sexta-feira, 30 de novembro de 2007

ESTÓRIAS DO COLMEAL (III)

BRUXAS..... Entusiasmadas pelo último comentário de Lisete de Matos, outra “estória” surgiu na nossa memória: Passa-se na Serra do Açor, claro. Do Colmeal muito bem se avistam algumas das suas encostas... ladeiras...que aqui - no seu todo - eram chamadas, noutros tempos, de : “A Serra da Aldeia-Velha”, onde acontecimentos misteriosos tinham lugar..., principalmente de noite!!! Vislumbrava-se, por exemplo, a aldeia do ROSSAIO (actualmente “aldeia-fantasma”, só ruínas restam... se os últimos incêndios alguns vestígios deixaram), e... do COLMEAL ao ROSSAIO, uma grande escuridão se estendia: eram matos selvagens, eram árvores, muitas árvores, castanheiros, sobreiros, pinheiros.... recantos escondidos... curvas de estrada em terra batida... curvas sinuosas onde ninguém se atrevia a passar sózinho.... principalmente...de noite. Noites escuras - desta vez sem Lua Cheia!!!... Encontrava-se um grupo de homens, no Colmeal, no Largo da Fonte, em alegre conversa, voltados para a Serra que, de ali tão bem se avista - a dita “Serra da Aldeia-Velha”- e se vai estendendo a partir do Colmeal... atravessa o Rossaio... e sobe... sobe.... De repente, alguém reparou numa luz no meio do mato... um “luziku”... (como na época se dizia – esquecemo-nos de “colocar” a “estória” no tempo: princípios do século XX). Um dos homens (que também estará algures numa das estrelas reluzentes - quando o céu é de um azul límpido, iluminado por uma lua clara e brilhante -... e este episódio da sua vida já lhe terá sido perdoado!) olhou e disse, destemido: - São as Bruxas que se aproximam... vão para o Baile... Sei como “prendê-las”, e vamos ver quem são... vamos conhecê-las... vamos “apanhá-las em flagrante”. - Não faças tal coisa - disseram os seus amigos, entre o curioso e receoso. Mas ele, indiferente aos conselhos “avisados” dos seus amigos, começou a “falar” umas palavras que ninguém entendia. Palavras... e mais Palavras, e... as luzes... as luzes começaram a “descer” a Serra... bem alinhadas... umas atrás das outras.... - Pára, que elas se aproximam. Repetiam os amigos. Agora, o homem... de certo também receoso sobre eventuais imprevistos... parou a sua “ladainha”... olhou os amigos e disse: - Só tenho que dizer as Palavras ao contrário, para “soltá-las”. E lá começou a falar algo, que nenhum dos presentes entendia... Não é... que as luzes começaram a subir a Serra, de volta? Mas...desta vez, não iam alinhadas... parecia que algo de estranho se tinha passado... alguma coisa tinha acontecido... alguma coisa inesperada... desconhecida... cada luz para seu lado... como se “algum misterioso controlo” tivessem perdido... Mas... desapareceram, para descanso dos espectadores de tal cenário... E o “nosso amigo” entretanto adormecera... - “Será que bebeu demais, daquela aguardente de medronho, que tão bem a todos nos soube?” Perguntaram-se os amigos entre si... e mantiveram-se bem acordados... para “o que desse e viesse”... Acordaram o amigo, que era de outra aldeia da Freguesia. Insistiram para ele ficar e pernoitar na casa de um deles – à boa maneira hospitaleira colmealense, que tão bem conhecemos - mas ele inisistiu em regressar à sua casa… na outra aldeia... Assim fez. Passaram-se dias... e mais dias... Na verdade... durante largos dias... não voltou ao seu convívio habitual com os amigos do Colmeal. Estes estranharam... perguntavam por ele... ninguém sabia... Finalmente apareceu.... - “Que te aconteceu?” perguntaram-lhe os amigos. - “Nada... adormeci no caminho...” ... O seu rosto encontrava-se um pouco desfigurado... Olhos esbugalhados.... cabelos em pé, completamente desgrenhado... Roupa esfarrapada... camisa desfraldada... calças rasgadas... nódoas negras por todo o lado... até arranhões de unhas, marcadas nas costas... braços... pernas... e... até no pescoço se notavam... sim... pareciam mesmo... vestígios de profundas dentadas... Como diz o velho ditado: “NO CREO EN BRUJAS. PERO QUE LAS HAY... LAS HAY” Observação: “A “estória” que vos transmitimos não nos foi contada pelo “destemido caminhante da Serra”, mas sim por um dos tais “espectadores”, completamente fidedigno. Abraços para todos de ANA, BADANA, RABECA, SUSANA

1 comentário:

Anónimo disse...

Que sorte a do destemido! Depois de largos dias menino nas mãos das bruxas, só podia aparecer assim desfeito, mas consolado!
Abraço
Lisete de Matos