terça-feira, 30 de setembro de 2008

Vistas do Colmeal

Foto de F.S.

A nossa velhice

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Assim como nós vamos envelhecendo também o país vai ficando mais velho. No ano de 2007 foram mais os que morreram do que os que nasceram. A continuar assim, podemos desaparecer tal como muitas outras espécies têm desaparecido da face do nosso planeta. Os números são preocupantes e foram apresentados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) ainda muito recentemente. Pior que 2007 só aquele ano, já longínquo de 1918, em que a pneumónica devastou a Europa e em Portugal causou mais de sessenta mil mortes. Em todo o mundo terão sido mais de vinte milhões as suas vítimas. Segundo o INE haverá crescimento demográfico até ao fim da primeira década deste século mas quanto ao futuro, as perspectivas não serão animadoras e tudo indica que se entrará em queda, o que para os especialistas já não será grande novidade. Tem-se verificado uma descida continuada no índice de fecundidade da mulher portuguesa ao mesmo tempo que se assiste a uma ligeira subida na esperança de vida, o que nos vai conduzindo para uma sociedade envelhecida. O mesmo se vai verificando por essa Europa fora e por esse mundo, especialmente nos países industrializados e em desenvolvimento, enquanto em África e em países menos desenvolvidos ainda se vai passando o inverso, por enquanto. Daqui a meio século as pessoas com mais de oitenta anos serão o triplo das de hoje. E como será na nossa região? No nosso concelho? Na nossa freguesia? Na nossa aldeia, em que muito raramente se nasce e apenas se vai morrendo?... .

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Crónicas e Memórias

“Crónicas e Memórias” foi a última obra, em dois volumes, do grande jornalista António Lopes Machado, publicado recentemente e que teve a amabilidade e a gentileza de nos fazer chegar com uma dedicatória muito simpática e de apreço pela acção regionalista que a União Progressiva da Freguesia do Colmeal tem vindo a desenvolver. Colectânea de textos que, segundo ele, foram surgindo e reunidos sem grande preocupação de lhe dar um sentido cronológico. Nasceu na freguesia de Pombeiro da Beira em 1927 e recorda que por altura dos quinze anos andava “nas suas aventuras no volfrâmio”, como tantos outros da sua idade. Chegou a Lisboa “na manhã cedo do primeiro dia de Janeiro de 1945” onde conclui o Curso Complementar do Comércio, já como trabalhador-estudante, em 1951. Em 1959 foi nomeado redactor de A Comarca de Arganil em Lisboa, em substituição de outro grande nome do jornalismo beirão – Luís Ferreira, relacionando-se nessa qualidade com a colónia da Beira-Serra residente na capital, acompanhando o seu Movimento Regionalista através das suas colectividades e iniciativas. Recorda a sua primeira crónica que foi logo publicada em 16 de Junho e que comentava a visita oficial a Lisboa da Princesa Margarida, de Inglaterra. Meio século depois, continua semanalmente a abordar assuntos diversos, quer sejam sobre a vida lisboeta, movimento regionalista ou de interesse histórico. Vem à sua memória neste livro, um convite do Dr. Mário Neves e de ter desperdiçado a carreira de jornalista. Encontra-o mais tarde num almoço da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, com Fernando Costa “que pintava e gostava de escrever” e “recordámos o episódio.” O Colmeal e a União não são esquecidos neste seu trabalho. “Encontro em Óbidos de Colmealenses ” recorda a páginas 115/119 que “Foi aqui que a União Progressiva da Freguesia do Colmeal, ao comemorar os seus 75 anos de vida, marcou encontro entre os colmealenses que foram de Lisboa com aqueles que vieram de Góis e do Colmeal… local apropriado para tão significativo Encontro, ligando o Regionalismo à Cultura, caminho recomendado às colectividades do género.” António Lopes Machado durante longos anos viajou pelo mundo, e dessas viagens, das suas andanças, foi escrevendo crónicas que reuniu em cinco volumes de Rotas do Universo. Crónicas que fazem parte do acervo da Biblioteca da União e que os colmealenses podem e devem ler. Como dizíamos no almoço comemorativo dos 77 anos da União Progressiva, António Lopes Machado é uma lenda viva e um grande mestre no Regionalismo. Ficamos à espera do seu próximo livro. A. Domingos Santos

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A CAMINHO DO ALMOÇO COMEMORATIVO DOS 77 ANOS DA U.P.F.C.

