sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Árvores da União



O título poderá levar-nos a um equívoco.
As árvores não são da União. São dos Colmealenses.
Foram colocadas, não no dia da árvore como normalmente acontece, porque era dia de semana e de trabalho, mas uns dias mais tarde.
As árvores podem e devem ser plantadas em qualquer dia, em qualquer mês.
A boa vontade de alguns "mecenas" permitiu a abertura dos buracos, a plantação das pequenas árvores e a sua manutenção. Colocação de rede protectora e rega periódica têm permitido que a quase totalidade tenha vingado (apenas uma se recusou a fazer companhia às restantes).
A Alameda Fernando Costa junto ao Parque "Os Pioneiros" terá daqui a algum tempo um aspecto mais acolhedor quando as árvores forem maiores.
Acreditamos que a estrada rasgada até ao rio venha a sofrer de algumas beneficiações visto tratar-se de um trajecto com interesse turístico.
Esperamos que a Câmara e a Junta de Freguesia lhe dêem a devida atenção.

UPFC

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Loural


Ao chegarmos ao cimo da serra parecia que aquele relógio grande, enorme perante a nossa pequenez, nos queria indicar que eram quase três horas.



Olhando lá para cima, com o pescoço quase a fazer um ângulo recto, tomamos consciência da desproporção daquele moinho comparado com um de papel que nos tinham dado em pequenito. E que também girava com o vento...



Na descida para o Colmeal, um pequeno desvio para apreciarmos uma aldeia outrora cheia de vida e agora deserta. Casas fechadas e pedaços de terra sem ninguém para cuidar deles à mercê dos rigores de mais um inverno que se aproxima.



Esquecidas e esventradas as casas lá estão, cada uma com a sua história para contar. Velhos e novos por ali viveram até ao dia em que se decidiram por novas paragens.



Já não se ouvem risos de crianças nem conversas de adultos. Nem promessas e juras de amor entre os mais novos. As portas estão fechadas e provavelmente quem as fechou não as poderá jamais abrir.



Escadas agora tristes por não haver ninguém para as subir e descer.
Lousas que tiveram a sua função e agora se encostam, repousando, até que alguém se lembre delas e as coloque numa qualquer casa reconstruída.



Subindo e descendo estes degraus, deixámos para trás o silêncio e as histórias de muitas vidas. E trouxemos connosco um pouco de tudo.
Podemos dizer que foi bom termos ido ao Loural.

UPFC

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

NATAL no Colmeal




Aldeia branca de geada. Chaminés fumegando. Ruas desertas.



Lá dentro, no Centro Paroquial Padre Anselmo, crianças impacientes e expectantes aguardavam pelos seus brinquedos



Os mais velhos, metidos nos seus agasalhos, iam conversando



Enquanto a lareira amenizava o ambiente.



Os brinquedos, ali estavam, escondidos dentro de um papel avermelhado e luzidio.
O Pai Natal parecia ter sido mais generoso. Viam-se mais embrulhos do que o habitual.



O presidente da União dirigindo-se aos presentes recordou as actividades realizadas e a satisfação por ali estar, com outros colegas dirigentes, para mais esta Festa de Natal.




Uma festa que este ano teve a particularidade de tudo ter sido oferecido por sócios e amigos da colectividade, não esquecendo as sobremesas, também elas feitas com muito carinho pelas senhoras do Colmeal.
Recordou e teve palavras de muito apreço e de esperança para com os que tiveram que partir para outros países à procura de melhores condições de vida.




Com a ajuda da senhora Vice-Presidente da Câmara Municipal de Góis, qual Mãe Natal, que também teve a gentileza de trazer lembranças para os mais pequenos, do senhor Presidente da Junta de Freguesia do Colmeal, da senhora Presidente da Assembleia de Freguesia e dos vários dirigentes presentes distribuíram-se os brinquedos, livros, jogos didácticos e algumas guloseimas.




A satisfação era bem visível nas caras dos mais pequenitos e também na de todos os outros que enchiam por completo a sala, mais uma vez cedida pela Cáritas Diocesana de Coimbra que também colaborou no lanche.
Um obrigado muito sincero a todos quantos ajudaram a União Progressiva e tornaram possível mais esta Festa de Natal.

