terça-feira, 28 de julho de 2009

Festas de Verão no Colmeal

.
(clicar no cartaz para ampliar)
O Colmeal vai estar em festa daqui a duas semanas. De 7 a 10 de Agosto o Colmeal estará diferente, mais alegre e mais concorrido. Muitas casas vão abrir-se para receber os seus filhos. Amigos voltarão a reencontrar-se passado um ano. A União Progressiva assumiu mais uma vez a realização dos festejos e o programa segue o figurino dos anos anteriores. Jogos tradicionais da malha e da sueca, provas de atletismo e natação, jogo de futebol, tiro ao alvo e este ano, pela primeira vez, uma pequena prova de ciclismo. Nas noites de sábado e domingo dois conjuntos musicais irão fazer com que todos dancem e se divirtam. As habituais cerimónias religiosas ocuparão a manhã de domingo e a Banda de Góis dará um concerto na parte da tarde, no Largo D. Josefa das Neves Alves Caetano. Por iniciativa da Junta de Freguesia do Colmeal será inaugurado o Caminho Alfredo Alves Caetano. A quermesse voltará a ter bons prémios, muitos dos quais foram oferecidos pelos nossos associados e amigos. A segunda-feira vai ser ocupada com o tradicional piquenique no Parque de Merendas das Seladas. Este ano iremos poder apreciar de novo o Rancho Serra do Ceira que se encontra em fase de recuperação. As Festas de Verão terão o seu final na noite de segunda-feira com o "Espaço da JUVENTUDE". Não vamos adiantar pormenores mas temos a certeza de que o Largo vai ser pequeno para acolher todos aqueles que não vão querer perder esta iniciativa dos mais jovens. Venha, porque vai valer a pena.
Esperamos por si!
PROGRAMA
Sexta-Feira, 7 de Agosto 20h00 – Abertura das festividades c/ Aparelhagem “SOM ARGUS” 21h00 – Inicio do Campeonato de Sueca Sábado, 8 de Agosto 09h00 - Provas de atletismo e Ciclismo 16h00 – Provas de Natação 18h00 – Procissão Seladas-Colmeal 19h00 – Jogo de Futebol 20h00 – Abertura da Quermesse 21h00 – Final do Campeonato de Sueca 22h00 – Actuação do Conjunto Musical “MP5” Domingo, 9 de Agosto 09h00 – Recepção da Banda de Góis 11h00 – Cerimónias Religiosas com Procissão 15h00 – Reabertura da Quermesse 15h30 – Inauguração do Caminho Alfredo Alves Caetano 16h00 – Concerto pela BANDA DE GOIS 19h00 – Despedida da Banda de Góis 22h00 – Actuação do “FLASH – duo musical” Segunda-Feira, 10 de Agosto 09h00 – Procissão Colmeal-Seladas 10h00 – Campeonato de Malha 13h00 – Pic-Nic no Parque de Merendas das Seladas ..........Sardinha assada e porco no espeto ..........Surpresas diversas 15h00 – Campeonato de Tiro ao Alvo 17h00 – Distribuição de Prémios das Provas Desportivas ..........e Jogos Tradicionais 18h30 – Actuação do RANCHO SERRA DO CEIRA 21h00 – Espaço da JUVENTUDE UPFC

Espaço da JUVENTUDE

(clicar no cartaz para ampliar)

Juventude Colmeal

Até quando?...

Casa que já foi grande. Casa que já foi farta. Vendida. Revendida. Restos de paredes que são um perigo para quem por ali passa. Para quando uma solução? A. Domingos Santos Fotos de A. Magalhães Pinto

domingo, 26 de julho de 2009

AÇOR - Colmeal

.
FESTAS DE NOSSA SENHORA DA SAÚDE

1 e 2 de Agosto

(clicar no cartaz para ampliar)
PROGRAMA Sábado, 1 de Agosto 09h00 – Inicio dos Festejos 10h00 – Missa 15h00 – Campeonato da Sueca 22h00 – Actuação de LUIS GONÇALVES Domingo, 2 de Agosto 10h00 – Continuação das Festas 14h00 – Torneio de Malha 18h00 – RANCHO FOLCLÓRICO SERRA DO CEIRA 22h00 – Actuação do Grupo RITMOFONIA

Festival Olímpico da Juventude Europeia

Jovens atletas portugueses, cerca de sessenta, estiveram presentes no recente X Festival Olímpico da Juventude Europeia (FOJE). Entre eles estava Inês Duarte Martins, oriunda do Colmeal, que se deslocou à Finlândia para competir nas provas de natação. No total estavam representados 49 países com cerca de dois mil e quinhentos atletas, em que estes tinham obrigatoriamente menos de 17 anos e em que tudo permitia recriar o espírito olímpico. A participação nas diversas modalidades está sujeita a critérios rigorosos a nível internacional, o que mais vem valorizar a presença da "nossa" Inês. Na fotografia podemos vê-la (com os seus cabelos compridos) a agitar uma bandeira nacional. Esperamos voltar a vê-la no próximo mês de Agosto, no Colmeal, nas provas de natação organizadas pela União Progressiva. Sem necessidade de atingir mínimos para poder competir... esperamos por ela e pela sua alegria. Foto do Jornal "A Bola"

Foi assim...

