terça-feira, 11 de dezembro de 2007

ESTÓRIAS DO COLMEAL (IV)

TRIBUNAL À MEIA-NOITE
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O destemido caminhante da Serra - principal protagonista da “estória” “BRUXAS”, que vos contámos há tempos – não regressou “consolado”, como entenderam alguns dos nossos amigos colmealenses (algo maliciosos), a quem já nos apetece chamar de “nossos leitores”. Ele não foi bem acolhido pelas célebres “Luzes”, que ele pensara “andarem no BAILE” a divertir-se. E tal como diz o ditado “a curiosidade matou o gato”, o seguinte lhe aconteceu: - Deparou-se com um TRIBUNAL – a decorrer na Corte do Castelo da Rainha Aoibheall Sim...um verdadeiro Tribunal, com Juízes e Jurados. Estes eram todos, de facto, indivíduos do sexo feminino, mas... muito importantes e demasiado sérios assuntos se encontravam a discutir. Tão sérios e tão graves - pois procuravam CULPADOS, claro – que nunca admitiriam a intromissão de alguma criatura estranha, em reunião de tão altas individualidades. O atrevido caminhante foi, portanto, severamente castigado... no Tribunal,
“Na CORTE À MEIA-NOITE” “ CÚIRT AN MHEÁN-OÍCHE”
Dirão agora os nossos amigos: - Que brincadeira é esta? Serão estas, as ditas “palavras estranhas” da outra História? - Não, não possuímos tal conhecimento. Sugerimos que leiam em vóz alta as três palavras principais, e...logo verificam que são equivalentes às nossas...ou, se preferirem, são a sua tradução literal. Encontrámos tais palavras num baú do nosso sótão: “perdidas”, “atropeladas”, amarelecidas... pelo pó dos séculos. São apenas palavras, mas que contêm uma magia especial: transportam-nos a um passado muito remoto... a muitos séculos atrás... muitas Palavras que chegaram até aos nossos dias quase intactas – com o mesmo som, o mesmo significado – só a escrita evoluiu, naturalmente – é um POEMA. Dizem os entendidos – autores de grandes compêndios sobre a HISTÓRIA da nossa TERRA - que esta era a Língua falada pelo povo da Rainha Aoibheall, e mais uma vez, segundo reza a História, era um dos POVOS CELTAS – nossos antepassados históricos. Sim, os CELTAS que vieram lá do Norte, muito do Norte da Europa (da velha Irlanda, Escócia e... os Vikings dos Países Nórdicos) até Portugal. No nosso País ficaram - principalmente no Norte e Centro (na Beira), e por cá nos deixaram grandes heranças. A ser verdade como são estas palavras – também... Contos, Poemas, Lendas de Encantar ou de Estarrecer de Medo chegaram até aos nossos dias. São a “Herança Cultural” que recebemos dos CELTAS, cuja Língua, dizem também os entendidos, era o Gaélico. Sim, meus Amigos, não há qualquer margem para dúvida – NÓS, OS COLMEALENSES (Colmeal e freguesia), com toda a nossa Magia, Mistérios, Lendas, Histórias e... aquela maneira de falar dos Antigos (não esquecendo a nossa beleza, porque somos mesmo bonitos/as) – somos CELTAS, sim Senhor. Na Serra do Açor, eles cá estiveram e nós somos os seus BISNETOS...TRINETOS....TETRANETOS... Acreditamos pois que, o POEMA encontrado nos nossos baús está escrito em Língua Gaélica.
CÚIRT an MHEÁN OÍCHE – A CORTE À MEIA-NOITE
O Poema está bastante “estropiado” – vamos tentar alguma “reconstituição”. E, quem sabe?... ...A nossa próxima “Estória do Colmeal” contará o que aconteceu ao “Destemido Caminhante da Serra”, ao enfrentar o Tribunal da Corte - encantado como estava (certamente sim, com intenções maliciosas à mistura) – e pensando encontrar um muito divertido “Baile de Bruxas”... Talvez então, já vos possamos divulgar que TRIBUNAIS eram estes.... As amigas de sempre ANA, BADANA, RABECA, SUSANA
Que vos enviam votos de
SANTAS FESTIVIDADES UM ANO DE 2008 Com SAÚDE PAZ FÉ ESPERANÇA
E como ouvimos alguém dizer, há poucos dias:
UM NATAL SEM HISTÓRIAS NÃO LEMBRA NEM AO MENINO JESUS
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1 comentário:

Anónimo disse...

A ser assim, estamos perante um achado histórico fantástico! Ficamos à espera da decifração do enigma, quem sabe? se de um romance protagonizado por terras do Colmeal, na senda de José Rodrigues dos Santos com A Fórmula de Deus (Lisboa, Gradiva, 2006) ou de Dan Brown com O Código Da Vinci (Lisboa, Liv. Bertrand, 2003), entre outros.

Sobre a nossa beleza, recordá-la faz sempre bem à auto-estima! A propósito, lembram-se dos atributos com que somos caracterizados no Guia de Portugal, 3º vol. (F. Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1984, 2ª ed. p. 395)? Permito-me transcrever: “o tipo beirão desta zona serrana distingue-se sensivelmente do resto da beira. É alto, enxuto, claro ou moreno, às vezes citrino, de olhos castanhos ou azuis, aparecendo também o gordo simpático e bonacheirão que parece ter acabado de chegar da orla pirenaica francesa e falando todos um português nítido, sem converter os ss em x, como é jeito da pronúncia das gentes das duas beiras interiores. Este tipo aparece entre Pampilhosa da Serra e Arganil, mas é no Vale do Ceira, de Góis ao Piódão, pela Cabreira, Sandinha, Colmeal, Fajão e Porto da Balsa, descendo sobre a vertente norte das serras sobre o Alva, desde a nascente deste rio até Arganil e daqui outra vez a Góis – que ele é mais acentuado … À mulher, forte, esbelta, rústica e naturalmente elegante, corresponde tipo idêntico …” Não é um mimo de descrição? Considerando a data da obra, o autor deve ter andado por aí, deslumbrado, a observar as beldades que agora podemos ver e recordar, nas fotografias antigas!

Abraço, Natal muito harmonioso, excelente 2008.

Lisete de Matos