UPFC

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Solstício de Inverno

Estou a escrever-vos na longa, na maior noite do Solstício de Inverno. Este facto, inerente à rotina do Cosmo, consequente com as leis da Astronomia, teve e tem uma importância grande na vida e imaginário do Homem. Aquando da sedentarização, os humanos começaram a ter de estruturar as suas vidas tendo em conta os ritmos e ciclos da Natureza. Após as colheitas temporãs seguiam-se as serôdias, e os frutos, e as vindimas. No horizonte próximo desenhava-se a chegada dos frios, das chuvas, das geadas e dos gelos. A Terra, espontaneamente, ansiava e buscava o tempo de pousio. As folhas caducas cobririam os campos; as pragas de insectos do ciclo do calor seriam debeladas pelas friagens; as herbáceas parasitas definhariam sob a acção das geadas. Todos estes factos devolveriam nutrientes aos campos, chuvas e gelos apaziguariam os solos sequiosos desde a estiagem. O Homem, homens e mulheres de então, juntava-se a preparar a nova tarefa que aí viria. Seria o afã do limpar dos campos e fazer as semeaduras. A grande noite do solstício (24 para 25 de Dezembro, segundo o nosso e actual calendário), iniciava o nascimento do novo ciclo de vida da Natureza que se avizinhava. Os dias começariam a “crescer”, aumentando o número de horas de luz solar. Era o “nascer” da esperança, o “nascer” da ambição de boas colheitas, para se alcançar a certeza da fartura tão almejada. Fartura que lhes traria a festa. A festa da Vida. A festa do “nascer duma nova vida” (o tempo da fartura). A indispensabilidade dos homens primevos se juntarem para colherem benefícios para o grupo foi sendo por eles apreendida e daí, talvez, houvessem começado a celebrar esse espírito. Antecipando assim a festa. A festa da Vida. Há, no nosso país, ainda resquícios destas festividades. “Adiafa”, assim se chama entre nós o que resta dessa antiga festividade. Não terá já a pureza inicial, mas também o Homem, ao tornar mais complexa a sua interacção social - as crenças, as filosofias, os sistemas e métodos, as religiões -, se foi afastando da pureza dos ciclos da Natureza. Há quem defenda que esta festividade dos primeiros homens estará na origem daquela que hoje se celebra e a que se chama de Natal. Não sei se assim é de facto, nem é essa discussão que aqui me traz. Apenas convoco este historial, nesta noite, para recuperar o espírito de “pureza” desses primeiros tempos, em que o Homem dependia do conjunto de esforços de todos os homens e mulheres. Da comunhão e assumpção do querer de todos, sem reservas, sem limites, para o bem de todos. Algumas destas palavras, que respiguei de alguns estudiosos da matéria, talvez não sejam completamente destituídas de sentido na memória de muitos Colmealenses. A verdade dos povos rurais é, normalmente, transversal. Aqui chegado quero, nesta noite, desejar a todos, com os homens e mulheres dos Corpos Directivos da UPFC à proa, uma muito boa “Adiafa da Vida”. Que o novo ciclo da Natureza que desta noite “nasce” (e Natal quer dizer nascer), e a que chamamos hoje de 2008, e se avizinha, traga, a todos, as maiores venturas e sucessos. No plano pessoal e, também, no do colectivo dos Colmealenses. Um terno abraço para todos. Até um dia destes. Helder dos Santos Pinheiro (Solstício de Inverno - “Noite de Natal de 2007”)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Natal branco no Colmeal

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A manhã acordou fria com a geada a tomar conta da estrada



As copas das árvores estavam mais brancas



As margens espelhavam o rigor da noite



A água do rio estava gelada


Os fetos queimados pela geada ficavam soberbos
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A estrada aconselhava cautela
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O Colmeal estava lindo no seu manto branco
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Mesmo lindo. E muito frio.


Mas lá dentro havia calor. Muito calor, alegria, carinho e amor.


UPFC

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Natal no Colmeal 2007



Nesta Festa de Natal a sala estava bem composta.
Algumas matrafonas tinham conseguido instalar-se num dos sofás e ansiosas, arregalavam os olhitos para ver qual seria o felizardo, entre os pequenitos, que iria usufruir da sua companhia.



Com a ternura estampada nos olhares e nos sorrisos



Com a beleza e a simpatia de mãos dadas




Com boa disposição, rostos alegres e felizes



Com um leitor interessadíssimo no livro acabado de receber



Com uma Mãe Natal plena de simpatia, de carinho e de chocolates



Os mais pequenos... sentiam-se mesmo pequenos com as prendas que a União lhes oferecera.
Mas felizes com a moldura humana e com o carinho que os rodeou.

Fotos de Lisete de Matos
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terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Uma prenda para si





No dia em que se atingiu a milésima visita ao "Álbum de Fotografias da União", aqui ficam, para si, duas prendas com este espectacular enquadramento do "ex-libris" da freguesia do Colmeal. O rio à ponte.
Mostre aos amigos. Mas de preferência... traga-os cá. Porque sempre é melhor do que em fotografia.


ESTÓRIAS DO COLMEAL (IV)

