sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Lendo... aos poucos (II)

"Para sobreviverem na serra agreste e xistosa, as gentes reinventaram-na, dominando as fragas, o mato, a floresta e os animais bravios. Abriram algares e minas, à procura de ouro e outros minérios. Disputaram a terra e a água, e partilharam-nas mais ou menos amigavelmente. Construíram "combaros" nas encostas escarpadas e lameiros junto às ribeiras fundas, trazendo a terra de longe, e amparando-a com paredes ou paredões grandiosos e pacientes. Encaminharam cursos de água, construíram poços, levadas e barrocos, atravessaram-nos com pontões. Recorrendo ao xisto miudinho ou à pedra ferrenha que existia nos sítios, construíram casas, currais, moinhos e lagares. Abriram estradas de bois e caminhos estreitos e pedregosos, trilharam veredas íngremes, longas e sinuosas. Mais tarde, cavaram a serra, plantaram árvores que os incêndios já dizimaram, rasgaram as estradas serpenteantes por onde circulamos ou apenas a água chovida corre, arrastando consigo o suor e as lágrimas das pessoas e do património perdido. Incansáveis, fizeram tudo à mão, usando a força física e ferramentas muito pesadas, abusando do esforço e do espírito de sacrifício, trabalhando de sol a sol, calcorreando léguas pela serra, com os pés descalços ou mal calçados, quantas vezes com fome. Devido à estreiteza dos caminhos e à insuficiência da terra para os sustentar, os animais de grande porte eram raros, pelo que tudo era transportado, através dos tais caminhos que mal o eram, à cabeça pelas mulheres, maioritariamente às costas pelos homens." in "Dos Objectos para as Pessoas" Lisete de Matos, edição da autora, 2008

Magusto no Soito

Moinho do “curtinhal” – um espaço na aldeia do Soito que em breve passará a integrar o património colectivo do Soito, complementando o Espaço Museológico já existente.

Contrariando a tradição, a Comissão de Melhoramentos do Soito fará este ano o seu convívio dos “Santos”, no fim-de-semana seguinte ao habitual, mais concretamente no dia 8 de Novembro, Sábado, o qual, para além do tradicional magusto, às 16H30, incluirá também um almoço, às 13H00, com menu regional ainda a definir.
A participação no almoço deverá ser confirmada até ao próximo dia 4 de Novembro (Terça – Feira), para os seguintes contactos: cm_soito@hotmail.com; António Duarte: 933496796/217937915; Alfredo Campos: 218864403/934631441 ou Armando Braz 235761122/217963652 e implica o pagamento de 10,00€ por pessoa e 5,00€ para crianças até aos 12 anos, sendo que o magusto é grátis e aberto a todos os que nele queiram participar.
Para além do natural convívio e da união de todos, este encontro visa uma maior mobilização das gentes do Soito para a prossecução dos projectos em curso (recuperação do espaço da Eira e moinho do “curtinhal”) e fornecer alguns esclarecimentos sobre as eventuais possibilidades de recurso ao QREN para financiamento de projectos colectivos ou individuais, que poderão ser essenciais ao futuro da nossa aldeia.
A sua presença e empenho constituem um contributo indispensável para a sobrevivência do Soito e, consequentemente, da freguesia do Colmeal. Não falte!
António Duarte – CMS

O poste... que fazia chi-chi

Poderá muito bem ser o título de uma nova história para crianças. Não para os pais lerem aos filhos antes de adormecer, mas para os filhos lerem aos pais diversas vezes ao dia. Curiosamente, nota-se que entre os mais pequenos começa a haver uma maior consciencialização e preocupação com o meio ambiente. São eles que por vezes alertam os pais para situações com que se deparam no dia a dia e ficam tristes por nem sempre serem ouvidos e compreendidos. Numa altura em que tanto se fala no aquecimento global, na qualidade do ar que respiramos ou na escassez de bens essenciais como é o caso da água, ainda nos deparamos com situações como a que a foto documenta.

