quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Mensagem de Ano Novo

Quando apenas algumas horas nos separam do Novo Ano, queremos aqui deixar-lhe uma pequena e última mensagem. Uma mensagem de esperança para que 2009 continue a permitir-nos poder contar com a sua inestimável presença nos eventos que iremos levar a cabo. Uma mensagem de muita solidariedade para os que se viram obrigados a partir para terras distantes e que não nos esquecem nem esquecem a sua terra. Uma mensagem de grande agradecimento a todos quantos connosco colaboraram nas várias iniciativas e que tornaram possível o nível de realização atingido. Uma palavra de muito apreço e regozijo para com as colectividades congéneres da freguesia com quem temos vindo a trabalhar em sintonia para que o DIA DA FREGUESIA DO COLMEAL seja um êxito. Que 2009 nos traga, a todos, grandes sucessos no campo regionalista! UPFC
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COLMEAL - A União Progressiva vai a Santiago de Compostela

A União Progressiva da Freguesia do Colmeal anunciou há pouco mais de mês e meio a intenção de realizar uma excursão a esta bela região e em particular a esta cidade tão rica em motivos religiosos e arquitectónicos. O primeiro grupo de 40 participantes esgotou de imediato e assim, vimo-nos obrigados (mas satisfeitos) a negociar com a Agência um segundo grupo de cinquenta. Neste momento apenas estão disponíveis quatro lugares. Recordamos que o passeio se efectuará no fim-de-semana alargado de 1, 2 e 3 de Maio de 2009. Com partida e chegada a Lisboa, haverá uma paragem em Coimbra para receber os participantes do Colmeal. Se ainda não se inscreveu… de que está à espera? Venha! …mas despache-se!... Já sabe que viajar com a União do Colmeal vale a pena. Para que fique a saber um pouco mais do que iremos encontrar, aqui lhe deixamos este pequeno apontamento. Santiago de Compostela é uma cidade espanhola considerada a capital cultural da Galiza. A Galiza, comunidade autónoma da vizinha Espanha ocupa a parte Noroeste da Península Ibérica, fazendo fronteira com Portugal através do rio Minho. Engloba as províncias de La Coruña, Lugo, Orense e Pontevedra. As terras galegas são as mais antigas da Península, sendo o Maciço Galaico caracterizado por numerosas montanhas pouco elevadas. Os seus rios são curtos, regulares e rápidos e tem uma costa muito recortada, com numerosas rias e cabos. A pesca constitui uma das maiores riquezas da região, para além do turismo.
A catedral de Santiago de Compostela (séculos XI e XII) ostenta o célebre Pórtico da Glória, uma obra-prima da escultura românica e encerra o túmulo do apóstolo S. Tiago Maior, padroeiro de Espanha (sob o altar na parte Leste). Com a descoberta do túmulo do apóstolo São Tiago no ano de 813, Santiago de Compostela tornou-se um dos centros de peregrinação mais importantes do mundo. Foi, juntamente com Roma e Jerusalém, um dos mais famosos centros de peregrinação da Idade Média. As numerosas vias que conduziam a Compostela, os Caminhos de Santiago, foram extraordinários agentes de intercâmbio cultural e nelas se fundaram grandes igrejas para apoio dos peregrinos A maioria dos peregrinos utiliza o Caminho Francês que começa em Roncesvalles ou em Sain Pied de Port, passando através de Espanha, em direcção a Santiago de Compostela, como ainda muito recentemente António Lopes Machado referia nas suas crónicas semanalmente publicadas em “A Comarca de Arganil”. São vários os motivos que levam a empreender a viagem pelo Caminho Francês em direcção a Compostela. A busca da santificação ou o maravilhoso caminho já não são actualmente as únicas intenções dos viajantes. A procura de si próprio, a arte ou a ideia de chegar a pé ao fim do mundo são as razões que levam o peregrino a percorrer um caminho tão longo. É uma tradição que remonta a tempos imemoriais e que os nossos antepassados cumpriram, transmitindo-nos sabedoria, crenças, ideias e imaginação.
Santiago de Compostela é muito justamente considerado um dos pilares do cristianismo, pois alberga 46 igrejas, 114 campanários, 288 altares e 36 congregações. Revela-nos uma arquitectura religiosa e muito antiga. Existem exemplares excepcionais que podem ser admirados, como, por exemplo, dois anjos do século XIV com óculos, integrados num alto-relevo ou uma Virgem Maria grávida, na entrada de uma igreja. Merecem ainda referência a Universidade, fundada em 1532, e o Hospital Real (hoje transformado em hotel), construído pelos Reis Católicos (1501-1511). A Universidade de Compostela tem mais de 500 anos. Propõe mais de sete dezenas de licenciaturas, meia centena de doutoramentos e inicialmente tinha cerca de meio milhar de alunos. Hoje, esse número rondará os 35 mil. Muitas bibliotecas e edifícios modernos estão agora à disposição dos alunos, para além de todos os que, de origem religiosa, foram remodelados de forma a poderem cumprir o seu papel como instituições universitárias. Refira-se, a título de curiosidade, que a biblioteca principal dispõe de um milhão de livros. O primeiro edifício universitário construído remonta ao século XIV. É onde funciona a Faculdade de Geografia e História, na Plaza de Mazarelos e aí, na sua biblioteca, poderemos encontrar o livro mais antigo da Galiza, “De las horas”, escrito em 1055. Há pouco mais de vinte anos, em 1985, a catedral de Santiago de Compostela foi declarada Património Mundial da Cultura pela UNESCO. A sua fachada principal é conhecida como Obradoiro, ou seja, “trabalho de ourives”, porque foi trabalhada de forma muito artística e detalhada por pedreiros em princípios do século XVIII. A construção da actual catedral iniciou-se em 1077, durante o reinado de Afonso VII. A superfície da catedral ronda os 23 mil metros quadrados. A sua primeira construção, entre os anos de 791 e 842 foi uma capela, durante o reinado de Afonso II. Mais tarde foi destruída pelas lutas contra os Mouros e pelos levantamentos dos camponeses.
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UPFC

ALDEIA VELHA

. Eu tenho por ela uma certa afeição, Sinto tremer o coração Cheinho de emoção. Sempre que me falam nela Eu pareço um barco à vela. Gosto dela de verdade, Por ela sinto a saudade, O amor que me prende a ela, O amor de um filho amado Que não desperdiça um bocado. Para mim não há no mundo Com um amor mais profundo, Terra de que possa gostar mais, Pois é lá que estão meus pais. Foi lá que eu nasci e cresci, Foi lá que eu vivi A minha pouca mocidade, Foi lá que vi a liberdade, O amor por cada qual Onde tudo é igual. É por isso que eu gosto da serra É lá que é a minha terra, Essa aldeia pequenina Moça como uma menina Com pouco tecto de telha, Ah!... minha Aldeia Velha!... Av. 28/12/969 H. B. M. In Boletim Paroquial “O Colmeal”, Nº 102, de Fevereiro de 1970. .

O nosso rio...

Não é bem nosso. É de todos e para todos. Dos locais mais belos da nossa freguesia do Colmeal e talvez o mais fotografado. O caudal revela-nos que o Inverno terá chegado. Os balneários recordam-nos o trabalho que foi desenvolvido há quase quarenta anos. "Quando a ideia da construção dos balneários foi lançada, havia a dúvida quanto a aceitação da mesma e quanto à possibilidade de angariar dinheiro suficiente para os trabalhos já que esta é mais uma das muitas obras que não têm o patrocínio de entidades oficiais, e a única fonte de receita é o povo." in Boletim Paroquial "O Colmeal", Nº 112, de Julho de 1971 Foto de Fernando Neves

Lendo aos poucos... (VII)