TRIBUNAL À MEIA-NOITE
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O destemido caminhante da Serra - principal protagonista da “estória” “BRUXAS”, que vos contámos há tempos – não regressou “consolado”, como entenderam alguns dos nossos amigos colmealenses (algo maliciosos), a quem já nos apetece chamar de “nossos leitores”. Ele não foi bem acolhido pelas célebres “Luzes”, que ele pensara “andarem no BAILE” a divertir-se. E tal como diz o ditado “a curiosidade matou o gato”, o seguinte lhe aconteceu: - Deparou-se com um TRIBUNAL – a decorrer na Corte do Castelo da Rainha Aoibheall Sim...um verdadeiro Tribunal, com Juízes e Jurados. Estes eram todos, de facto, indivíduos do sexo feminino, mas... muito importantes e demasiado sérios assuntos se encontravam a discutir. Tão sérios e tão graves - pois procuravam CULPADOS, claro – que nunca admitiriam a intromissão de alguma criatura estranha, em reunião de tão altas individualidades. O atrevido caminhante foi, portanto, severamente castigado... no Tribunal,
“Na CORTE À MEIA-NOITE” “ CÚIRT AN MHEÁN-OÍCHE”
Dirão agora os nossos amigos: - Que brincadeira é esta? Serão estas, as ditas “palavras estranhas” da outra História? - Não, não possuímos tal conhecimento. Sugerimos que leiam em vóz alta as três palavras principais, e...logo verificam que são equivalentes às nossas...ou, se preferirem, são a sua tradução literal. Encontrámos tais palavras num baú do nosso sótão: “perdidas”, “atropeladas”, amarelecidas... pelo pó dos séculos. São apenas palavras, mas que contêm uma magia especial: transportam-nos a um passado muito remoto... a muitos séculos atrás... muitas Palavras que chegaram até aos nossos dias quase intactas – com o mesmo som, o mesmo significado – só a escrita evoluiu, naturalmente – é um POEMA. Dizem os entendidos – autores de grandes compêndios sobre a HISTÓRIA da nossa TERRA - que esta era a Língua falada pelo povo da Rainha Aoibheall, e mais uma vez, segundo reza a História, era um dos POVOS CELTAS – nossos antepassados históricos. Sim, os CELTAS que vieram lá do Norte, muito do Norte da Europa (da velha Irlanda, Escócia e... os Vikings dos Países Nórdicos) até Portugal. No nosso País ficaram - principalmente no Norte e Centro (na Beira), e por cá nos deixaram grandes heranças. A ser verdade como são estas palavras – também... Contos, Poemas, Lendas de Encantar ou de Estarrecer de Medo chegaram até aos nossos dias. São a “Herança Cultural” que recebemos dos CELTAS, cuja Língua, dizem também os entendidos, era o Gaélico. Sim, meus Amigos, não há qualquer margem para dúvida – NÓS, OS COLMEALENSES (Colmeal e freguesia), com toda a nossa Magia, Mistérios, Lendas, Histórias e... aquela maneira de falar dos Antigos (não esquecendo a nossa beleza, porque somos mesmo bonitos/as) – somos CELTAS, sim Senhor. Na Serra do Açor, eles cá estiveram e nós somos os seus BISNETOS...TRINETOS....TETRANETOS... Acreditamos pois que, o POEMA encontrado nos nossos baús está escrito em Língua Gaélica.
CÚIRT an MHEÁN OÍCHE – A CORTE À MEIA-NOITE
O Poema está bastante “estropiado” – vamos tentar alguma “reconstituição”. E, quem sabe?... ...A nossa próxima “Estória do Colmeal” contará o que aconteceu ao “Destemido Caminhante da Serra”, ao enfrentar o Tribunal da Corte - encantado como estava (certamente sim, com intenções maliciosas à mistura) – e pensando encontrar um muito divertido “Baile de Bruxas”... Talvez então, já vos possamos divulgar que TRIBUNAIS eram estes.... As amigas de sempre ANA, BADANA, RABECA, SUSANA
Que vos enviam votos de
SANTAS FESTIVIDADES UM ANO DE 2008 Com SAÚDE PAZ FÉ ESPERANÇA
E como ouvimos alguém dizer, há poucos dias:
UM NATAL SEM HISTÓRIAS NÃO LEMBRA NEM AO MENINO JESUS
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BREVES CONTRIBUTOS PARA UM PLANO ESTRATÉGICO PARA O CONCELHO DE GÓIS