Foi assim a Festa no Colmeal há alguns anos atrás. Reconhecemos muitos dos que aqui vemos nestas fotos. E como será este ano? Vamos aguardar porque já falta pouco. Fotos de Artur Domingos da Fonte

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Carvalhal do Sapo

. Em colaboração entre a União e Progresso do Carvalhal e a Junta de Freguesia do Colmeal foram realizados no Carvalhal do Sapo mais três melhoramentos:
O primeiro trata-se da canalização da água para rega da Fonte da Lameira até ao tanque geral de rega, este melhoramento é muito importante para o aproveitamento total da água dos Ameais e da fonte da Lameira.
O segundo melhoramento, também importante, foi a canalização das águas pluviais e de alguns esgotos domésticos de junto da povoação para a Vergada (local isolado e distante da povoação, a cerca de mil metros). Aproveito para chamar a atenção dos autarcas de Góis para a grande urgência do saneamento básico na povoação do Carvalhal do Sapo, pois só com a execução do mesmo será possível evitar descargas domésticas para a doméstica para a conduta de águas pluviais.
O terceiro melhoramento, aproveitando o facto de ser necessário, além de uma vala na quelha da fonte para a passagem do tubo das águas pluviais, foi a respectiva calçada beneficiada com um tapete de cimento, tornando-a assim mais cómoda para os peões.
Existe também a promessa da Câmara Municipal de Góis da cedência de alguns materiais para a continuação das obras da casa de convívio. Esperamos que esta colaboração entre a União e Progresso do Carvalhal e as autarquias seja para continuar no futuro, e não seja só porque estamos em ano de eleições.
Almeida Santos
in O Varzeense, de 15/07/2009

Clube de Contadores de Histórias (VI)

A Flor da Alegria
O João e a Rosalinda viviam na mesma cidade, na mesma rua e em casas mesmo encostadinhas. Tão encostadinhas que só um muro separava os dois quintais – o quintal do João e o quintal da Rosalinda. Mas como os dois amigos passavam o tempo a saltar o muro – ora salto eu para o quintal da Rosalinda, ora salto eu para o quintal do João – os pais de ambos resolveram deitar abaixo o muro e ficaram com um grande e belo quintal para todos. E era no quintal, debaixo da laranjeira grande, que os dois amigos mais gostavam de brincar. E que brincadeiras! Ele eram corridas, ele eram gargalhadas, ele eram cantigas! Até a D. Gertrudes, avó da Rosalinda, dizia rindo também: — Ai, estes risos! Como eles me fazem bem! Mas um dia... a Rosalinda não apareceu debaixo da laranjeira grande. Preocupado, João foi logo a correr a casa da amiga. Estaria doente? Foi a mãe de Rosalinda que abriu a porta e disse: — A Rosalinda está na sala. Já chamámos o médico. Não tem febre, não tem dores, parece que nem tem nada, mas está tão triste! É que, sabes, a tristeza pode ser uma doença. Então João entrou na sala e encontrou a amiga sentada numa cadeira, com a cabecinha muito direita, as trancinhas negras caídas nos ombros, os olhos parados, as mãos imóveis... e caído aos seus pés o Bebé, seu boneco preferido, com uma lágrima redondinha como uma pérola a deslizar nas suas bochechas rosadinhas. Era isso, então, concluiu o João. A Rosalinda estava doente de tristeza. Nessa noite, João deitou-se, muito triste também, a pensar na amiga. Os seus olhos fecharam-se e ele ouviu, vinda não sabia de onde, uma voz misteriosa que dizia: — Só tu podes salvar Rosalinda. Sobe ao pico mais alto das Montanhas da Neve e lá encontrarás a Flor da Alegria. Colhe-a e trá-la contigo, pois só ela pode salvar a tua amiga. Então João pôs-se a caminho das Montanhas da Neve. Quando se preparava para começar a subida, apareceu-lhe no caminho um dragão, com a sua cauda de serpente e as suas asas a vibrar de fúria: — Não sabes que eu sou o guardião destas Montanhas? Não sabes que nunca ninguém por aqui conseguiu passar? — Mas eu tenho de subir ao pico mais alto das Montanhas da Neve para colher a Flor da Alegria e salvar a minha amiga Rosalinda que está doente de tristeza — explicou o João. O dragão, indeciso, coçou com as suas fortes garras a cabeça coberta de escamas e, mais brando, disse: — É bonito isso da Amizade! Olha, poderás subir ao pico mais alto das Montanhas para colheres a Flor da Alegria, mas terás de vencer três provas muito difíceis para mostrares que és mesmo amigo da Rosalinda. É que a Amizade não é coisa fácil, sabes? E João, ao recordar a carinha triste da amiga, encheu-se todo de coragem e prometeu ao dragão: — Faço tudo, mesmo tudo o que for preciso, para salvar Rosalinda. — Isso que disseste é bonito também. Agora vou dizer-te as três provas que terás de vencer para chegares ao pico mais alto das Montanhas da Neve: entrar na Caverna dos Leões Ferozes; trazer a coroa de diamantes da Rainha das Fadas que está no ramo mais alto da mais alta árvore do Bosque dos Abetos; e, por fim, atravessar o Lago das Águas Verdes. Então encontrarás a Flor da Alegria — e o dragão desapareceu numa nuvem de fogo. E o João continuou a caminhar. Numa clareira, encontrou um leão bebé, de pêlo dourado, que brincava, pulava e rebolava sobre um tapete macio feito de musgo verde e folhas caídas das árvores. João parou um bocadinho a olhar encantado o leãozinho quando ouviu, atrás de si, um barulhinho leve. Era um tigre felino, de pêlo amarelo e pescoço listrado de preto, que se preparava para atacar o leão bebé. Então, sem pensar no perigo, João deu um salto, agarrou o leãozinho e escondeu-se com ele numa caverna escura que se abria mesmo ao lado da clareira. Do lado de fora, o tigre bem tentava atacá-los, mas a entrada da caverna era estreita e ele não conseguia