Ainda o lusco-fusco pairava e já o Largo D. Josefa das Neves Alves Caetano, no Colmeal, fervilhava de gente bem e mal acordada que aguardava a hora da partida.
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Pouco depois, enquanto o José Álvaro procedia ao embarque dos passageiros, dentro do autocarro, a Bela hospedeira exímia e simpática encaminhava-os para os seus lugares.
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Com o embarque da última viajante e as boas-vindas do condutor senhor Pedro Santos, o cantor de serviço desatou a proclamar, primeiro que lhe chamam pinga-amor, depois, que "quem nasceu lagartixa nunca chega a jacaré"!
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Entretanto, umas tantas curvas e quilómetros acima pela estrada desamparada, o Carvalhal e Aldeia Velha juntavam-se à aventura prometida. Para trás ficava o Colmeal envolto em neblina.
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Atravessando a paisagem agora também feita de torres gigantescas e rodopiantes, um arco-íris desejava-nos boa sorte e viagem. Como o senhor Carlos de Jesus, com o vinho do Porto mata-bicho que trouxe consigo com copos e tudo!
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Mais adiante, promovido a cobrador sem fraque, o José Álvaro passou à necessária recolha de fundos. Quem vai ao mar...
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Em Cabaços, parou-se para uma pausa revigorante. Por ali, o mundo já se adivinhava outro, como depois se veio a confirmar, nomeadamente através da visita à Casa-Museu dos Patudos! A iniciativa constituiu um excelente e emocionante tempo e espaço de reencontro. Parabéns à organização e aos participantes. Açor, Colmeal, 22 de Setembro de 2008 Lisete de Matos

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Almoço da União

Esta fotografia reporta-nos aos primeiros anos da década de sessenta. Almoço comemorativo de um aniversário da União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Reconhecemos Horácio Nunes dos Reis, (?), Manuel Francisco Braz, Armando Nunes dos Reis, Abel dos Santos, Fernando Henriques da Costa, Alfredo Marques da Costa, Manuel Martins Barata e António Marques da Costa. Arminda Neves Domingos Santos, Maria do Carmo Canelas Costa, Maria Urbana Henriques, Celeste Cecília Lopes de Oliveira Barata e Manuel Braz das Neves. De todos, apenas quatro se encontram entre nós. Naquele tempo só os homens desempenhavam cargos nos diversos órgãos da colectividade. Nas outras terras acontecia o mesmo. Os que recordamos com saudade nesta fotografia, todos eles se esforçaram nos vários lugares por onde foram passando ao longo dos anos. E eram tempos bem mais difíceis. Havia a estrada para trazer até à aldeia, a luz para substituir o candeeiro a petróleo, o cântaro da água que se queria abandonar e tantas outras necessidades que foram eliminando uma após outra. No próximo domingo vamos comemorar mais um aniversário da União Progressiva da Freguesia do Colmeal. São já setenta e sete os anos passados desde a sua fundação. Os pioneiros, os fundadores, aqueles que enfrentaram as primeiras grandes dificuldades e as venceram, já não estão entre nós. O seu trabalho tem sido continuado, em diferentes moldes porque os tempos são outros, por outras gerações. Vamos continuar a desenvolver esforços para que a União mantenha o lugar a que tem direito no regionalismo serrano. E se ainda não se inscreveu para o almoço comemorativo, aproveite os poucos dias que faltam. Faça-o quanto antes, pois que dos cinco autocarros que vamos disponibilizar, apenas restam meia dúzia de lugares. Venha connosco visitar a Casa-Museu dos Patudos e depois, passar um resto de dia diferente e animado. UPFC
Fotografia cedida por António Marques de Almeida (Tonito)

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Descubra as diferenças...

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(clicar nas fotos para ampliar)
Normalmente os jornais, revistas e outras publicações trazem desenhos com pequenas diferenças entre eles, com certo grau de dificuldade e que prendem a nossa atenção por alguns momentos. Olhamos para um, olhamos para outro e lá vamos encontrando as diferenças. As fotografias que aqui apresentamos (não temos muita vocação para o desenho) têm um grau de dificuldade bastante elevado. No entanto, admitimos que consigam detectar "algumas diferenças" entre elas. Três das fotografias foram retiradas do Blogóis (Fotos de JrC). As outras três foram retiradas das nossas máquinas. Se conseguirem descobrir as diferenças digam-nos alguma coisa. Ficamos curiosos.