“memórias e esperanças” De autoria do Eng.º João Nogueira Ramos e publicado por ocasião do cinquentenário da Casa do Concelho de Góis, este livro, autêntica Bíblia do Regionalismo, tem sido um precioso auxiliar para todas as colectividades numa altura em que se comemoram os 80 anos de regionalismo no concelho. Tem sido uma fonte inesgotável onde todos temos ido beber. É um livro que devemos ter na nossa biblioteca e de leitura obrigatória para todos quantos andam envolvidos nas suas Comissões de Melhoramentos, Ligas, Uniões ou Grupos. Imperdível a sua leitura. Como diz Carlos Alberto Poiares na introdução “… é sabido que o associativismo tem nascido, em larga medida, de colónias de migrantes, deslocados das suas terras para a capital, em busca de melhores condições de vida, em particular ao longo da segunda metade do século XX. Dessas transferências de populações têm emergido dinâmicas relacionais coesas e cúmplices, ancoradas na partilha de ansiedades, angústias e expectativas. Mas estes percursos colectivos em prol da defesa e promoção dos povos do interior apresentam também, com frequência, intencionalidades de contestação, de irreverência e de inconformismo face aos poderes – central e, por vezes, local – que iam deixando abandonadas essas terras e as suas gentes. O regionalismo pode ter como elemento contribuinte do seu desenvolvimento – e também da sua longevidade – esse entrecruzamento de relações grupais, geradas como mecanismo de defesa, alicerçando-se em objectivos comuns e imperecíveis, repartindo-se pelas aldeias e vilas que coabitam na Grande Lisboa.” Como refere um pouco mais à frente “muito do que se pode – e deve – fazer na vida é apenas por paixão, desinteressadamente, quando convertemos ideias e princípios em objectos de investimento afectivo.” De acordo com João Nogueira Ramos “… De características serranas, com escassos recursos naturais, de vida assente primordialmente numa agricultura feita em terrenos poucos férteis, os autóctones partiam à procura de melhores condições de vida, muitas das vezes inseridos numa estratégia para a sua própria sobrevivência. … Outros procuravam a região de Lisboa, onde seria mais fácil encontrar emprego duradouro, para restabelecerem a sua vida, num movimento que se iria realizar em cadeia, muitos deles mandando vir os seus conterrâneos, familiares ou amigos, através de redes informais… … Como outros mais seriam estivadores, aguadeiros, limpa-chaminés, “almeidas” ou moços de esquina, aqueles que, com uma corda ao ombro, nos cruzamentos das artérias mais movimentadas da capital, estavam prontos para todo o trabalho pesado que lhes fosse solicitado. Ficam com uma ligação muito estreita aos seus locais de partida, onde normalmente deixaram casa e outros bens e, muitas vezes, parte do seu agregado familiar. Por isso, ali retornam com frequência, para conviver com a família e com os amigos, passar férias, ou participar em festas e acontecimentos locais, nomeadamente em fins-de-semana. A este movimento, vai estar ligado um associativismo, sui generis em relação a movimentos migratórios de outras zonas do país. Vindo de um interior rural, aparentemente rudes e com poucas preparações académicas, sujeitando-se aos serviços mais duros, não se apresentava fácil a sua inserção em meio urbano. Tendo deixado na terra natal a família, é no associativismo que encontram um meio de estabelecer contactos com os conterrâneos, não apenas para convivência e solidariedade, mas também para defesa dos seus bens locais. E a intenção do regresso, quando as condições o permitissem, estará sempre presente. Rapidamente se juntam em pequenas comunidades de sentimento, sonhando e projectando em conjunto. Cada associação diz respeito a uma aldeia, a partir de um sentimento de pertença à sua comunidade de origem, o que lhe transmite grande força para a sua actividade. Formaram-se no início, é certo, associações cobrindo o espaço da freguesia, em zonas onde, na época, a pertença a esse nível espacial era forte, mas vieram com o tempo a desactivar-se, quando esse sentimento foi preterido pelo da aldeia natal. O regionalismo é uma estrutura de sentimento, um estado de espírito, imbuído em práticas inter-culturais, num espaço de exteriorização colectiva das ligações dos emigrantes às suas origens, com as quais se identificam social e culturalmente. Para se ser regionalista não basta gostar da sua terra natal e colaborar, por solidariedade ou por prazer, no seu progresso. Ser-se regionalista é, para além disso, ser-se emigrante e, simultaneamente, fazer parte da sociedade de origem. É um “ausente-presente” no dizer de Rocha-Trindade, “com um pé cá e outro lá”. Neste movimento, sobressaiu, desde o início, a sua voz reivindicativa junto do poder público, para a concretização de obras, geralmente infra-estruturas e equipamentos de base mais prementes. Deixava, deste modo, transparecer uma das suas principais preocupações, a melhoria das condições de vida das gentes que lá ficaram e o engrandecimento da terra natal. Essa fase praticamente terminou, mas pelo facto de as autarquias hoje possuírem outros poderes e outros meios de as realizar. Agora parece prevalecer a opinião de que a sua acção deve ser orientada de preferência para as áreas da cultura, de guardião do património e do ambiente, de preservação da memória, das tradições e identidades locais, na base de uma inovação de atitudes e de valores, para além da promoção de solidariedade e convívio que, desde sempre, as caracterizaram. As Comissões de Melhoramentos constituem a guarda avançada de uma cultura popular que teima em não se perder, uma cultura rural com as suas formas próprias de interacção, e que pode constituir uma barreira à nova cultura igualadora trazida pela globalização. Cada uma das aldeias, as “micropátrias” de Rocha-Trindade, contém em si uma microcultura popular, cujo somatório constitui um valor inestimável para a identidade cultural do concelho. Para além do movimento servir de base para uma estratégia de revalorização do concelho e de elo de ligação ao global, do rural ao urbano, pressente-se um entusiasmo, nomeadamente dentro das novas gerações, de querer levar por diante novas realizações, ainda que numa vivência cultural diferente da de um passado não muito distante, agora na base de outros padrões de cultura.” A União Progressiva da Freguesia do Colmeal agradece ao Eng. João Nogueira Ramos o grande contributo que com esta obra veio dar para um melhor conhecimento e compreensão do regionalismo no concelho de Góis. E terminamos citando mais uma das suas frases “… as Comissões de Melhoramentos, tal como no passado, continuam a ser depositárias de grandes esperanças para o desenvolvimento do concelho.” A. Domingos Santos

COLMEAL - Um testemunho e uma história

Se nos fosse permitido comparar a situação geográfica das aldeias da Serra de hoje com esses pontos minúsculos e negros como castanhas defumadas, que foram os povos de há dois ou três séculos, certamente que nos perguntaríamos como era possível a esses povos realizar a sua vida e suportar a sua existência numa zona alcantilada, inóspita e deserta como a nossa. Porque, enquanto no litoral ou na planície o homem se cruzava atraído pela pesca ou pelo comércio, na montanha ele só podia manter-se aliciado por três factores: exploração do minério, a guerra e a caça. Sabe-se, porém, que a fauna da velha província lusitana não era rica em produtos. Em regra, o habitante das montanhas não lhe aproveitava mais do que a carne para se alimentar e a pele para se cobrir. Nada mais tinha a pedir ao veado, ao porco-bravo, à cabra selvagem ou ao coelho do mato. Se o montanhês caçava, não o podia fazer em nome de uma profissão, mas pela necessidade de amparar a sua pequena economia, servida por outros produtos de fraca escala. Mas, também não se pode considerar a guerra como causa da fixação das populações serranas. As montanhas eram de acesso difícil, sem várzeas férteis de agricultura rentável. Por isso, nem castelos, nem fortalezas, nem redutos. As vertentes da Beira-Serra nunca foram mais do que um labirinto aberto, recortado por veredas íngremes, escondidas nos matos por onde o caminhante mal se lobrigava. Não há vestígios duma estrada romana ou duma povoação mourisca. O seu dorso, eriçado de tojo, estevas e urze, assemelhava-se ao lombo dum rebanho de porcos selvagens adormecidos num redil de muitas léguas. Nunca ali houve um torrão que chegasse para premiar algum nobre que se tivesse notabilizado nas campanhas do reino. Os seus retalhos de campo arável não chegavam para neles assentar um brasão e uma legenda. Por isso, nem duques, nem marqueses, nem barões. Donde se conclui logicamente que só o minério poderia ser a causa única e capaz de se deslocarem para aqui os obreiros que tiveram a dita de desbravar os primeiros palmos de terra. A confirmá-lo vem o facto de as nossas montanhas estarem perfuradas de lés a lés, sem contudo se conseguir hoje determinar a maior parte das entradas e saídas das suas minas, o seu rumo e profundidade. O Colmeal está numa das zonas mais exploradas. Quer a margem direita quer a margem esquerda do Ceira foram cantos que o romano explorou com arte e sabedoria. Há mesmo povoados escondidos na Serra de hoje que não podiam ter outra génese senão um arroio de água e uma boca de mina ou então um ponto estratégico para viver uma vida rudimentar sem andar exposto às feras. Veio depois a idade da agricultura, da plantação da oliveira, do sobreiro, do castanheiro, da vinha e cereais. Muitos locais antigos foram aproveitados e alguns aterros utilizados para as primeiras hortas. É então que as povoações nascem verdadeiramente e se começa a conhecer o seu nome. É então que nascem os Soutos, os Colmeais, os Sobrais, Carvalhos, Cabreiras, Malhadas, Matas, Azinhais, Vales Verdes, Várzeas, Castanheiras, Salgueirais e tantas outras terras pelas quais hoje damos tudo a fim de que, embora nascendo em regiões sáfaras, subam ao nível de tantas bafejadas pela sorte. É o caso do Colmeal. Embora seja ainda hoje uma povoação modesta, não podemos dizer que seja recente. Na Serra, são poucos os casos de povoações que se fizeram em cem anos. A falta de comunicações e o separatismo que até há pouco vigorou entre ricos e pobres não davam margem a casamentos precoces e fáceis. Por isso, embora o casal dispusesse de dois ou três elementos capazes de se multiplicarem, nem sempre isso era fácil ou a tempo de serem tronco de famílias numerosas. O que nos leva a concluir que o desenvolvimento humano das nossas aldeias levou algumas centenas de anos a realizar-se e, desse movimento a passo curto, redundaram atrasos que ainda hoje sentimos. Não nos admiremos, pois, se ainda nos falta muita coisa. Mesmo assim poderemos considerar-nos felizes, pois que, precisamente esta estagnação de pessoal e coisas, levou os filhos da Serra a entrar num clima de aventura, clima onde depois, mais tarde, haveria de nascer o regionalismo, o grande movimento que levou uma profunda transformação a todos os cantos da Beira-Serra. É esta uma das facetas mais importantes da gente do nosso tempo, que se nota em linha apreciável, no Colmeal e sua freguesia. O que o progresso aí conseguiu realizar bem se pode classificar de prodigiosa renovação, devida, em grande cota, ao bairrismo dos seus filhos, perfeitamente sintetizado no labor dos militantes da sua Comissão regionalista e no desejo dos seus primeiros homens em verem o Colmeal actualizado e bem servido. É o que nos parece revelar a sua estrada da Serra, os seus calcetamentos, a sua casa Paroquial, o Centro e as diligências feitas para a construção duma nova Igreja. Por tudo isto, merece o Colmeal e a sua gente os nossos parabéns e o jornal que divulga as suas necessidades e as suas belezas uma palavra de alento. Trabalhar para viver e viver para trabalhar. C. BORGES DAS NEVES in Boletim Paroquial “O Colmeal”, número comemorativo do 40º aniversário da U.P.F.C., Julho de 1971 A pouco mais de um mês da realização em Lisboa, na Casa do Concelho de Góis, do nosso Dia da Freguesia do Colmeal, no âmbito das comemorações dos 80 Anos de Regionalismo no Concelho de Góis, nunca será demais recordar o que ao longo dos anos se foi escrevendo na imprensa regional e neste caso particular, no extinto Boletim Paroquial “O Colmeal”, sobre as nossas colectividades e o regionalismo. A. Domingos Santos

Sorridentes e apanhadas...

