quinta-feira, 29 de maio de 2008

AÇORES… aqui tão perto

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Noite escura em Lisboa. Apenas as luzes dos candeeiros e dos carros que rolam. Olhos (que aqui não se vêem) mostrando um pouco do sono que ficou por dormir. A pouco e pouco o dia clareando, foi empurrando a madrugada para outras paragens. O momento desejado há já alguns meses estava cada vez mais próximo. As pérolas do Atlântico estavam a pouco mais de duas horas.

O “contenente” havia de ir ficando para trás e os novos descobridores, quase seis séculos depois e agora, pelo ar, iam-se aproximando daquelas ilhas, quais grãos de areia perdidos na imensidão do oceano. Cada ilha com as suas cores, com as suas características próprias, com os seus sabores. Ilhas que viram partir, à procura de melhores oportunidades de vida, mais de um milhão dos seus filhos, muitos dos quais sabendo que não voltariam nunca. Tempos e vidas difíceis, tal como os nossos pais e avós sentiram quando deixaram as nossas aldeias, mas sem o mar a inviabilizar um regresso às origens.

Duas “navegadoras” arganilenses preparam-se para pisar terra. Tomaram conhecimento desta viagem, tal como outros participantes, através das notas que remetemos para a imprensa regional, o que vem confirmar como é importante o seu papel junto da comunidade serrana. Ter o Colmeal e a União Progressiva na comunicação social regional é levá-los aos quatro cantos do mundo.

O folclore açoriano é riquíssimo. Não só nos trajes, coloridos nas mulheres e sóbrio nos homens, mas também na dança e nos cantares típicos. Com origem em música popular do continente português, nomeadamente Beiras e Alentejo, alterou-se com as condições do meio e atingiu formas próprias. Alguns grupos folclóricos têm efectuado trabalho de pesquisa, conseguindo reproduzir com rigor os trajes, as músicas e as danças de antigamente.


Igrejas, conventos e ermidas. Castelos, palácios e museus. Fortes em bom estado, outrora guardiães de intrusos. Precioso conjunto de monumentos bem conservados e de visita obrigatória.

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A gastronomia açoriana é muito diversificada, de acordo com os produtos e os hábitos alimentares de cada ilha. Para além do cozido confeccionado no calor das caldeiras, muitas foram as especialidades que tivemos oportunidade de apreciar. Não poderemos esquecer o ananás ou os vários tipos de queijos, bem como a doçaria, o chá, os vinhos ou os licores.
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As igrejas existentes em todas as freguesias e construídas desde o início do povoamento têm no seu interior verdadeiras obras de arte. Ermidas e capelas encontram-se espalhadas pelas diversas ilhas.
Das muitas festas populares destacam-se as do Divino Espírito Santo (as de maior tradição nos Açores), as festas municipais e as festas ao santo padroeiro de cada localidade, com as suas procissões e arraiais.
O culto do Divino Espírito Santo levou à construção de “Impérios” (como este da fotografia) em todas as freguesias, sendo facilmente identificáveis.
Em São Miguel, a festa ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, é a maior manifestação da religiosidade não só do povo micaelense mas de todo o arquipélago.



Costuma-se dizer que quem vai aos Açores e não vai ao Peter’s… não foi aos Açores.
O quase centenário Peter Café Sport é mundialmente conhecido por ser um local de refúgio para os iatistas que cruzam o oceano e aqui fazem escala “obrigatória”. E quase todos deixam uma marca da sua passagem. Nós, mesmo não sendo navegadores, deixámos a marca da nossa passagem – um galhardete da União.
No Museu de Scrimshaw, situado no piso superior, existem magníficos trabalhos em osso de baleia e dente de cachalote. Outrora “passatempo” de marinheiros durante as longas viagens e esperas, hoje, é feito em terra por outro tipo de aventureiros – os artistas – que em matéria tão perfeita continuam a gravar as ilhas, as gentes e a saudade.

As fotografias tiradas durante o passeio (e são mais de uma dúzia…) irão sendo publicadas neste blogue. Entretanto, não esqueça… que ficamos a aguardar pelas suas.
Obrigado por ter viajado connosco.

UPFC

terça-feira, 27 de maio de 2008

Recantos do Soito – Capela de São Pedro

É talvez um dos sítios mais míticos do Soito, sendo, ao longo da história, para além de um local de oração, o verdadeiro centro da aldeia.

Segundo a tradição oral, terá aproximadamente cerca de seiscentos anos e à data da sua construção situava-se no cimo da aldeia, que entretanto se foi expandido pela encosta. Diz-se, também, que juntamente com a capela do Sobral, é uma das mais antigas da Freguesia, para além, naturalmente, das capelas da sede da Freguesia.

