante melhoramento que constitui o chafariz do Colmeal é outro título de glória para a União Progressiva dos colmealenses, principalmente para os dirigentes. A obra já realizada por esta instituição é bem um milagre da prodigiosa força de vontade de um punhado de bairristas, os quais, não possuindo mercês honoríficas ou qualquer condecoração podem bem considerar-se uns beneméritos tal é o esforço que abnegadamente tem dispendido pelo bem comum da sua freguesia. A ideia da fundação deste organismo germinou um dia no cérebro do Sr. Abel Joaquim de Oliveira, inspirado no exemplo de outras actividades de agremiações regionalistas que os jornais de Arganil publicavam semanalmente. Interessou-lhes aquela doutrina e, para conhecer bem o assunto prontificou-se a fazer parte da direcção do Grémio da Comarca de Arganil. Depois apresentou as suas sugestões ao seu conterrâneo Senhor José Antunes André, humilde como ele e também possuído de boas qualidades. Os dois acordaram em começar a trabalhar, pedindo aos seus conterrâneos que os acompanhassem – e assim se formou esta prestimosa agremiação. Mais tarde tiveram a adesão dum elemento de valor, o Senhor Manuel da Costa, que assumiu a presidência da direcção e fez entrar em nova fase de progresso com notável evolução; tendo até realizado uma excursão ao Colmeal, acompanhada dos representantes dos jornais de Arganil, cujas reportagens foram de notável sucesso para a colectividade e muito a prestigiaram e acreditaram perante as entidades superiores. Muito tem também contribuído para o triunfo da União Progressiva e para o bom êxito dos empreendimentos por ela patrocinados, o Senhor Acácio Mendes da Veiga, colmealense prestimoso e verdadeira alma bairrista e amigo dos seus conterrâneos. Agora acabam os dirigentes desta colectividade de criar uma Secção de Beneficência, cuja comissão directiva é presidida pelo Sr. Manuel da Costa, muito havendo a esperar do seu espírito de iniciativa e da sua bela alma, que sinceramente admiramos e a quem muito queremos como amigo pessoal e como homem de carácter bem formado. A «Região das Beiras» ao dirigir os seus louvores a estes homens modestos mas valorosos procede à margem de toda a lisonja e apenas no louvável intuito de que as nossas palavras lhes sirvam de incentivo para prosseguirem na sua obra em benefício da freguesia que a União Progressiva representa, a bem da sagrada causa do progresso.” Nota: As legendas dos dois últimos grupos de fotografias estão trocadas. Fernando Costa sob o pseudónimo de Daniel, no extinto Boletim “O Colmeal”, Nº 179, de Dezembro de 1981, na sua coluna “Figuras e Factos”, refere-se a uma viagem que Joaquim Dias Pereira e Luís Ferreira fizeram ao Colmeal em 22 de Junho de 1935. O primeiro, autor do romance «Serrano Heróico», editor da «região das Beiras» e redactor do «Jornal de Arganil»; o segundo, redactor de «O Século» e de «A Comarca de Arganil». A. Domingos Santos

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

EspaçoArte tem nova oferta

O EspaçoArte vai ser enriquecido com um novo quadro, oferecido por Margarida Adelaide Granjo dos Reis, mais conhecida por "Guilay". Filha e neta de grandes regionalistas (Horácio Nunes dos Reis e António Nunes dos Reis), Guilay passou também pela "escola do regionalismo", a Comissão de Juventude da União, ao tempo caso único no meio. Guilay teve a gentileza de nos oferecer este quadro pintado por si e que já mostrámos aquando do piquenique em Agosto, no Parque de Merendas das Seladas. Estamos convencidos que estará junto de nós quando o colocarmos no EspaçoArte, no Centro Paroquial Padre Anselmo. Obrigado Guilay!
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UPFC