As duas manas, sorridentes como sempre e em amena cavaqueira, nem deram pela objectiva do fotógrafo. Foi há pouco mais de um ano, no dia seguinte ao magnífico Magusto que se realizou no Parque de Merendas das Seladas. Maria Eugénia e Josefina, sempre presentes nas acções desenvolvidas pela União Progressiva. Foto de Artur da Fonte

Freguesia do Colmeal – as nossas colectividades

Grupo de Amigos do Sobral, Saião e Salgado
“A colectividade engloba as aldeias de Sobral, Saião e Salgado, entre as quais sempre houve uma grande aproximação, bem como o casal Vale de Asna. Antes da sua constituição, em 4 de Outubro de 1977, já havia um grupo de trabalho informal, promovendo algumas realizações nas povoações. Tem-se notícia de, nos anos 60, terem adquirido um posto público de telefone e, em colaboração com os serviços florestais, abrirem a estrada Sobral-Mimosa. Nos anos 70 seria a construção do adro da capela; a abertura e construção das estradas Selada da Cova e Sobral-Primendes; a mina na Panasqueira, para abastecimento de água ao Sobral, com as canalizações e depósito de água; e a elaboração do projecto para fornecimento de energia eléctrica às três aldeias. Seria só em 1982 que os seus estatutos eram oficialmente aprovados e registados, tendo sido eleitos os primeiros corpos sociais. Foram eles: na Direcção, Maria Leonor Nunes (presidente), Joaquim Ventura, Manuel António, Carlos de Jesus e Américo Vicente; e nas presidências da Assembleia-Geral e Conselho Fiscal, respectivamente, Artur Augusto e Carlos Navarro. Nessa década de 80, procedeu-se à melhoria da estrada do Sobral até ao rio Ceira e seria aberta a estrada a partir da municipal 543 até ao Saião e Salgado, que viria a ser alcatroada em 1996. Em 1990 é adquirida a Casa de Convívio do Sobral, onde, em anos seguintes, se fariam obras de beneficiação e ampliação, com instalação de equipamento. Em 1999, é a vez da Casa do Salgado, com terrenos anexos, na qual seriam levadas a efeito obras de recuperação, para servir esta aldeia e Saião. A colectividade ficaria assim com duas casas de convívio, uma delas posta à disposição da Assistência Social, gratuitamente, ali tendo funcionado um Centro de Dia. Em 2000, a iluminação pública seria ampliada às três aldeias. De registar que, recentemente, foi atribuído o diploma de sócio benemérito a Manuel Zacarias Teixeira Rego. Com cerca de 140 sócios, a Direcção actual, jovem e cheia de entusiasmo, está empenhada no melhoramento das condições de vida local. Com uma página na Internet, presta constantes informações sobre a colectividade e as aldeias. Em Sobral residem doze pessoas, em Saião nove e em Salgado sete, mas em Lisboa a sua comunidade ultrapassa, segundo se pensa, quatro centenas de pessoas, muitas delas com grande desejo de regressar às suas origens. Querem terminar a Casa de Salgado e prosseguir os esforços de convívio, de modo a aumentar o espírito de solidariedade e união no seio da sua comunidade.” In “memórias e esperanças”, de João Nogueira Ramos, edição da Casa do Concelho de Góis, 2004

sábado, 27 de dezembro de 2008

A FREGUESIA DO COLMEAL MAIS UNIDA

No passado dia 15 de Novembro, realizou-se em Lisboa, o primeiro ENCONTRO-CONVÍVIO, de todas as colectividades regionalistas da freguesia. União Progressiva da Freguesia do Colmeal; Comissão de Melhoramentos de Ádela; Liga dos Amigos de Aldeia Velha e Casais; União e Progresso do Carvalhal; Comissão de Melhoramentos de Malhada e Casais e Comissão de Melhoramentos do Soito – organizando este encontro, realizaram em plenitude o aforismo que diz: «a união faz a força». Com efeito, a desagregação das pessoas gera a dispersão de energias. Disso se aperceberam as direcções das várias colectividades da nossa freguesia. Em anos anteriores tivemos tantos almoços, quantas comissões. Este ano tudo se modificou. O encontro-convívio foi pensado de longe para que à última da hora não houvesse o recurso ao improviso. Uma Comissão constituída pelos presidentes das várias direcções tomou a seu cuidado a organização do programa. Ele foi pensado de tal maneira que o corpo e o espírito, Deus e o homem se encontraram. Às 11.30 horas, na igreja de S. Nicolau, foi celebrada Missa por intenção de todos os Colmealenses, … e de tarde, teve lugar, em Cacilhas, no Restaurante Gonçalves – GINJAL, o almoço de confraternização, presidido pelo ilustre Colmealense, deputado Dr. Manuel Martins da Cruz, tendo à sua direita os Padres Américo Brás da Costa e Anselmo Ramos Dias Gaspar, Dr. João da Silva Campos, Alfredo de Oliveira e António Joaquim Moreira, da Casa da Comarca de Arganil; António Gonçalves Nunes, da Casa do Concelho da Pampilhosa da Serra e da Comissão de Melhoramentos dos Cepos e António Lopes Machado, redactor em Lisboa de «A Comarca de Arganil»; e à esquerda os Srs. Armando Gualter campos Nogueira e Joaquim de Brito Ribeiro, da Casa do Concelho de Góis; Eng. António dos santos Almeida (Fontes), esposa e filha. Presentes todos os elementos directivos das várias colectividades da freguesia, pessoas de todas as idades e posições sociais, sendo de realçar a presença, em massa, das senhoras e meninas, a ponto de igualarem, se não mesmo ultrapassarem, as presenças masculinas. Aos brindes, várias foram as intervenções, valiosas umas, dispensáveis outras – pela repetição de ideias expostas, mas todas vividas e profundamente sentidas pelos oradores. Todas as colectividades defenderam os interesses da respectiva povoação pela boca do seu representante. Assim, Colmeal através do Sr. Armando Nunes dos Reis martelou a tecla, infelizmente já tradicional, da falta de electricidade e de professora; Ádela, pelo seu presidente Manuel Simões Nunes, pretende muito justamente uma estrada que ligue esta povoação à sede de freguesia, passando pelo Açor. Em breves palavras felicitaram a realização deste encontro, José Nunes de Almeida, pelo Soito; Manuel Martins Barata, pelo Carvalhal; Henrique Brás Mendes, pela Aldeia Velha, e de novo, Armando Nunes dos Reis, pela Malhada. O Sr. Joaquim Francisco Neves, agradeceu comovido a manifestação de apreço que lhe foi tributada, em calorosa salva de palmas, como sócio fundador da União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Em voz pausada, mas segura, os 87 anos não contam, dirigiu aos jovens palavras de estímulo e incitamento, a seguirem confiantes o exemplo de colmealenses já falecidos. As senhoras presentes neste convívio, foram brindadas com um lindo ramo de cravos. Para agradecer a gentileza, em nome de todas as contempladas, falou a Sr.ª D. Prazeres Olivença Brás. Usaram ainda da palavra os representantes da Casa da Comarca de Arganil, Casa do Concelho de Góis e Casa do Concelho da Pampilhosa da Serra; António Lopes Machado, pelo jornal «A Comarca de Arganil»; e ainda Dr. João da Silva Campos; Padre Anselmo Ramos Dias Gaspar, transmitindo a todos os colmealenses palavras de saudação, em nome do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Góis, Dr. Rui Manuel Nogueira Ramos, impossibilitado de estar presente, pelas inúmeras tarefas municipais que de momento o absorvem. Foi também lançada a ideia de construção dumas barracas à ponte, para uso exclusivo dos banhistas veraneantes. O pároco agradeceu ainda a colaboração que lhe foi dada pela freguesia, na consecução do Centro Paroquial. A longa série de discursos terminou com as palavras do Rev. Padre Américo Brás da Costa e Dr. Manuel Martins da Cruz a encerrar. Tomaram parte neste encontro mais de cento e cinquenta pessoas. Isto diz bem do interesse e dedicação postos na organização dos mesmo e correspondência do povo – tendo-se deslocado, do Colmeal a Lisboa – cinco pessoas. Parabéns organizadores – parabéns colmealenses. Iniciativas destas merecem ser continuadas. Todos unidos, lutaremos por uma freguesia do Colmeal mais progressiva e próspera nos planos cultural, intelectual, material, moral e espiritual. In Boletim Paroquial “O Colmeal”, Nº 107, de Novembro de 1970