Ainda segundo a mesma tradição oral, a imagem de São Pedro, feita em pedra, já existia antes da construção da capela, sendo nesses tempos guardada na casa dos habitantes da aldeia.

Independentemente das convicções religiosas de cada um de nós, consideramos que a capela é o património histórico mais relevante da aldeia e por isso ao longo das gerações houve sempre a preocupação de manter a dignidade deste espaço, através de obras de conservação e manutenção, que apesar da aplicação de novos materiais de construção, ao nível do exterior, manteve intacto o património essencial.

A necessidade de proceder a novas obras que actualmente se encontram em fase de finalização, faltando apenas a pintura exterior, associada às preocupações actualmente dominantes na aldeia, no sentido da reconstrução tradicional levou, e em nosso entender bem, a uma importante valorização do imóvel, que estamos certo orgulharia os nossos antepassados responsáveis pela construção original.

Conforme as fotos seguintes revelam, estas obras consistiram na colocação de tectos e porta em madeira, nova iluminação; telhado em lousa, escadaria em xisto e colocação de rodapé exterior em xisto.

Para além do empenho da Comissão de Melhoramentos do Soito, permitam-me salientar, em termos individuais, o envolvimento do senhor José Nunes de Almeida e o trabalho realizado por Fernando Manuel de Almeida Brás (carpintaria) e Hans Elias Kolland (trabalhos em xisto).







António Duarte – CMS

sábado, 17 de maio de 2008

Esta semana...

É já amanhã que o Colmeal vai ao teatro. A "Geração Varzeense" vai animar os Colmealenses. Prevemos que o Centro Paroquial, nesta iniciativa da Junta de Freguesia, venha a ser pequeno para acolher tantos espectadores sequiosos de momentos de boa disposição. Na próxima quarta-feira, dia 21 de Maio, em mais uma realização da Câmara Municipal de Góis, vai ser inaugurada a XIIª Feira do Livro de Góis, pelas 11 horas, este ano sob o signo do "Património Cultural". A União Progressiva regozija-se por este acontecimento, como motor para a divulgação do livro e para a necessidade da leitura, e também como factor essencial de desenvolvimento pessoal. Congratulamos a nossa associada e amiga, Dr.ª Lisete de Matos, pela apresentação que irá fazer do seu novo livro "Dos Objectos para as Pessoas". "Talvez por isso me tenha sabido tão bem encontrar a Lisete de Matos, na sua barca de palavras e imagens, a viajar serenamente pela Serra do Açor, sem encalhar nos tristes baixios do presente" assim diz Paulo Ramalho na apresentação que faz desta nova obra e aproveita para avisar que "ignorar o passado pode ser uma forma insidiosa de suicídio cultural". Recomendamos vivamente este novo livro de Lisete de Matos, que já tivemos o privilégio de ler e apreciar. Será um livro para que cada um de nós não esqueça tempos idos que por nós passaram e por onde nós andámos envolvidos. Um livro para ser "contado e explicado" pelos pais aos filhos que já viveram noutros tempos, mais recentes. Um livro para ser oferecido aos amigos. Um livro para ficar com cada um de nós. Ao ler este livro, sentimo-nos a percorrer a nossa Avenida da Memória, que sem querer, um dia e num cruzamento qualquer, poderá desembocar numa qualquer Avenida do Esquecimento. "Como certo candeeiro, esquecido por alguém na janela de uma velha casa..." Parabéns Lisete. Na próxima semana vamos aos Açores para uma visita a quatro das suas ilhas, conforme fomos divulgando neste espaço e na imprensa regional. Temos pena que não venha connosco, mas também é verdade que não podemos ir todos. Daqui a uma semana cá estaremos. Prepare-se para apreciar as nossas fotos e o que tivermos para lhe contar. E não fique triste. Uma semana passa depressa. Aproveite para ir recordando o que ao longo destes meses fomos publicando. Dê uma olhadela pelas gavetas e talvez encontre uma fotografia antiga, ou então escreva "qualquer coisinha" para publicarmos. Até p'rá semana.
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UPFC

Licenciatura

É sempre motivo de satisfação sabermos que alguém, e neste caso ligado ao Colmeal, se valorizou em termos académicos tendo em vista o futuro profissional que terá pela frente.
De acordo com notícia vinda na imprensa do concelho de Góis, a jovem Sofia das Neves Rodrigues, com apenas 21 anos, terminou no passado dia 11 os seus estudos na área de Radiologia, na Escola de Saúde Egas Moniz.
Para esta associada da União Progressiva, os nossos parabéns e os votos de uma carreira profissional repleta de êxitos.