Embora a problemática do desenvolvimento do Concelho deva ser abordada como um todo, partindo de um diagnóstico da situação actual e perspectivando uma estratégica adequada para o futuro, que para além dos técnicos e políticos, deve ter em conta as forças vivas do Concelho (empresas, associações cidadãos, escolas, etc.), deixo essa tarefa para os especialistas, limitando-me aqui a efectuar um elenco de ideias / sugestões, nalgumas das áreas mais prementes: 1. Manutenção e preservação das aldeias serranas É um facto que as aldeias do Concelho, sobretudo as da zona da serra, estão em processo avançado de desertificação, tendo já “morrido” muitas das mais pequenas e adivinhando-se para breve igual destino para muitas das outras. Esta realidade, em que a já escassa população do Concelho se tende a concentrar em apenas duas Freguesias, merece em nosso entender um olhar diferente para o interior, sugerindo-se por isso as seguintes medidas, integradas naquilo a que poderíamos designar “Programa aldeias vivas”: a) Incentivar a reconstrução / construção tradicional (xisto, madeiras), o que poderia ser conseguido através de isenções de taxas municipais para este tipo de projectos, bem como do eventual licenciamento de uma pedreira municipal que pudesse fornecer pedra a preços simbólicos e do estabelecimento de entendimentos com os projectistas da zona, no sentido destes influenciarem os seus clientes, a fim de se conseguirem construções mais harmoniosas e integradas no respectivo meio ambiente; b) Privilegiar a reconstrução de casas e ruínas existentes em detrimento da construção nova, salvo em situações de manifesta falta de alternativas; c) Redução do IMI para as taxas mínimas, o que em princípio até pode originar um fenómeno de aumento de receitas, mediante o incremento da reconstrução para segunda habitação; d) Aposta mais acentuada num conjunto de aldeias piloto, pelo menos uma em cada Freguesia, tendo em conta as melhores acessibilidades e os níveis de interesse arquitectónicos já existentes, a fim de que as mesmas possam servir de atractivo na captação de visitantes e de novas pessoas interessadas em investir na zona (v.g. aldeias de xisto, aldeias preservadas); e) Melhorias das condições para os habitantes / visitantes das aldeias, com especial incidência no fornecimento de água em quantidade e qualidade e em pequenos sistemas de saneamento básico, o que nalguns casos pode ser conseguido com pequenos investimentos, através de redes não concentradas; f) Fomento de pequenas actividades locais que possam proporcionar algum rendimento, de forma que pelo menos nas aldeias com mais de 20 fogos, se possam manter pessoas em idade activa durante todo o ano (v.g. actividade de pequena agricultura e pecuária para venda local, actividades de turismo); g) Nas aldeias com mais de 20 fogos e em que já não existam residentes activos, fomentar a fixação de pelo menos um casal por aldeia, oferecendo-lhe habitação e um pequeno subsídio (valores estes que poderiam ser suportados por subsídios comunitários ao nível da construção / aquisição de habitação e posteriormente entre a Câmara e as Juntas de Freguesias, afectando, por exemplo, receitas da energia eólica), sendo que este subsídio poderia e deveria ser complementado com pequenas actividades locais como, vigilância e manutenção das casas dos não residentes (através do pagamento de uma espécie de quota de condomínio), manutenção de casas de convívio e outros equipamentos colectivos, limpezas de terrenos e caminhos, pequena agricultura, etc.; h) Fomento da criação de pequenos parques de campismo (1 por Freguesia), o que poderia ser uma fonte de algum rendimento directa e indirecta, para os activos que ali ainda residam; i) Estabelecer protocolos com empresas de comunicações, para que seja possível melhorar os serviços (Internet, Televisão e Telemóvel) e reduzir os custos de acesso, com especial incidência na Internet para os jovens que ainda vivam na serra e para as profissões em que este acesso seja fundamental, em que o mesmo acesso deveria ser tendencialmente gratuito (repare-se que alguns estrangeiros pensam fixar-se nas nossas aldeias, exercendo a sua profissão pela Internet); j) Envidar todos os esforços para manter / reabrir algumas escolas do interior do Concelho, sobretudo uma escola que sirva as Freguesias do Cadafaz e do Colmeal.
2. Aproveitamento das potencialidades do Concelho ao nível das energias alternativas e projectos complementares
Situado numa zona de serra, com uma densa floresta e vários cursos de água, o Concelho oferece grandes potencialidades nas diversas energias limpas, especialmente a hídrica, a eólica e a biomassa, sendo que o aproveitamento destas energias deve ser sobretudo efectuado por entidades privadas, sem esquecer as importâncias de possíveis parcerias com as autarquias, sobretudo na fase inicial em que tal pode funcionar como a alavanca necessária. Face ao exposto, entendemos que estes recursos naturais devem constituir uma mais-valia fundamental para o Concelho, através de: a) Captação de possíveis investidores para a eventual construção de uma central de biomassa no Concelho e/ou um ou mais parques de recolha de matéria-prima para este fim, o que neste caso depende também das políticas do Governo Central a este nível, mas seria fundamental para a criação de postos de trabalho directos e indirectos e poderia vir a fixar algumas pessoas nas aldeias serranas;
b) Maximização das receitas das autarquias em virtude da instalação de parques eólicos no Concelho, através de uma adequada negociação com as empresas candidatas, à semelhança do que vem sendo feito em outros concelhos vizinhos (v.g. Pampilhosa da Serra);
c) Desenvolvimento de contactos com empresas do sector no sentido do aproveitamento dos recursos hídricos do Concelho, com especial incidência no rio Ceira, onde os seus vales profundos permitem este aproveitamento sem externalidades negativas, numa vertente múltipla, designadamente: aproveitamento hidroeléctrico; turismo (desportos náuticos, pesca e fornecimento de um caudal adequado para as praias fluviais a jusante) e abastecimento de água para consumo doméstico.
3. Maior dinamização turística do Concelho, o que para além de algumas ideias já avançadas (v.g. disponibilização de lençóis de água adequados à pratica de desportos náuticos e pesca desportiva, dinamização das aldeias, criação de pequenos parques de campismo ao nível de Freguesia), implica ainda:
a) O empenhamento total na efectivação dos projectos em curso (v.g. hotel rural);
b) O incentivo a projectos de turismo de aldeia;
c) O incentivo à preservação e recuperação do património cultural (v.g. espaços museológicos, construção / reconstrução tradicional);
d) Dinamização de actividades de criação de valor ao nível de produtos tradicionais (v.g. artesanato, agricultura e pecuária biológicas);
e) A criação de circuitos / percursos pedestres ao nível de aldeia / freguesia, devidamente sinalizados, actividade que deverá ser feita em parceria com as associações locais;
f) A dinamização das actuais zonas de pesca desportiva que até ao momento ainda não terão produzido os resultados desejados, através da reconstrução de alguns açudes fundamentais para a reprodução piscícola (actividade que poderia contar com o apoio de algumas associações locais, até porque estas estruturas também são fundamentais como praias fluviais), melhoria dos acessos ao rio e efectiva fiscalização;
g) Fomento da criação de um parque de desportos radicais, aproveitando as condições excepcionais que o Concelho tem para este efeito, que deveria incluir actividades como o slide, rapell, escalada e outros, para o qual seria importante contar com a experiência empresarial já existente em Góis;
h) Efectiva divulgação dos locais e actividades de interesse numa perspectiva de turismo de natureza / turismo cultural.
4. Fomento da fixação de pessoas em Góis
Para além das ideias já avançadas, as quais permitindo o desenvolvimento de novas e variadas actividades terão um papel positivo a este nível, é importante também e sem esquecer a captação de novas industrias e o aproveitamento de algumas potencialidades do Concelho ao nível agrícola e pecuário (v.g produção de azeite e castanha, caprinicultura) e florestal, é também fundamental, que para além das medidas já tomadas (v.g. SLIJ), sejam ponderadas medidas do seguinte tipo: a) Que ao nível de novas admissões / transferências de pessoal para as autarquias e outras entidades a elas ligadas, se dê preferência aos que residem ou venham a residir em Góis;
b) Que a Câmara abdique de uma parte da margem de que pode dispor ao nível das receitas do IRS dos residentes, para baixar este imposto aos que efectivamente residam no Concelho;
c) Disponibilização de terrenos camarários para a construção de habitação a preços mais acessíveis para jovens que residam no Concelho;
d) Que se dedique uma especial atenção à questão das acessibilidades, o que deverá implicar:
Uma atitude em relação ao poder central, no que respeitam à construção de vias inter-regionais (v.g. construção da variante à EN 342 e eventual construção de uma auto-estrada / via rápida que com ligação ao Fundão venha a servir a zona do Vale do Ceira, actualmente a mais isolada);
Melhoria da rede de estradas municipais, incluindo o alargamento das mais estreitas e perigosas, bem como a melhoria dos respectivos pisos, limpeza de bermas, etc;
e) Dinamização de uma rede adequada de transportes públicos abrangendo todo o Concelho, o que dadas as dificuldades na sua rentabilização poderá ser encarado com um projecto a desenvolver por todas as autarquias do Concelho (v.g. utilizando, por exemplo fundos obtidos na energia eólica), uma vez que o aumento da mobilidade é indispensável a vários níveis, dos quais se destacam:
A necessidade de atrair às aldeias pessoas na situação de reformados (situação que poderá ser incrementada pela tendência à diminuição do valor das pensões), uma vez que estas pessoas são fundamentais para a manutenção de vida nas aldeias e para continuar a manter os centros de dia existentes e que nalguns casos são os únicos empregadores locais de mão-de-obra feminina;
O afluxo a Góis de um número maior de pessoas que actualmente se deslocam para os Concelhos limítrofes (v.g. Arganil e Pedrógão Grande), o que terá um impacto positivo no comércio local.
Lisboa 29 de Outubro de 2007 O Presidente da Comissão de Melhoramentos do Soito (António Duarte)
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