Vamos ler mais

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A Câmara Municipal de Góis (CMG) e a Comissão do Plano Nacional de Leitura, com o objectivo de elevar os níveis de literacia no concelho, celebraram no passado dia 4 deste mês, um protocolo de cooperação. A Comissão terá a responsabilidade de assegurar a execução dos diversos programas visando a promoção da leitura, envolvendo famílias e a comunidade, e tentará agregar mecenas e patrocinadores. A edilidade terá que dar apoio técnico aos programas do Plano e divulgar as suas iniciativas, apoiar o desenvolvimento da Rede de Bibliotecas Escolares e promover e financiar eventos destinados à promoção da leitura. Helena Moniz, Vereadora da Cultura na CMG, considerou a assinatura deste protocolo como "um passo importante na formação de leitores e na promoção de hábitos de leitura" porque em seu entender "as bibliotecas desempenham um papel muito importante na educação e na formação cívica". O novo serviço de biblioteca itinerante, organizado pela Biblioteca Escolar e pela Biblioteca Municipal, permitirá aos alunos mais afastados da sede do concelho ter uma melhor acessibilidade aos livros, maximizando o potencial de leitura. O papel da família é fundamental, pelo que os pais devem incentivar a leitura aos seus filhos. De notícia publicada em "O Varzeense" de 15 de Dezembro de 2008

Senhor da Amargura

A preto e branco ou a cores, não teremos dúvidas de que se trata do Senhor da Amargura, Santo em que os Colmealenses têm grande devoção. Acontece, no entanto, em diversas publicações e promoções turísticas do concelho e da região, fazer-se referência a "Nossa Senhora da Amargura". Confiamos que futuramente seja prestada uma informação mais cuidada. Fotos do espólio de Fernando Costa

Colmeal - História e curiosidades (5)

Continuando a recorrer ao interessante trabalho de pesquisa efectuado pelo Movimento Cidadãos por Góis, ficamos a saber que: No ano de 1864 é realizado o primeiro censo em Portugal a nível oficial. O concelho de Góis tem 10305 habitantes. Por freguesias: Alvares - 3136; Cadafaz - 1099; Colmeal - 1259; Góis - 3553 e Vila Nova do Ceira - 1258. Para comparação, temos nos concelhos limítrofes: Arganil - 18806, Pampilhosa da Serra - 9359 e Lousã - 9635 habitantes. No dia 20 de Julho de 1864, é enterrado o primeiro defunto no cemitério do Colmeal, recentemente construído (ver ano de 1853). Anteriormente, era usual enterrarem-se os defuntos das aldeias da freguesia no interior da Igreja Matriz ou no adro. A 4 de Maio de 1876, a Junta da Paróquia do Colmeal delibera proceder à reconstrução, desde os alicerces, da Capela de São Sebastião, que se encontra em completa ruína. Em 1884, prosseguem as obras da reconstrução da Capela de São Sebastião, no Colmeal (ver ano de 1876). UPFC

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

BOAS FESTAS

(clicar na imagem para ampliar)

Prendas de Natal

Neste Natal ofereça produtos da nossa freguesia aos seus familiares e amigos. Mel, medronho, queijo, enchidos, broa, pequenas casas em xisto, artigos em lã, bijutarias, para além de outros produtos, poderão ser algumas das sugestões para ofertas nesta quadra que atravessamos. Seria uma interessante oportunidade para darmos a conhecer aos nossos amigos o que de melhor se faz nas nossas aldeias. E para os nossos familiares se deliciarem com o que já conhecem e que muitos deles também fizeram noutros tempos. Vamos promover os nossos produtores e o trabalho dos nossos artesãos! Um produto da nossa região... é uma excelente prenda! .
UPFC

Freguesia do Colmeal – as nossas colectividades

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União e Progresso do Carvalhal
De acordo com memórias do passado, cerca de 1935 terá sido constituída uma comissão de melhoramentos, com a mesma denominação da actual, que não chegou a ser legalizada e teria duração efémera. Foram seus fundadores, entre outros, João Gonçalves Patrício, Manuel de Almeida Santos, António de Almeida e Manuel Martins do Rego, sendo este último o presidente da Direcção. A essa primitiva colectividade se deve as minas das Carvalhas, que ainda hoje abastecem a povoação. Mais tarde, seria formada a actual Comissão. De acordo com uma entrevista dada por Manuel Martins Barata em Janeiro de 1966, ao Boletim Paroquial “O Colmeal”, que aqui já recordámos e em parte reproduzimos, “A ideia de um nova colectividade já vem de longe, mas este movimento só tomou vulto quando da nossa festa pelo S. João. A rapaziada, em alegre convívio, deliberou levar essa ideia avante, dando disso conhecimento verbal a todos os nossos conterrâneos de forma a conseguir-se o desejado e imprescindível apoio.” Só quatro depois, em 20 de Janeiro de 1970, foram aprovados os Estatutos, tendo sido seus fundadores Acácio Fernandes de Almeida, Álvaro Alves de Almeida, António Fernandes de Almeida, António Lopes, Fernando Almeida, João Martins, José Joaquim Almeida Santos, Manuel Almeida Lopes, Manuel Fernandes de Almeida e Manuel Martins Barata. Este último foi o seu principal impulsionador, que, com grande dinamismo e perseverança, estaria na concretização da maior parte dos melhoramentos. Presidiu à Direcção desde o início até 1998, ao longo de 28 anos, tendo-lhe sucedido o actual presidente. Das obras realizadas, são de destacar o beneficiamento da fonte que antigamente abastecia a povoação; os arruamentos, tendo a Comissão suportado o projecto e contribuído para o seu financiamento; a electrificação, igualmente mandando executar o respectivo projecto e pressionando para a concretização da obra, que seria inaugurada no dia 4 de Agosto de 1979; o cemitério, para servir sobretudo as aldeias de Carvalhal e Aldeia Velha, inaugurado em 31 de Outubro de 1982; projecto e financiamento da rede de águas, construída pela Câmara Municipal de Góis. Também a rua “Volta da Procissão”, para a qual a população cederia alguns terrenos, tendo a União comparticipado com mão-de-obra e a Câmara Municipal fornecido materiais e, mais tarde, feito o alcatroamento. No início da década de 80, seria nomeada uma Comissão Angariadora de Fundos, que, pelo trabalho desenvolvido, muito viria ajudar a colectividade na resolução dos seus problemas financeiros. Na toponímia local são homenageados algumas das suas figuras: Rua Manuel de Almeida Santos, sócio número um e vice-presidente da Assembleia-Geral; Rua Acácio Fernandes de Almeida, sócio fundador e primeiro vogal; Largo Manuel Vicente, primeiro secretário da Delegação local e Rua Manuel da Silva Moreira, secretário da Direcção. Nas esperanças do presente, existe a preocupação com a capela que necessita de grandes obras. Foi constituída, para o efeito, uma comissão de trabalho. Ainda se chegou a adquirir um terreno destinado a um templo novo, mas veio a optar-se pelo restauro do actual. A festa de São João, em tempos a melhor festa religiosa da freguesia, ainda hoje continua a atrair os seus emigrantes e forasteiros. Outra preocupação da direcção é o convívio. Residentes permanentes são apenas 26, mas a colónia lisboeta é grande e ligada à sua terra. No Verão junta-se muita gente, trazendo animação à povoação, sentindo-se no entanto a falta de algumas estruturas de apoio, que não tem sido fácil implantar. A registar o facto de os jovens terem criado a sua própria associação, independente da colectividade, o que terá provavelmente contribuído para alguma dispersão de esforços. Com os seus 180 sócios, a população aguarda com esperança o início de uma nova fase de actividade da União, para que Carvalhal, aldeia com grandes possibilidades turísticas, possa ressurgir e poder proporcionar melhores condições de bem-estar. Adaptado de “memórias e esperanças”, de João Nogueira Ramos, Edição da C.do Concelho de Góis, 2004