Freguesia do Colmeal (História) V

PASSADO – PRESENTE
Capítulo V
a) Origem da povoação ao Canto b) Valados da Cova ao Curtinhal c) Indústria de Cerâmica e Olaria Tudo nos indica que a povoação se iniciou ao Canto, não só por meras suposições, mas sim por fortes razões naturais que passamos a explicar: o foco principal desta afirmação é a sua relativa planície e muito em especial a posição cardeal em que se encontra, ficando voltado para nascente, recebendo assim a luz solar durante todo o dia de que beneficiavam, como é lógico, as habitações ali construídas que consequentemente usufruíam uma maior e mais duradoira iluminação natural em relação a qualquer outro local. Mas, e para além de todas estas suposições de origem natural, outras de ordem toponímica nos levam a aceitar como tendo sido ao Canto a origem do nosso Colmeal. Como tal temos a própria palavra Canto que significa: superfície, lugar afastado, sítio esconso. Esconso: inclinado, oblíquo, pendido. Superfície: que traduz a parte superior dos corpos (isto em sentido figurado). Ora em contraste com todos os terrenos que circundam o local, temos de concordar e é «uma superfície ligeiramente inclinada ou pendida e superior em relação e nível ao restante». A povoação abastecia-se de água de nascente da ravina da Fontinha (1) e a qual ia para o Canto através do que restava da levada construída séculos antes pelos romanos. Tomando em consideração que são parcialmente artificiais os valados contínuos em forma de semi-círculo (2), desde a Cova, Estreitinho ao Curtinhal, onde existe veia de barro, temos de visionar que o local teria sido um «plano», embora sem algum fundamento que certifique integralmente as ideias. Estes valados iniciados por nossos avoengos, para extracção de barro, chegaram ao presente como autênticas trincheiras, motivado pela erosão e mutação constante da natureza, porque com tão reduzido número de habitantes (3) era impossível a sua abertura ter sido totalmente efectuada pelo braço do homem. As regulares quantidades camadas de tijolos que surgiam quando de escavações efectuadas outrora levam a crer (4) ter existido indústria de olaria e cerâmica, a qual acabou por se perder, não chegando a nossos dias fragmentos dessa laboração nem a sua transmissão de ascendentes para descendentes. (1) Era uma ravina, visto o largo e terrenos de cultivo sobrepostos ao fontanário serem aterros artificiais. (2) Analisado da «Poesia», o Bairro da Eira, dá o aspecto de formar uma «ilhota», motivado pelo declive em direcção ao rio e da «ferradura» que formam os valados. (3) Em 1527, existiam somente 24 habitantes. (4) Esses tijolos que dizem apareciam outrora com frequência e em quantidades regulares não provam ter existido indústria de cerâmica. A base número um seria encontrar-se um forno de épocas remotas. Essa abundância de tijolos teria sido derivada de destruição de restos desses fornos? in Boletim “O Colmeal” Nº 106, Julho de 1970