JOHN STEINBECK na Biblioteca da União

"Vou-me instruindo pouco a pouco, e quanto mais aprendo mais vejo que sei pouco." in "O Inverno do nosso descontentamento", pag. 200, Colecção "Dois Mundos", Ed. Livros do Brasil. Leia este ou outro qualquer livro deste grande escritor. Estão à sua espera. John Steinbeck associa-se assim ao primeiro aniversário da Biblioteca da União, no Colmeal, inaugurada em 10 de Dezembro de 2006. UPFC

domingo, 9 de dezembro de 2007

Carvalhal




A mesma aldeia.
Duas visões em "tempos" diferentes.

Estratégia para o futuro



- Mas Amílcar, depois deste treino de hoje... p'ró ano vai ser muito mais fácil.
O ano passado fomos ao Cabeço do Gato e descemos pelo Vale d'Asna e Sobral.
Hoje subimos ao Carvalhal, passámos por Aldeia Velha - aquela paragem foi retemperadora - Quinta das Águias, Soito - outra boa paragem e agora temos que pensar como é que a União pode "fechar a freguesia".
- Estou pronto para outra. Partia-se do Colmeal, passava-se pelo Açor - a Lisete tratava do petisco para animar o pessoal - seguia-se pela Ribeira (onde se juntam as ribeiras do Sangrinheiro e da Fonte Salgueiro) até Ádela.
Descansava-se um pouquito e fazia-se o regresso... porque aqui nas Seladas o pessoal da União retempera-nos as forças.
- Ora, se este ano foi a "rota do carteiro", p'ró ano poderá muito bem ser a "rota dos moinhos"...
- De acordo. Vamos nessa. Temos é que ir dar uma olhadela pelos caminhos, porque alguns devem precisar de limpeza.
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

CAMINHOS LIMPOS, CAMINHADA À ESPERA!