entrar. Por fim, foi-se embora, rugindo um forte rugido de cólera. Quando o nosso herói se preparava para partir, apareceram, vindos do outro lado da caverna, o Pai Leão, a Mãe Leoa e, pulando à volta deles, três filhotes, irmãos do leão bebé. — Obrigada por salvares o nosso filho — disse a Mãe Leoa, aconchegando a si o leãozinho, com a sua pata macia. — Ele é muito desobediente. Saiu sozinho da caverna e só a tua coragem o salvou — disse o Pai Leão, agitando a sua farta juba, em sinal de agradecimento. Que podemos fazer por ti, amigo? E o João falou: — Eu tenho de entrar na caverna dos Leões Ferozes para subir ao pico mais alto das Montanhas da Neve e aí colher a Flor da Alegria para salvar a minha amiga Rosalinda que está doente de tristeza. — Mas a caverna dos Leões Ferozes é esta. E, olha, nós não somos ferozes. Só atacamos os outros animais para nos defendermos ou quando temos muita fome. Agora vamos contigo até ao outro lado da caverna. É lá que fica o caminho para o pico mais alto das Montanhas da Neve. E os leões acompanharam o João até à saída da caverna e despediram-se com grande amizade. João olhou para o alto pico coberto de neve e, enchendo-se de força, começou a subida. Ia a atravessar um bosque muito verde e cerrado quando ouviu lá do cimo: — Ai! Ai! Ui! Ui! Ai! Ui! Olhou e viu um macaquito muito aflito com o rabito enrolado no ramo de uma árvore. — Ajuda-me cá! Ajuda-me cá! — pediu o macaquito. — Estava aqui a ensaiar saltos mortais para a grande Festa dos Macacos que é já amanhã quando o meu rabo (sabes, o rabo dos macacos é muito importante) se me enrolou neste ramo. E agora aqui estou preso. Achas que podes libertar-me? O João que, como já adivinharam, era muito amigo dos animais, não se fez rogado. Trepou até ao ramo onde estava o macaquito e desenrolou com todo o cuidado o seu rabito. — Ora aqui estou eu livre de novo. E com o meu rabinho inteiro! Estou-te muito agradecido. O que posso fazer por ti, amigo? — Eu tenho de ir buscar a coroa de diamantes da Rainha das Fadas que está no ramo mais alto da mais alta árvore do Bosque dos Abetos. — Mas o Bosque dos Abetos é aqui. E a mais alta árvore do bosque é esta mesma onde nós estamos. Espera um instantinho que eu sou um macaquito ágil e bom trepador e vou retribuir-te o teu favor. E o macaco subiu ao ramo cimeiro da árvore e voltou com uma coroa de diamantes que brilhavam como mil estrelas acesas. E, com muitos abraços e agradecimentos, despediram-se e cada um seguiu o seu caminho. E João andou, andou, andou, já muito cansado, mas com os olhos pregados no pico mais alto das Montanhas da Neve onde crescia a Flor da Alegria que iria salvar a sua amiga Rosalinda que estava doente de tristeza. Até que chegou às margens do Lago das Águas Verdes. E, no meio dos altos arbustos, foi encontrar, ferida, uma Águia Real que em vão tentava voar, batendo as suas enormes asas, aflita e sofredora. — Águia Real, está sossegada. Eu vou tratar de ti e poderás voar de novo. E João ficou nas margens do Lago das Águas Verdes durante três dias e três noites para tratar a Águia Real. Por fim, ela conseguiu erguer-se e ensaiou um pequeno voo. — Já posso voar de novo! Como te estou agradecida! Que posso fazer por ti, amigo? — Eu tenho de atravessar o Lago das Águas Verdes, subir ao pico mais alto das Montanhas da Neve e colher a Flor da Alegria para salvar a minha amiga Rosalinda que está doente de tristeza. — Nada mais fácil. O meu ninho é mesmo lá no pico mais alto das Montanhas. Sobe para cima de mim sem medo. Nós, as Águias Reais, somos as mais fortes e as mais corajosas das aves. E João, agarrado ao pescoço da sua amiga, voou muito alto, sobre o lago das Águas Verdes. E todos os animais do bosque levantaram para o céu uns olhos redondos de espanto. E até os peixinhos do lago puseram de fora as cabecinhas curiosas. É que nunca ninguém tinha visto um rapazinho voar montado numa Águia Real! A Águia pousou no pico mais alto das Montanhas da Neve, despediu-se do amigo e voou para o seu ninho. E ali mesmo, no meio da neve, abrigada de todos os ventos por um rochedo, João encontrou a Flor da Alegria. O seu pé era delicado e frágil, as suas folhas tinham a forma de um coração e as suas pétalas tinham a cor quente da amizade. Então, com muito cuidado, João colheu a Flor, apertou-a contra o coração, desceu as Montanhas da Neve a correr e a correr entrou na casa de Rosalinda. Já ela estava sentada na sua cadeira, com a cabecinha muito direita, as trancinhas negras caídas nos ombros, os olhos parados, as mãos imóveis... e caído aos seus pés o Bebé, seu boneco preferido, com uma lágrima redondinha como uma pérola a deslizar nas suas bochechas rosadinhas. João colocou a Flor da Alegria nas mãos de Rosalinda. Então uma estrelinha, muitas estrelinhas começaram a brilhar nos olhos da amiga. Ela sacudiu a cabeça e as suas trancinhas negras começaram a bailar para um lado, para o outro. Depois as suas mãos apanharam o Bebé e secaram a lágrima-pérola das suas bochechinhas rosadas. E virou-se para o João a rir. E o seu riso era tão alegre, tão claro, tão cristalino que ele começou a rir também. E a partir desse dia voltaram as brincadeiras debaixo da laranjeira grande. E que brincadeiras! Ele eram corridas, ele eram gargalhadas, ele eram cantigas! Até a D. Gertrudes, avó da Rosalinda, dizia rindo também: — Ai, estes risos! Como eles me fazem bem! E a Flor da Alegria? Essa não morreu nunca. Ficou a morar para sempre no coração do João e no coração da Rosalinda.
Manuela Monteiro A flor da alegria Porto, Campo das Letras, 2006
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