Chafariz... com sorte

Tem torneira e tem água. Há outros que não têm essa sorte. Acontece no Colmeal. Sede de uma das freguesias do concelho de Góis. Foto cedida por Mariana Brás
UPFC

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Sorriso de criança

Sorriso inconfundível numa foto da primeira metade dos anos da década de sessenta do século anterior a este... Já apareceu em outras fotografias recordadas neste blogue. Continua simpática e sempre disponível para colaborar. Vamos encontrá-la no próximo almoço de aniversário da União e todos a vão reconhecer. Foto cedida por António Santos
UPFC

Foi há trinta anos…

47 anos da União Progressiva da Freguesia do Colmeal A União Progressiva da Freguesia do Colmeal distribui 80contos pelas Colectividades da freguesia. Conforme já foi noticiado, a Direcção da U.P.F.C., na sua reunião de 29 de Setembro deliberou conceder um subsídio de cinco mil escudos a cada uma das Colectividades e Grupos de Amigos das aldeias da freguesia, num total de 40 contos. Igualmente foi deliberado entregar 10 mil escudos, provenientes de um sorteio anual, à União e Progresso do Carvalhal, à Liga de Amigos de Aldeia Velha e Casais e à Comissão de Melhoramentos de Malhada e Casais. Com esta entrega às colectividades fechou-se um compromisso assumido por Direcções anteriores em entregar, anualmente, por sorteio, e para os fins que as Colectividades melhor entendessem, a importância de 10 mil escudos. Temos plena consciência de que as verbas atribuídas são uma gota de água no oceano das dificuldades que as Colectividades enfrentam. Satisfazendo um pedido da União e Progresso do Carvalhal, a braços com elevados encargos provenientes do calcetamento das ruas, a Direcção da U.P.F.C. decidiu atribuir-lhe a verba de 10 mil escudos para esse fim. Também os arruamentos no Colmeal constituem uma preocupação para os dirigentes da U.P.F.C., mas, como as verbas das autarquias locais são diminutas, só possivelmente no próximo ano haverá possibilidade da sua concretização. Para que tal aconteça, contamos com a compreensão e colaboração da Câmara Municipal de Góis, pois que as ruas estão em péssimo estado e trata-se de um melhoramento de primeira necessidade. Aliás, também o abastecimento de água à povoação é um problema prioritário, pois sistematicamente, quer seja Verão ou Inverno, há sempre falta de água. A Direcção da Colectividade tem consciência deste problema e está envidando esforços para a sua resolução, tendo já reunido com o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Góis. Depois de algumas semanas, que não foram poucas, em que a freguesia esteve privada de assistência médica, por falta de transporte, constata-se que de momento a situação está regularizada com a ida, uma vez por semana, do médico ao Colmeal. Pensamos que, se o estado actual da estrada do Vale do Ceira o permitir, os médicos e a carreira das camionetas continuarão a atingir a sede da freguesia regularmente. Mas o Inverno é impiedoso e as chuvas habituais farão sentir os seus efeitos. A estrada já devia estar concluída, mas por diversas razões a que a Colectividade é estranha, tal não acontece. Apesar de as razões serem estranhas à U.P.F.C., esta não tem descurado nos seus contactos com a edilidade local, frisando a sua apreensão pela demora na sua conclusão. No dia 9 de Dezembro vai a U.P.F.C., através dos seus elementos directivos, levar um pouco de carinho e de alegria aos pequenitos da freguesia. Haverá distribuição de brinquedos, um lanche e possivelmente uma sessão de cinema. Também será entregue às 3 escolas da freguesia, algum material didáctico para ser distribuído pelos seus alunos. Os resultados obtidos na excursão realizada ao Gerês e na festa convívio de 11 de Novembro foram inteiramente canalizados para estas duas realizações. Mais uma vez está provado que, sem a sua colaboração, a U.P.F.C. nada poderá fazer. Ajudar a Colectividade é tentar amenizar as carências daqueles que vivem nas nossas aldeias. Obrigado Amigo. Continuamos a contar contigo. Lisboa, 6 de Dezembro de 1978. In Boletim “O Colmeal”, n.º 56, de Out./Nov./Dez. 1978
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UPFC

