sexta-feira, 23 de novembro de 2007

ESTÓRIAS DO COLMEAL (II)

“A BOA NOITE”
Entusiasmadas pelo acolhimento da nossa “ESTÓRIA” e incitadas – dizemos mesmo: “sentindo-nos elogiadas” - pelo vosso comentário no tão bem elaborado “BLOG DO COLMEAL”, aqui vai mais uma pequena “estória”, enquanto a memória não nos falha... Passamos agora ao tempo das famosas “DEBULHAS”. Sim, acreditamos que também os mais jovens sabem muito bem ao que nos referimos: “DESFOLHADAS” e “DEBULHAS” são maravilhosamente descritas pelos mais famosos escritores portugueses e, certamente, foram lidas atentamente... talvez, algumas vezes esquecidas... mas sabem todos - de todas as idades e nível de instrução – o que são estas árduas mas alegres tarefas rurais. Pois bem, não vamos descrevê-las, vamos sim contar um dos muitos episódios que, no Colmeal, tinham lugar em torno das “debulhas”. Encontrava-se, então, uma família e seus amigos, ao serão (cá vem a noite), numa das salas da sua casa, a debulhar o milho. Todos conversavam sobre os diversos assuntos da actualidade colmealense, quando alguém deu pela falta de um objecto, indispensável à tarefa que desempenhavam no momento. Objecto simples, que seria encontrado, sem dúvida alguma, por uma das crianças que se encontravam na dita debulha. E, assim lhe disseram: - “Francisca, vai a casa da Tia Maria, buscar...” E, Francisca lá foi -alegre, fresca e airosa, inconsciente dos perigos da noite. Pois... a noite tem perigos em todo o lugar, em qualquer recôndita esquina, cruzamento... até na tão querida aldeia do Colmeal. E... Francisca demorou em voltar... Passaram minutos... e mais minutos. Quanto tempo? Nesse tempo... o tempo não importava tanto como hoje... nesse tempo, ouviam-se as badaladas do sino da Igreja, a alertar para o tempo. Poucos ou nenhuns teriam relógio no pulso. Francisca voltou – alegre, fresca e airosa como tinha ido – da sua “travessia” de uma rua apenas. - “Porque demoraste tanto, Francisca?”, lhe perguntaram alguns dos presentes, demais preocupados. - “Ah, encontrei uma senhora tão linda... vestida de branco... um branco tão lindo... uma cara tão branquinha e tão linda... parou na rua... e disse-me “BOA NOITE”. Eu fiquei tão admirada... não a conhecia, mas era tão linda... parei e respondi “BOA NOITE”, e vim-me embora”. Todos se entreolharam, ouviram as badaladas do sino da Igreja – era meia-noite e meia.... Em silêncio, arrumaram a sala, regressaram às suas casas e, pelo caminho, comentaram: “Que inconscientes fomos – a Francisca encontrou a “BOA NOITE”, sorte a dela e a nossa - mas... e se tivesse sido a “MÁ NOITE”? Pois... a “MÁ NOITE”, de preto vestida, e sem boas intenções, circulava também... não se sabia quando... pelas ruas, esquinas e cruzamentos do Colmeal... Acabou-se a “estória” e... com final feliz. Tal como na 1ª “estória” vos dizemos que esta também nos foi contada, em primeira pessoa, pela referida Francisca (nome fictício claro, assim como o da Tia Maria). Abraços para todos ANA, BADANA, RABECA, SUSANA

1 comentário:

Anónimo disse...

Exemplar, na função de transmitir valores, normas e possibilidades. E muito actual. Afinal, a boa e a má noite ainda hoje andam por aí, como o bom e o mau dia ou o lobo mau do Capuchinho Vermelho.
Vá, já tarda a próxima!
Abraço.
Lisete de Matos