terça-feira, 21 de julho de 2009

Malhada e Casais - Festas de Verão 2009

.
Aproxima-se o grande momento do ano para as nossas aldeias, uma época durante a qual a população aumenta ao ponto de fazer lembrar outros tempos.
O prometido é devido! - inscrição na lápide da Capela de São José
As tradicionais Festas de Verão de 2009 na Malhada e Casais, que irão decorrer nos próximos dias 9 a 11 de Agosto - Domingo a 3a feira, terão muita animação à sua espera:
Domingo, 9 de Agosto 08h30 - Início das Festas 15h00 - Abertura da Quermesse 15h30 - Campeonato de Chinquilho 19h00 - Actuação do Rancho Folclórico Serra do Ceira 21h00 - Música de baile 21h30 - Campeonato de Sueca Segunda-Feira, 10 de Agosto 10h00 - Provas de atletismo: 10h00 - Iniciados, dos 6 aos 10 anos de idade 10h30 - Juvenis, dos 11 aos 16 anos de idade 11h00 - Barrigudas 11h30 - Barrigudos 12h00 - Seniores 15h00 - Final do campeonato de Chinquilho 16h00 - Final do campeonato de Sueca 21h30 - Música de baile 22h30 - Leilão de ofertas Terça-Feira, 11 de Agosto 11h00 - Missa na Capela de S. José 12h00 - Procissão à Capela de Nª. Sra. de Fátima 12h45 - Leilão de ofertas 21h30 - Baile com o grupo musical ABSF 22h30 - Leilão de ofertas 23h30 - Continuação do baile
Quando foi a última vez que visitou a Malhada e Casais?!
Aproveite esta ocasião para regressar à sua aldeia e reencontrar velhos companheiros.
Ponha à prova a sua perícia nas provas desportivas, ofereça uma rodada aos seus amigos na Casa de Convívio, licite uma garrafa, dance na nossa praça... Apareça e divirta-se connosco!
in http://malhadaecasais.blogspot.com

Tradições

2. A colheita e o acondicionamento do milho Como em todas as aldeias da nossa zona, o milho era o cereal predominante sendo semeado entre Março e Maio e colhido entre a Setembro e Outubro, sendo que estas datas estavam associadas à natureza das terras, em que as de sequeiro eram, naturalmente, aquelas em que as sementeiras e as colheitas ocorriam mais cedo (que produziam o milho temporão), ao passo que os lameiros eram aquelas em que as sementeiras e colheitas corriam mais tarde (que produziam o milho mais serôdio).
Após a colheita, era feita a “escapelada”, que consistia na retirada das “capas” que cobrem as espigas, o que em boa parte das zonas do país se designa de “desfolhada”, trabalho este que era feito quase sempre de forma colectiva, à semelhança do que ocorria com a “debulha”. Num dia “escapelava-se” ou “debulhava-se” o milho de um vizinho, noutro dia o do outro e por aí fora.
Na ausência de máquinas (só mais tarde alguns agricultores mais abastados possuíam pequenas debulhadoras), a debulha tinha duas partes distintas: na primeira o milho era colocado num monte e “malhado” com paus duros de azinho e outras madeiras da zona, a fim de que por essa forma fossem extraídos a maior parte dos grãos. Este trabalho era sobretudo feito por homens. Após esta fase era necessário passar espiga a espiga a fim de retirar os grãos que não tinham sido extraídos com a “malhada”, tarefa esta que era feita directamente com as mãos ou com a ajuda do que restava de uma espiga já sem grãos (casulo).
O trabalho colectivo custava menos e era mais animado, juntando novos e velhos, havia cantorias, contavam-se anedotas às vezes petiscos e histórias de namoriscos, ou o desvendar de alguns segredos, por vezes inconvenientes.
Nas aldeias escondidas na serra, sem luz eléctrica e actividades de divertimento, estes momentos seriam sem dúvida dos mais desejados pelos mais jovens, para alguns encontros tolerados, uns cruzar de pernas ou mesmo uns beijos no escuro quando, por qualquer motivo, muitas vezes voluntário, se apagavam as ténues luzes de azeite ou petróleo, então utilizadas.
O aparecimento de espigas de milho de cor rara, entre o azul e o roxo, que na zona designamos de “xi-coração”, mas que noutras zonas é também designado de “milho-rei”, era também uma oportunidade para brincadeiras entre os participantes nas debulhas, muitas das vezes aproveitada para proporcionar a troca de beijos e outras carícias entre rapazes e raparigas.
Debulhado o milho, era necessário levantá-lo ao vento a fim de eliminar as impurezas, sendo posteriormente estendido, ao sol, durante vários dias, em mantas de farrapos e “toldos”, a fim de obter uma secagem adequada à conservação e à aquisição da dureza própria para o processo de moagem.
Após a secagem o milho era guardado em arcas de madeira até à colheita seguinte, de onde ia sendo retirado à medida das necessidades para o fabrico de farinha ou para a alimentação dos animais.
Para além do fabrico da broa e da sua utilização para a alimentação animal, o milho tinha também vários usos culinários, de que se destacam os carolos, as papas de milho, os nabos com farinha, etc. António Duarte – Comissão de Melhoramentos do Soito

ANUÁRIO COMERCIAL DE GOES DE 1910

.
Por nos parecer bastante interessante para todo o Concelho, aqui transcrevemos o que referia sobre o nosso Concelho o último "Anuário Comercial" publicado no Reino de Portugal, nos primeiros meses de 1910, ainda Portugal era uma Monarquia: Para alguns esta nossa iniciativa não terá nenhum interesse, mas para outros, esperemos que muitos, dará um certo prazer encontrar aqui uma referência a um avô, a um bisavô, ou a mais que um, ou mesmo apenas a um parente ou a alguém que se conhece ou de que já se ouviu falar. Esta é também uma das "missões" do nosso modesto "Museu do Esporão", e não iremos ficar por aqui. (Mantivemos a caligrafia antiga do documento, mesmo assim não estamos isentos de nos termos enganado uma ou outra vez, dada a extensão da transcrição, contamos com quem nos lê para apontar esses possíveis lapsos, para posterior emenda)
COLMEAL:
S. Sebastião ( a 15 K. de Goes e a 50 K. da estação de Coimbra). Parocho: Manoel Alves Ribeiro. Regedor: Antonio Braz da Silva. Correio: Encarregado: José Francisco Mendes. Distribuidor rural: José Antão da Costa. Alfaiates: Antonio Maria Mendes. Manoel Marques Barrocas. Barbeiro: Antonio d'Almeida Freire. Carpinteiros: António da Costa d'Almeida. Francisco Antunes da Silva. Lino d'Ascenção. Commerciantes: António d'Almeida. Joaquim Dias Duarte de Almeida. José Francisco Mendes. Manoel Braz da Costa. Lavradores ou Agricultores: António d'Almeida Freire. António Braz da Silva. José Francisco Mendes. José Nunes de Almeida. Pedreiro: Manoel Joaquim d'Oliveira. Professora: Júlia dos Santos. Sapateiros: Adelino Braz d'Almeida. Manoel Martins d'Almeida.
.
in http://museudoesporao.blogspot.com