Recordamos aqui a sua colaboração na quermesse, nas Festas de Agosto de 2003, com a amiga Diana.


UPFC

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Assinatura de protocolo



Foi com visível satisfação dos intervenientes que se procedeu à assinatura do Protocolo de Cooperação para a cedência da Escola Básica do 1.º Ciclo no Colmeal.
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No passado dia 27 de Abril, momentos antes de ser iniciada a Assembleia de Freguesia, os presidentes da Junta de Freguesia do Colmeal e da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, respectivamente Henrique Brás Mendes e António Domingos Santos, formalizaram um protocolo para a cedência das instalações onde funcionou o referido estabelecimento de ensino entretanto encerrado por falta de alunos.
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Foi o culminar de um processo que demorou algum tempo mas que a União nunca deixou de perseguir.
A homologação da Carta Educativa de Góis bem como o diálogo construtivo que se estabeleceu entre as partes foi fundamental para o desfecho de todo este processo. A acção e o empenho do senhor Presidente da Junta de Freguesia do Colmeal junto da Câmara Municipal de Góis foram determinantes.
Manter a escola fechada e sem utilização, como se verifica em tantos outros casos de edifícios públicos, só apressaria a entrada numa situação de forte depreciação, o que não serviria a ninguém.



Em breves improvisos os dois responsáveis congratularam-se pela solução encontrada e pela colocação do espaço ao serviço da cultura e do lazer, para benefício da população.

UPFC

TEATRO no Colmeal

No próximo domingo, pelas 16 horas, não se esqueça que vai haver TEATRO no CENTRO. A Junta de Freguesia do Colmeal, de acordo com a sua política de promoção de acções no campo da cultura, do lazer e de aproveitamento de tempos livres, vai levar até ao Colmeal o Grupo de Teatro "GERAÇÃO VARZEENSE". No dia 18, o Centro Paroquial Padre Anselmo, vai ser pequeno para que todos possam assistir à representação das peças
"UM DIA FANTÁSTICO", "CHAPÉUS HÁ MUITOS" e "BÊBADO DIVERTIDO".
Esta iniciativa, que consideramos muito louvável, destina-se a toda a comunidade e pretende proporcionar aos presentes, uma tarde de domingo diferente. Venha confraternizar! Venha divertir-se! Olhe que vai valer a pena!!! Recorda-se de como foi bonita e agradável aquela noite de fados de Coimbra, em Julho passado? Então venha! Não fique em casa. Esperamos por si e... guardamos-lhe um lugar. Mas não se atrase!
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UPFC

Recordar "O Colmeal" 7 e 8


Numa nota discreta da primeira página, lia-se no número 7 de “O Colmeal” que o Rev.º Padre André de Almeida Freire encontrava-se doente na Casa de Saúde (Coimbra). Neste dia 15 de Agosto de 1960, em destaque na mesma página, louva-se a elevada classificação na formatura em medicina do Exmo. Sr. Dr. António Martinho, casado a Sr.ª. Dª Maria Helena Martinho (Colmeal).

Santa Maria é o Santo deste mês e não pode deixar de ser a mais santas de todas as criaturas, Maria, Mãe de Jesus… foi sempre verdade unanimemente acreditada por todos que Nossa Senhora, após a Sua vida na terra, foi levada para o Paraíso. A arte cristã teve sempre uma especial predilecção…dedicaram-se igrejas e catedrais, santuários e ermidas, é figurada em tapetes e marfins, reproduziu-se em pórticos, capitéis, vitrais; os mais comoventes representam o transporte da Virgem ao céu acompanhada por multidões de anjos…Entrada no céu, Nossa Senhora foi coroada de Rainha e Advogada dos homens…

Continuando a falar nos nomes da nossa terra, “O Colmeal” de Agosto diz:
“…Loural - vem louro ou loureiro.
Soito – ou souto vem de “aglomerado de castanheiros” que em tempos idos eram abundantes.
Foz da Cova – a palavra foz deriva de fauce que significa goela. Assim como a comida passa da boca para o estômago através das goelas, a água passa do rio para o m ar através da foz. Assim Foz da Cova é o sítio onde tem que passar água que cai num outro sítio chamado Cova.
Penedo – não sei se ainda habita aqui alguém mas habitou. Chama-se assim porque deve haver ou ter havido alguma fraga ou pedra invulgar.
Malhada – Malhada pode significar mata de carvalhos ou o sítio onde os pastores guardavam os rebanhos e se abrigavam.
Quinta de Belide – propriedade e casal situado ao fundo da barroca de Belide.
Carrimá – terá sido a alcunha do seu primeiro habitante ou este nome terá a ver com carreiro mau que servia esta povoação…”