sábado, 12 de setembro de 2009

A UNIÃO VAI VISITAR O PALÁCIO NACIONAL DE MAFRA

. A União Progressiva da Freguesia do Colmeal no dia em que comemora os seus 78 anos de existência vai visitar o Palácio Nacional de Mafra (antigo Real Convento de Mafra), considerado o mais importante monumento do barroco português.
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O Palácio foi mandado construir por D. João V (1689-1750), em cumprimento de um voto para obter sucessão do seu casamento com D. Maria Ana de Áustria, ou a cura para uma grave enfermidade de que padecia. O conjunto arquitectónico desenvolve-se simetricamente a partir de um eixo central, a Basílica, ponto culminante de uma longa fachada ladeada por dois torreões.
Construído em pedra lioz da região de Pêro Pinheiro e Sintra, o edifício ocupa uma área de 37 790 m2, compreendendo 1200 divisões, mais de 4700 portas e janelas, 156 escadarias e 29 pisos e saguões. Aqui trabalharam operários vindos de todo o reino, chegando a atingir cerca de 50 000 num mesmo ano. Tal magnificência só foi possível devido ao ouro proveniente do Brasil, que permitiu ao monarca pôr em prática uma política mecenática e de reforço da autoridade régia. A direcção da Real Obra foi entregue a João Frederico Ludovice, ourives alemão, mas com formação de arquitecto em Itália. O modelo adoptado inspira-se na Roma Papal, um barroco influenciado por Bernini, sem esquecer algumas influências germânicas.
A 17 de Novembro de 1717 lançou D. João V a primeira pedra, abençoada pelo Patriarca de Lisboa Ocidental perante toda a Corte. Pensado inicialmente para treze frades, o projecto sofrerá entretanto sucessivas alterações para comunidades de 40, 80 e, finalmente, 300 religiosos. No domingo 22 de Outubro de 1730, data do 41º aniversário do Rei, realizou-se a Sagração Solene da Basílica, dedicada a Nossa Senhora e Santo António, que durou oito dias no meio de um fausto e magnificência nunca vistos.
Para o Real Convento de Mafra encomendou o monarca obras de escultura e pintura de grandes mestres italianos e portugueses, bem como, em França e Itália, todos os paramentos e alfaias religiosas. Na Flandres encomendou ainda dois carrilhões com 92 sinos, que constituem o maior conjunto do mundo. Este monumento possui uma das mais importantes bibliotecas portuguesas com cerca de 40 000 obras, verdadeira síntese do saber enciclopédico do século XVIII. Muitos destes volumes foram encadernados nas oficinas que funcionavam junto à Casa da Livraria, projectada por Manuel Caetano de Sousa em estilo rocaille, por encomenda dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho.
Visitado apenas por curtos períodos pela Família Real, este Palácio foi, no entanto, habitado durante todo o ano de 1807 por D. João VI (1767-1826), antes da partida da Corte para o Brasil em consequência das Invasões Francesas. Com este monarca teve início um programa decorativo de que são exemplo as pinturas murais de algumas salas, como a Sala do Trono, da Guarda e de Diana. Também neste período, foram encomendados seis novos órgãos para a Basílica. Regressada a Portugal, a Corte retomou o hábito das visitas a Mafra para celebrar algumas festas religiosas ou passar parte do Verão caçando na Tapada. Foi deste Palácio que o último rei de Portugal, D. Manuel II, partiu para o exílio, a 5 de Outubro de 1910, depois de proclamada a República.
Para os altares da Real Basílica, para as diversas capelas e áreas conventuais, como a portaria e o refeitório, D. João V encomendou uma colecção de pintura religiosa que se conta entre as mais significativas do século XVIII. A colecção de escultura compreende toda a estatutária da Basílica, encomenda joanina a grandes mestres italianos, constituindo a mais significativa colecção de escultura barroca existente em Portugal, a qual inclui ainda os seus modelos em terracota, bem como a produção da Escola de Escultura de Mafra, aqui criada no reinado de D. José I (1714-1777). A colecção de paramentos é também de encomenda real em Itália (Génova e Milão) e em França. São obras de grande qualidade de execução, distinguindo-se das suas contemporâneas por serem bordadas com a técnica do ouro, mas utilizando apenas o fio de seda desta cor.
O Jardim do Cerco que também merecerá a nossa visita, foi construído e traçado entre o Palácio e a Tapada de Mafra, a maior zona natural murada a nível nacional. Este jardim tem o potencial único de articular os valores arquitectónicos e ecológico e juntar as duas peças da mais forte afirmação cultural da época barroca em Portugal. Como jardim barroco, destacam-se os jogos de água com cascatas e lagos, bem como os caminhos largos propícios à conversa e à contemplação.
Depois desta visita seguiremos para a Quinta da Feteira, em Fazendas de Almeirim, onde será servido o almoço e mais tarde o lanche. Como já foi anunciado haverá música para dançar e bar aberto toda a tarde. Informação retirada do Guia do Palácio Nacional de Mafra
Fotos de António D. Santos

Tempos de Crise

Lisete de Matos
Açor