Filha da humidade

Foto de António Marques de Almeida

quinta-feira, 16 de julho de 2009

SaxAcordeaon no Colmeal

No âmbito das comemorações do Góis Arte 2009, sob o signo “A criança e a sociedade”, realizou-se no passado dia 11 de Julho, no Centro Paroquial Padre Anselmo, pelas 22h.00m. um concerto abrilhantado pelo duo SaxAcordeaon.
O duo SaxArcordeaon é composto por Nelson Almeida e Nuno Silva que optaram por unir o acordeão e o saxofone na interpretação das obras de Vitorino Matono, Piazzola, Jorge Salgueiro, Dmitri Schostakovich, Jean‐Pierre Solves, Mário Pagotto, entre outros.
O salão do Centro Paroquial Padre Anselmo estava muito bem representado e a noite ficou marcada pela mestria e qualidade do duo.
Mais uma vez, a freguesia do Colmeal, congratulou-se por ter sido contemplada por uma iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Góis, em colaboração com a Junta de Freguesia do Colmeal, permitindo que se passassem bons momentos de convívio e cultura.
UPFC – Delegação no Colmeal

Porto Ribeiro

Antigamente a água passava de um lado para o outro por caleiras de madeira ou de folha. Hoje, passa por canos. Antigamente os campos estavam tratados. Hoje... Fotos de António Marques de Almeida

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Clube de Contadores de Histórias (V)

Amor com amor se paga
Ia um Cágado para casa com um saco de milho às costas. A dada altura encontrou um grande tronco de árvore atravessado no caminho. Deitou o saco para o outro lado do tronco e foi dar a volta para pegar de novo no saco. Um Lagarto viu o saco de milho e pensou para consigo: «Um saco de milho! Que sorte!» O Cágado entretanto chegou ali e disse: — O saco é meu. — O saco é teu? Achei-o. É meu — afirmou o Lagarto. Mas o Cágado insistiu: — Fui eu quem o deitou para aí e venho buscá-lo. Dá-mo. O Lagarto não estava pelos ajustes: — Ah, isso é que não dou. Achei-o, é meu. O Cágado acompanhou o Lagarto até casa deste, sempre na esperança que ele lho devolvesse. Mas, por mais que teimasse, não conseguiu. Quando chegou a casa não havia nada para comer. Disse aos filhos: — O Lagarto roubou-me o saco de milho. Vamos ao mato apanhar ratos, se não morremos aqui de fome. Foram caçar ratos e nisto encontraram um rabo de lagarto fora da toca. O Cágado logo reconheceu que era o rabo do Lagarto que lhe havia roubado o saco de milho. — Dai-me cá a faca para eu lhe cortar o rabo — disse o Cágado aos filhos. O Lagarto pediu ao Cágado: — Não me cortes o rabo que eu ainda estou vivo. O Cágado não fez caso. Cortou-lhe o rabo, levou-o para casa e comeu-o com os filhos. O Lagarto foi queixar-se ao Leão: — Leão, venho queixar-me do Cágado. O Cágado cortou-me o rabo e quero que ele mo pague. O Leão mandou chamar o Cágado e perguntou-lhe: — Cágado, é verdade que tu roubaste o rabo ao Lagarto? — Não. O Lagarto emendou: — Cortou, sim senhor. Eu disse-lhe que estava vivo e não fez caso. O Cágado disse: — Eu não roubei o rabo ao Lagarto. Achei o rabo fora da toca, levei-o para casa e comi-o com os meus filhos. Foi apenas isto e nada mais. O Leão pensou e deu a sentença: — Terás que pagar o rabo ao Lagarto. O Cágado, firme na sua, contou como as coisas se haviam passado e concluiu: — Se o Lagarto achou o meu saco de milho, também eu achei o seu rabo. Agora não devemos nada um ao outro. E assim ficou resolvida a contenda.
Manuel Ferreira Quem pode parar o vento? Porto, Edições Asa, 1987
O Clube de Contadores de Histórias Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

Malhada e Casais - Convívio em Lisboa

. Foi no passado domingo, 28 de Junho que a Comissão de Melhoramentos de Malhada e Casais levou a efeito o seu já tradicional convívio piquenique, na Cruz das Oliveiras, em frente aos bombeiros, no Monsanto, na cidade de Lisboa. Como há muito não se via, quis o estado do tempo ser de chuva, mas contra todas as expectativas o piquenique correu bem, superando mesmo as expectativas dos mais sépticos. Mesmo estando a chover os Malhadenses e amigos não quiseram faltar, e mais uma vez ali estavam eles a conviverem e confraternizarem com os seus amigos e conterrâneos e até a reverem alguns que há muito não viam. O convívio foi abrilhantado pelo organista vocalista Albano Gonçalves, a assistência foi numerosa e participativa, de salientar as presenças das colectividades congéneres da Freguesia do Colmeal, nomeadamente da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, da Comissão de Melhoramentos do Soito e da Comissão de Melhoramentos de Ádela. Esta Direcção agradece muito sensibilizada a presença de todos vós, é isso que mantém viva a chama do Regionalismo, temos a certeza que só devido à chuva as outras colectividades não se fizeram representar. Deixamos também uma palavra de louvor e agradecimento, às senhoras que estiveram sempre na cozinha para que nada faltasse, nomeadamente a D. Júlia dos Anjos Nunes; D. Maria Alice Ramos Nunes; ao Guilherme Nunes Baeta pela sua preciosa e indispensável colaboração; e também ao Acácio Nunes por ter disponibilizado uma carrinha para transporte de todos os materiais indispensáveis para a realização deste evento. Agradecemos a todos em geral que colaboraram na organização do piquenique, porque os êxitos controem-se em conjunto, bem hajam! Aproveitamos a oportunidade para divulgar que as festas de verão na Malhada se irão realizar nos dias 9, 10 e 11 de Agosto. Caro associado, conterrâneo e amigo, contamos consigo para mais uma demonstração de união e convívio Regionalista entre todos. A Malhada e Casais merecem!!!!
Pela Direcção Nuno Santos
in Jornal de Arganil, de 9/07/2009
in http://goisvive.blogspot.com/