Colmeal em Foco

Regionalismo está cada vez mais altivo, quer nas sedes concelhias quer nas suas povoações, nesta vasta zona serrana. É um mote evoluído com raízes no coração, de personalidades que expressam com sentimento o valor de cada região, fortalecendo o querer viver em parceria social, obtendo frutos, como é o facto a considerar da comemoração dos 77 anos de vida da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, uma festa de grande sumptuosidade, realizada no passado dia 21 de Setembro. O Colmeal é um berço embalado pelo vale do Ceira, cheio de relíquias e recordações que o tempo não apaga, merecendo o carinho de quem nele nasceu. A vida difícil forçou a deitar mão à emigração e embora mais estagnada a ausência de habitantes, o progresso do Colmeal não declinou, porque as gerações renascem através de eventos que dão calor humano aos ausentes e presentes. Agrada registar o grande timoneiro "Boletim mensal da paróquia", que se hoje estivesse a circular, estava a comemorar 50 anos de existência e o tempo da sua vida era uma carta de família para todos os colmealenses, que guiou o destino de muitas obras, a dar notícias da freguesia com clareza e objectividade, sendo beneficiadas as povoações: Sobral, Açor, Adela, Soito, Carrimá, Malhada, Carvalhal, Aldeia Velha, Quinta de Belide, Saião, Salgado, Vale d'Asna, etc.. A Junta de Freguesia sempre atenta em dar solução aos problemas mais prementes, com o esforço dos responsáveis, consegue dinamizar planos em prol das povoações, de acordo com os rendimentos obtidos e outras receitas, a serem geridas convenientemente, não faltando o apoio a outras organizações da freguesia, tendo como palco de honra a sua "UNIÃO PROGRESSIVA". Ela é o baluarte do regionalismo e desenvolvimento, que próximo de terminar o mandato doa actuais dirigentes, é digno destacar o seu presidente, regionalista e mentor, dr, António Domingos dos Santos, sempre apto na divulgação dos acontecimentos, em especial nos Jornais (O Varzeense e Jornal de Arganil), é digno realçar os escritos que endereçou ao êxito alcançado na festa comemorativa, seguido de outro acérrimo regionalista e redactor do Jornal "A Comarca de Arganil", lançando a sua crónica bem pautada do acontecimento, com a sabedoria habitual, do nosso bom amigo António Lopes Machado, louvores a registar, também, aos exímios jornalistas dos jornais já citados em muitos eventos da região. Esta introdução vai ao encontro de outro aspecto muito relevante e que vamos dar vida à caminhada que se segue: o autocarro do Colmeal, ligado à conceituada Empresa Luís Filipe, de Coimbra, sendo responsável o simpático motorista, Pedro Santos, saiu às 7,30 h, e bem coordenado pelo dirigente Álvaro e sua esposa, desde a saída até á chegada. Houve uma pequena paragem, próximo do Carvalhal e Aldeia Velha, sendo notada com satisfação a entrada, de 14 passageiros, ficando a viatura devidamente em ordem a caminho de Alvares, tendo prosseguido a viagem até ao (Café Restaurante Marques - Cabaços) local escolhido para o pequeno-almoço e que o seu proprietário José Dias Marques e seu filho Paulo, acolheram os visitantes com simpatia, que para paragem e interesse turístico, tem capacidade para mais de 750 pessoas, digno de ser considerado. O novo percurso foi acarinhado pela paisagem agrícola, cheia de cor e de vida a área de Tomar e via Torres Novas, rica na colheita do milho e o aumento progressivo de boas vinhas, já a atravessar a ponte do rio Tejo-Chamusca, uma vila situada na margem esquerda, com características culturais da região e quem viaja, pode apreciar o igreja matriz do século XVI, o Museu Municipal, o núcleo arqueológico romano e outros, deixando este apontamento para continuarmos até ao local de encontro, outra relíquia ribatejana, a bela vila de Alpiarça, que dos quatro autocarros vindos de Lisboa e o nosso, após reunidos os colmealenses e amigos, pelas 10,30, foi iniciado o programa com visita ao museu dos Patudos, bastante concorrida pela UNIÃO, a ultrapassar as 160 pessoas. Dar expansão à grandeza da Casa, um dos Grupos teve o privilégio de ter como guia a simpática D. Laurinda, arquivista do Museu, com dotes especiais em dar conhecimento da biografia do seu fundador, José Mascarenhas Relvas (1858-1929), que embalados na sua voz, vamos recordar apenas o título de cada Sala, cheia de pergaminhos dessa figura notável, com grandes qualidades de dirigente associativo, administrador agrícola bem sucedido, promotor sensível do bom gosto artístico, amante da música, viticultor exímio, político e conspirador contemplativo. Abel da Silva Gonçalves in Jornal de Arganil, de 23/10/2008
in http://goisvive.blogspot.com/