“Marco do Correio” dá as seguintes notícias:
Colmeal: A Câmara Municipal de Góis nomeou cantoneiro da estrada Rolão-Colmeal, o Sr. Manuel de Almeida Neves.
Àdela: Realizou-se no dia 10 a festa em honra de S. Lourenço…foi mordomo o Sr. Armando Neves da Costa…
Malhada: …festa em honra de S. José e Nª. Sr.ª de Fátima… no dia 11…foi mordomo o Sr. Eduardo de Almeida Nunes

Neste número, “O Colmeal” congratula-se pelos pedidos de assinaturas e dá a conhecer mais alguns nomes. Também dá conta que o peditório para a aquisição do sino já conta com 1.615$00.


No dia 15 de Setembro de 1960, saia o 8º número de “O Colmeal”. Na primeira página surge uma fotografia da procissão levada efeito durante a festa. Com uma notícia de duas páginas, refere-se a mais de 120 pessoas reunidas na festa do Colmeal onde a Filarmónica Avoense esteve presente. 27 Crianças fizeram a Comunhão Solene e não se renderam ao sol ardente durante o percurso da procissão. Este ano, reunindo as ofertas em dinheiro e géneros, a igreja arrecadou 2.500$00 e o S. da Amargura 4.000$00 que servirão para um melhoramento na capela a realizar brevemente.
Mais uma vez, penso que este assunto está na ordem do dia…

Numa página (3) deste número de “O Colmeal” há um quadro que ao lê-lo é impossível esconder um sorriso pelas boas maneiras que se recomendam, escritas numa letra minúscula e que diz o seguinte:
“Parece mal!...
- Repreender os criados ou os filhos crescidos diante de pessoas estranhas - Beber com a boca cheia - Fumar durante as refeições - Fazer gestos com o talher na mão ou fazer barulho com ele batendo nos pratos ou copos - Molhar o pão no molho - Partir o pão aos bocadinhos com a faca - Inclinar o prato para apanhar o resto da sopa com a colher ou pior ainda; levar o prato à boca - Apoiar os cotovelos em cima da mesa - Interromper as conversas - Usar o copo antes de limpar os lábios - Soprar a comida quente - Comer ou beber demais…

Neste mês, “O Colmeal” fala-nos do Arcanjo São Miguel. Tratando-se de uma criatura angélica, o anjo, ou melhor dizendo, o arcanjo (chefe dos anjos) São Miguel é um mensageiro de Deus… nas imagens pintadas ou esculpidas, os anjos aparecem representados como se fossem rapazinhos novos de longas vestes e brancas asas, isto porque é a única forma humana de os representar. A diferença entre o homem e o anjo é que o homem é espírito e corpo e o anjo é apenas espírito, por isso mais semelhante a Deus. São Miguel, o arcanjo, é o chefe dos anjos. Seu nome vem de Mi-ca-El, que quer dizer: “quem como Deus”.

No mesmo número pode ler-se: “…Á União Progressiva da freguesia do Colmeal, foi concedida pelo Sr. Ministro das Obras Públicas a comparticipação de 190.200$00 para os trabalhos de construção do caminho municipal de Rolão (EN112) e ramal para a povoação do Soito (entre Roçaio e Colmeal) …“ “…a Cabreira… viveu no passado dia 27 de Agosto um dos dias mais felizes… pelo acto inaugural do primeiro troço de estrada (Góis – Cabreira). Assistiu o Sr. Governador Civil, Sr. Presidente da Câmara de Góis e outras individualidades de relevo…pela Comissão de Melhoramentos da Cabreira foi oferecido um almoço a que presidiu o Sr. Eng.º Horácio de Moura e durante o qual se trocaram amistosos brindes e votos…insistindo… para que continuassem…o prosseguimento da mesma estrada…até ao seu fim, ligar a sede de concelho a outras povoações isoladas…nomeadamente as sedes de freguesia do Cadafaz e Colmeal…”