Fazenda vedada

Passagem proibida. Ou já não há forças para levar aquelas pernaditas magricelas?... Foto de António Marques de Almeida

sexta-feira, 10 de julho de 2009

A nossa ponte

Esta é a nossa ponte. A ponte que liga o Colmeal à outra margem e às outras aldeias. Ninguém tem dúvidas porque todos a conhecem. Há, no entanto, postais ilustrados com a indicação de Ponte da Cabreira, que continuam em circulação apesar de vários alertas sobre o assunto. E no postal da Ponte da Cabreira surge a indicação de Ponte do Colmeal. Aqui fica mais um alerta ao nosso Posto de Turismo para que proceda à rectificação ou que retire os postais de circulação. A. Domingos Santos
Foto de Francisco Silva

Uma história…

A nossa história inicia-se no ano de 1939 um pouco antes do começo da Segunda Guerra Mundial. Vivíamos na Áustria, um país coberto por flores. Eu, meus pais e meu irmão. Éramos a imagem da família feliz e unida e entre nós reinava a certeza de que nada na vida nos conseguiria separar. Mas não foi bem assim… O meu pai era um cirurgião de renome e a minha mãe professora, daquelas dedicadas, que leccionava por puro amor aos seus alunos. Eu tinha então dez anos e meu irmão quinze. Os nossos dias e noites eram muito alegres. Os meus pais tinham o hábito de nos levar até à varanda da nossa casa após o jantar para vermos as estrelas e enquanto fazíamos isso, cada um ia contando as coisas boas que haviam acontecido no seu dia. Não que não pudéssemos contar as ruins, mas é que naquela época das nossas vidas só aconteciam coisas boas. Não me recordo de algum dia ter visto um deles triste. Depois que contávamos tudo e que admirávamos bastante as estrelas, cantávamos ao som do violão do meu irmão. A primeira música era sempre Edelweiss (1), linda, sonora, trazia paz aos nossos corações. Ah! Como era bom cantar Edelweiss junto da minha família e debaixo das estrelas. Tinha a sensação que poderia fazer aquilo a vida toda sem jamais enjoar. Mas o tempo foi passando e veio a guerra. Só se ouvia falar em Hitler. Eu não entendia bem que homem era aquele, nem o que ele representava e continuava todas as noites olhando para as estrelas junto das pessoas que eu mais amava. Um dia, um terrível dia de Dezembro que jamais esquecerei tivemos que partir. Lembro-me que o meu pai veio até nós e nos disse delicadamente: «vamos ter que passar algum tempo sem ver as estrelas do céu». Fomos brutalmente arrancados da nossa casa por soldados e levados para um local que viria a ser a nossa nova casa. Chamava-se Campo de Concentração. Lá não fomos felizes e pela primeira vez pude ver o semblante triste da minha família. Nem pareciam as pessoas adoráveis que conviviam comigo naquela varanda. Todas as noites eu dizia a minha mãe que queria ver as estrelas, cantar sob elas e ela respondia-me com lágrimas nos olhos e que durante um pequeno período a única estrela que eu poderia ver era a que eu trazia pendurada no pescoço, de seis pontas, tão linda quanto as que brilhavam no céu. Acontece que a minha mãe se enganou. Não foi um período tão curto assim que ficámos por lá e com o tempo foram-me levando muito mais coisas além das estrelas do céu. Foram-me levando tudo. Levaram-me a estrela do pescoço também, levaram os meus pais para um banho do qual eles nunca mais voltaram. Levaram o meu irmão dentro de um comboio que eu nunca soube para onde foi. Levaram o meu sorriso, a minha alegria de viver, levaram a minha infância. Só não levaram a minha voz e por isso, todas as noites ao deitar, eu fechava os olhos e cantava baixinho Edelweiss. Aí, eu podia ver as estrelas, o meu pai, a minha mãe, o meu irmão, a varanda da nossa casa. A minha imaginação, também eles a não conseguiram levar. Hoje, tenho a absoluta certeza que realmente eu nunca me teria cansado de cantar na varanda com a minha família. Que eu, de forma alguma, abandonaria o meu país, que minha mãe foi a pessoa mais doce que conheci, que meu pai foi a imagem da dignidade, que meu irmão foi o meu grande companheiro e que tocava violão como ninguém. Sei hoje a verdadeira razão das lágrimas de meus pais ao despedirem-se de mim, apenas porque iriam tomar um banho e o motivo do abraço tão apertado que o meu irmão me deu naquela tarde em que foi colocado dentro daquele comboio. Hoje sei de tantas coisas que eu não queria saber… (1) Nome de uma flor que significa «branco precioso» e que se encontra no alto das montanhas da Suiça, França, Áustria, da ex-Yugoslávia e da Itália. Costuma dizer-se que quando se quer presentear alguém que signifique um amor ou uma amizade eterna, oferece-se uma flor de Edelweiss a essa pessoa. Porque gostámos muito desta história, apesar de triste, quisemos partilhá-la convosco. Prometemos uma mais alegre para a próxima. Beijinhos das amigas Ana, Badana, Rabeca e Susana