Encontram-se limpos os caminhos feitos de veredas ascendentes e descendentes que ligavam Ádela e Açor a Cepos e o inverso, assim se re-aproximando três povoações com passado densamente interpenetrado, através da proximidade geográfica, das trocas produtivas, da escola comum, e dos laços familiares e afectivos que o tempo foi urdindo e persistem. Do lado do Colmeal foram limpos há um ano, do lado de Cepos, recentemente. Parabéns às populações e, pela iniciativa, às Juntas de Freguesia de Cepos e Colmeal. Embora já não sirvam objectivos de sobrevivência, os caminhos representam um potencial importante ao serviço do lazer saudável, da preservação do património construído (com que esforço e determinação!), e do combate à desertificação verde que torna o território impenetrável. Andando por um desses caminhos, podia senti-lo atento às diferenças, e a sorrir contente de se ver limpo e de novo utilizado. Os pés que o pisavam calçavam ténis de marca herdados da moda que passou, o andar da caminhante era vagaroso e desajeitado, frequentemente parado para observar isto ou aquilo. Nada que se parecesse com o andar firme, decidido e apressado dos que antes o trilhavam, com os pés descalços ou mal calçados de tamancas e tamancos que o moíam, moendo as pessoas. E leves! Eram leves os pés que o afagavam, ao contrário dos pesados que antes o calcavam, ora para cima, ora para baixo, transportando, à cabeça ou às costas, as colheitas ribeirinhas, o milho para o moinho, a farinha para a broa, as compras, o saco dos livros e da merenda frugal, o medo do professor no desencontro com os números, as lágrimas vertidas depois umas tantas palmatoadas … Sentados, à beira de castanheiros velhinhos, de poisos e de currais resistentes ou desmoronados também eles contentes, repousavam finalmente da vida castigada as mulheres e homens que por ali labutavam, como a “Ti” Albertina, o “Ti” António Lourenço ou a “Ti” Emília (Muda). Enquanto as crianças brincavam, com a mãe a apressá-las chamando da colina em frente, o Zairito ladrava e farejava, já esquecido, tantos anos passados, que os coelhos e as perdizes também partiram com as pessoas. “Ó pequena, que cão é esse?”, perguntavam-lhe na rua dos Trigais, nos Cepos, só para a ouvirem responder, ingénua: “É o cão do meu tio!” Até onde caminhando os caminhos nos podem levar! Agora que estão limpos, vamos percorrê-los de novo, reactivando pertenças, memórias e afectos que são um capital para o futuro? Fica lançado o desafio à sólida experiência da União Progressiva da Freguesia do Colmeal na organização de caminhadas, em articulação as Juntas de Freguesia de Cepos e Colmeal, e com as colectividades de Açor, Ádela e Cepos, todas as outras, e todos, podendo e devendo participar. Por mim, posso fazer de guia e cozinheira pouco dotada de algum petisco tradicional!
Lisete de Matos Açor, Colmeal, 30 de Novembro de 2007

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

FADAS BOAS E FADAS MÁS

“Há duas espécies de fadas: as fadas boas e as fadas más. As fadas boas fazem coisas boas e as fadas más fazem coisas más. As fadas boas regam as flores com orvalho, acendem o lume dos velhos, seguram pelo bibe as crianças que vão cair ao rio, encantam os jardins, dançam no ar, inventam sonhos e, à noite, põem moedas de oiro dentro dos sapatos dos pobres. As fadas más fazem secar as fontes, apagam a fogueira dos pastores, rasgam a roupa que está ao sol a secar, desencantam os jardins, arreliam as crianças, atormentam os animais e roubam o dinheiro dos pobres. Quando uma fada boa vê uma árvore morta, com os ramos secos e sem folhas, toca-lhe com a sua varinha de condão e no mesmo instante a árvore cobre-se de folhas, de flores, de frutos e de pássaros a cantar. Quando uma fada má vê uma árvore cheia de folhas, de flores, de frutos e de pássaros a cantar, toca-lhe com a sua varinha mágica do mau fado, e no mesmo instante um vento gelado arranca as folhas, os frutos apodrecem, as flores murcham e os pássaros caem mortos no chão.” Sophia de Mello Breyner Andresen, in “a fada oriana”, da Editora figueirinhas Hoje, as crianças do Colmeal foram visitadas por uma FADA BOA. Livros com este e muitos outros contos foram-nos oferecidos para a Biblioteca da União. Da mesma autora, para além de “a fada oriana”, “o cavaleiro da dinamarca”, “a árvore” e “a floresta” passarão a estar disponíveis muito brevemente, para que todos os possam ler e apreciar. Os mais jovens estão de parabéns. Se ainda não souberem ler, de certeza que alguém lhes lerá estas histórias encantadoras, histórias que já fizeram as delícias de algumas gerações, noutros locais e certamente em meios menos agrestes. Uma outra colecção, de autores consagrados como Mark Twain, Júlio Verne, Walter Scott, Dostoiewsky ou Shakespeare apresenta-nos obras em formato reduzido e de fácil leitura. “Miguel Strogoff”, “Romeu e Julieta”, “Crime e Castigo” ou “Ben-Hur” são algumas destas obras, das mais lidas a nível mundial. Também podem ser lidas em edições normais, que já existem na Biblioteca da União. António Santos

Trilhos do Colmeal



A União Progressiva organizou a sua primeira caminhada em 2006, no dia 3 de Junho.
O Cabeço do Gato foi um dos pontos nevrálgicos e de êxtase para os participantes, pela vista circundante.

Este ano, a subida ao Carvalhal e Aldeia Velha e o desgastante regresso desde a Quinta das Águias, deslumbraram todos aqueles que recriaram a Rota do Carteiro.

No próximo ano prevemos "fechar a freguesia" embrenhando-nos pelos trilhos de Ádela e do Açor.

A nossa freguesia tem locais lindíssimos e nós queremos mostrá-los a quem nos visita.
O trilho que aqui vos apresentamos, vai ter a um dos sítios mais belos da freguesia do Colmeal.
Venha connosco até lá.
Mas hoje, não. Fica para um dos próximos dias.
Está prometido!