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

União e Progresso do Carvalhal

O Carvalhal, uma das aldeias da nossa freguesia e com a maior população e grande colónia na capital, já em tempos idos, teve a sua colectividade regionalista que infelizmente se extinguiu. Foi com verdadeiro carinho que entre os seus naturais começou a constar e afirmar-se ir surgir nova agremiação. Tal acontecimento parece-nos digno de nota e de relevo. No intuito de algo podermos dizer aos nossos leitores, em especial aos do Carvalhal, procuramos o Sr. Manuel Martins Barata, um dos iniciadores do movimento, que amavelmente se colocou à nossa disposição. Manuel Barata é um jovem dinâmico e activo, sempre interessado em tudo que diga respeito ao prestígio e progresso do Carvalhal e da nossa freguesia. Comerciante no ramo de representações, tem sempre um pouco de tempo livre para se dedicar aos assuntos regionalistas. Daqui a amizade e relações de simpatia que desfruta entre a colónia da nossa freguesia.
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À nossa primeira pergunta, de como tinha surgido a ideia da nova colectividade e qual o seu título, Manuel Barata responde: - A ideia já vem de longe, mas este movimento só tomou vulto quando da nossa festa pelo S. João. A rapaziada, em alegre convívio, deliberou levar essa ideia avante, dando disso conhecimento verbal a todos os nossos conterrâneos de forma a conseguir-se o desejado e imprescindível apoio. - E esse apoio tem existido? - Sim, até talvez em maior escala do que o esperado. Estamos crentes que de princípio conseguiremos um número de sócios da ordem dos cem – o que, para iniciar, seria óptimo. Sobre o título a adoptar será talvez: União e Progresso do Carvalhal. - Qual a direcção prevista para a nova agremiação? - Salvo motivo imprevisto será composta pelos seguintes senhores: Manuel Almeida Santos, Álvaro Marques, Manuel Fernandes, João Martins, Fernando de Almeida, Agostinho de Almeida, Carlos dos Santos e Manuel Lopes, respectivamente, presidente, secretário, tesoureiro e vogais e possivelmente eu como vice-presidente. - Depois de fundada e logo que haja possibilidades financeiras, existe algum empreendimento em perspectiva? - Eles são vários: em especial o calcetamento das ruas, mais um fontanário, reparar o lavadouro e inclusivamente o Largo da Eira ao qual se pensa dar o nome do seu iniciador, António Marques de Almeida. - Não será prejudicial a criação de mais uma agremiação visto poder resultar um desmembramento de associados das já existentes? - Estou certo que não, até porque os naturais do Carvalhal muito consideram a União Progressiva a quem muito devem. A direcção a ser eleita tudo fará para que os interesses da colectividade mãe não sejam afectados. Com um aperto de mão nos despedimos e aqui fica expresso o desejo de felicidades, esperando que os naturais do Carvalhal não faltem a esta chamada de colaboração e apoio à futura União e Progresso. in Boletim “O Colmeal”, Ano VI, N.º 65, Janeiro de 1966 E foi assim que há quase quarenta e três anos, Fernando Costa entrevistava o também jovem Manuel Martins Barata. Repare-se na sua simplicidade e humildade, aqui bem patentes, nas suas respostas. A sua preocupação em relação à colectividade mãe da freguesia, a mais antiga, a União, para que não fosse beliscada com o aparecimento da sua União e Progresso. E também o entusiasmo visível e que sempre lhe conhecemos ao longo dos anos, em que trilhámos os caminhos nem sempre fáceis do regionalismo. Vivia os problemas do Carvalhal como ninguém. O seu esforço, tenacidade e empenho podem ainda hoje ser comprovados nas melhorias que encontramos quando percorremos as ruas da sua aldeia, a aldeia para onde voltou para sempre, cedo demais, com apenas setenta e cinco anos. O seu nome ficará para sempre ligado ao abastecimento de água, electrificação, calcetamento das ruas, construção do cemitério, entre outras coisas. Como em tudo na vida e em qualquer lugar isso acontece, nem sempre Manuel Martins Barata foi bem compreendido ao longo dos vinte e oito anos em que esforçadamente dirigiu a União e Progresso do Carvalhal. Acontece aos melhores e Martins Barata está e estará sempre entre os melhores. Na União Progressiva da Freguesia do Colmeal desempenhou durante cerca de trinta anos vários cargos na Direcção, Conselho Fiscal e na Comissão Regional. Estando a comemorar-se os 80 Anos do Regionalismo no Concelho de Góis, confiamos que a União e Progresso do Carvalhal saberá dizer presente e, conjuntamente com as restantes colectividades da freguesia do Colmeal, ajudará a mostrar e a dignificar o trabalho que foi feito ao longo dos anos nas nossas aldeias e pelas nossas gentes. A. Domingos Santos

Em breve... novas "estórias"...

