quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Loural


Ao chegarmos ao cimo da serra parecia que aquele relógio grande, enorme perante a nossa pequenez, nos queria indicar que eram quase três horas.



Olhando lá para cima, com o pescoço quase a fazer um ângulo recto, tomamos consciência da desproporção daquele moinho comparado com um de papel que nos tinham dado em pequenito. E que também girava com o vento...



Na descida para o Colmeal, um pequeno desvio para apreciarmos uma aldeia outrora cheia de vida e agora deserta. Casas fechadas e pedaços de terra sem ninguém para cuidar deles à mercê dos rigores de mais um inverno que se aproxima.



Esquecidas e esventradas as casas lá estão, cada uma com a sua história para contar. Velhos e novos por ali viveram até ao dia em que se decidiram por novas paragens.



Já não se ouvem risos de crianças nem conversas de adultos. Nem promessas e juras de amor entre os mais novos. As portas estão fechadas e provavelmente quem as fechou não as poderá jamais abrir.



Escadas agora tristes por não haver ninguém para as subir e descer.
Lousas que tiveram a sua função e agora se encostam, repousando, até que alguém se lembre delas e as coloque numa qualquer casa reconstruída.



Subindo e descendo estes degraus, deixámos para trás o silêncio e as histórias de muitas vidas. E trouxemos connosco um pouco de tudo.
Podemos dizer que foi bom termos ido ao Loural.

UPFC