É preciso salvar as nossas aldeias

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As aldeias do interior do País, sobretudo as da Beira Interior, foram ao longo destas últimas cinco décadas despovoadas por aqueles que nelas nasceram, mas que nelas não encontraram o sustento que precisavam para viver. Portugal, em meados deste século, era um país pobre e eminentemente rural, que apesar de não ter participado na II Guerra Mundial sofreu as suas consequências indirectas. Salazar continuou a defender a tese “orgulhosamente sós”, negando qualquer ajuda económica do estrangeiro, nem mesmo a ajuda económica que os norte-americanos ofereceram à Europa destruída pela guerra em 1947, o célebre Plano Marshall. A solução para muitos portugueses foi deixar a sua terra natal e partir, emigrar para os grandes centros urbanos do País ou para outros países como a Alemanha, França, Brasil, Venezuela, Austrália, entre outros, de forma a encontrar mais facilmente o sustento de cada dia que a sua aldeia lhe parecia negar. Este êxodo na busca de melhores condições de vida generalizou-se um pouco por todo o País. O litoral aos poucos tornou-se cada vez mais povoado, invertendo-se a tendência que se vinha verificando até ao início deste século, em que a grande maioria da população vivia no campo. Esta população, muitas vezes pobre, oriunda do interior do País onde as condições de vida eram miseráveis e as vias de comunicação precárias ou praticamente não existiam, deu a sua força de trabalho nos portos, nas fábricas, no comércio e nos serviços, contribuindo para o desenvolvimento de todo o litoral português e para o desenvolvimento do País em geral. Assim, rapidamente no litoral as aldeias se transformaram em vilas, as vilas em cidades, e as grandes cidades como Lisboa e Porto, transformaram-se em grandes metrópoles. O campo foi, assim, o alfobre da mão-de-obra que proporcionou o desenvolvimento e crescimento económico do País que hoje vivemos e usufruímos. Perdeu a sua melhor riqueza, a sua população, e até hoje ainda não foi devidamente compensado por isso. Está agora, na sua maioria, abandonado ao desprezo da maioria dos nossos políticos e da nossa população, que não vê nele perspectivas de futuro para a sua vida. Só os mais idosos, com ajuda de uma magra reforma, continuam teimosamente a resistir, ali vivendo o resto dos seus dias. Hoje, em muitas das nossas aldeias, podemos dizer em milhares delas, a média de idade dos seus habitantes cifra-se entre os 60 e os 70 anos, nalguns casos entre os 65 e os 75 anos, o que dá uma esperança de vida para essas aldeias de 10 a 15 anos, quando muito de 20 anos. Ainda nalguns casos o número de casas de habitação é bastante superior ao número de habitantes, no dobro ou no triplo, o que é uma situação paradoxal quando comparada com a falta de habitação e com a habitação precária que afecta gravemente os grandes centros urbanos do país. Prevejo, assim, nas próximas duas décadas o desaparecimento de milhares de aldeias, se entretanto nada continuar a ser feito para debelar esta situação. É preciso compensar o campo. É preciso agir de imediato porque a situação é bastante grave. É preciso fazer renascer as nossas aldeias, sob pena que o desequilíbrio entre o litoral e o interior, que é já agora bastante grande, se torne abissal, levando progressivamente à criação de vastas áreas desertas da presença humana. O que proponho a todos os políticos e autarcas, com estas modestas linhas, é a criação de um plano, a nível nacional, que revitalize as nossas aldeias, onde as zonas do interior no nosso país possam ser locais apetecíveis para viver e trabalhar.
Pedro Freire (Cacém)
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Publicado no Correio da Manhã de 10/1/98, secção “Correio dos leitores”. Recolhido no espólio de Fernando Costa

domingo, 21 de dezembro de 2008

GÓIS ENTRE O RIO E A MONTANHA

É o título de um livro publicado em 1997 e de autoria de Ana Filomena Leite Amaral, que é dedicado “a todos aqueles que amam verdadeiramente a sua terra e pugnam pelo seu desenvolvimento.” José Cabeças, ao tempo Presidente da Câmara Municipal de Góis, admitindo a perda de “muitas memórias” em oito séculos de existência, considera que a publicação do presente livro “partindo das raízes do passado, actualiza-as num presente em mudança e visa, sobretudo, garantir a continuidade escrita de toda a história e riqueza patrimonial e cultural de Góis”. Também Armando Gualter de Campos Nogueira diz, no que considera a sua “modesta contribuição”, que “Todo o vasto concelho, durante largos anos votado ao ostracismo, caminha desde há tempos a esta parte, a passos largos, rumo ao futuro a que tem direito e os seus habitantes ambicionam. …É que não bastam as belezas naturais, o pitoresco das típicas aldeias, com as casinhas em xisto e de xisto cobertas, é necessário muito mais, e isso vai-se conseguindo graças ao esforço das autarquias, das colectividades regionalistas e, fundamentalmente, do crer e da vontade deste povo.” No Prefácio, Lisete de Matos considera que este livro “fala das múltiplas iniciativas empreendidas no quadro do processo de desenvolvimento emergente no concelho, das gentes, da história, do património cultural nas suas diferentes expressões, dos recursos endógenos” e também “de potencialidades que os góienses saberão aproveitar e de constrangimentos que saberão ultrapassar.” “O associativismo e o regionalismo sempre foram realidades marcantes no concelho. Basta verificar que toda e qualquer pequena aldeia conta com uma ou mais comissões de melhoramentos. Estas associações são absolutamente fundamentais para o desenvolvimento local, contribuindo para a formação e participação activa dos cidadãos na vida da sua terra, enraizando-os e comprometendo-os com ela”, afirma a autora a páginas 47. Um pouco mais à frente (páginas 65 a 67) historia o nascimento da freguesia do Colmeal – 16 de Novembro de 1560, a sua localização e o seu património. “Os habitantes desta freguesia são na maioria reformados, que vivem da sua pensão e duma agricultura e pastorícia de subsistência. Também aqui, as várias Comissões de Melhoramentos promovem a melhoria das condições de vida nos seus lugares. Destacamos nesta freguesia, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Muitas das pessoas que dinamizam estas comissões encontram-se a viver em Lisboa, para onde migraram na busca de melhor futuro, sobretudo em meados do século. Existe hoje, na capital, uma autêntica colónia de guardas-nocturnos oriundos do Colmeal e também de Cadafaz. Para evitar a desertificação e atrair população jovem, a Junta tem vários projectos em curso. Nomeadamente no âmbito do turismo, como seja o embelezamento das praias fluviais, que constituem um grande atractivo da zona, o restauro e a reactivação dum moinho de água comunitário do século XVII, para testemunhar como funcionava, a limpeza da Levada dos Mouros e a divulgação da sua lenda, a exploração da Mina da Alfândega como pólo turístico, bem como do Poço da Cortada, onde o rio foi cortado a meio, e a respiração de quem lá vai se suspende com o espectáculo de tão rara e imponente beleza.” Depois de se referir aos Projectos de Florestação e de Beneficiação, a autora considera que “A acção social também merece atenção por parte da Junta de Freguesia, através do Projecto de Luta Contra a Pobreza, subsidiado pelo Estado, que contempla todo o tipo de assistência, sobretudo às mulheres e jovens na procura de emprego, de forma a criar condições para que as pessoas não abandonem a sua terra e as que já o fizeram mantenham as suas habitações e regressem, pelo menos na idade da reforma.” Ana Filomena Leite Amaral termina dizendo que “Esta freguesia distribui todos os anos um importante bodo de remota origem, a que as sucessivas gerações têm dado cumprimento, o qual corresponde a uma promessa feita a S. Sebastião para que intercedesse a favor das gentes da freguesia dizimadas por uma epidemia. E mais uma vez o sagrado se funde com o profano, numa espécie de aliança que ultrapassa quaisquer especulações teóricas, pois esta é a genuína religiosidade do povo.” Nas “últimas palavras”, a autora e “porque estas palavras devem ser breves”, expressa a sua “vontade de que todos os leitores deste livro, goienses ou não, se apaixonem por esta terra, entre o rio e a montanha, que os deuses quiseram coroada com o Penedo e povoada de todas as maravilhas que só um acto de amor pode criar e outro acto de amor, maior, fazer crescer.” Góis, entre o Rio e a Montanha visa contribuir para a afirmação da identidade de uma terra cuja origem é anterior à formação de Portugal. Para que fique a saber mais sobre o nosso concelho, aconselhamos a leitura deste pequeno livro que poderá solicitar na Biblioteca da União, no Colmeal. A. Domingos Santos

As nossas fontes

No sitio mais alto e mais lindo do concelho de Góis, mais propriamente na freguesia do Colmeal, surge uma aldeia de seu nome Aldeia Velha. Na zona antiga, depois das "Hortas" e fundo da povoação existe a Fonte Velha. É passagem obrigatória para cada visitante e mesmo para os naturais deste lugar. Considerado "cartão de visita", a fonte já foi alvo de alguns melhoramentos. O aspecto actual, mais moderno, contrasta bem com o que se podia ver há bastantes anos - uma bica saindo das fragas -.Mantendo um sabor inconfundível, a Fonte Velha em Aldeia Velha, mata a sede a quantos lá passam, seja inverno ou seja verão. Há poucos anos, depois dos festejos em honra de Nossa Senhora do Livramento, todos os populares que "abuzassem" no tintol iam-se "curar" a esta fonte, chamando a essa cura "o lavar das vasilhas". Pensa-se dentro em breve, intervir na fonte dando-lhe um aspecto mais serrano e tradicional.
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Texto e fotos de Henrique Miguel Mendes

Rancho Serra do Ceira

"O Colmeal possui também um Rancho Folclórico, o Serra do Ceira, que tem levado a alegria das suas canções e dançares e o nome do Colmeal e Góis a longínquas terras. Em promoção de sua terra este rancho tem organizado há alguns anos o Festival do Folclore Beirão, que este ano será a 5 de Agosto. Nesse festival além do promotor, participarão ainda, os Rancho Regional de Moreira da Maia, Grupo Folclórico da Senhora da Saúde (Fermestelos), Grupo Típico de Ançã, Grupo Típico «Cancioneiro de Cantanhede» e Grupo Folclórico de Albergaria-a-Velha. Vai ser um festival em cheio com um programa que contentará os mais exigentes. Vá ao Colmeal no dia 5 de Agosto, divirta-se, recrie o espírito e os olhos com o majestoso espectáculo do Vale do Ceira." in "O Varzeense", nº 147, de Junho de 1984 Recordamos aqui os autocolantes dos três primeiros Festivais de Folclore Beirão
UPFC