Olá! Obrigada pelas notícias. Espero que já tenham "recuperado" dos eventos... Têm sido muitos. Bem organizados, e como sempre, fruto de muito trabalho da UPFC, seus dirigentes e colaboradores. Parabéns mais uma vez. Eu tenho acompanhado pelo blogue e tenho recebido as circulares, sempre a tempo. Muito Obrigada. Surgem-me sempre, na mente, comentários, textos, recordações, estórias enfim... sobre o "nosso" querido Colmeal, suas terras, suas gentes. Até "frequentei" recentemente um pequeno curso sobre "Escrita, suas técnicas e normas"!!! Mas...há que ter talento para escrever e... esse não se aprende. Ou se tem ou não se tem. Daí a razão para a minha "inibição" em enviar os meus "escritos" (secretamente guardados na minha gaveta, baú e... mente...), para o blogue da UPFC, tão sabiamente organizado e com uma frequência de elogiar. Tenho acompanhado os "relatórios de visitas" ao blogue. Mais uma vez: Parabéns pelo trabalho da UPFC nesta área. As "visitas" passaram a ser também um motivo para a minha "inibição". O que se escreve é lido por muita gente. Será analizado e criticado. Daí a minha decisão em "frequentar" um curso sobre "Escrita"!!! A minha autocrítica tem sido muito severa. O que tenho enviado para o blogue tem sido sempre, tímidamente, na qualidade de "pseudónimo"!!! Muitas "estórias" tenho guardadas na gaveta. Até aqui, elas eram apenas minhas. Partilhá-las com tão ilustres leitores - muitos deles: meus bons companheiros (no Colmeal) de infância... adolescência e já em idade adulta também, sempre recordados com muito carinho e saudade - começou a tornar-me a tarefa "escrever" - até agora para mim, fluente e fácil (pensava eu) - cada vez mais difícil. Abraços e Saudades. Ana, badana, rabeca, susana.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Magusto e Mostra - cancelamento

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A Direcção da União Progressiva da Freguesia do Colmeal informa todos os associados e amigos, que face ao falecimento do nosso sócio Manuel Brás de Almeida, verificado hoje, decidiu cancelar as actividades programadas para o dia 2 de Novembro - Magusto e Mostra/Venda de artesanato. À Belmira Fontes de Almeida, nossa colega na Delegação no Colmeal e a todos os restantes familiares, apresentamos os mais sentidos pêsames.
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A Direcção da UPFC

COLMEAL, terra de abelhas e de homens

Quem deu o nome de Colmeal à terra onde existem colmeias foi feliz e profundo. Na realidade, ainda hoje se encontram numa das típicas varandas da povoação, e será esse o sinal evidente da felicidade da designação. Quanto à profundeza do acerto, não sabemos se se deverá pensar na fertilidade que embeleza montes e vales ou se nos devemos referir à franca e acolhedora hospitalidade de cada colmeia, de cada casa. Do colorido leito do rio Ceira, meigo e fresco a quebrar ardências solares, até à repousante e sobranceira Ermida do Senhor da Amargura, os caminhos tortuosos, mas limpos, deixam ver uma vegetação variada e sente-se a protecção segura das florestas que culminam essa encosta e a que se lhe opõe. Até os terrenos abandonados, com vergonha da nudez, se cobrem de espontânea relva, sorriso irónico da fecundidade do solo. Repousa-se a vista e, quando nos decidimos à escalada, a máquina respiratória, pouco habituada a esforços, recompõe-se em curta paragem. Ali se reconhece então o verdadeiro significado do «ir a ares». Solo rico em beleza panorâmica e ambiente tonificante, o amanho de pequenas courelas não consente, por si só, a subsistência de elevada proliferação e os filhos numerosos abandonam o seu querido Colmeal em busca de novos recursos. Apesar disso, não o esquecem. Ainda que à custa de enormes sacrifícios, longe da terra natal, os seus naturais preocupam-se em converter suores no arranjo ou na construção de habitações quase sempre desabitadas. Porém, quando se abrem, as suas portas ficam franqueadas, lhana maneira de suavizar a míngua da terra encantadora, excelsa prova de que não esqueceram a lição ministrada pelas simpáticas abelhas que só gostam de viver em sociedade. VITOR COELHO In Boletim “O Colmeal”, Ano X, N.º 106, Outubro de 1970

Lendo... aos poucos

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"Há trinta anos, todas as casas estavam habitadas e, ausentes alguns maridos e filhos, os residentes rondavam os trinta. Os mais novos continuaram a partir e, dos que ficaram, muitos repousam já na paz do Senhor. Sente-se a sua ausência na relva que cobre os bocados, nos silvados que proliferam, no desgaste das próprias casas, enfim, num certo ar de abandono que paira um pouco por toda a parte. Encontram-se, porém, a todo o momento: a descansar do carrego nos poisos dos caminhos que trilharam, nos marcos que puseram a separar as sortes, nas paredes que suportam os cômoros e cuja terra e pedra acartaram de longe, nas lajes, ao alto, a segurar a terra, nas levadas e poços que construíram, nos objectos que utilizaram, nas referências que se lhes fazem para recordar factos que aconteceram no ano em que fulano nasceu, casou ou morreu." in "Gente da Serra - Do seu Quotidiano e Costumes" Lisete P. Almeida de Matos, Edição de 1990