Tradições

.
Este blogue irá apresentar em cinco partes um trabalho de autoria de António Duarte, presidente da Comissão de Melhoramentos do Soito, que nos foi dado a conhecer aquando da preparação para o Dia da Freguesia do Colmeal realizado em 31 de Janeiro deste ano na Casa do Concelho de Góis, em Lisboa. Todos sabemos que a nossa memória se vai perdendo na voracidade do tempo e que nada ficará para os vindouros se não a conseguirmos transmitir. António Duarte neste seu trabalho, nesta sua recolha, traz-nos à memória "coisas do antigamente", do tempo dos nossos pais e dos nossos avós. Alguns de nós, que já vamos tendo alguns anos em cima, ainda nos lembramos de algumas destas tradições. Também participámos em descamisadas e debulhas e recordamos a "melodia" do moinho moendo, moendo sem parar. Temos ainda presente igualmente na nossa memória, o "cantar" da água correndo pela levada (ainda hoje corre em parte) e como se "desviava" a água para aqui e para ali, de modo a que a "lei da água" fosse cumprida e a todos servisse como estabelecido. António Duarte não nos pediu a publicação deste seu trabalho. Entendemos, e só a nós cabe essa responsabilidade, tomar a iniciativa da sua divulgação. Temos obrigação de transmitir conhecimento aos mais novos e a quem não conhece procedimentos de outros tempos. Faz parte da nossa missão. Estas tradições são comuns a muitas outras aldeias e poderão vir a ser complementadas com a sua colaboração, que nos vai ler, e em quem certamente despertámos um pouco do que a sua memória encerra e que poderá partilhar com todos nós. Obrigado António Duarte. E obrigado também a si, que certamente quererá partilhar um pouco da sua memória connosco. A. Domingos Santos
1. Apanha da azeitona e confecção do azeite O Soito era uma terra com muita azeitona, que era apanhada durante várias semanas, entre Novembro e Janeiro. Era armazenada nas “lojas” das habitações e nalguns casos em tulhas junto ao lagar. Já mais próximo de fazer o azeite, a azeitona era transportada às costas ou em carros de bois (na aldeia havia entre 1 e 2 juntas de bois) para o lagar da “Ponte de Ceiroco”, na Ribeira de Carrimá, que servia as aldeias do Soito, Carrimá, Boiças e Vale Pardeeiro. Cada proprietário marcava o seu dia ou dias para fazer o azeite, dependendo da quantidade de azeitona que possuía. No dia de fazer o azeite teria de fornecer lenha para a fornalha do lagar e comida para os lagareiros que, na maioria das vezes era feita na fornalha do lagar, sendo daqui originário o famoso prato de bacalhau à lagareiro, o qual, tal como as batatas “a murro”, era assado na brasa e temperado com o azeite acabado de fazer. Os lagareiros, mestre e moço, trabalhavam dia e noite de forma contínua (com alguns intervalos de descanso enquanto o moinho moía as azeitonas e a prensa ia espremendo as que tinham sido moídas anteriormente), sendo na maioria das vezes acompanhados durante a noite pelos donos da azeitona, que também ali pernoitavam. O produto que escorria da prensa incluía o azeite e o “azilabre” (uma mistura de água e dos outros resíduos da azeitona), ia parar à tarefa, que era uma espécie de pote profundo, composto por duas partes – a parte inferior para onde ia a água e a parte superior onde ficava o azeite, por ser substancialmente mais leve. Ainda hoje se diz que a verdade é como o azeite – vem sempre ao de cima. A perícia do mestre lagareiro consistia em abrir uma torneira na parte inferior da tarefa, de forma a mandar fora o azilabre e manter o azeite. Este trabalho exigia muita perícia, mexendo a tarefa com uma fina vara de madeira, para saber exactamente onde terminava o azilabre e começava o azeite. Por vezes aconteciam pequenos acidentes e lá ia uma parte do azeite para a ribeira. Para além de fornecer a comida aos lagareiros e a lenha para as caldeiras que se destinavam a aquecer a água para caldear (a fim de obter mais azeite e após uma primeira prensagem, as ceiras eram retiradas e caldeadas com água quente, sendo de novo colocadas na prensa para serem espremidas de novo), também o trabalho dos lagareiros e o pagamento ao dono do lagar eram feitos do próprio azeite obtido. Este último pagamento designava-se de “poia”. No lagar havia também uma talha para onde todos davam uma pequena quantia de azeite para o “Santíssimo”, inicialmente destinado à iluminação da igreja do Colmeal e posteriormente, com a evolução para as velas e luz eléctrica, destinado a ser vendido e a angariar fundos para a mesma igreja. Aquela talha (pequeno pote) integra hoje o espaço museológico do Soito, por doação do actual proprietário do lagar, que funcionou até há cerca de cinco anos atrás. O azeite era transportado para a aldeia em bilhas de lata ou em odres (recipientes feitos em pele de cabra), sendo então guardado em potes de barro. Para além do tempero, o azeite, a par da banha de porco e naturalmente do sal, era também usado para conservar os alimentos durante o ano inteiro (sobretudo o queijo e algumas partes do porco), uma vez que o Soito só teve luz eléctrica a partir de 1979. António Duarte – Comissão de Melhoramentos do Soito

Colmeal - História e curiosidades (9)

Continuando na divulgação do excelente trabalho de pesquisa levado a cabo pelo Movimento Cidadãos por Góis, aqui estamos de novo com mais alguns dados sobre o Colmeal e a nossa freguesia. 1971, Junho – Vão ter início os trabalhos de instalação da linha de alta tensão de Cadafaz ao Colmeal e de electrificação, em baixa tensão, da sede de freguesia do Colmeal. 1971, 19 de Dezembro – Inaugurada a luz eléctrica no Colmeal. 1977, 14 de Agosto – Início de actividade do “Rancho Folclórico Serra do Ceira”, com sede no Colmeal. 1981, 11 de Agosto – Incêndios devastam grandes áreas florestais nas freguesias de Alvares, Cadafaz e Colmeal. 1981, 16 de Agosto – No Colmeal, é dada a uma rua o nome de Francisco Luís, em reconhecimento da sua actividade a favor do regionalismo. Natural do Colmeal, onde nascera em 1903, foi cobrador da União Progressiva durante 36 anos e um colaborador activo. UPFC

Sobreiros

Árvores protegidas que cada vez se vêem menos na nossa região. Foto de António Marques de Almeida

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Artur da Fonte - a grande revelação