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

VALE DO CEIRA

. AQUI COLMEAL (MULHERES COLMEALENSES)
Foi com este título que Fernando Costa, durante um largo período de tempo, trouxe para a imprensa regional os mais variados assuntos relacionados com a sua aldeia e a freguesia do Colmeal, que todos nos habituámos a ler com bastante interesse. Fomos encontrar num recorte cuidadosamente guardado, mas sem que lhe possamos precisar a data, uma dessas crónicas, dedicada às mulheres colmealenses. “A mulher, antigamente, além de não ter acesso à cultura, salvo os casos muito excepcionais, tinha praticamente como missão gerar filhos, a lida da casa e efectuar os trabalhos duros, tanto no campo como na cidade. ... Era normal verem-se por todos os recantos, ruas, becos, travessas e esquinas da capital, com as suas canastras ou cestos à cabeça a venderem e a apregoarem os mais variados produtos alimentares ou, mesmo, já cozinhados, caso da «fava-rica». …E a que horas da madrugada tinham essas sacrificadas mulheres de se levantar para irem primeiro adquirir esses artigos aos mercados abastecedores ou, então, a cozinhar a fava seca, demolhada prévia e longamente, que graças aos segredos culinários se convertia num petisco! De certeza, essas mulheres, figuras típicas citadinas, tinham de iniciar a labuta em plena noite para prepararem e cozinharem esse prato forte e alimentício que é a «fava-rica». Evidentemente, com a evolução social, foram desaparecendo essas figuras do tipicismo lisboeta e, simultaneamente, os pregões matinais em que a cidade era fértil. Assim não mais se viu a vendedeira com o seu lenço, «chaile», avental e à cabeça, o cesto de verga, tapado com pano branco, com panelas no interior, a apregoar doce e meigamente «Fava-rica» ou «Quem quer fava-rica?». A confeccionadora e, simultaneamente, vendedeira deste pitéu, cozinhado por pobres e para pobres, foi notícia nos órgãos de comunicação social, em épocas já distantes. A sua figura típica aparecia com regularidade em revistas ilustradas, jornais e, até, no teatro, e o seu pregão – «fava-rica» – foi tema de canções populares.” Continuando, Fernando Costa refere-se à fotografia que acompanha o seu artigo, fotografia que foi extraída de uma revista dos anos trinta, cujo título desconhecia. “Igualmente, a mulher que aparece na foto era natural do Colmeal. Tendo enviuvado ainda muito jovem, não havendo na terra madrasta e ingrata hipóteses de garantir o seu sustento e de dois filhos de tenra idade, migrou para a capital enveredando por esta profissão. … Esta alusão à actividade exercida por modestas mulheres, cozinheiras experientes e asseadas, tem a sua justificação porque, curiosamente, nas últimas décadas do século passado e neste, até pelo menos 1970, várias gerações de mulheres naturais das diversas aldeias e casais da nossa freguesia confeccionaram e venderam nos bairros pobres de Lisboa a tão afamada como apetitosa «fava-rica». Essas mulheres da freguesia, viúvas ou não, nalguns casos carregando com os filhos pequenos ao colo, andavam de rua em rua, para, de forma nobre e honrada, conseguirem manter a família. Por uns tostões ou escudos, antes de nascer o dia começavam a palmilhar a Mouraria, Alfama, Bica, Bairro Alto, Madragoa, Campo de Ourique, Campolide, Poço do Bispo, etc., etc. A essas mulheres colmealenses, dedicamos esta modesta crónica.” FERNANDO COSTA
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Faz hoje precisamente 39 anos que o "Jornal de Arganil" publicava, pela mão de um grande regionalista da vizinha freguesia do Cadafaz e grande amigo do Colmeal, Afonso Batista de Almeida, a sua homenagem àquela que muito o acarinhou, pois também ele foi um dos muitos "filhos" da Inocência Fava-Rica.
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MORREU a «Fava-Rica»

“LISBOA, 13. – O telefone tocou; e do outro lado, veio-nos uma triste notícia: morreu a «tia» Inocência. A extinta, Maria Inocência das Neves, de 82 anos de idade, viúva, natural do Colmeal (Góis), era mãe da Sr.ª D. Arminda Neves Domingos Santos e do saudoso António Domingos, que foi grande regionalista; mas os seus filhos foram, sem dúvida, em maior número, pois foi mãe carinhosa de muitos, incluindo o autor destas linhas. Na sua casa existiu sempre um lugar acolhedor para toda a gente que lá se dirigisse. Na realidade, no 3º andar da Rua do Benformoso, muitos foram os que encontraram sempre uma casa carinhosa e um coração amigo para os receber. A inesquecível «Fava-Rica», que durante muitos anos calcorreou a capital, animando-a com o seu lindo pregão, ficou viúva muito nova; mas, não obstante, conseguiu manter-se e educar com dignidade os seus filhos legítimos, auxiliando, sempre que podia, os outros, apesar das doenças e infelicidades que surgiram no seu lar, com seu filho e genro. A «tia» Inocência para todos tinha uma palavra de amizade e de conforto. Ainda há poucos dias a beijei com muita ternura; e ela, já muito doentinha, mal podendo falar, exclamou enternecida: «Olha o Sr. Afonso…». Que Deus dê paz à sua alma, que bem a merece. À família enlutada, os meus profundos sentimentos. Afonso Baptista de Almeida” In “Jornal de Arganil” de 18 de Dezembro de 1969

A. Domingos Santos

Fonte de chafurdo

Fomos encontrar esta fotografia bastante antiga, datada de 13 de Maio de 1937. A acompanhar a data, uma pequena indicação "Obras do novo chafariz do Colmeal". Não fosse a preciosa indicação no verso e dificilmente a conseguiríamos localizar. Tanto no espaço como no tempo. Já neste blogue fizemos referência à inauguração desta obra, o novo chafariz do Colmeal, que veio substituir a fonte de chafurdo. Só os mais antigos têm gravado na memória como era difícil ir buscar água. Facilmente se poderá concluir que a higiene não seria muita. Bebia-se a água tal como aparecia na bica, sem qualquer tratamento ou verificação de qualidade. Cântaro no chão e depois de cheio, toda aquela força de braços para o colocar à cabeça. E o equilíbrio funcionava. Por vezes, parecia nem pesar muito ou fazer doer o pescoço. Pelo menos, quando se cruzavam com alguém e havia que "saber as novidades"... A União Progressiva da Freguesia do Colmeal inaugurou este melhoramento em 26 de Setembro do mesmo ano. Foto do espólio de Fernando Costa
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UPFC

Pintura naif no "Dia da freguesia do Colmeal"

"Mal sabia H. Rousseau, quando em 1986 expôs os seus primeiros trabalhos em Paris, que a pintura "naif", de que é considerado o verdadeiro precursor, havia de galgar fronteiras e estender-se a todos os países. Portugal conta com um punhado de excelentes artistas que escolheram esta modalidade para expressar a sua criatividade marcada pelo "perfume da inocência, pela poesia, pela originalidade criadora, pessoal e inventiva". Um dos temas preferidos destes pintores é a paisagem urbana, sobretudo de Lisboa, as suas praças e ruas, as casas e os monumentos, as festas populares e os mercados, os largos e jardins e o povo no seu viver quotidiano. No ano em que Lisboa se assume como Capital da Cultura, esta exposição é uma homenagem singela à velha urbe portuguesa, cidade carregada de História, Tradição e Beleza." in "Convite para inauguração da exposição" Fernando Costa, foi um dos pintores participantes nesta exposição de "Lisboa vista pelos pintores "naif" portugueses", que esteve patente ao público de 3 a 22 de Fevereiro de 1994. Encontrámos em "O Varzeense", nº 162, de Janeiro de 1986, um pequeno apontamento assinado por M. C. (Matos Cruz), referente a outras participações de Fernando Costa e que a seguir reproduzimos. "Nosso amigo e colega de profissaão, natural do Colmeal, portanto serrano como nós, Fernando Costa dedicou-se à pintura, tendo já participado em vários salões de arte «naif». Apreciámos as suas obras na exposição do Casino do Estoril, quando junto com mais três artistas - H. Mourato, Álvaro de Carneiro e Pais Garcia - participaram na exposição a favor dos artistas de Moçambique. Há poucos meses, novamente apreciámos sete quadros seus, no mesmo local, na exposição de pintura «naif». Seus títulos: Inverno na Serra, Campinos e Toiros, Moinhos de Odemira, Paisagem do Vale do Ceira, Naturalistas e Pescadores, Piódão - Presépio de Arganil e Recolha de Uvas. Da simplicidade expressiva destas pinturas fica-nos a sobressair a de Piódão - Presépio de Arganil, tão trabalhada que parece fotografia colorida. Participou ainda Fernando Costa na I Exposição «Naif» de Coimbra, tendo sido bastante apreciados os seus trabalhos. Dedica-se também ao jornalismo regionalista há longos anos, mantendo colunas nos jornais locais com razoável número de dedicados e atentos leitores. Parabéns a Fernando Costa, pintor, jornalista e colunista de mérito, e pode crer que «O Varzeense» fica a torcer por novos êxitos." No próximo dia 31 de Janeiro de 2009, na Casa Concelhia, poderá apreciar alguns dos seus quadros, cedidos gentilmente pela sua família para uma exposição no "Dia da Freguesia do Colmeal", integrado nas comemorações dos "80 Anos do Regionalismo no Concelho de Góis". A. Domingos Santos