Nesta edição de Agosto e devido ao espaço ocupado pela notícia da festa do Colmeal, o boletim reparte a sua secção “Marco do Correio” por 3 páginas repletas de muitas novidades e que passo a referir algumas:
Colmeal: …15 de Agosto na Capela do Senhor da Amargura… casamento do Sr. Mário Mendes Domingos com a menina Arminda da Conceição silva… no mesmo dia recebeu o Baptismo o menino Mário de Jesus Martins… No dia 28 foi baptizado o menino José Joaquim Moita… No dia 27 deflagrou um violento incêndio na “Boiça do Vinagre” que causou enormes prejuízos em pinhais e olivais numa extensão pertencente ao Colmeal, Carvalhal e Aldeia Velha.
Malhada: …no dia 11 de Agosto foi baptizado os meninos Manuel das Neves de Almeida e Rosa Maria Ramos da Cunha…
Soito: …18 de Agosto casou-se o Sr. José Henriques dos Santos (Cepos) com a menina Anunciação dos Santos… 2 de Agosto foi baptizado Sérgio Manuel Anunciação Duarte e a 28 de Agosto foi baptizada a menina Margarida de Jesus.
Sobral: Foi baptizado no dia 17 o menino Fernando de Almeida
Açor: No dia 20 realizou-se a festa anual em honra de Nossa Senhora da Saúde…foi mordomo o Sr. Francisco Gonçalves. Foi baptizada a menina Silvina Martins dos Santos.
Aldeia Velha: Realizou-se como costume no dia 22 a festa em honra de Nossa Senhora do Livramento…foram mordomos os Srs. Manuel Domingos de Almeida, José Francisco e Armando Moreira (Loural).
Àdela: ...tivemos conhecimento de algumas sugestões através do Sr. José Fontes, em especial a reparação da rua principal deste lugar…
Lisboa: Com óptimas classificações completou o 5º ano no Liceu Gil Vicente, o Sr. António Domingos dos Santos…obteve também o 1º prémio da Livraria Bertrand no 2º Ano de escola francesa.

Na última página deste número dá-se conta do valor dos donativos para a compra de um novo sino que é de 3.261$00 e surge uma história engraçada no espaço “Sempre Alegres” que diz assim:
“…- Na minha terra há um rio onde se pescam seis peixes de cada vez que se atira o anzol.
- Isso não é nada. Conheço um lago na minha terra onde é preciso enxotar os peixes para o anzol poder entrar na água!...”
Colmealenses, por agora é tudo, até breve.

Henrique Miguel Mendes

terça-feira, 13 de maio de 2008

Recantos do Soito – Fonte Velha


Até ao início dos anos 50 do século passado, data em que o sistema de água canalizada foi construído, este seria sem dúvida um dos sítios mais movimentados da aldeia, que então contava com cerca de uma centena de habitantes.

Com água abundante e muito boa e localizada num sítio muito aprazível, a “fonte-velha” continuou e continua a ser para todos nós um ponto de encontro, sobretudo quando o calor aperta e este precioso líquido é o melhor remédio para a sede.

A sua importância foi de novo posta em relevo, quando há cerca de 3 anos e em virtude do incêndio junto à aldeia a água da rede pública ficou imprópria para consumo.
Há cerca de oito anos e após um estado de grande abandono, a Comissão de Melhoramentos do Soito, então reactivada após cerca de 20 anos de letargia, decidiu requalificar aquele espaço, devolvendo-lhe alguma dignidade.

Da fase anteriores não dispomos, infelizmente, de quaisquer fotos, mas após essas obras ficou assim:

Entretanto e já durante o corrente ano, considerámos essencial melhorar os acessos que apresentavam algum perigo, tendo em conta a idade avançada de boa parte das pessoas que a utilizam, sendo também essencial fazer um reaproveitamento das águas que face aos invernos relativamente secos dos últimos anos, começavam a escassear.

Era também oportunidade de corrigir alguns erros “arquitectónicos”, então cometidos pelo empreiteiro e pôr à vista a nascente, tal como acontecia na sua versão original.

A obra que actualmente se encontra em finalização, foi nesta fase custeada pela Junta de Freguesia do Colmeal, a quem desde já agradecemos e pode ser vista nas fotos seguintes:






António Duarte (CM Soito)

Apanhados...

No final da caminhada "Na rota do carteiro" fomos apanhados quando tecíamos os nossos comentários... favoráveis, à iniciativa que a União levara por montes e vales, para grande surpresa de quem os via passar e para grande satisfação de quem se metera ao caminho onde em tempos não muito remotos passava o carteiro, aquele levador de boas e más notícias, de promessas nem sempre cumpridas de amores distantes, de lágrimas nem sempre visíveis de quem longe labutava para a mulher e os filhos que haviam ficado.
Poderia ser esta a legenda da fotografia tirada à mesa de pedra nas Seladas.