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

António Ferreira Ramos

Ainda recentemente estivemos juntos em mais um almoço de aniversário da União, a sua União Progressiva. É um nome que lhe diz muito e que ele se habituou a pronunciar e a servir ao longo de mais de meio século. Veio de propósito para comemorar com a família e os amigos os setenta e sete anos da colectividade, quase tantos como quase os que já viu passar por si. Depois de um dia de alegrias e emoções, regressou ao Colmeal desfazendo as curvas feitas pela manhã. Estava ainda a passar férias com a sua Ilda, na sua "nova" casa ao Canto, ao que se diz o bairro mais antigo do Colmeal. E tudo corria bem até que... querendo trabalhar... "se meteu em trabalhos". O amor à terra e a recordação do que se fazia e de como se fazia antigamente foram mais fortes do que as recomendações e o nosso António teve mesmo que ir "fazer a queimada". Só que as chamas foram mais lestas e matreiras que as suas pernas com oitenta e um anos e o pior aconteceu. Sabemos que o António é forte e que vai encarar estoicamente os próximos tempos, que não vão ser fáceis. Rodeado dos maiores e melhores cuidados, António Ferreira Ramos, o "Barrocas" para os amigos antigos e dos tempos da sua União Progressiva, vai aproveitar o tempo de imobilismo para certamente recordar tempos idos, em que privou e trabalhou com tantos homens bons que ajudaram a modificar a sua terra. A União Progressiva da Freguesia do Colmeal está com ele nesta fase difícil e todos lhe desejamos, muito sinceramente, o seu completo restabelecimento. Um grande abraço. Força António! UPFC

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Colmeal - História e curiosidades (3)

Continuando a utilizar o excelente trabalho de pesquisa levado a efeito pelo Movimento Cidadãos por Góis, ficamos a saber que no ano de 1799 e em 19 de Agosto – Foi feito o reconhecimento dos limites dos Lugares de Souto, Malhada, Foz da Cova, Foz de Carrimá e Portal, da freguesia do Colmeal. Os Lugares de Boiças e Vale Sobreiro, igualmente reconhecidos como pertença de Góis, não estão na freguesia do Colmeal, mas sim na de Fajão. 2 de Setembo – Foi feito o reconhecimento dos limites dos Lugares do Colmeal, Carvalhal do Sapo, Aldeia Velha, Reçaio e Revelia, da freguesia do Colmeal. 22 de Setembro - Foi feito o reconhecimento, pelos habitantes do Lugar de Sobral, da vila de Celaviza e seu termo, e do seu donatário, Marquês de Abrantes. UPFC

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

80 Anos de Regionalismo no Concelho de Góis

Na passada quinta-feira, 9 de Outubro, a Direcção da União Progressiva respondeu afirmativamente a uma solicitação do Conselho Regional da Casa do Concelho de Góis, e esteve numa primeira reunião de trabalho para que a presença da freguesia do Colmeal em Lisboa seja uma realidade. Já anteriormente e numa nota enviada à comunicação social da região – imprensa e rádio, o Conselho Regional garantia a representação da freguesia do Colmeal, nos termos que a seguir se transcrevem: A representação da Freguesia do Colmeal está assegurada pela União Progressiva da Freguesia do Colmeal que, tanto quanto se sabe, irá fazer uma aproximação junto de outras colectividades para que em conjunto, possam ter o sucesso pretendido. Estamos a estudar uma hipótese para que a freguesia do Colmeal se mostre em Lisboa durante o mês de Janeiro de 2009. A União Progressiva da Freguesia do Colmeal, convidada na qualidade de colectividade mais antiga da freguesia, fica honrada com esta escolha que é ao mesmo tempo um grande desafio. Como atrás se diz, a União irá promover uma aproximação junto das outras colectividades da freguesia, o que já tem vindo a fazer informalmente. Entretanto, já remeteu uma carta a todas elas, pois que só trabalhando, pensando e agindo em conjunto se conseguirá fazer algo que dignifique o regionalismo e a freguesia do Colmeal. A freguesia do Colmeal existe e terá que estar presente nas comemorações dos 80 anos do Regionalismo no Concelho de Góis. Todas as colectividades deverão estar sensibilizadas e envolver-se com entusiasmo no sentido de se conseguir um trabalho conjunto que a todos dignifique. E também a nossa Junta de Freguesia que recentemente mostrou disponibilidade para colaborar. A data previsível para o Dia da Freguesia do Colmeal será a de 31 de Janeiro de 2009. Entretanto estão já calendarizadas as datas de 25 de Outubro para o Dia da Freguesia de Vila Nova do Ceira e depois a 15 de Novembro, o Dia da Freguesia de Alvares. Enquanto não agendamos uma reunião com as colectividades e a Junta, para se analisar a forma de trabalhar em conjunto, sugerimos que se vá pensando no que de melhor podemos trazer das nossas aldeias, para que tenhamos uma representação digna. Haverá necessariamente uma pequena sessão de abertura alusiva ao acontecimento que se comemora. A nossa freguesia tem valores humanos incalculáveis. Tem escritores e pintores, que poderão apresentar e expor as suas obras. Ou fazer o lançamento de um livro ou a sua apresentação em Lisboa. Temos artesãos que poderão vir mostrar os seus produtos e os seus trabalhos. Há fotografias antigas e outras mais recentes que permitirão ver as diferenças operadas ao longo dos anos nas nossas terras. Por que não trazer concertinas, guitarras e violas e relembrar os bailes de antigamente? Estas são algumas sugestões do que se poderá apresentar neste Dia da Freguesia do Colmeal em Lisboa, na Casa do Concelho de Góis. Certamente irão surgir outras. Para isso solicitamos a melhor colaboração de todos os Colmealenses – sócios, naturais e oriundos da freguesia do Colmeal – que nos apresentem ideias para que na reunião possamos avançar com passos concretos. Obrigado pela colaboração que, antecipadamente, sabemos nos irá chegar. UPFC