Recortes… que foram notícia

O Boletim Paroquial de Vila Nova do Ceira “O Varzeense” publicou há pouco tempo (Nov. /2008) o seu número 500. Denota já alguma longevidade, o que saudamos, quando sabemos que a imprensa local e regional atravessa momentos menos fáceis. Recentemente fomos encontrar alguns números saídos após o seu vigésimo aniversário. E é desses exemplares com mais de vinte anos (1984/1985), que iremos recordar algumas pequenas notícias. DO COLMEAL “É uma das freguesias do concelho de Góis, nossa vizinha. Ocupa uma área de 35 km2, sendo a sua altitude máxima de 1029m na serra da Caveira e 322m na mínima. Tem como patrono S. Sebastião e era curato da apresentação do vigário de Santa Maria de Góis. A sua população veio a diminuir desde 1911 quando tinha 1554habitantes. Em 1940 eram só 1303, em 1960, somente 948 e em 1970 estava reduzida a 426. Porém em 1981estava em recuperação e o censo acusou já 480. A colónia colmealense em Lisboa é bastante numerosa e aguerrida na defesa, propaganda e progresso de suas terras. Pelo menos oito colectividades regionalistas, inscritas e com sede na Casa do Concelho de Góis, representam os maiores e populosos lugares, dessa pacata freguesia. São ela a do Açor, Ádela, Aldeia Velha e Casais, Carvalhal, Colmeal, Malhada e Casais, Sobral, Saião e Salgado e Soito. União Progressiva Houve eleições na União Progressiva da Freguesia do Colmeal. A Sr.ª Dr.ª Maria Manuela Costa é agora presidente, depois de colaborar durante alguns anos em diversos cargos com Fernando Neves. Falecimento Manuel Francisco de Almeida, viúvo, de 88 anos, faleceu no passado dia 24 de Maio. Era pai de Monsenhor Duarte de Almeida, Director do «Correio de Coimbra», de Manuel Duarte de Almeida, industrial de transportes, em Lisboa, e ainda de Maria de Lurdes, residente nesta localidade. O funeral realizou-se no dia 25 e a missa de corpo presente foi presidida por D. João Alves e concelebrada por muitos sacerdotes. Sentidas condolências de «O Varzeense» a toda a família.” in “O Varzeense”, nº 147, de Junho de 1984 “Foi assaltada a capela do Senhor da Amargura. Os ladrões arrombaram o cofre e retiraram todas as esmolas. - A União Progressiva da Freguesia do Colmeal promoveu um torneio de futebol de salão que muito veio animar a juventude colmealense. - Esta colectividade tem reunido todas as semanas na Casa do Concelho de Góis.” in “O Varzeense”, nº 156, de Julho de 1985 Natal na freguesia do Colmeal “É já Natal! Sentimo-lo neste frio que todas as manhãs nos assolam. Descobrimo-lo no semblante de doce mistério das crianças quando se fala no sapatinho e no Pai Natal. E tem sido pensando nas «nossas» crianças que a União Progressiva da Freguesia do Colmeal tem promovido de há anos a esta parte, o Natal da Criança da Freguesia do Colmeal. Dia diferente e tão ansiosamente esperado por todos os pequenitos que habitam as nossa serras! Logo de manhã os seus coraçõezitos batem descompassadamente. As horas parecem não passar! Mas, eis que o transporte da Câmara Municipal aí está para os levar ao Centro Paroquial do Colmeal, onde terá lugar a festa. O lanche – «lauto banquete» para alguns – a sessão de cinema, a música e, por fim, a distribuição de brinquedos, prendem e alegram desmesuradamente os pequenitos que vivem nas serranias agrestes da freguesia do Colmeal. E, de quando em vez, também eles presenteiam a assistência com cantigas e poesias que os professores obstinadamente lhes ensinaram. E é Natal! E é festa! Festa de solidariedade entre aqueles que, longe, contribuíram com as suas ofertas para alindar o Natal dos nossos pequenitos. No dia 2 de Dezembro voltará a ser «Natal» na freguesia do Colmeal. Os rapazes e raparigas da nossa terra demonstrar-nos-ão que apesar de tudo, Natal não pode ser, não deve ser apenas brinquedos, bolos, árvore de Natal. Natal tem que ser, deverá ser também um momento de reflexão. Um simples instante a pensar. Um segundo a sentir com o coração. É já Natal! M. F. C.” in “O Varzeense”, nº 161, de Dezembro de 1985

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Chafarizes...

Na história do Colmeal e das Comissões de Melhoramentos surgem em diversos documentos e actas, várias referências aos chafarizes sempre com papel de relevância nos tempos de então. É pena que nem todos tenham sobrevivido até hoje. É de louvar toda e qualquer acção que nos lembre da sua existência (Mariana Brás em 15/Set e Artur da Fonte em 14/Dez/2008 no blogue da UPFC) e de reconhecer aqueles que aos chafarizes dedicam algum tempo e “carinho”. E é por isso que o chafariz da Eira continua com sorte. Além da torneira e da água ... agora tem um banco! Será um óptimo local para recuperar do esforço da subida da calçada, para ponto de encontro onde se matam as saudades e as conversas ficam em dia e, porque não, para namorar. Talvez aqui o chafariz encontre o encanto das fontes de outrora aonde ao fim do dia as moças, com o pretexto ou obrigação de “ir à fonte”, ganhavam uns momentos com os prometidos...
Infelizmente, nem todos os chafarizes têm sorte. A caminho do Sobral encontrei este chafariz que, embora ainda em bom estado, está abandonado e sem préstimo. Quem salva o chafariz? Fotos e texto de Magalhães Pinto (Senhora da Hora – Porto)

Rancho Serra do Ceira

Lendo aos poucos... (VI )

Soeiro Pereira Gomes, um romancista, um humanista, um lutador, um homem, mas de corpo inteiro, que usou a sua vida e a sua arte, em defesa da humanidade oprimida e espoliada de tudo o que é direito próprio do ser humano. A sua vida foi curta (1909-1949) e difícil (o desemprego levou-o à África e a luta contra o fascismo à clandestinidade nos últimos anos de vida), mas suficientemente longa para que se tornasse um dos grandes nomes do Neo-Realismo, método próprio de abordagem do real, que originou um movimento literário com o mesmo nome que eclode em Portugal, nos fins da década de trinta. Esteiros (1941) é precisamente uma das primeiras manifestações romanescas do Neo-Realismo e um dos seus maiores êxitos, ainda publicado em vida. Escreveu ainda Engrenagem (romance inacabado) e Refúgio Perdido e Outros Contos, publicados postumamente. Para já, os garotos dos esteiros limitam-se a tentar sobreviver, a tentar matar a fome, roubando fruta, quando há que roubar, trabalhando, quando há trabalho. Numa situação e noutra, eles põem a sua manha, a sua esperteza feita de experiência da vida em acção, comandados, quase sempre, por Gineto, o mais irreverente, o mais revoltado, o mais inconformado de todos (a própria alcunha, Gineto, simboliza a sua juventude irrequieta e rebelde). Um livro a não perder e que poderá encontrar na Biblioteca da União, no Colmeal. A. Domingos Santos

Natal no Colmeal

A sala foi mesmo pequena para acolher todos os que, com a União e a seu convite, quiseram celebrar o Natal no Colmeal. Fugindo ao frio que gelava lá fora, como às vezes gela a vida das pessoas, a sala foi-se enchendo de gente que buscava o conforto da chama crepitante da lareira e dos afectos. Eram crianças, jovens e adultos, era gente de várias localidades enacionalidades, que a União unia e abraçava na celebração do Natal, da infância e da maior idade que a todos espera.
Depois de um apetitoso e lautoso convívio à volta da mesa, as crianças receberam, finalmente, os presentes prometidos. Faltou o Ruben Simão, de Ádela. Um Feliz Natal também para ele. Em representação de todos, o mais idoso – Jaime Martins de Almeida - o maior, como carinhosamente lhe chamaram e ele é, também foi presenteado. E o José Álvaro, que fazia anos, emocionou-se com os parabéns que lhe cantaram e as felicidades que lhe desejaram.
Não são mesmo lindos as nossas crianças e jovens? Não o somos todos, presentes e ausentes que o futuro desafia? Feliz Natal. Lisete de Matos
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Fotos de Lisete de Matos

domingo, 14 de dezembro de 2008

Colmeal em tempo de frio

Sempre bela esta aldeia do Colmeal. Perigosamente envolvida pelo arvoredo que quer fazer companhia a quem em casa se aquece do frio. Fumo que mal se percebe mas que se esgueira de uma ou outra chaminé. É assim o Colmeal em tempo de frio. Foto de Mariana Brás

Folhas de um livro… (5)