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Colmeal - História e curiosidades (2)

Voltando a socorrer-nos do excelente trabalho de pesquisa levado a efeito pelo Movimento Cidadãos por Góis, temos que em
1560
16 de Novembro – É criada a paróquia do Colmeal, pelo Bispo de Coimbra D. João Soares. A pequena capela - ermida de S. Sebastião, no arrabalde da povoação, foi transformada em Igreja Matriz e anexada à Matriz de Góis. Os lugares que ficaram a pertencer à freguesia, além do Colmeal, são Carvalhal, Souto, Aldeia Velha, Sobral e Ádela. Neste mesmo dia, é criada também a paróquia de Cadafaz, tendo sido decidido construir uma nova capela. Ficaram a pertencer à nova paróquia os lugares de Cadafaz, Sandinha, Capelo, Relvas e Corterredor. Cabreira fica de fora.
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UPFC

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Fogo no Colmeal

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No passado dia 24 de Agosto, a agência noticiosa Lusa difundia para os meios de comunicação social a notícia, que a seguir transcrevemos:
Góis, Coimbra, 24 Ago (Lusa) - O incêndio que deflagrou na tarde de domingo em Colmeal, concelho de Góis, distrito de Coimbra, ficou circunscrito às 02:29 de segunda-feira, informou a Autoridade Nacional de Protecção Civil.
O fogo, detectado às 18:00 de domingo, lavrou em três frentes, numa zona "muito acidentada, de difíceis acessos e comunicações", no limite dos concelhos de Góis e Arganil, informou Paulo Palrilha, segundo comandante distrital de Operações de Socorro de Coimbra. O incêndio foi combatido por 272 bombeiros, incluindo dois grupos de reforço de incêndio florestal (GRIF), provenientes de Aveiro e Leiria, com o apoio de 67 viaturas e uma máquina de rasto. Participaram ainda nas operações de combate dois aviões Canadair e dois helibombardeiros Kamov. Uma fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Coimbra disse à Lusa que este foi um incêndio de "médias dimensões", cujo combate foi dificultado pelo "terreno acidentado" e pela "falta de acessos". O governador civil de Coimbra e o presidente da Câmara de Arganil acompanharam as operações de combate ao incêndio. CSS/MLS/OM. Lusa/fim.
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O Colmeal ficou rodeado de fumo espesso. Colmeal, que segundo a Lusa, fica no concelho de Góis. A aflição e a incerteza quanto ao desfecho voltaram a atingir a população, maioritariamente envelhecida.
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Os meios aéreos - aviões e helicópteros, responderam com prontidão e aproveitando a luz do dia foram despejando a sua preciosa carga na tentativa de diminuir a força devastadora das chamas, que o vento afastava do Colmeal. No terreno, mais de duas centenas de profissionais ajudavam a combater o incêndio e a circunscrevê-lo. A sua acção foi determinante e a vigilância que mantiveram foi impeditiva da propagação de outros reacendimentos.
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Atendendo a que no Colmeal não existe nenhum reservatório apropriado para que os helicópteros se possam reabastecer de água, estes eram obrigados a deslocar-se à vizinha aldeia do Carvalhal, no cimo da serra. No concelho de Góis está prevista para o ano de 2008 a construção de mais 2 pontos de água, com capacidade de 100 000 litros. Será que algum deles está destinado à aldeia do Colmeal?
Há quantos anos se pretende que este benefício seja concretizado? A aldeia terá que arder primeiro?
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As encostas mostram agora a desolação, a tristeza, a negritude que um fogo provoca. E ao que quase se adivinha não terão sido causas naturais as que estiveram na origem deste incêndio.

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A paisagem verde está agora beliscada por esta mancha negra que por pouco não atingiu as povoações de Açor e Ádela e se aproximou de Cepos, no vizinho concelho de Arganil.