Artur Domingos da Fonte surpreendeu tudo e todos quando no passado dia 21 de Junho, no Parque de Merendas das Seladas, apresentou (finalmente!!!...) os trabalhos em madeira que vinha fazendo nos seus tempos livres, desde Outubro do ano passado. Já há algum tempo que o pressionávamos para mostrar os trabalhos que levava para o Colmeal e ia guardando na sua "loja", por baixo da casa. Considerávamos ser uma pena que aquelas peças não fossem apreciadas por mais ninguém a não ser por um ou outro familiar a quem concedia esse privilégio. Mas a sua posição era por demais irredutível e as fotografias que se tinham tirado a alguns dos trabalhos, há cerca de seis meses, continuavam por publicar. Compreendíamos a sua modéstia mas as peças não poderiam ficar ali armazenadas sem serem vistas, observadas, apreciadas. Ficámos contentes pela sua decisão e todos os que puderam contemplar as variadíssimas peças foram unânimes nos elogios. Artur Domingos da Fonte foi rebuscando na sua memória os utensílios que se usavam antigamente e a "fotografia" que tinha dos mesmos levou-o a reproduzi-los com grande exactidão e pormenor. E como ele gravou a fogo "A brincar se passa o tempo recordando coisas de antigamente". Atentemos na perfeição do lagar, do carro de bois, no moinho, na cozinha, no carro de mão, na arca ou nas lojas onde se guardavam os animais. Teve a gentileza de oferecer à União Progressiva uma das suas peças, a que representa a primeira obra feita pela colectividade na aldeia - o Chafariz do Colmeal, inaugurado em 26 de Setembro de 1937. Uma peça que vai poder ser observada no EspaçoArte, no Centro Paroquial Padre Anselmo. Estamos convencidos que Artur Domingos da Fonte vai continuar a ocupar os seus tempos livres na produção de novas peças e que num futuro mais ou menos próximo teremos oportunidade de as observar com mais atenção, em espaço próprio. Parabéns Artur! Continua! A. Domingos Santos
Fotos de A. Domingos Santos e Catarina Domingos

Silêncio nos campos

Escadas e campos de cultivo que outrora tinham vida, tinham movimento. Hoje, já não há pernas que as subam, já não há braços que os cultivem. Fotos cedidas por A. Magalhães Pinto

Receitas da Freguesia do Colmeal

.
Frango à “Maricas”
- 1 Frango
- 1 Limão
- 1 Knorr
- 1 Sal q.b.
Coloque o frango inteiro numa cloche ou patusca.
À parte, corte o limão ao meio e coloque-o dentro do frango, assim como o knorr e o sal para temperar.
Leve ao forno, cerca de 1 hora e vá virando o frango, de modo a ficar tostado de ambos os lados.
Retire o frango do forno e sirva-o com algo a seu gosto. A receita apresentada, (Frango à “maricas”) foi disponibilizada por Graciana Bráz, residente no Sobral.
Bolo de Maçã com Noz
- 5 Ovos
- 125 gr. de açúcar
- 100 gr. de manteiga derretida
- 160 gr de farinha
- 2 Maçãs
- 1 Colher de chá de fermento
- Raspa de limão
- 100 gr. de noz
Ligue o forno a 180 º C. Unte uma forma com manteiga e polvilhe-a com farinha.
Bata o açúcar, as gemas e a manteiga derretida.
Aos poucos, acrescente a farinha, mexendo sempre.
À parte, levante as claras em castelo e acrescente-as ao preparado anterior, assim como a raspa de limão e o fermento. Envolva bem e disponha a massa obtida na forma.
Descasque as maçãs e corte-as em gomos finos.
Por fim, coloque na massa que está na forma, de modo intervalado um gomo de maçã e um pouco de noz, sucessivamente até preencher a totalidade da forma.
Leve a cozer cerca de 30 minutos.
Decorrido o tempo, retire o bolo do forno e desenforme-o. A receita apresentada (bolo de Maçã com noz), foi disponibilizada por Manuela Baptista, residente no Colmeal

Colmeal de ontem

Era assim em Dezembro de 2003. Hoje, vale a pena olhar, apreciar e comparar. Foto cedida por A. Domingos Santos

quarta-feira, 1 de julho de 2009

À descoberta do Colmeal

A União Progressiva da Freguesia do Colmeal voltou a apostar na divulgação da região, do concelho de Góis e da freguesia do Colmeal. Dois autocarros repletos saíram manhã cedo, no passado dia 21 de Junho, rumo ao concelho de Góis e à nossa freguesia. Uma paragem junto ao Ceira na passagem por Góis, antes de se rumar até ao Colmeal.
O convívio no Parque de Merendas das Seladas reuniu mais de cento e noventa participantes, entre os quais se encontravam os que pela primeira vez vieram à descoberta desta parcela do Portugal desconhecido. E que ultrapassaram as sete dezenas.
Como habitualmente o voluntariado funcionou no serviço às mesas colocadas sob as mimosas. A temperatura rondava os 37º e as sombras eram disputadas.
As senhoras do Colmeal mais uma vez se associaram a este evento e quiseram presentear os convidados com a doçaria que tão bem sabem fazer.
O artesanato e a produção local, neste caso de queijos, esteve presente e teve bastante procura. Foi mais uma oportunidade para dar a conhecer os nossos produtos a quem nos visita. Bancos em madeira e tecidos feitos em teares manuais também marcaram presença.
Uma surpresa para todos. Artur Domingos da Fonte revelou uma faceta desconhecida e apresentou diversas peças que nos seus tempos livres vem fazendo e que lhe recordam um pouco da sua infância. Ofereceu à União uma obra que representa o Chafariz do Colmeal, o primeiro melhoramento que a colectividade fez na aldeia. Esta obra passa a figurar no EspaçoArte onde poderá ser apreciada.
No momento próprio o presidente da Direcção da União, muito sensibilizado e satisfeito como tudo decorrera, dirigiu palavras de agradecimento a todos quantos tornaram possível esta realização. Uma palavra especial à Junta de Freguesia do Colmeal e Câmara Municipal de Góis que ofereceram diversos brindes aos que visitaram o concelho pela primeira vez.
Depois, já no regresso, uma pequena paragem para uma fotografia neste local tão maravilhoso. A vontade de partir não era nenhuma, mas percebeu-se que a vontade de voltar já começava a fazer efeito. Subiu-se a serra e foi-se apreciando tudo o que a vista podia alcançar.
Uma última paragem para se contemplar o Castelo de Arouce e as Ermidas da Senhora da Piedade, nas proximidades da bonita vila da Lousã. E depois, foi mesmo o regresso. Já com alguma tristeza mas com vontade de voltar. Fotos de A. Domingos Santos e Catarina Domingos