Lisete de Matos e Amilcar de Almeida levaram a peito a sua conjectura. Não pela "Rota dos moinhos" como chegaram a pensar, ideia que abandonaram pelo estado difícil e intransitável em que se encontravam os caminhos, mas pelos "Trilhos da Ribeira de Ádela" que tantas vezes palmilharam, para lá e para cá, a caminho da sua escola.
Fizeram um trabalho excelente, natural de quem se dedica de alma e coração ao que faz. Mobilizaram e interessaram outras pessoas. Fizeram o que é preciso fazer quando se quer contrariar o isolamento e a desertificação. Mostraram o que têm e o que sabem fazer. Lutaram contra a memória que se vai perdendo com o cair das folhas do calendário das nossas vidas. Novos e velhos fizeram parte de uma equipa que nos fará voltar ao Açor. Merecem a nossa presença. A sua atitude deve ser premiada e divulgada, para que noutros lugares, fazendo o mesmo, não fiquem sentados à espera que o inevitável aconteça.
Um OBRIGADO GRANDE para eles e para todos os que no Açor tão bem souberam receber os participantes desta Caminhada promovida pela União Progressiva da Freguesia do Colmeal.

UPFC

domingo, 11 de maio de 2008

Participe no Blogue

Caro Visitante do Blogue, vamos inserir no nosso espaço "A UNIÃO NO PRESENTE", as fotografias da caminhada recentemente realizada e de como ela foi "vista" por alguns dos seus participantes. Certamente já terá pensado em colaborar no nosso blogue, enviando-nos fotografias, escrevendo ou tentando colocar algum comentário. As fotografias poderão ser remetidas para o nosso endereço, ou se emprestadas, garantimos-lhe a sua devolução. Compreendemos o quanto elas significam para si e ficamos contentes por querer partilhá-las connosco. Se pretender enviar notas para publicação é só utilizar o endereço da União, que nós faremos o resto. Quanto a comentários... é tão simples. Na notícia, ao fundo, basta fazer um clique em cima da palavra "comentários", deixar que se abra uma janela onde poderá ler e escrever o que entender e seguir as instruções. Na verificação de palavras é só copiar o que se pede e, se pretender manter o anonimato, carregar em "Publicar o seu comentário" e... já está. Como vê, é simples. Consigo e com a sua participação este blogue vai ser muito melhor. Obrigado.
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Francisco Silva

Assembleia de Freguesia no Colmeal

A sala de sessões da Junta de Freguesia do Colmeal foi demasiado pequena para acolher todos os Colmealenses que responderam afirmativamente à sensibilização e mobilização feitas pela União Progressiva para que houvesse uma ampla participação na reunião de 27 de Abril, da Assembleia de Freguesia. Nesta reunião, inserida numa política de descentralização ou de “desconcentração”, como a Senhora Presidente da Assembleia de Freguesia do Colmeal prefere chamar e que se pretende levar às restantes aldeias, foram colocadas diversas e pertinentes questões por alguns dos presentes, interessados em saber e acompanhar o que se vai fazendo na freguesia. A falta de água, problema crítico de todos os anos em Agosto, o deplorável e perigoso calcetamento em algumas ruas, a inoperacionalidade das bocas-de-incêndio, o caminho em mau estado para o pontão, a localização do palco para actuação dos conjuntos, o estado degradado e esquecido da igreja do Colmeal ou o pouco cuidado na manutenção do cemitério, foram alguns dos pontos questionados. Também se falou da necessidade de melhorar e expandir a zona balnear à ponte, das preocupações com a instalação da linha de alta tensão próxima de habitações, das receitas do parque eólico, do aproveitamento e embelezamento de espaços públicos e dos melhoramentos urgentes a introduzir no caminho para a Cortada, um dos locais mais bonitos da nossa freguesia. Preocupações relacionadas com selecção de lixos, limpeza de ruas e caminhos, falta de torneira em chafariz e a necessidade de um recinto para práticas desportivas foram outros dos assuntos apresentados. Manifestado reconhecimento pela limpeza que se está a verificar ao longo das estradas do Vale do Ceira e do Rolão. Face a esta última, foi referido e elogiado o enchimento de parte das valetas nos locais em que a sua fundura poderia ser causadora de graves acidentes. Foram recordados nomes de alguns regionalistas que muito fizeram pela freguesia e que até hoje nunca mereceram o devido reconhecimento pela Câmara Municipal de Góis. Na abertura da reunião, a Senhora Presidente da Assembleia de Freguesia explicou com clareza e muito sucintamente, o funcionamento dos órgãos de soberania e o papel do Poder Local. Referiu-se também aos projectos que têm sido apresentados no concelho, com realce para o recente “Programa Director de Inovação, Competitividade e Empreendedorismo para o Município de Góis” e ao QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional. Antes desta reunião foi celebrado um Protocolo de Cooperação, entre a Junta de Freguesia do Colmeal e a União Progressiva da Freguesia do Colmeal, tendo em vista a cedência do espaço onde funcionou a Escola Básica. UPFC