COLMEAL

A UNIÃO alia cultura ao seu aniversário
Vai ser já no próximo dia 21. Na comemoração de mais um aniversário, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal vai de novo introduzir um pouco de cultura nos seus setenta e sete anos de um longo percurso trilhando os caminhos do regionalismo. O ano passado fomos conhecer uma das sete maravilhas de Portugal – o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, classificado com Património Mundial pela UNESCO e que está considerado como sendo o monumento de maior importância na história da arquitectura medieval no nosso país.
Este ano iremos descobrir e apreciar, bem no coração do Ribatejo, o que a Casa dos Patudos, em Alpiarça, tem para mostrar aos Colmealenses. A casa projectada pelo arquitecto Raul Lino a pedido de José Relvas foi construída em 1905 e é, desde a morte deste, em 1929, um importantíssimo Museu de Arte e ao mesmo tempo um Museu Monográfico, representativo da figura do seu fundador. José de Mascarenhas Relvas (1858-1929) foi uma figura notável da vida política e diplomática portuguesa do período da Primeira República, em que se destacou como ministro, embaixador e como homem de espírito superior. Sendo dotado de um particular gosto artístico foi também um violinista notável, registando-se actuações suas no Real Coliseu dos Recreios de Lisboa e, muito naturalmente, nos animados serões culturais que se realizavam em sua casa onde reunia amigos, artistas e intelectuais. Tem apenas vinte e quatro anos quando toma posse das casas agrícolas de seus pais, em Alpiarça, e dez anos mais tarde já é reconhecido como um afamado viticultor. Com a fortuna acumulada pela exploração agrícola, avança na construção da Casa dos Patudos pela necessidade de maiores espaços face ao constante crescimento das suas colecções. Começa então a desenvolver a sua colecção de arte, que vai sendo aumentada e enriquecida nas muitas viagens que o levam através das capitais europeias, em leilões de colecções particulares ou em compras e trocas que faz em antiquários conceituados. A sua colecção de arte é reveladora de uma cultura singular, imbuída no espírito do coleccionismo do seu tempo, pelo que hoje, aqueles milhares de visitantes que passam pela Casa-Museu dos Patudos a consideram como uma das mais belas e elegantes casas portuguesas do século passado. José Relvas legou, por testamento de 1929, ano da sua morte, a quinta e praticamente todos os seus bens ao município de Alpiarça. Uma das “vontades” que deixou expressa no seu testamento era a de que a Casa dos Patudos fosse conservada como museu e este é considerado hoje, pelos especialistas, como o mais importante museu autárquico que temos no país. Percorrendo as suas salas encontramos obras de arquitectura, pintura e escultura. Também porcelanas, faiança, azulejaria, mobiliário, tapeçarias e os têxteis. Retratos de família, objectos pessoais e a sua biblioteca. Autores nacionais e estrangeiros, muitos deles mestres de referência em Espanha, Itália, França, Inglaterra, Holanda, Bélgica e Alemanha. Mas obras e autores da Índia, China, Pérsia e Japão podem igualmente ser apreciados nesta visita. De finais da Idade Média até princípio do século passado há vastíssimos motivos de interesse para prenderem a nossa atenção. Nos jardins que rodeiam o museu encontram-se algumas peças importantes. No andar térreo encontraremos duas salas temáticas – a Sala Carlos Relvas e a Sala de Arte Sacra. A escadaria, forrada a azulejo, leva-nos ao primeiro piso, às salas dedicadas à família Relvas. Quadros Malhoa, mobiliários dos séculos XVII e XVIII, Companhia das Índias, Arraiolos e diversa pintura setecentista. Depois, as Salas da Música, das Colunas, de São Francisco e dos Primitivos. Seguem-se as Salas Romântica, Silva Porto e Galeria Verde onde têm destaque as escolas francesas, inglesa e portuguesa. Na Sala das Aguarelas, entre outras, obras de Alberto Sousa e Roque Gameiro e cerâmicas de Rafael Bordalo Pinheiro. Importante o acervo, sobretudo de peças de porcelana e faiança, com que nos deparamos nas Salas de Jantar e Renascença. Na Biblioteca de José Relvas com mais de 4.000 volumes podemos observar também alguns dos seus objectos pessoais. No piso superior que antecede o sótão, ao tempo aposentos dos empregados internos, apenas se encontra aberto ao público o conjunto da antecâmara, quarto de dormir e de vestir, de José Relvas. Ao privilegiarmos de novo a cultura nas comemorações dos setenta e sete anos da União Progressiva, temos a certeza de estarmos no caminho certo. Não esqueceremos nunca os tempos difíceis e árduos dos nossos antecessores na luta e na conquista de benfeitorias tão necessárias às nossas terras e às nossas gentes. Venha connosco, porque vai gostar de visitar a Casa-Museu dos Patudos. Nós já o fizemos e vamos repetir. E depois, não se esqueça de que iremos passar uma excelente tarde de convívio na Quinta da Feteira. Almoço, lanche, música ao vivo e bar aberto. E muitos amigos para ver, rever e pôr a conversa em dia. Venha, porque vai valer a pena! Lisboa, 31 de Agosto de 2008 Pela Direcção da UPFC A. Domingos Santos