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

ESTÓRIAS DO COLMEAL (III)

BRUXAS..... Entusiasmadas pelo último comentário de Lisete de Matos, outra “estória” surgiu na nossa memória: Passa-se na Serra do Açor, claro. Do Colmeal muito bem se avistam algumas das suas encostas... ladeiras...que aqui - no seu todo - eram chamadas, noutros tempos, de : “A Serra da Aldeia-Velha”, onde acontecimentos misteriosos tinham lugar..., principalmente de noite!!! Vislumbrava-se, por exemplo, a aldeia do ROSSAIO (actualmente “aldeia-fantasma”, só ruínas restam... se os últimos incêndios alguns vestígios deixaram), e... do COLMEAL ao ROSSAIO, uma grande escuridão se estendia: eram matos selvagens, eram árvores, muitas árvores, castanheiros, sobreiros, pinheiros.... recantos escondidos... curvas de estrada em terra batida... curvas sinuosas onde ninguém se atrevia a passar sózinho.... principalmente...de noite. Noites escuras - desta vez sem Lua Cheia!!!... Encontrava-se um grupo de homens, no Colmeal, no Largo da Fonte, em alegre conversa, voltados para a Serra que, de ali tão bem se avista - a dita “Serra da Aldeia-Velha”- e se vai estendendo a partir do Colmeal... atravessa o Rossaio... e sobe... sobe.... De repente, alguém reparou numa luz no meio do mato... um “luziku”... (como na época se dizia – esquecemo-nos de “colocar” a “estória” no tempo: princípios do século XX). Um dos homens (que também estará algures numa das estrelas reluzentes - quando o céu é de um azul límpido, iluminado por uma lua clara e brilhante -... e este episódio da sua vida já lhe terá sido perdoado!) olhou e disse, destemido: - São as Bruxas que se aproximam... vão para o Baile... Sei como “prendê-las”, e vamos ver quem são... vamos conhecê-las... vamos “apanhá-las em flagrante”. - Não faças tal coisa - disseram os seus amigos, entre o curioso e receoso. Mas ele, indiferente aos conselhos “avisados” dos seus amigos, começou a “falar” umas palavras que ninguém entendia. Palavras... e mais Palavras, e... as luzes... as luzes começaram a “descer” a Serra... bem alinhadas... umas atrás das outras.... - Pára, que elas se aproximam. Repetiam os amigos. Agora, o homem... de certo também receoso sobre eventuais imprevistos... parou a sua “ladainha”... olhou os amigos e disse: - Só tenho que dizer as Palavras ao contrário, para “soltá-las”. E lá começou a falar algo, que nenhum dos presentes entendia... Não é... que as luzes começaram a subir a Serra, de volta? Mas...desta vez, não iam alinhadas... parecia que algo de estranho se tinha passado... alguma coisa tinha acontecido... alguma coisa inesperada... desconhecida... cada luz para seu lado... como se “algum misterioso controlo” tivessem perdido... Mas... desapareceram, para descanso dos espectadores de tal cenário... E o “nosso amigo” entretanto adormecera... - “Será que bebeu demais, daquela aguardente de medronho, que tão bem a todos nos soube?” Perguntaram-se os amigos entre si... e mantiveram-se bem acordados... para “o que desse e viesse”... Acordaram o amigo, que era de outra aldeia da Freguesia. Insistiram para ele ficar e pernoitar na casa de um deles – à boa maneira hospitaleira colmealense, que tão bem conhecemos - mas ele inisistiu em regressar à sua casa… na outra aldeia... Assim fez. Passaram-se dias... e mais dias... Na verdade... durante largos dias... não voltou ao seu convívio habitual com os amigos do Colmeal. Estes estranharam... perguntavam por ele... ninguém sabia... Finalmente apareceu.... - “Que te aconteceu?” perguntaram-lhe os amigos. - “Nada... adormeci no caminho...” ... O seu rosto encontrava-se um pouco desfigurado... Olhos esbugalhados.... cabelos em pé, completamente desgrenhado... Roupa esfarrapada... camisa desfraldada... calças rasgadas... nódoas negras por todo o lado... até arranhões de unhas, marcadas nas costas... braços... pernas... e... até no pescoço se notavam... sim... pareciam mesmo... vestígios de profundas dentadas... Como diz o velho ditado: “NO CREO EN BRUJAS. PERO QUE LAS HAY... LAS HAY” Observação: “A “estória” que vos transmitimos não nos foi contada pelo “destemido caminhante da Serra”, mas sim por um dos tais “espectadores”, completamente fidedigno. Abraços para todos de ANA, BADANA, RABECA, SUSANA

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

COLMEAL em fotografia


Podíamos começar esta série com uma fotografia do rio, à ponte, ou com uma panorâmica do Colmeal tirada do Ventoso.
Escolhemos esta.
Por ser tirada de um ângulo diferente, com um enquadramento diferente.
Tem o colorido, não só da "moldura", mas também o colorido das casas que se empertigaram todas para ficarem bem na fotografia. E ficaram bem.
Utilize o nosso endereço upfcolmeal@netcabo.pt e envie-nos as suas fotografias.
Vai gostar de as ver aqui e ficar feliz por poder partilhá-las com outras pessoas, qualquer que seja o sítio onde se encontrarem.
Já pensou que com a sua participação estará a ajudar a divulgar e a mostrar o seu Colmeal a todo o mundo?
Ficamos à espera!