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Mostra/Venda de artesanato e produtos locais

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Todos ficámos conscientes e muito agradados com o sucesso de que se revestiu a experiência com a primeira “Mostra/Venda de artesanato e outros produtos locais” realizada no fim-de-semana da última Páscoa, no Colmeal. A União Progressiva vai realizar de novo o tradicional magusto, no próximo dia 2 de Novembro, no Parque de Merendas das Seladas. E, tal como no ano passado, pretende levar ao Colmeal muitos visitantes, entre sócios e amigos da colectividade, que querem conhecer a nossa aldeia, a região e conviver com as gentes da serra. A União Progressiva da Freguesia do Colmeal formulou um convite aos artesãos e produtores que estiveram presentes na primeira Mostra, para que aproveitando este afluxo anormal de visitas no dia do magusto, 2 de Novembro, repitam a experiência e possam voltar a expor, divulgar e apresentar os seus produtos, agora no Parque de Merendas das Seladas, durante o convívio que aí se vai processar. É para todos muito gratificante continuar a verificar que ainda há pessoas interessadas e com entusiasmo, que vão produzindo mel, queijo, enchidos, broa, medronho, pequenas construções em xisto e trabalhos em madeira, artigos em lã, bijutarias, para além de outros produtos, que as vão mantendo fixadas numa tentativa louvável de contrariar o abandono, o isolamento e a desertificação. O nosso envolvimento pessoal e das Comissões de Melhoramentos que dirigimos é fundamental para a sensibilização dos nossos associados para a compra e divulgação destes produtos. Por outro lado, o entusiasmo que colocarmos nestas realizações terá um efeito imediato no encorajamento tão necessário aos nossos artesãos e na dinamização da sua produção. Temos que ser nós, devemos ser todos nós e com os meios que estão ao nosso alcance, a divulgar, a dar a conhecer o que de bom temos nas nossas terras, nas nossas aldeias e que se não apoiarmos, corre o risco de desaparecer. Contamos com a compreensão, colaboração e dinamismo de todos os nossos artesãos e produtores para que esta realização seja de novo coroada de êxito. UPFC