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“Filho de Joaquim Fontes de Almeida (um dos fundadores da União Progressiva da Freguesia do Colmeal e seu sócio número um), o Sr. Eng. António dos Santos Almeida (Fontes) cedo se começou a aperceber dos problemas daquela freguesia, pois, embora ainda criança, tomou parte na reunião primeira da colectividade, que se realizou em sua casa e acompanhou de perto toda a sua actividade, desde a construção da estrada Rolão-Colmeal, construção do chafariz do Largo, no Colmeal, e construção da ponte do Soito, que foram as primeiras obras daquela colectividade. Não admira pois que, chamado para presidir à direcção da colectividade pelos Srs. Manuel Francisco Brás e Francisco Luís, tenha aceite colaborar num movimento que já sentia e vivia. Foi durante as suas gerências, que foram várias, que se realizaram alguns dos principais melhoramentos daquela freguesia e outros foram concluídos. Basta-nos referir a conclusão da estrada Rolão-Colmeal, ramal para o Soito, ampliação e calcetamento do largo da Fonte, no Colmeal, electrificação da sede da freguesia e projectos de electrificação das restantes terras, abertura das estradas para Ádela, Açor e Sobral, além de muitas outras lutas travadas nomeadamente com a construção dos CTT, manutenção do telefone, garantia de assistência médica à freguesia, etc.” Henrique Brás Mendes, iniciava assim uma longa entrevista ao ex Presidente da Assembleia-Geral da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, Eng. António dos Santos Almeida (Fontes) com honras de primeira página em “A Comarca de Arganil”. Depois de falar sobre os motivos que o haviam levado a afastar-se após uma Assembleia-Geral recente, considerava que “a experiência e o saber dos veteranos não podem nem devem ficar estagnados ou perdidos”. Dando indicações de sentir alguma dicotomia na colectividade, afirmava mais à frente que “Uma colectividade regionalista não é uma comissão de juventude. Naquela, todos, velhos e novos, não só têm o direito, mas o dever de colaborar. O principal é que haja união. Não queremos ter uma comissão de juventude e uma comissão de velhos.” Considerava, no entanto, que “é na juventude que deve assentar a esperança da continuação do movimento regionalista.” Excerto de uma entrevista publicada em “A Comarca de Arganil”, Nº 7497, de 20 de Julho de 1976.

Chafariz no Colmeal

Vários foram os chafarizes que décadas atrás foram colocados ao serviço da população, em substituição de fontes de chafurdo. Alguns deles ainda funcionam. Um ou outro está fora de serviço. Como pano de fundo temos o casario aglomerado à Eira, a Igreja e a antiga escola. Quem não se lembra do bêábá que por lá aprenderam? E do dois e dois são quatro, naquela cantilena cantada em coro? Bons tempos!... Foto de Artur da Fonte

Freguesia do Colmeal

Armas Escudo de ouro, duas colmeias de vermelho, realçadas de prata, alinhadas em faixa, entre duas setas de vermelho passadas, em aspa, em chefe e monte de três cômoros de verde, firmado nos flancos, e movente de campanha diminuta ondada de prata e azul se três tiras. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro "COLMEAL-GÓIS". in "memórias e esperanças", de João Nogueira Ramos, edição da Casa do Concelho de Góis, 2004

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Loural

"Do ponto de vista turístico começa a haver vontade de alguns empresários em efectuar investimentos, e a autarquia espera que se possam vir a concretizar algumas das iniciativas que têm sido propostas à Câmara, não só na sede do concelho mas também nas restantes freguesias. Por exemplo, na aldeia do Loural um investidor comprou toda a aldeia e pretende recuperá-la e fazer um centro de actividades de contemplação e yoga." in "O Varzeense", de 30 de Novembro de 2008 Excerto de uma entrevista conjunta do Presidente e Vice-Presidente da C. M. Góis
Foto de Artur da Fonte

Freguesia do Colmeal – as nossas colectividades

Comissão de Melhoramentos de Ádela
“Formou-se pouco tempo após a União Progressiva, muito antes de se ter iniciado a ruptura da representatividade colectiva da freguesia, que veio a suceder no início dos anos 50. Tal facto deve-se, certamente, à sua situação geográfica. “Sentem-se mais ligados ao concelho de Arganil, dada a proximidade da povoação dos Cepos. Os seus moradores não mantêm frequentes relações com a povoação do Colmeal. Não vão à missa dominical à sede de freguesia, têm com ela insignificantes relações económicas e são quase inexistentes as suas relações sociais. Por estas razões, procuraram associar-se os seus moradores, porque sentiam que só deste modo, era possível melhorar a sua situação material”. A Comissão de Melhoramentos de Ádela dava os seus primeiros passos a 23 de Setembro de 1936, em reunião havida na Rua da Barroca, 97 – 2º, em Lisboa, com a presença de vinte e cinco conterrâneos, considerados os seus fundadores. “A acta dessa reunião é um documento valioso em que vale a pena meditar. Nela estão descritos os objectivos a atingir e as carências da aldeia distante…”. Seriam então eleitos, José Domingos Diogo, Carlos de Almeida e José Jacinto de Almeida, para presidentes, respectivamente, da Assembleia-Geral, da Direcção e do Conselho Fiscal. O primeiro melhoramento foi a compra de uma maca para a condução dos enfermos, o que seria feito à custa de muitos sacrifícios. Fora também deliberado pedir a assistência técnica para o projecto de abastecimento de água, obra que viria a ser inaugurada em 1948. Mais tarde, em 1960, acrescentavam-se mais dois fontanários. Tendo suspendido a actividade durante alguns anos, a colectividade veio a reorganizar-se, definitivamente, a partir de uma comissão nomeada em Janeiro de 1944 e da aprovação dos estatutos, na Assembleia-Geral de 14 de Junho, que indicavam os fins a prosseguir: “ a) Associar os adelenses e promover o desenvolvimento da povoação de Ádela no âmbito social, económico e cultural; b) Participar empenhadamente nas actividades políticas de desenvolvimento regional, em cooperação com associações congéneres”. Entre as personalidades que muito ajudaram e prestigiaram a Comissão de Melhoramentos, é justo destacar José Domingos Diogo, fundador e primeiro Presidente da Direcção, António Domingos dos Santos e, mais recentemente, Manuel Simões Nunes. Para além das obras já referidas, assinale-se também como significativas, entre outras: a primeira estrada que permitiu levar à povoação as primeiras viaturas, aquela que liga a Selada das Eiras, nos princípios dos anos 60; a instalação do primeiro telefone, mantido durante muito tempo a suas expensas; o calcetamento das ruas; vários pontões sobre as ribeiras e o alcatroamento da estrada de Selada das Eiras. Têm cerca de 230 sócios efectivos e encaram com bastante optimismo a acção da sua Comissão. “Ádela muito deve à sua Comissão de Melhoramentos, na qual os adelenses têm muito orgulho”, sendo referido também o apoio que a autarquia lhe tem dado, numa colaboração frutuosa para ambas. O principal projecto a curto prazo é a Casa de Convívio, um desejo há muito acalentado pelos adelenses, e que, certamente, vai dar outras perspectivas à vida da povoação. Já possuem terreno e projecto e, em breve, a Casa será uma realidade. E desejam alindar o seu Largo, prestando homenagem aos seus 25 fundadores.” in ”memórias e esperanças”, de João Nogueira Ramos, Edição da Casa do Concelho de Góis, 2004

Quando o frio aperta e a neve cai

A silhueta altiva de uma árvore destaca-se no conjunto das suas irmãs, de outras espécies, que já perderam a folhagem. Chão matizado de flocos repousantes. Casa de pedra à vista, vizinha da estrada, que se prepara para mais uma invernia. Cumes frios de névoa e de neve.
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Fotos de Mariana Brás

domingo, 7 de dezembro de 2008

Estações do ano

Árvore nua espreguiçando-se. Chão colorido com o que caiu de si. Despida do seu manto habitual de folhas verdes prepara-se para enfrentar o Inverno que se aproxima. E a igreja atrás de si? Até parece cuidada... deste lado. Até quando? Foto de Artur da Fonte

Freguesia do Colmeal - as nossas colectividades

Comissão de Melhoramentos de Malhada e Casais
"Os seus inícios remontam ao ano de 1913, quando se formou uma comissão de moradores, para instalação de um chafariz. Depois, em seguimento aos acontecimentos de Fátima, em 1917, esta comissão, com ajuda da população, faria a nova capela, dedicada a Nossa Senhora de Fátima. Por volta de 1946-48, formou-se uma nova comissão, juntando também pessoas da União do Colmeal, para fazer uma escola, que seria construída apenas pelos locais, com ajuda financeira do Ministério da Educação. Em 1953, seria constituída uma outra, a Comissão Pró-Estrada da Povoação da MAlhada, de iniciativa de João Nunes de Almeida, António Silva, António de Almeida e Manuel da Costa Reis, que ia lutar para que a lendária estrada Rolão-Colmeal passasse pela Malhada, uma obra que ainda está bem viva na memória colectiva dos malhadenses, um dos seus símbolos, pelo trabalho arrojado empreendido e por os ter tirado do isolamento em que viviam. Esta comissão ia estar na base da constituição da actual Comissão de Melhoramentos. Em Novembro de 1953, reunia-se a Assembleia-Geral e entre os seus fundadores, seriam eleitos para presidentes da Assembleia-Geral e da Direcção, respectivamente, José Maria de Almeida e João Nunes de Almeida. A colectividade inclui os casais de Carrimá, Foz da Cova e Quinta de Belide." in "memórias e esperanças", de João Nogueira Ramos, Edição da Casa do Concelho de Góis, 2004

Neve em Aldeia Velha

Recebemos as fotografias com esta pequena mas muito elucidativa legenda: "É mesmo a aldeia mais alta e linda da freguesia do Colmeal..."
A neve começou a cair e nem as pedras da calçada escaparam...
Campos cobertos por um tapete branco, telhados pintados de uma outra cor, encostas que mais parecem pistas para desportos de inverno, enfim, uma aldeia diferente. Fotos de Paulo Almeida