Posto Médico

Todos os Colmealenses sentem a falta de um Posto Médico na sua sede de freguesia.
O primitivo, instalado e mobilado há décadas atrás pela União Progressiva da Freguesia do Colmeal, ao Canto, foi mais tarde transferido para a Casa da Residência, agora desabitada. E ali foi funcionando até um dia...
Admitiu-se que no edifício sede da Junta de Freguesia pudesse vir a funcionar o novo Posto Médico. Para esse fim e ao que julgamos saber, chegou algum mobiliário, mas as alterações entretanto sofridas a nível de política da saúde, parecem ditar a sua não abertura.
A vinda de um médico ao Colmeal foi rareando até desaparecer por completo. Apenas um enfermeiro se desloca com alguma regularidade para acorrer a situações de serviço domiciliário, de tratamentos em doentes com pouca mobilidade ou acamados.




Quando nos aproximávamos do Colmeal, depois de atravessarmos a Ponte sobre o Ceira, dávamos com uma placa indicativa da existência e da direcção a tomar para um Posto Médico. Que não existia. Mas isso todos nós sabíamos. Porque somos de lá ou porque lá residimos.
O problema colocava-se para quem não conhecia a região e que numa situação de emergência ao perder minutos preciosos estes se poderiam tornar fatais. Não se poderá encontrar o que não existe.
Já em tempos alguém, na imprensa regional, se havia referido a esta situação.




Verificamos que foram tomadas em conta as preocupações que se vinham a manifestar quanto a esta placa, que finalmente foi removida.
Desejamos muito sinceramente que ela seja de novo colocada e o mais depressa possível, pois será sinal de que o Posto Médico, no Colmeal, voltará a funcionar para bem da sua população maioritariamente envelhecida.

UPFC

sábado, 10 de maio de 2008

DEPOIS DA CAMINHADA, A CAMINHO DO FUTURO!

Sob o lema Cepos e Colmeal em movimento, inscrito nas camisolas brancas e frescas que muitos dos participantes orgulhosamente vestiam, realizou-se recentemente a caminhada “Trilhos da Ribeira de Ádela, caminhos da escola”. A sua organização envolveu a colaboração de várias entidades (União Progressiva da Freguesia do Colmeal, Centro Social, Comissão de Melhoramentos e Junta de Freguesia de Cepos), que certamente muito contribuiu para o sucesso da iniciativa.

Deliciados e confortados com as filhós e o café servidos em Cepos, os caminhantes partiram à descoberta da serra e do caminho, que os esperavam, eles próprios ansiosos de se verem de novo afagados por pés revitalizantes do desuso, e das almas e corpos que se pretendem sãos. Alguns pareciam faunos divertidos, com o lenço da mão armado em carapuço de quatro bicos a proteger-lhes a cabeça do sol escaldante inesperado!




Formada por mais de duzentas pessoas, devido à estreiteza dos caminhos, a caminhada era um cordão humano, extenso, serpenteante e ruidoso, que alegrava a serra espantada, e fazia lembrar as visitas pascais de antigamente, quando se faziam a pé, de aldeia em aldeia, com uma multidão de gente a acompanhar, e a “alumiar”o Senhor, em cumprimento de promessa satisfeita ou por razões de convívio. Eram homens e mulheres, crianças, jovens e idosos, gente de aldeias e cidades, nacionais e estrangeiros, profissionais de múltiplos ramos de actividade, autarcas de municípios e freguesias, todos irmanados no objectivo comum de caminhar caminhando, pelas veredas do percurso e da vida, cada qual no exercício mais empenhado do seu papel. Como dizia uma participante, cabra manca não tem sesta e se a tem pouco lhe presta, sobretudo quando é a realidade social que manqueja!