Manuel Nunes de Almeida

(Clicar na imagem para ampliar)
Faz hoje precisamente um ano que no mensário "Voz de Fátima", N.º 1021, surgia uma pequena notícia relacionada com um nosso sócio e amigo, acompanhada da sua fotografia. Nela se dizia que "Manuel Nunes de Almeida deslocou-se em mais uma peregrinação familiar a Fátima, acompanhado da filha, onde se deu a conhecer como mais uma pessoa nascida em 13 de Maio de 1917. Nascido no concelho de Góis, na freguesia do Colmeal, acabou por fazer a sua vida em Lisboa, onde ainda reside e para onde foi viver com 12 anos. Trabalhou como barbeiro, como enfermeiro, e depois na área de hotelaria. Na breve conversa tida com este homem, actualmente com 90 anos, de imediato salta à vista a sua grande vontade de viver e de aprender. Com vários cursos de línguas estrangeiras, tem também o 3.º ano do curso de Direito. Manuel Nunes de Almeida publicou, e ainda continua a escrever, vários livros, alguns de poesia, outros de prosa. Um dos livros "Missão de Mãe" mostra, na dedicatória, a devoção de Manuel de Almeida a Nossa Senhora. « Dedico este livro a todas as mulheres do mundo, com um veemente apelo: Enquanto mulher, nunca assumas a desgraça como uma fatalidade irreversível; enquanto mãe tem a humilde coragem de, como Maria da Nazaré, aceitares ser instrumento da vontade do criador.» " Este e outros livros de sua autoria, como "Levante-se o Réu", "O Homem e a Montanha", e "Por entre as torres, e os fundões da vida, o homem procura-se" foram-nos simpaticamente oferecidos e encontram-se à disposição de todos na Biblioteca da União, no Colmeal. Durante muitos anos dedicou parte da sua vida a um grande projecto - a "Quinta das Águias".
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Recordamos a sua presença no almoço comemorativo dos 75 anos da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, realizado em Setembro de 2006, junto de sua esposa e filha.
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Foi um dos que, face à sua antiguidade de mais de cinquenta anos como associado, foi atribuída uma placa comemorativa, aqui entregue pelo Eng.º Fernando Pinto Caetano, Presidente da Assembleia-Geral da União Progressiva da Freguesia do Colmeal. UPFC

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

E tudo começou assim...

Foi com este cartaz das Festas de Verão no Colmeal que em 2007 iniciámos o nosso percurso pelas novas estradas da informação ao volante de um carrito que mal sabíamos conduzir. E com velocidade moderada temos seguido o nosso caminho numa tentativa de levar a União Progressiva, o Colmeal, a freguesia e o concelho de Góis a casa de cada um, em qualquer parte do mundo onde se encontrem. Seis meses atrás, em 18 de Abril, atingíamos as 10 mil visitas. Hoje, dobrámos e chegámos às 20 mil. Estamos contentes. Estamos satisfeitos. Mas, naturalmente, queremos melhorar e em cada dia que passa tentamos fazê-lo. Mas não o poderemos fazer sozinhos. A sua colaboração, a sua participação, uma fotografia recente ou antiga esquecida lá por casa, uma pequena nota para publicação, um seu comentário, tudo isso nos dará alento para continuar, manter e se possível melhorar o nível atingido. Temos recebido muitas mensagens de felicitações, algumas das quais vindas de pessoas que não conhecemos nem nos conhecem. Temos sido visitados em todos os continentes e em países onde nunca pensámos que o Colmeal chegasse. São alguns dos benefícios das novas estradas da informação. A nossa postura, manifestada logo de início, para este espaço que se pretendia aberto a todos e a todas as ideias, tem sido seguida e felizmente compreendida pela grande maioria dos nossos visitantes. Não estando activados mecanismos de controlo impeditivos da recepção de comentários, acontece que por vezes surge um ou outro, que poderá ser menos simpático ou mais cáustico para quem se considere como alvo. Num blogue como o nosso, com educação, civismo e elevação, haverá sempre lugar para quem queira participar e partilhar as suas ideias. Sabemos que nem sempre é fácil entender e lidar com a democracia, mas desde que não haja ataques pessoais ou insultuosos, o nosso blogue estará sempre disponível. Para além da "Página Principal" que hoje atingiu os vinte mil visitantes, apraz-nos registar os números alcançados nas outras. No "Cantinho da Saudade" mais de 3850, no "Especial Açores" ultrapassados os 1770 e em "A União no Presente", 6550 visitantes. Para um blogue de uma colectividade regionalista, com a pequena dimensão que sabemos ter, ficamos contentes com os números alcançados. Milhares de fotografias relativas às últimas realizações da União Progressiva da Freguesia do Colmeal foram sendo colocadas, assim como muitas outras que nos chegaram, vindas das mais diversas proveniências, para nos ajudarem a recordar um pouco do passado que não podemos nem devemos renegar. Vamos aguardar pelo reforço da sua colaboração. A nossa região precisa de si para ser mais conhecida. As nossas aldeias necessitam das suas palavras e das suas fotografias para que não sejam esquecidas. Tudo faremos para recordar e trazer à luz do dia o passado de uma colectividade regionalista, pioneira na freguesia e uma das primeiras do concelho de Góis, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Um OBRIGADO GRANDE ao Francisco Silva pela ideia de criar este blogue e a todos quantos ao longo deste ano foram colaborando connosco. A. Domingos Santos