UPFC

Foto de Mariana Brás da Costa

ESTÓRIAS DO COLMEAL (II)

“A BOA NOITE”
Entusiasmadas pelo acolhimento da nossa “ESTÓRIA” e incitadas – dizemos mesmo: “sentindo-nos elogiadas” - pelo vosso comentário no tão bem elaborado “BLOG DO COLMEAL”, aqui vai mais uma pequena “estória”, enquanto a memória não nos falha... Passamos agora ao tempo das famosas “DEBULHAS”. Sim, acreditamos que também os mais jovens sabem muito bem ao que nos referimos: “DESFOLHADAS” e “DEBULHAS” são maravilhosamente descritas pelos mais famosos escritores portugueses e, certamente, foram lidas atentamente... talvez, algumas vezes esquecidas... mas sabem todos - de todas as idades e nível de instrução – o que são estas árduas mas alegres tarefas rurais. Pois bem, não vamos descrevê-las, vamos sim contar um dos muitos episódios que, no Colmeal, tinham lugar em torno das “debulhas”. Encontrava-se, então, uma família e seus amigos, ao serão (cá vem a noite), numa das salas da sua casa, a debulhar o milho. Todos conversavam sobre os diversos assuntos da actualidade colmealense, quando alguém deu pela falta de um objecto, indispensável à tarefa que desempenhavam no momento. Objecto simples, que seria encontrado, sem dúvida alguma, por uma das crianças que se encontravam na dita debulha. E, assim lhe disseram: - “Francisca, vai a casa da Tia Maria, buscar...” E, Francisca lá foi -alegre, fresca e airosa, inconsciente dos perigos da noite. Pois... a noite tem perigos em todo o lugar, em qualquer recôndita esquina, cruzamento... até na tão querida aldeia do Colmeal. E... Francisca demorou em voltar... Passaram minutos... e mais minutos. Quanto tempo? Nesse tempo... o tempo não importava tanto como hoje... nesse tempo, ouviam-se as badaladas do sino da Igreja, a alertar para o tempo. Poucos ou nenhuns teriam relógio no pulso. Francisca voltou – alegre, fresca e airosa como tinha ido – da sua “travessia” de uma rua apenas. - “Porque demoraste tanto, Francisca?”, lhe perguntaram alguns dos presentes, demais preocupados. - “Ah, encontrei uma senhora tão linda... vestida de branco... um branco tão lindo... uma cara tão branquinha e tão linda... parou na rua... e disse-me “BOA NOITE”. Eu fiquei tão admirada... não a conhecia, mas era tão linda... parei e respondi “BOA NOITE”, e vim-me embora”. Todos se entreolharam, ouviram as badaladas do sino da Igreja – era meia-noite e meia.... Em silêncio, arrumaram a sala, regressaram às suas casas e, pelo caminho, comentaram: “Que inconscientes fomos – a Francisca encontrou a “BOA NOITE”, sorte a dela e a nossa - mas... e se tivesse sido a “MÁ NOITE”? Pois... a “MÁ NOITE”, de preto vestida, e sem boas intenções, circulava também... não se sabia quando... pelas ruas, esquinas e cruzamentos do Colmeal... Acabou-se a “estória” e... com final feliz. Tal como na 1ª “estória” vos dizemos que esta também nos foi contada, em primeira pessoa, pela referida Francisca (nome fictício claro, assim como o da Tia Maria). Abraços para todos ANA, BADANA, RABECA, SUSANA

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Obras-primas

O artesanato é, segundo alguns, uma das mais ricas expressões de um povo e uma actividade de reconhecido valor cultural e social.

O artesanato também é, para muitos, uma actividade económica. O Programa para a Promoção dos Ofícios e das Micro Empresas Artesanais tem como objectivo a valorização, expansão e renovação das artes, ofícios e micro empresas artesanais, identificando os artesãos e as actividades artesanais, conferindo-lhes maior visibilidade e valorização pessoal.
Poderemos considerar Abel Ascensão Marques como um destes artesãos.



A variedade e qualidade das suas obras em xisto são notáveis, como se pode confirmar nesta Torre do Relógio.







Foi-nos dado o privilégio (porque estão em casa dos próprios) de poder apreciar estas belas obras feitas com tanta sensibilidade, perícia e cuidado, onde a fidelidade aos processos tradicionais é notória.






Arlindo Oliveira Martins Braz e Mário Mendes Domingos são os seus autores.
Sabemos que gostariam de poder partilhar o seu trabalho dando-o a conhecer. Não o farão por vaidade pessoal, como calcularão, porque são pessoas extremamente simples e modestas.
Estamos disponíveis para os apoiar numa exposição, temporária ou permanente, porque as suas obras merecem ser apreciadas.
Outro Colmealense que já se disponibilizou para ceder algumas obras suas, feitas com pedras do rio foi Fernando Alves Caetano. Outros haverão, que serão talentos escondidos, mas que nós gostaríamos de poder revelar.

Para que tal seja realidade necessitamos de um espaço e ele existe.
Todos sabemos que ele existe, para que, entre outras coisas, possamos mostrar estas autênticas obras-primas aos Colmealenses e a quem nos visitar.
E é tão fácil e tão simples. Basta que as pessoas que decidem... o queiram.
Acreditamos que sim. Ainda acreditamos nas pessoas.

Um pouco de cultura na freguesia do Colmeal faz falta!
UPFC