Depois desta referência pictórica, que os relatos e as fotografias já publicadas e a publicar nos “blogues”http://upfc-colmeal-gois.blogspot.com/ http://comelhoramentoscepos.blogspot.com/ permitirão aprofundar, passo a sublinhar alguns dos aspectos a que fui particularmente sensível, por considerar que constituem uma mais valia portadora de esperança, no âmbito da estrutura socio-económica e cultural que caracteriza a zona. É que vejo a caminhada como oportunidade de festa, reencontro e convívio, mas também como manifestação, (ex)pressão colectiva e desocultação, dos recursos e potencialidades da serra. Recursos e potencialidades que poderão alicerçar a viabilidade e o desenvolvimento sustentado. Entre outros, a que olhos e perspectivas distintas terão sido sensíveis, destaco os seguintes: solidariedade e entreajuda comoventes, traduzidas no apoio que muitos prestaram a outros, a justificarem reciprocidade e subsidiariedade política; hospitalidade e arte de bem receber, que tanto se recomendam quando o turismo pode ser uma das vias para o desenvolvimento; competências e saberes diversos, à espera de libertação pelo génio da iniciativa e do investimento; produtos endógenos de grande qualidade, cuja fabricação pode ser optimizada; capacidade de mobilização, e de se deixar mobilizar, o que constitui condição essencial para a mudança; capacidade (por parte dos organizadores) de trabalho conjunto e superação das fronteiras fictícias, a demonstrar a bondade das parcerias autênticas e da maximização dos territórios e interacções sociais, na aldeia dita global em que vivemos; paisagem deslumbrante e património natural e construído muito rico e diversificado, disponíveis para serem preservados, e colocados ao serviço da atractividade e da economia. Diria, finalmente, que a caminhada também revelou que afinal existe gente, capital humano, como dizem os peritos. Não é maioritariamente residente? Pois, é verdade! Mas esse é um dos factores que fazem da serra e da região, em geral, uma realidade social tão singular, porque também feita de ausentes que podem tornar-se cada vez mais presentes. Depois da caminhada, a caminho do futuro!
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Açor, 9 de Maio de 2008
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Lisete de Matos

IGREJA DO COLMEAL

Da Acta da Reunião Ordinária de 11/Agosto/2003 da Câmara Municipal de Góis, retiramos a seguinte parte, por dizer respeito à nossa freguesia e à nossa aldeia, o Colmeal.

“ASSUNTOS NÃO AGENDADOS
2.12 - IGREJA PAROQUIAL DA FREGUESIA DO COLMEAL – O senhor Vereador Manuel Almeida Gama, referiu que tal, como já antes havia alertado o senhor Vereador João Veiga e Moura, constatou no último fim-de-semana, o avançado estado de degradação em que se encontra a Igreja Paroquial do Colmeal.
Mais referiu, que apesar de a Câmara não ter responsabilidades directas sobre o imóvel, é importante que em colaboração com a Fábrica da Igreja do Colmeal, procure uma solução para actual situação.
O senhor Presidente informou que a Câmara já se disponibilizou por várias vezes, para colaborar na elaboração do projecto e nas obras, que reconhece serem perfeitamente justificáveis.
A Câmara tomou conhecimento.”
In “O Varzeense” de 30/Agosto/2003

“O Varzeense” de 15 de Setembro de 2003 (número a seguir) dava realce ao estado de grande degradação em que se encontrava a Igreja do Colmeal.







Temos vindo a apreciar as fotografias de outras igrejas do concelho de Góis, que têm sido publicadas no Blogóis e que aqui reproduzimos, com a devida vénia. Fotografias das igrejas em Telhada e Góis (6 de Maio), Chã de Alvares e Góis (7 de Maio), Chão dos Santos e Cortes (9 de Maio).



A nossa igreja do Colmeal surge no mesmo blogue em 8 de Maio.
Tal como na fotografia, colocada sem comentários, não há comentários possíveis a fazer. Há apenas tristeza, tristeza tantas vezes manifestada mas infelizmente nunca ouvida.


Ainda recentemente na Assembleia de Freguesia do Colmeal, realizada no passado dia 27 de Abril, muitas foram as vozes que questionaram os motivos desta degradação e do esquecimento a que está votado este templo, que semanalmente recebe os seus crentes.
A Comissão da Fábrica da Igreja sabe das preocupações e apreensões que grassam entre os naturais e residentes da freguesia do Colmeal face ao estado em que se encontra a igreja da sua sede de freguesia. A Comissão da Fábrica da Igreja e como é do domínio público, já teve várias ofertas de colaboração para que as obras comecem.
Não entendemos nem ninguém entende o porquê deste estado de coisas.











Da nossa Igreja do Colmeal, por mais que tentemos não conseguimos tirar melhores fotografias do que estas.
Mais um Agosto se aproxima e será que quem voltar à sua terra ainda vai ver a sua Igreja neste estado? Esperamos e acreditamos que não.