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Colmeal à noite

Estas fotografias não teriam sido possíveis antes de 19 de Dezembro de 1971, dia em que foi inaugurada a rede eléctrica no Colmeal. "A noite fez-se dia e o Colmeal delirou. Em ecos de alvorada vivemos um dia cheio, um dia longo, um dia feliz. Na escuridão da noite acende-se uma luz, transforma-se a esperança de anos em certeza de um dia." in Boletim "O Colmeal", Ano XI, nº 114 Março de 1972 .
UPFC

terça-feira, 7 de outubro de 2008

MAGUSTO no COLMEAL

No próximo dia 2 de Novembro, vamos de novo fazer o tradicional MAGUSTO no Colmeal. Estamos a preparar uma excursão – um autocarro, pelo preço único de 26 euros com almoço incluído, que sairá de Lisboa às 7 horas, do local habitual (Sete Rios – frente ao Jardim Zoológico). O regresso terá início cerca das 18 horas. Se estiver no Colmeal e quiser associar-se, pagará apenas 8 euros pela refeição. O almoço com ementa de cariz regional será no agradável Parque de Merendas das Seladas. Se o tempo não o permitir, estamos a encarar utilizar como alternativa, um recinto coberto. Esperamos poder ter a habitual gentileza das senhoras do Colmeal para a preparação das sobremesas, mas se quiser trazer e partilhar um bolo ou um doce, teremos muito gosto. Cerca das 16 horas iniciaremos o tradicional magusto com castanhas, água-pé e jeropiga. Como nos anos anteriores o magusto é grátis e é uma oferta da União. Solicitamos o favor de efectuar a inscrição (excursão ou almoço), se possível até dia 24 de Outubro, para os seguintes contactos: Colmeal – José Álvaro/Bela – 235 761 490 Lisboa – António Santos – 21 7153174 / 96 2372866 Lisboa – Maria Lucília – 21 8122331 / 91 4815132 Venha passar connosco um dia diferente e reviver esta tradição do MAGUSTO. E não perca a MOSTRA/VENDA DE ARTESANATO E PRODUTOS LOCAIS que os nossos artesãos, com muito gosto e entusiasmo, estão a preparar para si. Vai ver que vale a pena. A Direcção 7/Outubro/2008

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Livros no Colmeal

Ao passar os olhos num dos últimos números da Revista Única, fiquei agradavelmente surpreendido por uma pequena nota relacionada com uma escolha de livros feita pelo ex-presidente da República Mário Soares. Dizia ele "Gosto de livros pelos seus conteúdos, como gosto deles como objectos de arte. Nos portugueses, ponho acima de todos Os Maias, de Eça de Queirós. Mas tenho muitos outros escritores de quem gosto, de Lobo Antunes a Saramago, para falar dos contemporâneos. Na poesia tenho de mencionar Fernando Pessoa. Mas também não esqueço grandes poetas como Guerra Junqueiro, Bocage e Camões, sobretudo da sua lírica. De livros estrangeiros cito Tolstoi e Guerra e Paz, Os Thibaullt, de Roger Martin du Gard, mas também O Estrangeiro, de Camus, ou A Montanha Mágica, de Thomas Mann." Como referia no princípio, fiquei agradavelmente surpreendido porque a Biblioteca da União no Colmeal, também tem estes autores e estes títulos, o que quer dizer que os nossos leitores têm à sua disposição um acervo de grande qualidade e variedade. Brevemente estarão disponíveis mais duas colecções, do tipo "livro de bolso". De fácil manuseamento e agradável leitura. Autores portugueses como Alexandre Herculano, Florbela Espanca, Trindade Coelho, Eça de Queirós, Júlio Dinis ou mais modernamente Miguel Sousa Tavares. A Cidade e as Serras, um livro que é publicado após a morte de Eça e trata da tensão que vive o homem da cidade, refém das necessidades surgidas com a civilização. A Queda de um Anjo, uma das mais célebres novelas de Camilo, em que faz uma caricatura da vida política política portuguesa. O Sermão de Santo António aos Peixes, proferido em 1654, pelo Padre António Vieira, em que os peixes são a personificação dos homens e símbolos dos vícios dos colonos portugueses no Brasil. Trindade Coelho e o seu livro de finais do século XIX, Os Meus Amores, em que homens, crianças e animais convivem na fraterniddae duma comunhão de sonhos, de dramas e sentimentos comoventes passados em cenários rurais. E muitos outros, de variados autores, como por exemplo, Fialho de Almeida, Raúl Brandão ou Bernardim Ribeiro. Ou escritores estrangeiros consagrados como Máximo Gorki, Franz Kafka, Dostoiévski, Jack London ou Thomas Hardy. Não perca mais esta oportunidade de usufruir de bons autores e de boa leitura. A. Domingos Santos