Vigiando das Caveiras

Olá! Estive de férias mas como o que é bom acaba depressa, cá estou eu a trabalhar e a escrever-vos mais um bilhete-postal, sentado na habitual pedra fria, aqui nas Caveiras.
Este ano (como em todos os outros) passei alguns dias das minhas férias na aldeia mais alta e mais linda do concelho de Góis; Aldeia Velha. Durante o tempo que andei por lá, além do tempo que estive a trabalhar, também tive a oportunidade de visitar alguns lugares escondidos e de passagem obrigatória neste emaranhado serrano.
Fui com “a pulga atrás da orelha” tentando conversar com algumas pessoas sobre um assunto que diz respeito a toda a freguesia do Colmeal; na esperança de poder encontrar a pessoa certa mas devido ao pouco tempo que estive em Aldeia Velha, não me foi possível fazer uma abordagem de modo a inteirar-me minimamente da situação uma vez que na “internet”, o assunto que hoje me trás por cá, ainda não carece de atenção.
Hoje em dia, fala-se muito na divulgação cultural das aldeias. Fala-se também, que o que era antigo começa novamente a estar na moda. Existem terras dentro e fora do concelho que mostram as suas origens, os seus costumes, enfim, todas as suas riquezas. São boas apostas quando realmente se tem algo a mostrar ao mundo! Todos nós como seres humanos apreciamos olhar para uma boa velharia ou ouvir contar uma história ou lenda antiga do tempo dos nossos avós.
Mas agora pergunto eu! Será que por terras do Colmeal não haverá mais nada de interesse cultural sem serem as histórias antigas, imagens de homens e mulheres exemplares e de reconhecimento nacional, movimentações regionalistas e alguma gastronomia?
Pois é meus amigos, falta aqui o Rancho Folclórico Serra do Ceira!
Neste verão tentei saber como e onde estava o rancho. Foi-me dito que existem alguns problemas judiciais por resolver, que o rancho está sediado no Colmeal e que é difícil recrutar membros devido á falta de rapaziada nova…
Quem me conhece, sabe que há já alguns anos me tenho preocupado com este assunto e gostaria de ajudar no que me for possível.
Desde 2002, sou espectador assíduo num festival de folclore no concelho de Loures, e sempre que lá estou, “rói-me” a alma saber que na minha terra podia até nem haver um festival mas o rancho podia lá existir!
Segundo li de fonte segura (internet), o Rancho Folclórico Serra do Ceira fez uma actuação no ano de 2000 no festival de Folclore de Ortiga (Mação). É a única referência que existe (no mundo virtual) a este rancho.
Não quero que me interpretem mal por estar a tocar neste assunto. Confesso que não sei “da missa metade” por isso não me alongo na conversa.
Tenho conhecimento que os instrumentos existem, os trajes também, algumas fotografias e outros objectos que formam um tesouro para os colmealenses.
Tenho esperança que os destinos do rancho caiam em boas mãos e pois há muitas pessoas que desejam o mesmo que eu. Espero que se tente encontrar uma solução rápida e positiva para que o reaparecimento do rancho do Colmeal aconteça.
Deixo aqui o meu apelo. Que estas palavras sirvam para chamar a atenção a um assunto que a todos diz respeito. Trata-se da nossa cultura!
A todos, muito obrigado, até breve… Henrique Miguel Mendes http://vigiando-das-caveiras.blogspot.com/